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domingo, 4 de setembro de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
Eu fui PT
"Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.
Eu fui PT por que
tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.
Eu fui PT por
ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.
Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!
Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT
Fui PT até quando
deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de
trapaça, de trambique. Por que não de Traição.
O partido dos
trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o
Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e
sérias, e foi aí que deixei de ser PT.
Eu deixei de ser
PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB
Eu deixei de ser
PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma
Eu deixei de ser
PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.
Eu deixei de ser
PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.
Eu deixei de ser
PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.
Eu deixei de ser
PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro
Eu deixei de ser
partido, continuo trabalhador... e você?"
Márcio Augusto
Costa - Brasília DF 15/03/16
sábado, 9 de março de 2013
O tempo e o poder
Jociane Negrão
Falar sobre o Tempo e sua importância na
manutenção do Poder, o Poder Temporal, não é fácil. Ao propor este desafio,
pensamos na primeira aula que tivemos sobre esse assunto, e quem nos despertou
para ele foi a Profa. Maria Elise Rivas. Estranhamente, ao entrar na sala, diferente
das outras vezes, ela falou “Graças a Deus”.
Digo diferente porque utilizar uma expressão exclusiva do Cristianismo
não é algo comum nela. Ela sempre nos remeteu ao conhecimento de Síntese, mas
nesse dia, ao entrar na sala de aula ela disse “Graças a Deus”.
Ao
iniciar sua aula com este jargão coloquial, ela nos remeteu à construção da
idéia de Deus pelo Cristianismo. O Cristianismo construiu, fundamentou sua teogonia
e teofania na escrita, por meio do Torah, o Antigo Testamento, e depois por
meio dos escritos que datam o mais antigo cerca de 70 anos após a morte de
Jesus, e que vieram a se chamar Novo Testamento. A esta união de livros do
Antigo Testamento e Novo Testamento deu-se o nome de Bíblia, o livro sagrado do
Cristianismo. A este processo de utilização de um livro sagrado como referência
chama-se Tradição Escrita. Cristianismo, Judaísmo e Islamismo são as Religiões
do Livro, e consideradas como as Religiões Tradicionais.
Contudo,
ao analisar as religiões do planeta, observa-se que uma parcela considerável
delas não utiliza o livro sagrado, entre elas podemos citar as religiões
ameríndias, as religiões africanas, as religiões orientais, e as religiões
primitivas da Europa. A toda essa parcela deu-se o nome de religiões
primitivas, apenas pelo fato de não possuírem um livro referencial. Suas
teogonias, teofanias, hierofanias, cosmologia e cosmovisão são embasadas na
Tradição Oral. O conhecimento é passado de geração em geração, de mestre a
discípulo, por meio de um processo iniciático.
Segundo
Durkheim, toda religião é caracterizada pelo Mito, pelo Rito e pelo Ethos. As
religiões tradicionais ou de tradição escrita têm muito bem caracterizados
estes princípios. Monoteístas, seus ritos são bem determinados, passo a passo.
As religiões orais são politeístas, multirreferenciais, polissistemáticas e,
portanto, policêntricas. Politeístas porque não utilizam uma única divindade,
mas um panteão, cada um com sua importância, daí a multirreferencialidade. São
polissistemáticas porque não há uma única forma de realizar um rito, mesmo que
ele seja destinado à mesma divindade. E policêntrico porque não há um único
modelo a ser seguido, exemplo disso são as religiões afro-brasileiras, com suas
inúmeras escolas (Culto da Jurema, Candomblé de Caboclo, Toré, Xambá, Babassuê,
Xangô, Tambor de Mina, Umbanda, Candomblé, Catimbó).
Nas
religiões de tradição oral, o tempo é o tempo mítico, ou seja, o tempo
vivenciado pelo mito. Não há marco inicial, o mito é revivido em cada rito. O rito
reatualiza o mito. É comum ouvir “... no
início dos tempos...” como referência nas historietas desta tradição, como
exemplificam os Itans do Ifá. A idéia de tempo era bastante diferente, própria
de cada povo. Por isso, os calendários são tão diversos. Normalmente, o tempo
era determinado pelas colheitas, pelas estações ou pela necessidade de
comercialização dos produtos.
Portanto, se a
idéia de tempo era algo pouco importante na tradição oral, como se deu a passagem
do atemporal para o temporal? Do tempo circular para o seqüencial?
Nas religiões
monoteístas, a necessidade de legitimar a idéia em construção (Deus) deu o
início a todo este processo de desconstrução das Tradições Orais. O Tempo foi
esse símbolo legitimador. Ao construir a imagem do Deus monoteísta, ocorreu o
marco inicial do Tempo. Portanto, o Tempo nasce com o Monoteísmo. E o
Monoteísmo utiliza a escrita como ferramenta primordial.
