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domingo, 17 de abril de 2016

Eu fui PT



"Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo 
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.
Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.
Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.
Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase: 
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!
Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT
Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.
O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.
Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB
Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido, 
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma
Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.
Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.
Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.
Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro
Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?"
Márcio Augusto Costa - Brasília DF 15/03/16

sábado, 9 de março de 2013

O tempo e o poder


Jociane Negrão


 Falar sobre o Tempo e sua importância na manutenção do Poder, o Poder Temporal, não é fácil. Ao propor este desafio, pensamos na primeira aula que tivemos sobre esse assunto, e quem nos despertou para ele foi a Profa. Maria Elise Rivas. Estranhamente, ao entrar na sala, diferente das outras vezes, ela falou “Graças a Deus”.  Digo diferente porque utilizar uma expressão exclusiva do Cristianismo não é algo comum nela. Ela sempre nos remeteu ao conhecimento de Síntese, mas nesse dia, ao entrar na sala de aula ela disse “Graças a Deus”.
        Ao iniciar sua aula com este jargão coloquial, ela nos remeteu à construção da idéia de Deus pelo Cristianismo. O Cristianismo construiu, fundamentou sua teogonia e teofania na escrita, por meio do Torah, o Antigo Testamento, e depois por meio dos escritos que datam o mais antigo cerca de 70 anos após a morte de Jesus, e que vieram a se chamar Novo Testamento. A esta união de livros do Antigo Testamento e Novo Testamento deu-se o nome de Bíblia, o livro sagrado do Cristianismo. A este processo de utilização de um livro sagrado como referência chama-se Tradição Escrita. Cristianismo, Judaísmo e Islamismo são as Religiões do Livro, e consideradas como as Religiões Tradicionais.
        Contudo, ao analisar as religiões do planeta, observa-se que uma parcela considerável delas não utiliza o livro sagrado, entre elas podemos citar as religiões ameríndias, as religiões africanas, as religiões orientais, e as religiões primitivas da Europa. A toda essa parcela deu-se o nome de religiões primitivas, apenas pelo fato de não possuírem um livro referencial. Suas teogonias, teofanias, hierofanias, cosmologia e cosmovisão são embasadas na Tradição Oral. O conhecimento é passado de geração em geração, de mestre a discípulo, por meio de um processo iniciático.
            Segundo Durkheim, toda religião é caracterizada pelo Mito, pelo Rito e pelo Ethos. As religiões tradicionais ou de tradição escrita têm muito bem caracterizados estes princípios. Monoteístas, seus ritos são bem determinados, passo a passo. As religiões orais são politeístas, multirreferenciais, polissistemáticas e, portanto, policêntricas. Politeístas porque não utilizam uma única divindade, mas um panteão, cada um com sua importância, daí a multirreferencialidade. São polissistemáticas porque não há uma única forma de realizar um rito, mesmo que ele seja destinado à mesma divindade. E policêntrico porque não há um único modelo a ser seguido, exemplo disso são as religiões afro-brasileiras, com suas inúmeras escolas (Culto da Jurema, Candomblé de Caboclo, Toré, Xambá, Babassuê, Xangô, Tambor de Mina, Umbanda, Candomblé, Catimbó).
            Nas religiões de tradição oral, o tempo é o tempo mítico, ou seja, o tempo vivenciado pelo mito. Não há marco inicial, o mito é revivido em cada rito. O rito reatualiza o mito. É comum ouvir “... no início dos tempos...” como referência nas historietas desta tradição, como exemplificam os Itans do Ifá. A idéia de tempo era bastante diferente, própria de cada povo. Por isso, os calendários são tão diversos. Normalmente, o tempo era determinado pelas colheitas, pelas estações ou pela necessidade de comercialização dos produtos.
