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domingo, 9 de outubro de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Resolução sobre a Líbia é “histórica”, afirma Ban
Leia, abaixo, a íntegra da declaração do Secretário-Geral sobre a resolução adotada pelo Conselho de Segurança sobre a Líbia.
“O Conselho de Segurança adotou hoje (17/03) uma decisão histórica. A Resolução 1973 afirma, clara e inequivocamente, a determinação da comunidade internacional para cumprir sua responsabilidade de proteger os civis da violência perpetrada sobre eles por seu próprio governo. A resolução autoriza a utilização de todas as medidas necessárias, incluindo uma zona de exclusão aérea para evitar mais mortes e perda de vidas inocentes. Ao adotar esta resolução, o Conselho de Segurança deu grande importância ao pedido da Liga dos Estados Árabes para a ação.
Dada a situação crítica na região, espero que uma ação imediata seja tomada sobre as disposições da Resolução. Estou preparado para assumir minhas responsabilidades, tal como estipulado pela resolução, e trabalharei em estreita colaboração com os Estados-Membros e as organizações regionais para coordenar uma resposta compartilhada, eficaz e oportuna.
Mais uma vez, me junto ao Conselho na convocação para um cessar-fogo imediato, a suspensão de todos os ataques contra civis e para garantir o acesso humanitário completo para quem precisa. Nosso árduo esforço diplomático continuará. Dando prosseguimento a sua missão em Trípoli, meu Enviado Especial para a Líbia se encontrou ontem (16/03) em Cairo com o Secretário-Geral da Liga dos Estados Árabes. Neste fim de semana ele me informará sobre os resultados de suas conversas. Eu mesmo viajarei para a região em breve para avançar em nossos esforços comuns nesta hora crítica.
Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas.”
ACNUR se prepara para deslocamentos em massa na Líbia
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| Estas pessoas estão saindo de Benghazi rumo a Egito, para fugir dos combates na Líbia. Foto: ACNUR/ F.Noy. |
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou hoje que mais de 300 mil pessoas já deixaram a Líbia por causa da violência interna no país e anunciou que está preparando um plano de contingência para responder a um possível fluxo massivo em direção ao Egito.
“Os eventos nos próximos dias serão cruciais em relação a um possível fluxo massivo de deslocados no leste da Líbia”, disse em Genebra a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming. Ela acrescentou ser possível que outras de saída do país estejam sendo bloqueadas – o que tornaria a fronteira da Líbia com o Egito um destino natural das pessoas que querem deixar o território líbio.
Fleming disse que as equipes do ACNUR verificaram, nos últimos dias, um número crescente de líbios fugindo para o Egito. Foram cerca de 1.490 na última quarta-feira, de um total de 3.163 pessoas. “A maioria dos entrevistados na fronteira com o Egito disse que deixaram a Líbia pelo medo de serem atingidos no conflito. Muitos mencionaram as recentes ameaças feitas pelo governo de bombardear Benghazi”, acrescentou Fleming, mencionando uma cidade ainda dominada pelas forças anti-governamentais.
Segundo equipes do ACNUR na fronteira egípcia, uma família líbia de Ajdabiyya disse que estão sendo feitas transmissões de rádio pedindo à população para sair do país. Eles também disseram que aviões jogam panfletos encorajando a saída dos civis.
Uma equipe da agência de notícia Reuters que deixou Ajdabiyya na quarta-feira passada disse ao ACNUR que tiveram que fugir durante os conflitos que devolveram a cidade para o controle de tropas pró-governo. “Eles vinham de todas as partes, perseguindo todos, sem distinção. As pessoas fugiram para salvar suas vidas”, disse um dos jornalistas.
Um jornalista palestino desta mesma equipe da Reuters foi impedido de entrar no Egito. Ele está com um senhor palestino de 64 anos e sua filha, que aguardam na fronteira deste a última terça-feira. Outras famílias palestinas que chegaram à fronteira tiveram que retornar e estão aguardando em território Líbia.
Equipes to ACNUR encontraram dois homens que chegaram feridos por tiros. Um deles, que alegou ser um revolucionário baleado no conflito em Raz Lanuf na semana passada, contou que não havia mais quartos no hospital de Benghazi, o que o forçou a voltar ao Egito em busca de tratamento.
Alguns dos entrevistados não foram claros sobre suas razões para deixar a Líbia, dizendo simplesmente que estavam no Egito para procurar assistência médica. “Entretanto, os carros cheios de malas sugerem outra coisa. Outros entrevistados são sinceros em suas avaliações. Um homem nos disse ‘nós queríamos democracia, mas acabamos em guerra’’, afirmou Melissa Fleming.
Enquanto isso, na fronteira da Tunísia com a Líbia, sons de tiroteios no território Líbio podem ser escutados. Nos últimos dias, o fluxo de chegadas na fronteira tem sido de mil pessoas por dia, a grande maioria de africanos subsaarianos.
