terça-feira, 29 de março de 2011

Cadê o social do BNDES?

Gabriel Strautman

O economista Gabriel Strautman é enfático ao criticar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES às grandes obras de infraestrutura no país e, principalmente, os megaeventos planejados para acontecerem no Brasil nos próximos anos. A principal questão levantada por Strautman na entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone é a falta de transparência do banco quanto aos projetos que ele financia, tanto no que diz respeito aos juros aplicados quanto aos métodos de avaliação dos projetos aprovados. “O BNDES tem buscado fazer com que as indústrias que ele apoia se transformem em empresas orientadas para a globalização, com capacidade de disputar mercados globais. Portanto, não estamos falando de diversificação da economia doméstica, de maior integração regional dentro do país”, relatou.
Gabriel Strautman é economista formado pela Universidade de Brasília e mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, é o secretário executivo da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é o papel do BNDES no setor produtivo brasileiro de hoje? O banco tem cumprido seu papel social?
Gabriel Strautman – Não, ele não tem cumprido um papel social. O nome do bando é Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Embora incorpore o social na sua sigla, ele tem focado só no plano econômico. E tem agido num só sentido de desenvolvimento econômico que não privilegia um projeto de sociedade e economia redistributiva que reduza as desigualdades no Brasil. O BNDES hoje cumpre cada vez mais um papel importante no financiamento da política industrial brasileira e financia uma política econômica voltada apenas para o crescimento da economia a despeito dos direitos da população, da necessidade da redução das desigualdades e do cuidado e do zelo ao meio ambiente do Brasil.
IHU On-Line – Podemos dizer que o BNDES se tornou, nos últimos anos, o principal banco financiador dos grandes projetos no Brasil?
Gabriel Strautman – Certamente, e não apenas no Brasil como também na América Latina. O BNDES, desde 2003, se tornou uma ferramenta central no financiamento do desenvolvimento do Brasil, desbancando antigas instituições financeiras multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no papel de principais atores do financiamento do desenvolvimento. Isso, obviamente, do ponto de vista dos bancos.
“O BNDES a partir do governo Lula se tornou
o segundo maior banco de desenvolvimento do mundo”
O BNDES a partir do governo Lula se tornou o segundo maior banco de desenvolvimento do mundo. Ele supera os financiamentos do BID e do Banco Mundial somados na América Latina. Então, o BNDES hoje está por trás dos grandes projetos energéticos, como as usinas hidrelétricas dos rios Madeira, Jirau e Santo Antônio, assim como o questionável projeto de Belo Monte. Além disso, está por trás dos principais projetos destruidores do meio ambiente do Brasil. Entre seus financiados ainda estão a Companhia Siderúrgica do Atlântico e a Vale. Hoje, o BNDES está preparado também para financiar a construção de seis usinas hidrelétricas na Amazônia Peruana.
IHU On-Line – Luciano Coutinho, presidente do BNDES, diz que muitos dos investimentos que o banco tem feito evitam, em diversos casos, que as empresas beneficiadas quebrem. O que seria da economia brasileira atual sem o BNDES?
Gabriel Strautman – Não há dúvida que o BNDES é uma ferramenta importante para o desenvolvimento da nossa economia. Mas o que questionamos é porque o banco financia um projeto tão polêmico quanto Belo Monte e não incentiva o avanço da pequena indústria, por exemplo? E mais do que isso: Por que o BNDES não apoia o desenvolvimento da economia solidária? Não há dúvida de que o BNDES é um ator importante no desenvolvimento econômico do país. Ponto. Mas ele precisa financiar outras coisas e não apenas os projetos cuja viabilidade econômica é questionável.
IHU On-Line – Como o senhor avalia a forma como as empresas se utilizam dos financiamentos promovidos pelo banco?
Gabriel Strautman – A estratégia do BNDES no apoio às indústrias no Brasil se dá de maneira concentrada e problemática. Isso porque não existe transparência na maneira como ele apoia esses projetos. Por exemplo: o banco, quando analisa um projeto como Belo Monte ou a própria Vale, não diz para a sociedade brasileira como faz essa avaliação; ele não apresenta como classifica esses projetos e empresas quanto ao risco ambiental; e não mostra a taxa de juros com a qual ele subsidia os financiados.
O BNDES não tem transparência. O banco sempre alega sigilo bancário para não repassar essas informações. E justamente por isso não temos elementos para entender a forma como o BNDES trata essas empresas e projetos. E isso demonstra que o banco trata de maneira privilegiada um pequeno grupo de grandes empresas que recebem verba do tesouro nacional a partir da emissão de títulos da dívida pública brasileira. Ou seja, são todos os brasileiros e brasileiras que beneficiam empresas concentradoras da atividade econômica e causam grandes impactos na vida das pessoas e também do meio ambiente.
IHU On-Line – Em relação à Copa do Mundo de Futebol de 2014, como avalia o apoio que o BNDES tem dado às obras produzidas para esse evento?
Gabriel Strautman – Com base nisso tudo que acabei de falar, que olhamos para a atuação do banco no que diz respeito aos financiamentos dos megaeventos e levantamos uma série de questionamentos. Quando olhamos o que o BNDES está fazendo, percebemos que ele está preparado para dar um apoio de 4,8 bilhões de reais apoiando ações de infraestrutura urbana, mas também na reforma de estádios.