Portanto, se a idéia de tempo era algo pouco importante na tradição oral, como se deu a passagem do atemporal para o temporal? Do tempo circular para o seqüencial?
Nas religiões monoteístas, a necessidade de legitimar a idéia em construção (Deus) deu o início a todo este processo de desconstrução das Tradições Orais. O Tempo foi esse símbolo legitimador. Ao construir a imagem do Deus monoteísta, ocorreu o marco inicial do Tempo. Portanto, o Tempo nasce com o Monoteísmo. E o Monoteísmo utiliza a escrita como ferramenta primordial.
A história da tradição escrita é totalizadora, com profundas ligações com a tecnologia e a urbanização. Com o início da escrita, todas as culturas que não se fundamentavam nela passaram a ser consideradas primitivas e atrasadas. As culturas agrárias, relacionadas com a natureza, passaram a ser desprezadas, em detrimento da urbana, distanciada dos valores antigos.
As culturas mercantilistas, e depois as industrializadas necessitavam de uma marcação temporal específica, uma forma de determinar lucro e produtividade. Não havia mais o interesse apenas pelo sustento do clã, da prole, do coletivo. O interesse agora era o enriquecimento individual, a exploração dos processos produtivos, a hegemonia do poder. A riqueza determinava o poder.
A escrita, que era apenas um método, passou a ser o método, tornando-se referência de progresso cultural, avanço social e poder.
Construiu-se um modelo de Homem de Bem, a ser defendido e implantado pelas nações “avançadas”. Este Homem de Bem era justificado pela Fé que só pode existir naquele que lê e respeita o Livro Sagrado.
Desacreditar, ridicularizar e inferiorizar as culturas orais foi apenas o começo do processo. Basta ver como os calendários antigos foram substituídos pelo calendário cristão para perceber como se deu o processo colonialista e explorador do homem europeu sobre os povos dominados.
Na tradição oral, o conhecimento está livre para ser interpretado, modificado e ritualizado conforme a compreensão de cada época e de cada povo. Não há rigidez. Há mobilidade, abraçando todas as formas de compreender o sagrado.  Ela estuda o Homem como sagrado.
Na tradição escrita, o conhecimento está fechado, limitado pela fé, e pelo dogma. Não permite reinterpretação. Estuda-se o Divino como ser poderoso, digno de adoração e medo. O Homem passa a ser aquele ser insignificante, criado pela Divindade, e por ele será castigado, se não se submeter às suas leis, escritas é claro no Livro Sagrado. A conduta moral e ética passa a ser ditada pela fé, permitindo a dominação da maioria analfabeta, pela minoria alfabetizada. Domina-se o pobre e ignorante pelo medo à Deus. Vende-se uma ideologia de submissão à vontade de Deus, e quem a representa é o Papa, o Rei, o senhor feudal, e posteriormente, o patrão.
O homem deixou de compreender a vida como um processo natural de nascer, crescer e morrer. Suas idades eram determinadas pela infância ( pureza), pela vida adulta (maturidade), e depois pela velhice (sabedoria). O homem passa agora a compreender sua vida pela produtividade e pela força. Ao envelhecer, deixa de ser valorizado e ouvido. Passa a ser considerado imprestável, doente, senil. É notável a diferença com a qual o idoso é tratado nas culturas primitivas e nas industrializadas.  Incapazes de acompanhar o processo tecnológico, seu conhecimento, adquirido com o esforço ao longo dos anos, é desprezado, e agora, o sábio ancião é considerado um velho inútil, desatualizado, imprestável. O jovem, valorizado pela vitalidade e agilidade, passa a considerar-se força motriz da sociedade, não tendo mais como referência a imagem do ancião sábio a direcionar-lhe o ímpeto da juventude.  Deslocou-se o ancião para a periferia e o guerreiro para o centro.
O homem moderno trocou a Sabedoria dos anos pelo Poder do lucro e da força. Como resultado, uma sociedade frívola, superficial, sem princípios éticos, tampouco espirituais.