O ACNUR ouviu relatos consistentes das novas chegadas de todas as nacionalidades sobre os numerosos postos ao longo da estrada de Trípoli a Rad Adjir, na fronteira com a Tunísia. Eles descreveram abusos por soldados pró-governo na rota, incluindo um confisco contínuo de celulares, cartões de memória e câmeras.
“Refugiados e solicitantes de refúgio em contato com o ACNUR via telefone relatam que fugir para a fronteira tem se tornou mais perigoso, principalmente para os homens solteiros, que correm o risco de recrutamento forçado pelo Exército líbio”, ressaltou a porta-voz do ACNUR.
Centenas de refugiados permanecem escondidos na Líbia, sendo que muitos relataram ao ACNUR que estão sem comida e vivendo sob medo constante. O ACNUR Trípoli e seus parceiros locais continuam a oferecer assistência aos refugiados e aos solicitantes de refúgio com quem mantêm contato.
Das cerca de 300 mil pessoas que já deixaram a Líbia, quase 160 mil cruzaram a fronteira com a Tunísia e outros 130 mil saíram pela fronteira com o Egito. Outras cruzaram as fronteiras com Níger e Argélia.
ACNUR e OIM
O ACNUR e a Organização Internacional para Migrações (OIM) informaram hoje que seu programa conjunto de retiraras de trabalhadores migrantes que fugiram da Líbia para o Egito e a Tunísia já beneficiou mais de 50 mil pessoas.
As duas organizações reforçaram o pedido de novos financiamentos para esta operação de retirada, pois há mais de 10 mil pessoas – nas fronteiras da Tunísia, Egito, Níger e Argélia – que ainda aguardam para serem repatriadas. A OIM estima que mais de um milhão de trabalhadores migrantes ainda encontra-se na Líbia, a grande maioria da África sub-saariana.
“Estamos muito agradecidos à Tunísia, Egito, Argélia e Nigéria por oferecer refúgio a milhares de civis que fogem da Líbia diariamente e necessitam de assistência”, disse em Genebra o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Com a ajuda impressionante destes governos, conseguimos administrar o movimento massivo e repentino de pessoas. Mas esta crise humanitária está longe de acabar”, completou Guterres.
http://unicrio.org.br/acnur-se-prepara-para-deslocamentos-em-massa-na-libia/
http://unicrio.org.br/acnur-se-prepara-para-deslocamentos-em-massa-na-libia/
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
África: coração do Fórum Social Mundial
Se no anterior FSM em Belém(Brasil), em 2007, os povos originários e seu compromisso em defesa da Pachamama, a mãe terra, ocuparam um papel central, nesta ocasão a África e sua diáspora tomaram o fórum. Tanto os dias prévios ao FSM como sua primera jornada, segunda-feira 7, estiveram dedicados, especialmente, a estas questões.
A ilha de Gorée, próximo a Dakar, onde partiram milhões de escravos para a América Latina, acolheu, justamente antes do evento, uma assembléa internacional de migrantes, principalmente de origen africano e vários deles vindos da América Latina, que culminou com a elaboração de uma Carta Mundial de Migrantes, uma declaração de princípios elaborada pelas mesmas pessoas migrantes com o lema de ‘Uma carta por um mundo sem muros’. Este proceso começou no ano 2006 e teria como objetivo reivindicar o direito universal a circular, viver e trabalhar livremente em qualquer lugar do planeta.
E o dia 7, o Fórum Social Mundial foi África. Seminários dedicados a analisar o papel da mulher no continente, o impacto das políticas neoliberais, a usurpação de seus recursos naturais, o peso da dívida externa, a imigração Norte-Sul, a luta contra os tratados de livre comércio, etc. foram algumas das temáticas abordadas.
A presença de organizações e coletivos da África do Oeste está sendo muito numerosa. Uma caravana de movimentos sociais recorrieu días antes do FSM vários países da região, desde Benín, passando por Togo, Burkina Faso, Malí, até chegar ao Senegal, num total de 3377 km, dando a conhecer o Fórum Social Mundial e animando a participação no mesmo. CADTM África, No Vox e varios ATTAC’s africanos, entre outros, dinamizaram a marcha. A caravana teve sua última parada em Kaolack, onde chegaram 450 participantes, e onde se celebrou, com o apoio de grupos de mulheres de toda a região, um encontro feminista e internacionalista.
Mas se um tema está presente em todo o FSM, como foi na jornada dedicada a África e como nos dias posteriores, é a revolta tunisiana. O levantamento do povo da Tunisia é um exemplo a seguir, que demonstra que hoje a revolução é possível. Em um contexto político com falta de vitórias concretas, as revoltas no norte da África, na Tunisia, Egito, Yemen, Jordania… demonstram que a luta serve. Fathi Chamki da ATTAC Túnisia deixou claro com estas palavras pronuciadas em um dos seminários do Fórum: “Se o povo aspira a vida, o destino não pode mais que dobrar-se a sua vontade”.
* Esther Vivas desde Dakar.
** Esther Vivas é colaboradora e articulista internacional do Portal EcoDebate.
*** Tradução Português: Paulo Marques
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