Em termos de arenas esportivas, a nossa questão é a seguinte: em várias cidades questiona-se a construção de novos estádios quando o que poderia ser feito era justamente a reforma de arenas antigas. E o BNDES não explicita as razões pelas quais ele preferiu apostar na construção de uma nova arena em vez de reformar uma que já existe. Como o banco não tem transparência, não temos dados suficientes para cobrar esse tipo de questão.
No Rio de Janeiro vai ser construída uma grande via urbana que vai ligar a Tijuca ao aeroporto internacional da cidade. Ora, quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) defenderam da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos eles falaram que as Olimpíadas trariam benefícios para a cidade e para o conjunto da sociedade como um todo. Então, por que apenas ligar uma zona da cidade que já é conhecida pela valorização imobiliária com o aeroporto internacional? Estamos falando que só uma parte da cidade pode receber melhoras em termos de infraestrutura urbana? Essas questões também valem para a Caixa Econômica Federal, que vai financiar todo tipo de mobilidade urbana necessária. Por que não consultaram a população como um todo? Por que só as intervenções defendidas pelo COB e CBF foram levadas adiante? É dinheiro público que estão usando!
O discurso do Sr. Carlos Arthur Nuzman e do Sr. Ricardo Teixeira, quando esses eventos foram anunciados para o Brasil, era de que as duas iniciativas seriam financiadas com dinheiro privado. E agora vemos que 98,5% do dinheiro que vai financiar as iniciativas para a Copa e para as Olimpíadas é público.
IHU On-Line – Quem sai beneficiado dessa aliança entre o BNDES e os megaeventos como a Copa e as Olimpíadas?
Gabriel Strautman – Em primeiro lugar, todo mundo que está associado a esse projeto. Comitê Olímpico Internacional (COI), Federação Internacional de Futebol (Fifa), CBF e COB, esses senhores que se intitulam donos dos jogos, são os principais responsáveis por se capitalizarem nessa história. São eles que fazem contratos com as grandes empresas apoiadoras, seja do campo imobiliário seja as principais empresas de marketing esportivo. É um punhado de grandes empresas, tais como Odebrecht e Camargo Correa.
IHU On-Line – A princípio, a Copa do Mundo vai custar 17 bilhões de reais, enquanto isso se gasta 13 bilhões de reais com o Bolsa Família por ano. Como vê as cifras da Copa quando colocadas frente a frente com projetos que foram tidos como prioritários pelo governo?
Gabriel Strautman – A Dilma deu uma declaração em que afirmou que os investimentos para a Copa podem chegar a 33 bilhões de reais. Precisamos fazer esse e ainda outros cálculos como: quanto se gasta com reforma agrária no Brasil por ano? Quanto é o salário de um professor do Ensino Médio das principais cidades brasileiras? Com o dinheiro que vai ser gasto com a Copa do Mundo de futebol quantos professores poderiam ser contratados e qual salário poderia ser pago com isso? Essas comparações são urgentes!
O Brasil só tem privilegiado grandes projetos de infraestrutura e sempre com o discurso que isso vai desenvolver a economia, que vai gerar emprego. Esse mesmo discurso vale para os megaeventos. “Os megaeventos vão trazer investimentos internacionais”… “Empregos serão gerados”. Só que são empregos que vão ser gerados até o fim da Copa. E depois? Além disso, serão empregos gerados de maneira precária, ou seja, a maioria será terceirizada com menos direitos trabalhistas. É preciso que se diga isso.
Por outro lado, se investimentos de longo prazo forem feitos, como reforma agrária, educação, mobilidade urbana, acesso às cidades, avanços de direitos, a sociedade poderá ter acesso a direitos permanentes. Acabamos ficando presos em uma espécie de armadilha e num ciclo vicioso preso numa ilusão de que esses projetos de curto prazo trarão benefícios de longo prazo.
No dia em que o povo brasileiro perceber que o valor de uma entrada de partida de futebol será tão cara que, com o seu salário, não será possível comprar o ingresso para o jogo, aí perceberão que a Copa do Mundo não é um evento popular.
IHU On-Line – Qual é o papel do BNDES na formação do capitalismo brasileiro ao longo das últimas décadas?
Gabriel Strautman – O BNDES vai fazer 60 anos em 2012. Até 2003 ele tinha um papel importante de financiamento da indústria, mas esse papel passou a ser muito mais relevante depois de 2003. Ele foi responsável, na ditadura particularmente, por financiamentos de grandes projetos, assim como faz hoje. A diferença é que até 2003 os megaprojetos recebiam mais dinheiro do Banco Mundial. Só que isso não é suficiente.
Além disso, o BNDES tem buscado fazer com que as indústrias que ele apoia se transformem em empresas orientadas para a globalização, com capacidade de disputar mercados globais. Portanto, não estamos falando de diversificação da economia doméstica, de maior integração regional dentro do país… Por isso, é preciso lutar para que o BNDES se democratize e isso começa pela pressão por maior transparência em relação aos dados do banco.
IHU On-Line – Como o senhor vê o funcionamento da Plataforma BNDES? Esse grupo tem sido ouvido e respeitado pelo banco?
Gabriel Strautman – A Plataforma BNDES é uma experiência muito importante porque ela parte de um trabalho que já era feito pelo Banco Mundial e começa a aplicar numa instituição brasileira. O BNDES precisa ser uma instituição mais democrática. A Plataforma BNDES começou a questionar isso tudo em 2007, construiu um documento muito interessante que não fica apenas na crítica ao banco, mas avança no sentido de alternativas para o BNDES e, a partir disso, instala um processo de diálogo com o banco. Como é um banco que não tem cultura de participação de acesso às informações, ele não apostou no diálogo com a Plataforma BNDES.
(Ecodebate, 28/03/2011) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Escola Pública - matrícula obrigatória para filhos de políticos brasileiros.