A história da
tradição escrita é totalizadora, com profundas ligações com a tecnologia e a
urbanização. Com o início da escrita, todas as culturas que não se
fundamentavam nela passaram a ser consideradas primitivas e atrasadas. As
culturas agrárias, relacionadas com a natureza, passaram a ser desprezadas, em
detrimento da urbana, distanciada dos valores antigos.
As culturas
mercantilistas, e depois as industrializadas necessitavam de uma marcação
temporal específica, uma forma de determinar lucro e produtividade. Não havia
mais o interesse apenas pelo sustento do clã, da prole, do coletivo. O
interesse agora era o enriquecimento individual, a exploração dos processos
produtivos, a hegemonia do poder. A riqueza determinava o poder.
A escrita, que era
apenas um método, passou a ser o método, tornando-se referência de progresso
cultural, avanço social e poder.
Construiu-se um
modelo de Homem de Bem, a ser defendido e implantado pelas nações “avançadas”.
Este Homem de Bem era justificado pela Fé que só pode existir naquele que lê e
respeita o Livro Sagrado.
Desacreditar,
ridicularizar e inferiorizar as culturas orais foi apenas o começo do processo.
Basta ver como os calendários antigos foram substituídos pelo calendário
cristão para perceber como se deu o processo colonialista e explorador do homem
europeu sobre os povos dominados.
Na tradição oral, o
conhecimento está livre para ser interpretado, modificado e ritualizado
conforme a compreensão de cada época e de cada povo. Não há rigidez. Há
mobilidade, abraçando todas as formas de compreender o sagrado. Ela estuda o Homem como sagrado.
Na tradição
escrita, o conhecimento está fechado, limitado pela fé, e pelo dogma. Não
permite reinterpretação. Estuda-se o Divino como ser poderoso, digno de
adoração e medo. O Homem passa a ser aquele ser insignificante, criado pela
Divindade, e por ele será castigado, se não se submeter às suas leis, escritas
é claro no Livro Sagrado. A conduta moral e ética passa a ser ditada pela fé,
permitindo a dominação da maioria analfabeta, pela minoria alfabetizada.
Domina-se o pobre e ignorante pelo medo à Deus. Vende-se uma ideologia de
submissão à vontade de Deus, e quem a representa é o Papa, o Rei, o senhor
feudal, e posteriormente, o patrão.
O homem deixou de
compreender a vida como um processo natural de nascer, crescer e morrer. Suas
idades eram determinadas pela infância ( pureza), pela vida adulta
(maturidade), e depois pela velhice (sabedoria). O homem passa agora a
compreender sua vida pela produtividade e pela força. Ao envelhecer, deixa de
ser valorizado e ouvido. Passa a ser considerado imprestável, doente, senil. É
notável a diferença com a qual o idoso é tratado nas culturas primitivas e nas
industrializadas. Incapazes de
acompanhar o processo tecnológico, seu conhecimento, adquirido com o esforço ao
longo dos anos, é desprezado, e agora, o sábio ancião é considerado um velho
inútil, desatualizado, imprestável. O jovem, valorizado pela vitalidade e
agilidade, passa a considerar-se força motriz da sociedade, não tendo mais como
referência a imagem do ancião sábio a direcionar-lhe o ímpeto da juventude. Deslocou-se o ancião para a periferia e o
guerreiro para o centro.
O homem moderno
trocou a Sabedoria dos anos pelo Poder do lucro e da força. Como resultado, uma
sociedade frívola, superficial, sem princípios éticos, tampouco espirituais.
* Este texto é parte do artigo apresentado na FTU, no IV Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI. Autores:
Ariel Couto (FTU), ariel_couto@hotmail.com;
Fernanda R. do Nascimento(FTU), fernanda.reg@hotmail.com;
Jociane Negrão(FTU), jn.negrao@uol.com.br;
Paulo Feijó(FTU), paulofeijodasilva@yahoo.com.br;
Rodrigo Fagundes Bueno(FTU), buenorf@msn.com;
Wilson Lopes (FTU), w.lopes@aasp.org.br.
Bibliografia
AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: J. Oliveira Santos
e Ambrosio de Pina, São Paulo: editora nova cultura, 1999.
ANDREWES, William J. H.
– Uma crônica do registro do tempo.
Scientc American Brasil, edição especial no. 21 (paradoxo do tempo). São Paulo:
editora duetto, 2007.
CARVALHO, Nivaldo de. em "A filosofia Medieval, o Renascimento e
a Filosofia Moderna"; texto para a disciplina de Filosofia para o
segundo grau da Escola Vera Cruz, São Paulo, 1997.
ELIADE, Mircea. O Mito do Eterno Retorno. Editora Edições 70 – Brasil, 1999.