* Este texto é parte do artigo apresentado na FTU, no IV Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI. Autores:
Ariel Couto (FTU), ariel_couto@hotmail.com; Fernanda R. do Nascimento(FTU), fernanda.reg@hotmail.com; Jociane Negrão(FTU), jn.negrao@uol.com.br; Paulo Feijó(FTU), paulofeijodasilva@yahoo.com.br; Rodrigo Fagundes Bueno(FTU), buenorf@msn.com; Wilson Lopes (FTU), w.lopes@aasp.org.br.


Bibliografia
AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: J. Oliveira Santos e Ambrosio de Pina, São Paulo: editora nova cultura, 1999.
ANDREWES, William J. H. – Uma crônica do registro do tempo. Scientc American Brasil, edição especial no. 21 (paradoxo do tempo). São Paulo: editora duetto, 2007.
CARVALHO, Nivaldo de. em "A filosofia Medieval, o Renascimento e a Filosofia Moderna"; texto para a disciplina de Filosofia para o segundo grau da Escola Vera Cruz, São Paulo, 1997.
ELIADE, Mircea. O Mito do Eterno Retorno. Editora Edições 70 – Brasil, 1999.
GOODY, Jack. Tradutor: SILVA, Luis Sergio Duarte da. O Roubo da Historia. Editora Contexto, 2008.
HUNHOFF, Elizete Dall’Comune. O Tempo: Fator de Identidade nas Obras de Florbela Espanca e de Cecília Meirelles. São Paulo, 2008.
JAGUARIBE, H. Tempo e História. . In. DOCTORS, M. Tempo dos Tempos, Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
IMMANUEL KANT./paginas – 77, 78 Crítica da Razão Pura / Ed. Nova cultural. Tradução de Valerio Rohden e Udo Moosburgen.
KLEIN, Étienne. O tempo. Lisboa: Instituto Piaget, 1995. (tradução original: Le temp, Flammarion, Collecton dominós 1995).
MAGALHÃES, Isabel Allegro de. O tempo das Mulheres. Lisboa: Casa da Moeda, 1987.
RIVAS, F. N. Escolas das Religiões Afro-brasileiras. São Paulo: Arché, 2012.
SCHENBERG, Mário. em "Princípios da Mecânica (Tese de Cátedra) - Introdução à História da Ciência (Curso)"; editado pelo CEFISMA do Instituto de Física da USP.
WHITROW, G, J. – O que é o tempo – uma visão clássica sobre a natureza do tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editora, 2005. (Tradução da 1º edição inglesa, What is time? The Classic account of the nature time, Oxford University Press,de 1972).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise

Título: Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise

Organizadores: Mauro Passos, Paulo Agostinho Nogueira Baptista e Wellington Teodoro da Silva
Resumo: A obra reúne as contribuições que foram objeto de debate no VII Simpósio da ABHR e 1º Simpósio de Ciências da Religião da PUC – Minas em torno da problemática atual do sagrado em algumas manifestações religiosas que se podem observar no Brasil. Depois de uma análise das causas da situação de pluralismo secularizado em que vivemos, são abordados alguns temas relativos a certas formas históricas da educação católica, ao uso da mídia pelos evangélicos, e às manifestações das religiões afro-brasileiras. Discute-se igualmente a relação do simbólico com a política e com o poder. No conjunto temos uma amostragem significativa das questões que são hoje objeto do número crescente de cursos de Ciências da Religião, que se difundem nas instituições universitárias brasileiras.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A questão do apego