PROJETO LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007 Determina a obrigatoriedade dos políticos matricularem seus filhos em escolas públicas.




Escola Pública -IDÉIA SENSACIONAL!!!


Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.
Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis.
Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.
Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
http://www.senado.gov.br/sf/atividade...
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007 Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

Positions

  1. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar.
  2. Ensino de qualidade e igual para todos.
  3. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
  4. http://www.causes.com/causes/324694-escola-p-blica-matr-cula-obrigat-ria-para-filhos-de-pol-ticos-brasileiros/about

domingo, 27 de março de 2011

A moral do cascudo no filho

Compartilho este artigo, por achar que o assunto merece maior reflexão da sociedade, e Zeca Baleiro trabalha o assunto com bastante bom humor e inteligência!

Gilberto Cruvinel
Da Revista Isto É - 30/03/2011
Zeca Baleiro - Cantor e Compositor  .
Poderíamos pensar em manter a prática do cascudo para algumas personalidades públicas brasileiras
Há tempos atrás uma deputada brasileira criou projeto de lei que propunha que o cidadão que presenciasse um pai batendo no próprio filho teria o direito de denunciá-lo. Este pai, por sua vez, poderia vir a ser condenado caso se comprovasse a “agressão”. Curioso, pensei. E perigoso também. Antes de tudo, é preciso diferenciar agressão, espancamento e outras barbaridades com o direito – legítimo, penso eu – de pais e mães aplicarem bons “corretivos” nos seus petizes, apesar de isto parecer cada vez mais obsoleto neste tempo de correções políticas e farta hipocrisia.