GOODY, Jack. Tradutor: SILVA, Luis
Sergio Duarte da. O Roubo da Historia. Editora
Contexto, 2008.
HUNHOFF, Elizete Dall’Comune. O Tempo: Fator de Identidade nas Obras de
Florbela Espanca e de Cecília Meirelles. São Paulo, 2008.
JAGUARIBE, H. Tempo e História. . In. DOCTORS, M. Tempo dos Tempos, Rio de
Janeiro: Zahar, 2003.
IMMANUEL KANT./paginas – 77, 78 Crítica da Razão Pura / Ed. Nova
cultural. Tradução de Valerio Rohden e Udo Moosburgen.
KLEIN, Étienne. O tempo. Lisboa: Instituto Piaget, 1995. (tradução original: Le
temp, Flammarion, Collecton dominós 1995).
MAGALHÃES, Isabel Allegro de. O tempo das Mulheres. Lisboa: Casa da
Moeda, 1987.
RIVAS, F. N. Escolas das Religiões Afro-brasileiras. São Paulo: Arché, 2012.
SCHENBERG, Mário. em "Princípios da Mecânica (Tese de
Cátedra) - Introdução à História da Ciência (Curso)"; editado pelo
CEFISMA do Instituto de Física da USP.
WHITROW, G, J. – O que é o tempo – uma visão clássica sobre a natureza do tempo. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar editora, 2005. (Tradução da 1º edição inglesa, What is
time? The Classic account of
the nature time, Oxford University Press,de 1972).
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise
Título: Sagrado e o urbano (O): Diversidades, manifestações e análise
Organizadores: Mauro Passos, Paulo Agostinho Nogueira Baptista e Wellington Teodoro da Silva
Resumo: A obra reúne as contribuições que foram objeto de debate no VII Simpósio da ABHR e 1º Simpósio de Ciências da Religião da PUC – Minas em torno da problemática atual do sagrado em algumas manifestações religiosas que se podem observar no Brasil. Depois de uma análise das causas da situação de pluralismo secularizado em que vivemos, são abordados alguns temas relativos a certas formas históricas da educação católica, ao uso da mídia pelos evangélicos, e às manifestações das religiões afro-brasileiras. Discute-se igualmente a relação do simbólico com a política e com o poder. No conjunto temos uma amostragem significativa das questões que são hoje objeto do número crescente de cursos de Ciências da Religião, que se difundem nas instituições universitárias brasileiras.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A questão do apego
É comum se fazerem aos psiquiatras perguntas do tipo “o que leva uma pessoa a matar” ou “porque alguém escolhe ser bandido”, atos anti-sociais que chocam as pessoas. Meu trabalho cotidiano é avaliar comportamentos e personalidades, o que tem me mostrado o valor de um velho aforisma da Medicina, segundo o qual “cada caso é um caso”. Muita gente aprecia teorias generalizadoras, aquelas que se aplicam a todos os casos, o que torna difícil explicar que não é porque duas pessoas cometeram atos violentos, que as duas tenham agido pelos mesmos motivos, sejam estes conscientes ou inconscientes.
Um dos fatores relevantes é a história de vida da pessoa, que costuma trazer luzes sobre suas emoções e formas de pensar e agir. Mas, mesmo assim, há motivos que podem seguir obscuros, por mais esforços que se façam para desvendá-los. Mas isso não acontece só com quem é encaminhado para uma avaliação psiquiátrica, há motivos difíceis de entender em condutas nas mais variadas situações sociais.
Imagine, por um instante, que você fosse presidente do Egito e uma multidão de um milhão de pessoas exigisse a sua renúncia, o que você faria ? Não é fácil reunir um milhão de pessoas, você sabe disso. O Roberto Carlos já disse que queria ter “um milhão de amigos” e nesse caso seriam um milhão de pessoas reunidas em torno de você, mas não de amigos. Não pareceria mais lógico simplesmente negociar com a oposição, buscar uma “saída honrosa” e renunciar, sabendo que você não está agradando ?
Do ponto de vista prático, levaríamos em conta as implicações financeiras, mas não parece ser o caso. O ditador egípcio teria uma fortuna no exterior e já enviou toda a sua família para viver em Londres, confortavelmente. O que o mantém apegado ao poder, em um país que visivelmente não o tolera mais, a ponto do próprio Exército evitar tomar o partido dele ?
Não parece haver outra explicação racional a não ser a do apego à situação conhecida (o poder, no qual está há três décadas), mesmo com risco de vida ao permanecer lá, tão hostilizado e sem apoios leais. A vida dele, evidentemente, é muito diferente das nossas, mas o que sua conduta quase inexplicável tem de útil para nós é uma reflexão sobre a questão do apego. Mesmo sem situações de vida tão extremas como as dele (ou num país com costumes tão diferentes do nosso como o Egito), também temos em nossas vidas, em algum momento, o enfrentamento com a questão do apego.
