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sexta-feira, 11 de março de 2011

ONU se solidariza e promete assistência a vítimas do terremoto no Japão

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou profundo pesar hoje (11/03) e ofereceu todo o apoio das Nações Unidas, após forte terremoto e subsequente tsunamis atingirem o Japão, matando dezenas de pessoas e destruindo cidades, aldeias e infraestrutura. Agências da ONU já tomam medidas para lidar com o desastre.
O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que seus funcionários estão em contato com seus homólogos japoneses para ver como podem ajudar os esforços de socorro. A ONU também alertou o Grupo Consultor Internacional de Busca e Resgate (INSARAG), uma rede global de 80 países e organizações de resposta a desastres, sob a égide da ONU.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que as autoridades japonesas fecharam várias usinas nucleares e extinguiram um incêndio em uma delas. Nenhum vazamento foi detectado até agora. A AIEA disse que está buscando mais informações sobre a situação nas usinas nucleares ou reatores de pesquisa e acrescentou que o combustível nuclear exige resfriamento contínuo mesmo depois de uma usina ser desligada.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) possui uma equipe de prontidão em toda a região do Pacífico na Ásia, para que possa responder a pedidos de socorro. A agência tem estoques de biscoitos energéticos e equipamento de emergência na Malásia.

Declaração do Secretário-Geral da ONU sobre o terremoto no Japão

Realizada em Nova York, 11 de março de 2011, durante conferência de imprensa na Sede da ONU.
Bom dia, senhoras e senhores, 
O mundo está chocado e entristecido com as imagens vindas do Japão esta manhã.
Em nome das Nações Unidas, quero expressar o meu profundo pesar e condolências ao povo japonês e ao governo japonês, sobretudo àqueles que perderam familiares e amigos no terremoto e subsequentes tsunamis.
O Japão é um dos mais generosos doadores, provendo assistência às pessoas necessitadas em todo o mundo. 
Nesse espírito, as Nações Unidas se colocam ao lado do povo do Japão e faremos tudo que pudermos neste momento muito difícil.
Observaremos de perto as consequências dos tremores em todo o Pacífico e Sudeste Asiático durante todo o dia.
Tenho sinceras esperanças de que, sob a liderança do Primeiro-Ministro Kan Naoto, com o pleno apoio e solidariedade da comunidade internacional, o povo e o Governo do Japão sejam capazes de superar este momento difícil assim que possível.
[Falando em japonês]
Para o povo japonês, ofereço a minha solidariedade e condolências. Com grande respeito e meus melhores desejos, sei que eles vão superar essa tragédia terrível.)
[Pergunta]
Obrigado Sr. Secretário-Geral. Então, o senhor disse que a ONU faria tudo o que puder, então tem algum plano específico para apoiar o Japão?
[Secretário-Geral]
Vamos falar com nosso escritório de Coordenação Humanitária e faremos tudo para mobilizar a assistência humanitária e as equipes de redução de risco o mais rápido possível. Muito obrigado.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nações Unidas celebram início das atividades da ONU Mulheres


Nações Unidas, 24 fev (EFE).- As Nações Unidas celebraram nesta quinta-feira com uma grande cerimônia o início oficial de sua nova agência, a ONU Mulheres, com a qual se compromete a combater a discriminação e derrubar as barreiras que ainda impedem o desenvolvimento pleno da mulher em todos os aspectos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a diretora-executiva da nova agência, Michelle Bachelet, lideraram a cerimônia na Assembleia Geral do organismo, que contou ainda com as participações da atriz Nicole Kidman e da cantora colombiana Shakira, entre outras personalidades.

"A ONU aposta na mulher porque é o correto e porque é inteligente, talvez uma das coisas mais inteligentes que podemos fazer. Apoiarei a ONU Mulheres de todas as formas que puder, com minha energia e compromisso", prometeu Ban em seu discurso.

De acordo com Ban, os esforços diplomáticos para estabelecer a ONU Mulheres fazem parte de um movimento global que procura pôr um fim definitivo na desigualdade, dar poder à mulher e erradicar a violência sexual.

Essas são as metas estabelecidas por Bachelet para a agência, cuja criação atribuiu ao descontentamento com o "ritmo lento" das mudanças na luta pela igualdade de gêneros e a erradicação dos obstáculos impostos ao desenvolvimento socioeconômico da mulher.

"Minha própria experiência me demonstrou que não há limites para o que pode conseguir uma mulher", assegurou a ex-presidente do Chile, que arrancou entusiasmados aplausos do público com esta frase.

Bachelet lembrou que os indicadores internacionais demonstram que os países com maior igualdade entre gêneros são os mais prósperos, enquanto as empresas privadas que contam com mais mulheres em postos de responsabilidade alcançam melhores resultados econômicos.

Em sua opinião, a nova agência tem início "em um momento histórico", de grande potencial e oportunidades para a mulher, o que deve ser aproveitado.

A Assembleia Geral das Nações Unidas autorizou a criação da ONU Mulheres no fim de 2009, após longos anos de debates sobre a necessidade da agência.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Darwin ou Gandhi?