Há modalidades várias de corretivos, é bom lembrar. Vão desde a hoje folclórica palmada na bunda até a chinelada clássica. Meu pai, um homem amoroso mas firme, conta, com orgulho interiorano, ter batido nos seus filhos mais velhos com um “relho”, chicote de cavalos feito com couro trançado. Fala rindo. E diante dos risos dos filhos castigados, que se deliciam nas festas familiares com a (felizmente) longínqua lembrança. Não era um gesto violento, mas uma atitude de efeito “moralizador” – costuma ele dizer. Nenhum dos filhos parece ter ficado com alguma sequela psicológica, muito menos física. Eu, por ser a “rapa-de-tacho” da família, escapei da terrível sentença. Mas levei, aqui e ali, um tapa-no-pé-do-ouvido ou pescoção. De todos os “castigos” que recebi na infância, no entanto, o que sempre me pareceu mais cruel (e por isso quem sabe mais eficaz) foi o cascudo.
Para quem não se lembra ou não está ligando “o nome à pessoa”, aqui vai: “cascudo”, segundo o dicionário “Houaiss”, é uma “pancada na cabeça com o nó dos dedos dobrados”. Sei que a palavra “pancada” faz o gesto parecer mais violento do que de fato é, mas no mesmo dicionário há outros sinônimos mais brejeiros – cacholeta, cocorote, coque, castanha, etc.
Não quero aqui fazer apologia da violência, absolutamente não. Primeiro porque não sou adepto de nenhuma prática que use ou abuse da força. Mas também porque sei que é um suicídio falar nesse assunto publicamente nestes tempos de patrulha de comportamento, de catequese de boas maneiras sociais. Pobre do pai que confessar bater nos filhos hoje em dia. Será automaticamente condenado. Portanto, não parece tão absurdo que alguém imagine uma lei de tal natureza como essa de que falei acima. Há um livro, “O Reizinho Mandão”, verdadeiro clássico da literatura infantil, da escritora Ruth Rocha, que narra a história de um reizinho mimado e autoritário que dita regras estapafúrdias como “é proibido cortar a unha do dedão do pé direito em noite de lua cheia” ou “é proibido dormir de gorro na primeira quarta-feira do mês”. O cara só se ajeita quando ao final recebe o merecido castigo.
Ok, deixemos cada pai com seus próprios métodos corretores. Mas poderíamos pensar em manter a prática do cascudo para algumas personalidades públicas brasileiras com o perfil do personagem de Ruth – mandão, mimado, autoritário e cheio de si. Bastaria um, um bem aplicado cascudo, sem violência de linchador, mas com firmeza de pai, para dotar o cidadão de bíblica humildade e repentina lucidez, fazendo-o despertar de seu transe de onipotência e arrogância, de sua embriaguez oligárquica.
Tivesse eu autoridade para tal, sairia por aí distribuindo cascudos a um monte de gente – políticos pés-de-chinelo, jornalistas irreponsáveis, celebridades chulas, jogadores de futebol indolentes e artistas demagogos. Tudo com apenas um, um cascudinho bem aplicado no quengo do cristão. Nada mais.
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-moral-do-cascudo-no-filho

sábado, 26 de março de 2011

Brasil apresenta projeto de gênero e raça na África

País compartilhará ações e experiências sobre promoção da igualdade de gênero, raça e etnia com representantes de mais 12 nações em workshop no Marrocos

O Brasil vai compartilhar o Programa Interagencial para a Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia com outros 12 países que desenvolvem projetos interagenciais sobre direitos e igualdade da mulher, durante o MDG-F Gender Window Global Knowledge Sharing Workshop (Workshop Global de Compartilhamento de Conhecimento sobre Gênero, em tradução livre).

O evento, patrocinado pelo Fundo para Alcance dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), será realizado entre os próximos dias 29 e 31 na capital marroquina, Rabat. A intenção é promover trocas de experiências entre os representantes dos 13 programas que serão debatidos no encontro, explica Andrea Azevedo, assistente do projeto brasileiro, elaborado entre fins de 2010 e o começo deste ano.

"A ideia é contar um pouco das atividades realizadas para os outros participantes, para que todos possam analisar de que forma é possível adotar algumas práticas em seus respectivos programas", avalia Andrea.

O Programa Interagencial para a Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia é uma ação conjunta de seis agências da ONU: Fundo das Nações Unidas para as Mulheres (ONU Mulheres); Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); PNUD; Fundo de Populações das Nações Unidas, o UNFPA; Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), e Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Promover a igualdade entre os gêneros, entre mulheres brancas e negras, e o empoderamento de todas as mulheres são alguns dos objetivos da iniciativa que Andrea explicará no evento. Ela falará ainda sobre as práticas adotadas e os processos e tecnologias que ajudarão a atingir as metas estipuladas.

"A expectativa é a melhor possível, pois é a primeira iniciativa do Fundo para Alcance dos ODM de realizar encontros de troca de conhecimento sobre o assunto. Por isso, é importante todos irem com a mente aberta, para poderem compartilhar melhor das experiências comuns", acrescenta a assistente.

Agenda

Além do Brasil, também estarão presentes no encontro representantes de Argélia, Bangladesh, Bolívia, Colômbia, Etiópia, Guatemala, Marrocos, Namíbia, Nicarágua, territórios palestinos, Vietnã e Timor Leste. Todos apresentarão seus projetos ligados a como a inclusão de gênero é fundamental para aumentar a participação política feminina.