É comum se fazerem aos psiquiatras perguntas do tipo “o que leva uma pessoa a matar” ou “porque alguém escolhe ser bandido”, atos anti-sociais que chocam as pessoas. Meu trabalho cotidiano é avaliar comportamentos e personalidades, o que tem me mostrado o valor de um velho aforisma da Medicina, segundo o qual “cada caso é um caso”. Muita gente aprecia teorias generalizadoras, aquelas que se aplicam a todos os casos, o que torna difícil explicar que não é porque duas pessoas cometeram atos violentos, que as duas tenham agido pelos mesmos motivos, sejam estes conscientes ou inconscientes.
Um dos fatores relevantes é a história de vida da pessoa, que costuma trazer luzes sobre suas emoções e formas de pensar e agir. Mas, mesmo assim, há motivos que podem seguir obscuros, por mais esforços que se façam para desvendá-los. Mas isso não acontece só com quem é encaminhado para uma avaliação psiquiátrica, há motivos difíceis de entender em condutas nas mais variadas situações sociais.
Imagine, por um instante, que você fosse presidente do Egito e uma multidão de um milhão de pessoas exigisse a sua renúncia, o que você faria ? Não é fácil reunir um milhão de pessoas, você sabe disso. O Roberto Carlos já disse que queria ter “um milhão de amigos” e nesse caso seriam um milhão de pessoas reunidas em torno de você, mas não de amigos. Não pareceria mais lógico simplesmente negociar com a oposição, buscar uma “saída honrosa” e renunciar, sabendo que você não está agradando ?
Do ponto de vista prático, levaríamos em conta as implicações financeiras, mas não parece ser o caso. O ditador egípcio teria uma fortuna no exterior e já enviou toda a sua família para viver em Londres, confortavelmente. O que o mantém apegado ao poder, em um país que visivelmente não o tolera mais, a ponto do próprio Exército evitar tomar o partido dele ?
Não parece haver outra explicação racional a não ser a do apego à situação conhecida (o poder, no qual está há três décadas), mesmo com risco de vida ao permanecer lá, tão hostilizado e sem apoios leais. A vida dele, evidentemente, é muito diferente das nossas, mas o que sua conduta quase inexplicável tem de útil para nós é uma reflexão sobre a questão do apego. Mesmo sem situações de vida tão extremas como as dele (ou num país com costumes tão diferentes do nosso como o Egito), também temos em nossas vidas, em algum momento, o enfrentamento com a questão do apego.
Ninguém passa por essa vida sem alguma escolha que implique em se desapegar de algo, de alguém, ou de uma situação. O que casos extremos podem nos mostrar, e nos servir, é que o apego pode vir a se tornar, em si mesmo, um vício – como uma droga – quando não há mais motivos racionais que o sustentem.
Montserrat Martins, colunista do Ecodebate, é Psiquiatra.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

As mulheres no governo Dilma!


Luiz Inácio Lula da Silva não poderá usar sua emblemática frase “nunca antes na história deste país...” em relação às mulheres no comando dos ministérios. Cabe a Dilma Rousseff enaltecer o recorde feminino no primeiro escalão. Nesta quarta-feira (22), ela finalizou a definição dos responsáveis por cada uma das 37 pastas, secretarias ou órgãos com status ministerial. Elas ocuparão 9 postos. Antes, a marca pertencia a Lula no primeiro mandato: cinco ministras.
G1 levantou o número de ministras nas equipes montadas para posse de todos os presidentes da República desde a abertura democrática. A reportagem também traçou o perfil do primeiro escalão de Dilma. A média de idade é de 56 anos. Direito é o curso superior mais comum. E São Paulo é o estado com mais representantes.
Miriam Belchior, Tereza Campello, Izabella Teixeira, Ideli Salvati, Luiza de Bairros, Ana de Hollanda, Maria do Rosário, Iriny Lopes e Helena Chagas são as mulheres escolhidas por Dilma para o primeiro escalãoMiriam Belchior, Tereza Campello, Izabella Teixeira, Ideli Salvati, Luiza de Bairros, Ana de Hollanda, Maria do Rosário, Iriny Lopes e Helena Chagas são as mulheres escolhidas por Dilma para o primeiro escalão (Foto: Arquivo/G1 Arquivo/Agência Brasil e Arquivo/Divulgação)

Ao longo da história recente, a cota de mulheres sofreu oscilações. O segundo mandato de Lula (2003-2006) começou com 4 mulheres no primeiro escalão, mantendo um espaço maior que o reservado em governos anteriores. No primeiro mandato, Fernando Henrique (1995-1998) entregou apenas o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo para uma mulher: Dorothéa Werneck. Quatro anos depois, tomou posse para o segundo mandato (1999-2002) com três ministras em sua equipe: Anadyr de Mendonça Rodrigues (Controladoria-Geral da União), Cláudia Maria Costin (Secretaria de Estado de Administração e do Patrimônio) e Wanda Engel Aduan (Secretaria de Estado de Assistência Social).
No governo de Itamar Franco (1992-1994), a única mulher a assumir de fato uma pasta foi Luiza Erundina, que comandou a Secretaria de Administração Federal por 5 meses após a saída de Osiris de Azevedo. Já Fernando Collor (1990-1992) escolheu 2 mulheres. No Ministério da Ação Social assumiu Margarida Maia Procópio, enquanto no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento esteve Zélia Cardoso de Mello.