Noticia do diário britânico The Guardian, mencionada por este jornal (28/1), traz informações muito inquietantes: o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que nos últimos anos se empenhara em conseguir um acordo mundial na área de mudanças climáticas, “está encerrando seu envolvimento nas negociações internacionais” nessa direção; pretenderia redirecionar seu discurso para uma agenda que promova a energia limpa e o desenvolvimento sustentável. Decepcionado com os resultados das reuniões do clima em Copenhague (2009) e Cancún (2010), já reduziu sua equipe nessa área, de 12 para 5 pessoas, e aumentou para 12 pessoas a equipe voltada para desenvolvimento sustentável.
Segundo Robert Orr, secretário-assistente da ONU para planejamento estratégico e conselheiro de Ban Ki-moon, “é bem evidente que não haverá acordo sobre o clima a curto prazo”. Por isso mesmo, diz ele, o secretário-geral não se envolverá a fundo na próxima reunião a esse respeito, no fim do ano, na África do Sul.
Isso acontece no momento em que a ONU e o mundo centram as atenções e esperanças na Rio +20, a reunião que, em maio/junho do ano que vem, fará um balanço do que aconteceu na Rio 92 e tentará avançar. Naquele ano, conseguiram-se progressos que pareciam extraordinários: uma convenção sobre clima, que estabeleceu metas para a redução de emissões de gases poluentes dos países industrializados; outra sobre diversidade biológica; uma declaração sobre florestas (na época, desmatavam-nas perto de 15 milhões de hectares por ano); e uma Agenda 21 mundial, pela qual os países industrializados se comprometiam a aumentar de 0,36% para 0,70% de seu produto bruto anual a ajuda para os países mais pobres resolverem os problemas mais agudos de saneamento, saúde, fome, etc.
Passados quase 20 anos, as metas de redução de emissões ainda não foram cumpridas e elas continuam aumentando. Há poucos meses, em Nagoya, chegou-se a uma declaração que reconhece a necessidade de ampliar as áreas de proteção e a soberania de cada país sobre as espécies da biodiversidade em seu território, bem como a necessidade de compartilhar resultados em caso de exploração – mas ainda faltam regras práticas para esse compartilhamento. O desmatamento no mundo caiu para cerca de 7 milhões de hectares anuais, mas ainda é muito alto. Os países ricos não aumentaram sua contribuição e, diz a ONU, o mundo continua com 925 milhões de pessoas passando fome, porque têm renda diária inferior a US$ 1,25 (pouco mais de R$ 2). Poderão vir a ser mais pessoas, porque já nos aproximamos de 7 bilhões no planeta e chegaremos, em meados deste século, a pelo menos 8,5 bilhões.
Significaria a decisão de Ban Ki-moon uma descrença na possibilidade de se chegar um modelo de “governança global” na área do clima – e talvez em outras, como a do consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição do planeta? Seja como for, é uma decisão que aponta com clareza para a crise do nosso “padrão civilizatório”.
Mas como alcançar a governança global, se os conflitos continuam regidos por questões étnicas e religiosas (islamismo, budismo, judaísmo, catolicismo, protestantismo, etc.)? Se a África continua a ser um caldeirão de conflitos, com suas centenas de etnias divididas pelos interesses dos que as colonizaram e disputando em guerras os recursos naturais? Se no País Basco e na Irlanda, entre outros, não se superam conflitos secessionistas? Como reduzir emissões de poluentes, se a China quer urbanizar centenas de milhões de pessoas e o carvão (altamente poluidor) ainda é a principal fonte de energia para elas? Se a Índia ainda tem 400 milhões de pessoas sem energia e também precisa do carvão? Como avançar se, na hora das decisões, cada país, cada empresa, cada indivíduo pensa prioritariamente em sua competitividade, sua sobrevivência, seus recursos financeiros – e acaba sempre prevalecendo a lógica financeira? Não é esse, por exemplo, o caso da Usina de Belo Monte, que nos últimos dias povoou as páginas dos jornais, com uma decisão que se opõe à boa lógica e ao bom senso (ver editorial deste jornal, 31/1, A3)?
Há pouco, a revista New Scientist divulgou estudo da Universidade de Cambridge mostrando que o consumo mundial de energia pode ser reduzido em 70% “com medidas simples e tecnologias existentes”, seja na área de veículos (que não deveriam pesar mais de 300 quilos), seja na construção de edifícios (iluminação natural, redução da calefação), seja na área de eletrodomésticos (lavadoras de roupas e louças; ou simplesmente tapando panelas). Mas já há uns 15 anos não estava disponível a tecnologia de automóveis híbridos, que as empresas montadoras se recusaram a adotar porque reduziria seu lucro de US$ 15 mil por unidade nas supercamionetas para US$ 1 mil nos carros econômicos?
Quem encontrará o caminho para superar as lógicas financeiras? Como se enfrentarão as brutais desigualdades de renda no mundo e em cada país (inclusive no nosso)? O presidente francês, Nicolas Sarkozy, está de volta com a proposta de criar uma taxa sobre todas as transações financeiras internacionais destinada a criar um fundo contra a miséria – tese do economista James Tobin, que correu o mundo na década de 1990, mas não conseguiu avançar.
No livro Da Pobreza ao Poder (Cortez Editora), Duncan Green diz que o século 21 será caracterizado por mudanças no equilíbrio de poder entre nações e pela lenta queda das potências pós-2.ª Guerra Mundial, além da “ascensão inexorável de novas potências como a China e a Índia” e “do papel ampliado de blocos regionais e sub-regionais”. Mas também pelo “colapso de países pobres à margem dessas mudanças tectônicas”. Pergunta ele se a ONU “atingirá a maioridade com algo parecido com uma forma de governo global”. Mas acaba dizendo: “Darwin ou Gandhi, não sabemos ainda quem prevalecerá”.
Washington Novaes é jornalista.
Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo.

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