Durante o evento, haverá discussão para elaborar estratégias para alcançar o ODM 3 (Promover a Igualdade entre os Sexos e a Autonomia das Mulheres) no Marrocos e em outros locais, com a participação de autoridades regionais e de convidados estrangeiros. Estão previstas ainda sessões temáticas paralelas comandadas por especialistas com temas como violência de gênero e de como aumentar o poder econômico.

Fonte: PrimaPagina

http://www.unfpa.org.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=617:brasil-apresenta-projeto-de-genero-na-africa&catid=5:home&Itemid=40

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os Humanos e as Máquinas

Ao nos depararmos com a intensa luta pela vida, somos assaltados por sentimentos inexplicáveis. Tem-se a impressão de que na Terra não há mais amor nem consideração. Uma enorme pressão paira sobre as cabeças, mantendo a atemorização. São muitas pessoas. Muitas bocas para alimentar. São muitas obrigações a serem cumpridas num tempo cada vez mais curto.
Vivemos a tirania dos resultados. Lucro é o que interessa. Custo é pecado. Experimente reclamar de problemas técnicos com sua TV por assinatura, seu Speedy ou qualquer outro serviço. Vai encontrar a barreira da voz da máquina que consome um tempo enorme com superficialidades até que você possa dizer qual é o problema que o atinge.
As novas gerações estão sendo compelidas para os ditames das máquinas insensíveis que exigem volumoso investimento, mas engolem custos com mão de obra sem se preocupar com as dificuldades dos clientes. As novas gerações não estão recebendo as experiências dos mais velhos, o que lhes acarreta aumento da insegurança. A sua habilidade para lidar com as máquinas não é suficiente para que aprendam a raciocinar com clareza.
Não será com o maior adestramento no uso das máquinas ou seu implante nas mentes dos humanos que aumentaremos a eficiência. O fortalecimento humano deve partir de dentro para fora. Nesse sentido, o contato com a natureza e o estudo das artes é o que há de melhor, pois aguça e refina sensibilidades que máquina nenhuma será capaz.
Se não atentarmos para a necessidade do refinamento da sensibilidade, corremos o risco de nos transformarmos em pessoas rudes, completamente insensíveis ao sofrimento alheio, dispostas a tudo para vencer e anular o outro, usando de todos os estratagemas para que ele não se sobressaia evidenciando qualidades próprias, que possam nos colocar sob a ameaça de um outro para obter o que queremos. No cenário da produção e comercialização de bens e serviços, equilíbrio e serenidade, generosidade e justiça, são valores imprescindíveis para a construção de um ambiente mais humano.
As riquezas são ofertadas pela natureza para o progresso de todos. Misérias e ignorância não deveriam existir, mas tão somente o continuado avanço na melhora da qualidade humana. Agora, as turbulências estão interferindo profundamente no comportamento das pessoas que se mantiveram acomodadas por longo período, imobilizadas por uma liderança despótica e manipuladora, sem comprometimento com o progresso da população. É o caso das revoltas na Tunísia, Egito e Líbia. Cansadas de esperar por melhoras, partiram para o confronto, provocando mortes e destruição.
Líderes que agem como máquinas sem coração, que só pensam em si, no seu conforto e em sua sede de poder, no aumento de sua riqueza e na conservação do poder conquistado, sempre acabam provocando revoltas e tragédias. Não existe mágica. Quem conhece o funcionamento das leis naturais da Criação jamais manifestará a esperança pueril em fantasias que nunca poderão se realizar.
Charles Ferguson documenta no filme Trabalho Interno (Inside Job) como o comportamento da elite financeira provocou, em 2008, uma crise econômica de proporções globais na qual milhões de pessoas perderam suas casas e empregos, exigindo um gasto de 20 trilhões de dólares. Líderes do mundo financeiro, político e acadêmico não tiveram a postura que a verdadeira liderança requer, iludindo a população descuidada, pensando apenas em si e em seus egoísticos objetivos, gerando terríveis incertezas para o futuro da economia mundial. Ferguson mostra que as autoridades defenderam os próprios interesses e permitiram excessos na especulação. Com desalento, ele constata que, também na nação ‘líder’, as novas gerações estão recebendo educação de qualidade inferior à de suas antecessoras.
Para uma mudança de rumos, se faz necessária uma mudança de atitudes. Os líderes precisam oferecer uma visão compartilhada de conquista de um futuro melhor para todos, com o esforço de todos, com saúde, educação, e continuada melhoria na qualidade de vida da população.
Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Atualmente, é um dos coordenadores do www.library.com.br, site sem fins lucrativos, e autor dos livros Conversando com o Homem Sábio, O Segredo de Darwin e 2012… E Depois?. E-mail: bidutra@attglobal.net
** Colaboração de Ticiane Araújo para o EcoDebate, 24/03/2011

No Ojubó do Orixá

domingo, 20 de março de 2011

Há esperança para a Ciência no Brasil?????