Ministros de Dilma
Entre os 37 ministros escolhidos pela presidente eleita Dilma Rousseff, 11 deles têm curso superior em Direito. A segunda formação mais comum é a de Economia, com cinco nomes, entre eles o ministro da Economia e o presidente do Banco Central.
Além disso, a maior parte da equipe ministerial nasceu no estado de São Paulo. Ao todo, 11 nasceram em cidades paulistas, sendo cinco na capital. Outros cinco ministros são gaúchos. A média de idade dos 37 ocupantes da equipe da petista é de 56 anos.
Pedro Novais (PMDB-MA), que foi escolhido para comandar o Ministério do Turismo, é o mais velho do grupo, com 80 anos. Outro peemedebista do Maranhão, Edison Lobão, que voltará a ocupar o cargo de ministro de Minas e Energia, tem 74.
Os dois mais jovens da equipe de Dilma são Alexandre Padilha (PT) e Orlando Silva Jr. (PC do B). Ambos têm 39 anos. No entanto Padilha é alguns meses mais novo. O futuro ministro da Saúde nasceu em setembro de 1971, e o do Esporte, em maio do mesmo ano.
Confira a divisão por partidos e veja os perfis:

PT
Alexandre Padilha (PT) - Ministério da Saúde
Fernando Pimentel (PT) - Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Fernando Haddad (PT) - Educação
Aloizio Mercadante (PT) - Ciência e Tecnologia
Ideli Salvatti (PT-SC) - Ministério da Pesca
Maria do Rosário (PT-RS) - Secretaria de Direitos Humanos
Paulo Bernardo (PT-PR) - Ministério das Comunicações
Antonio Palocci (PT-SP) - Casa Civil da Presidência
Gilberto Carvalho (PT-SP) - Secretaria-Geral da Presidência
José Eduardo Cardozo (PT-SP) - Ministério da Justiça
Guido Mantega (PT-SP) - Ministério da Fazenda
Miriam Belchior (PT-SP) - Ministério do Planejamento
Luiza Helena de Bairros (PT) - Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial
Tereza Campello (PT) - Ministério do Desenvolvimento Social
Luiz Sérgio (PT-RJ) - Secretaria de Relações Institucionais
Afonso Bandeira Florence (PT-BA) - Desenvolvimento Agrário
Iriny Lopes (PT-ES) - Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
PMDB
Nelson Jobim (PMDB) - Ministério da Defesa
Edison Lobão (PMDB-MA) - Ministério das Minas e Energia
Wagner Rossi (PMDB-SP) - Ministério da Agricultura
Pedro Novais (PMDB-MA) - Ministério do Turismo
Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Ministério da Previdência
Moreira Franco (PMDB-RJ) - Secretaria de Assuntos Estratégicos
PSB
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) - Integração Nacional
Leônidas Cristino (PSB) - Secretaria Especial de Portos
PDT
Carlos Lupi (PDT) - Trabalho
PR
Alfredo Nascimento (PR-AM) - Ministério dos Transportes
PP
Mário Negromonte (PP) - Ministério das Cidades
PC do B
Orlando Silva Jr. (PC do B) - Ministério dos Esportes
Sem partido
Izabella Teixeira - Meio Ambiente
Ana de Hollanda - Ministério da Cultura
Helena Chagas - Secretaria de Comunicação Social
Alexandre Tombini - presidência do Banco Central
Luís Inácio de Lucena Adams - Advocacia Geral da União (AGU)
Antonio Patriota - Relações Exteriores
General José Elito Carvalho - Gabinete de Segurança Institucional
Jorge Hage - Controladoria-Geral da União (CGU)

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