Professor Nicolelis e o desafio inovador para a Ciência
O NaMaria News reproduz a matéria de Conceição Lemes, do Viomundo, sobre os novos planos do Professor Miguel Nicolelis, lançados hoje em reunião com o Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante - em Natal (RN).



NICOLELIS E A COMISSÃO DA CIÊNCIA BRASILEIRA 
- Estratégias para o futuro - 

O Viomundo é testemunha: ao pensar o futuro da ciência no Brasil, boa parte dos pesquisadores brasileiros volta os olhos, automaticamente, sem pestanejar, para Estados Unidos, Europa e Ásia. Miguel Nicolelis, um dos mais respeitados neurocientistas do mundo, mira em outro alvo.

Professor e pesquisador na Universidade Duke, Nicolelis é apaixonado pelo Brasil e nosso povo. Membro das academias Brasileira, Francesa e do Vaticano de Ciências e ganhador de 38 prêmios internacionais, entre os quais dois dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, ele vive na "ponte aérea" Durham, Carolina do Norte – Macaíba, Rio Grande do Norte, onde implantou o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra (IINN-ELS).

É uma infatigável usina de propostas inovadoras, que funciona a mil por hora.

Tanto que, em 23 de novembro de 2010, divulgou aqui, em primeira mão, o Manifesto da Ciência Tropical: Uso democrático da ciência para transformação social e econômica do Brasil.

Agora, três meses depois, se lança a mais este desafio: a Comissão do Futuro da Ciência Brasileira, anunciada nesta quinta-feira, 3 de março, em meio a uma porção de crianças do bairro Cidade Esperança, periferia de Natal, numa escola de educação científica para alunos do IINN-ELS. Escola que nasceu justamente com a proposta de descentralizar a produção da ciência brasileira.

"O objetivo é fazer um diagnóstico profundo estado atual da ciência brasileira, recomendar soluções para seus problemas e propor um plano estratégico para os próximos 10 anos", afirma Nicolelis, convidado pelo ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante, para criar a comissão e presidi-la. "Esperamos que a ciência brasileira dê um salto qualitativo que lhe possibilite ser protagonista no cenário científico mundial e possa contribuir com a sociedade."

"A comissão será independente, e os seus membros trabalharão voluntariamente", frisa. "A escolha dos membros foi feita exclusivamente por mim."

A Comissão do Futuro da Ciência Brasileira será composta por:

- Presidente: Miguel A. L. Nicolelis, Duke University e ELS-IINN
- Membros efetivos:
- Alan Rudolph, Biólogo, International Neuroscience Foundation, EUA
- Alexander Triebnigg, Médico, Presidente da Novartis, Brasil
- Conceição Lemes*, Jornalista, Brasil
- Débora Calheiros, Pesquisadora, EMBRAPA, Brasil
- Jon H. Kaas, Neurocientista, Vanderbilt University, US National Academy of Science, EUA
- Luiz A. Baccalá, Engenheiro, Escola Politécnica, USP, Brasil
- Luiz Gonzaga Belluzzo, Economista, Professor Emérito UNICAMP, Brasil
- Mariano Sigman, Neurocientista, Universidade de Buenos Aires, Argentina
- Marilena Chauí, Filósofa e Professora, USP, Brasil
- Mariluce Moura, Jornalista, FAPESP, Brasil
- Mauro Copelli, Físico, UPFE, Brasil
- Patrick Aebischer, Neurocientista, Presidente da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Suíça
- Ricardo Abramovay, Cientista Político, FEA-USP, Brasil
- Robert Bishop, Cientista Computacional, ex-CEO da Silicon Graphics, EUA
- Ronald Cicurel, Matemático e Filósofo, Suíça
- Selma Jeronimo, Médica-pesquisadora, UFRN, Brasil
- Stevens Rehens, Biólogo, UFRJ, Brasil
- Thereza Brino, Educadora em Tecnologia da Informação, Brasil
- Victor Nussenzweig, Médico, New York University, Brasil/EUA
- William Feiereisen, Cientista Computacional, Intel, EUA

Por ser uma ação realmente fundamental, por isso pedimos ao professor Miguel Nicolelis mais detalhes.

Viomundo – De quem foi a ideia da comissão?
Miguel Nicolelis – Do próprio ministro. Comissões internacionais são um mecanismo muito usado fora do Brasil. Aqui, vamos utilizá-la pela primeira vez para avaliar o estado atual da ciência brasileira, seus processos, mecanismos de fomento, estrutura dos institutos e órgãos de produção científica. O objetivo é fazer um profundo diagnóstico da situação, recomendar soluções e propor um plano estratégico para os próximos dez anos.

Viomundo – Quais os resultados lá fora? 
Miguel Nicolelis –
 A experiência é sempre muito boa, pois são comissões independentes. Comissões de cientistas já foram utilizadas avaliar o desastre da Challenger, outros grandes eventos, programas nacionais de ciência. Nesse sentido, é importante ressaltar que tive total liberdade de convidar tanto nomes nacionais quanto estrangeiros de uma grande gama de áreas.

Viomundo – De pronto, que problemas o senhor destacaria? 
Miguel Nicolelis –
 De vários níveis. Desde as dificuldades dos processos para financiamento, os obstáculos para o jovem cientista entrar no sistema, importação de suprimentos e equipamentos até a forma como é feito o ranking dos cientistas no Brasil – uma situação esdrúxula, única no mundo.

No Brasil, há também dissociação do processo científico da sociedade. A ciência brasileira penetra muito pouco no dia a dia da população. São aspectos sociais que teremos de avaliar. Qual a missão da ciência no Brasil? Como incentivar o jovem pesquisador? Como estimular a educação cientifica na vida brasileira desde a infância? O que fazer para incentivar uma ciência que contribua para o desenvolvimento econômico e social do país?

Viomundo – O senhor diz que o ranking dos cientistas no Brasil é feito de uma forma esdrúxula. Por quê? 
Miguel Nicolelis –
 Aqui, a ênfase é na produção numérica. Ou seja, na quantidade e não na qualidade. Em países desenvolvidos, por exemplo, nos Estados unidos, isso não existe.

Viomundo – Quais as consequências do nosso tipo de ranking? 
Miguel Nicolelis – 
Esse ranking decide, por exemplo, quem vai participar dos comitês de decisão, dos órgãos de consultoria do CNPq.

Ele gera um círculo vicioso. De tal sorte que é muito difícil virar um pesquisador 1A. E, aí, o problema. Só pesquisadores 1A decidem para onde vai o dinheiro. Só os pesquisadores 1A podem ser diretores dos Institutos Nacionais de Ciência. Consequentemente, um jovem brilhante, que poderia contribuir muito para o desenvolvimento da ciência, fica alijado do processo.

Viomundo – Por favor, traduza para os leitores o que é o pesquisador 1A. 
Miguel Nicolelis –
 Teoricamente eles seriam os pesquisadores mais experimentados, a elite da ciência brasileira. Só que, na realidade, isso não é necessariamente correto, porque os critérios para alguém chegar a pesquisador 1A são quantitativos – número de trabalhos, de alunos orientandos.

Na realidade, não há uma correlação direta entre excelência científica e o fato de ser pesquisador 1A. Muito pelo contrário. Criou-se no Brasil uma indústria de publicar sem levar em consideração a qualidade do que está sendo publicado.

O número – de trabalhos, de orientandos, etc. –, decide a situação. Assim, pode-se ter um jovem pesquisador brilhante, com poucos orientandos, mas que publica um trabalho de grande peso na ciência mundial. Só que esse menino não pode ter os benefícios que o cientista 1A tem.

Viomundo – Essa é uma questão crucial? 
Miguel Nicolelis –
 É uma questão-chave, porque é uma hierarquia que não traz beneficio algum. No Brasil, Albert Einstein nunca seria pesquisador 1A, porque escreveu um número muito pequeno de trabalhos. Só que os poucos trabalhos dele foram geniais e revolucionaram o mundo.

Assim como Einstein, outros grandes cientistas mundiais não chegariam a pesquisador 1A. E isso não existe nos Estados Unidos, na Alemanha.

Viomundo – É invenção brasileira? 
Miguel Nicolelis –
 Acho que sim, mas não tenho certeza. A minha sensação é a de que foi uma forma de reinstituir o sistema de cátedras que foram abolidas. É uma hipótese. O fato é que criou uma elite, que determina coisas muito importantes, inclusive quem vai receber financiamento para pesquisas, que acaba prejudicando os jovens cientistas.

Ao mesmo tempo, existem gastos muito absurdos. A revisão de projetos científicos, por exemplo, custam uma fortuna no Brasil. Os pesquisadores vão para Brasília, ficam dez dias revisando um projeto! Enquanto nos EUA, onde eu participo desses comitês, gastamos um dia para revisar, no máximo, dois. E hoje em dia a maioria é feita pela internet.
Assim, você economiza dinheiro para financiar pesquisas.

Viomundo – E os mecanismos de incentivo ao jovem cientista? 
Miguel Nicolelis –
 São muito poucos. O Brasil não investe nos jovens, privilegia os cientistas mais estabelecidos, aqueles que estão há décadas na carreira. Enquanto no restante do mundo o incentivo é para o cientista que está começando a carreira, pois o futuro está nos jovens.

No Brasil, existe uma renovação muito pequena das lideranças científicas. Existe uma casta. Esse é um debate muito interessante, que vai poder ser feito numa comissão como a nossa.

Viomundo – Como vai atuar a comissão? 
Miguel Nicolelis –
 O grupo brasileiro vai se reunir quatro vezes por ano, para debater as grandes questões. E duas vezes por ano essas reuniões vão ter a participação dos estrangeiros. Teremos, portanto, seis reuniões no primeiro ano. Nós vamos produzir um documento com diagnósticos e sugestões que possam guiar o desenvolvimento de políticas públicas de ciência no Brasil pela primeira vez. O tempo de atuação da comissão ainda não está definido. Mas, inicialmente, será por um ano.

Viomundo – A comissão vai ouvir os cientistas brasileiros? 
Miguel Nicolelis –
 A nossa intenção é ouvir todos os segmentos da sociedade brasileira ligados à ciência: entidades científicas, todas as entidades de classe, estudantes de graduação, pós-graduação, doutores e cientistas.

Vamos ouvir também a sociedade em geral. Para isso, vamos usar as redes sociais, para que as pessoas comuns participem dos trabalhos da comissão, mantendo sugestões, perguntas. Vamos ter um site, Twitter, Facebook, enfim todas as ferramentas da internet que permitem a interlocução mais ampla.

Nós estamos inovando também com a presença na comissão de duas jornalistas das áreas de ciência e medicina, que vão nos permitir uma interlocução com a sociedade.

Viomundo – Nas comissões científicas, aliás, normalmente só tem pesquisadores consagrados de ciências exatas e naturais. A Comissão do Futuro da Ciência Brasileira abriu bastante esse leque. 
Miguel Nicolelis –
 Realmente, do lado brasileiro, a nossa comissão tentou aumentar dramaticamente a presença de cientistas jovens, alguns no início da carreira, mas que já têm claro potencial de que se transformarão em líderes no futuro. Além disso, um grande número de áreas está representado na comissão: ciências exatas, naturais, ambientais, filósofos, matemáticos, economistas, educadores. Ou seja, nós procuramos aumentar o máximo possível o leque para poder oferecer um diagnóstico e uma sugestão de uma visão cientifica mais ligada à sociedade civil.

Viomundo – No começo da entrevista, o senhor disse que a ciência brasileira não tem interlocução com a sociedade. O que quer dizer com isso? 
Miguel Nicolelis –
 Várias coisas. A ciência brasileira ainda não é feita por todos os segmentos da nossa sociedade. Não são todos os segmentos da sociedade brasileira que têm acesso à universidade e à carreira acadêmica. A disseminação do conhecimento científico não é homogênea nem no território nem na população. Os meios de produção do conhecimento científico também não estão distribuídos democraticamente. Evidentemente, do ponto de vista social, isso leva a uma restrição dessa representatividade.

Ao mesmo tempo, as benesses da ciência brasileira não alcançam homogeneamente todos os lugares do Brasil. Há concentração muito grande de produção científica na região Sudeste. Logo, é patente que os benefícios de investimentos federais, geração de patentes e de produtos científicos também se concentrem nesses estados. Já o restante do Brasil não se beneficia dessa produção de conhecimento de ponta.

São aspectos novos no debate da ciência brasileira, que começaram a aparecer há menos de uma década. Aliás, há alguns anos, não tenho a menor dúvida de que o anúncio da Comissão do Futuro da Ciência Brasileira seria feito na cidade de São Paulo, provavelmente na USP. Nessa medida, é muito emblemático que tenhamos feito esse anúncio cercado por crianças que estão dando o primeiro passo na educação científica numa escola do bairro Cidade Esperança, nome quase poético, na periferia de Natal.

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*Foi com muita honra que eu, Conceição Lemes, recebi o convite do professor Miguel Nicolelis para integrar a Comissão do Futuro da Ciência Brasileira. O meu trabalho será voluntário e não receberei nenhum vencimento por ele.

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 http://namarianews.blogspot.com/2011/03/professor-nicolelis-e-o-desafio.html#ixzz1H8w8yreS

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