Ninguém passa por essa vida sem alguma escolha que implique em se desapegar de algo, de alguém, ou de uma situação. O que casos extremos podem nos mostrar, e nos servir, é que o apego pode vir a se tornar, em si mesmo, um vício – como uma droga – quando não há mais motivos racionais que o sustentem.
Montserrat Martins, colunista do Ecodebate, é Psiquiatra.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
As mulheres no governo Dilma!
Luiz Inácio Lula da Silva não poderá usar sua emblemática frase “nunca antes na história deste país...” em relação às mulheres no comando dos ministérios. Cabe a Dilma Rousseff enaltecer o recorde feminino no primeiro escalão. Nesta quarta-feira (22), ela finalizou a definição dos responsáveis por cada uma das 37 pastas, secretarias ou órgãos com status ministerial. Elas ocuparão 9 postos. Antes, a marca pertencia a Lula no primeiro mandato: cinco ministras.O G1 levantou o número de ministras nas equipes montadas para posse de todos os presidentes da República desde a abertura democrática. A reportagem também traçou o perfil do primeiro escalão de Dilma. A média de idade é de 56 anos. Direito é o curso superior mais comum. E São Paulo é o estado com mais representantes.
Miriam Belchior, Tereza Campello, Izabella Teixeira, Ideli Salvati, Luiza de Bairros, Ana de Hollanda, Maria do Rosário, Iriny Lopes e Helena Chagas são as mulheres escolhidas por Dilma para o primeiro escalão (Foto: Arquivo/G1 Arquivo/Agência Brasil e Arquivo/Divulgação)
Ao longo da história recente, a cota de mulheres sofreu oscilações. O segundo mandato de Lula (2003-2006) começou com 4 mulheres no primeiro escalão, mantendo um espaço maior que o reservado em governos anteriores. No primeiro mandato, Fernando Henrique (1995-1998) entregou apenas o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo para uma mulher: Dorothéa Werneck. Quatro anos depois, tomou posse para o segundo mandato (1999-2002) com três ministras em sua equipe: Anadyr de Mendonça Rodrigues (Controladoria-Geral da União), Cláudia Maria Costin (Secretaria de Estado de Administração e do Patrimônio) e Wanda Engel Aduan (Secretaria de Estado de Assistência Social).No governo de Itamar Franco (1992-1994), a única mulher a assumir de fato uma pasta foi Luiza Erundina, que comandou a Secretaria de Administração Federal por 5 meses após a saída de Osiris de Azevedo. Já Fernando Collor (1990-1992) escolheu 2 mulheres. No Ministério da Ação Social assumiu Margarida Maia Procópio, enquanto no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento esteve Zélia Cardoso de Mello.
Ministros de DilmaEntre os 37 ministros escolhidos pela presidente eleita Dilma Rousseff, 11 deles têm curso superior em Direito. A segunda formação mais comum é a de Economia, com cinco nomes, entre eles o ministro da Economia e o presidente do Banco Central.Além disso, a maior parte da equipe ministerial nasceu no estado de São Paulo. Ao todo, 11 nasceram em cidades paulistas, sendo cinco na capital. Outros cinco ministros são gaúchos. A média de idade dos 37 ocupantes da equipe da petista é de 56 anos.Pedro Novais (PMDB-MA), que foi escolhido para comandar o Ministério do Turismo, é o mais velho do grupo, com 80 anos. Outro peemedebista do Maranhão, Edison Lobão, que voltará a ocupar o cargo de ministro de Minas e Energia, tem 74.Os dois mais jovens da equipe de Dilma são Alexandre Padilha (PT) e Orlando Silva Jr. (PC do B). Ambos têm 39 anos. No entanto Padilha é alguns meses mais novo. O futuro ministro da Saúde nasceu em setembro de 1971, e o do Esporte, em maio do mesmo ano.Confira a divisão por partidos e veja os perfis:
PT
- Alexandre Padilha (PT) - Ministério da Saúde
- Fernando Pimentel (PT) - Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
- Fernando Haddad (PT) - Educação
- Aloizio Mercadante (PT) - Ciência e Tecnologia
- Ideli Salvatti (PT-SC) - Ministério da Pesca
- Maria do Rosário (PT-RS) - Secretaria de Direitos Humanos
- Paulo Bernardo (PT-PR) - Ministério das Comunicações
- Antonio Palocci (PT-SP) - Casa Civil da Presidência
- Gilberto Carvalho (PT-SP) - Secretaria-Geral da Presidência
- José Eduardo Cardozo (PT-SP) - Ministério da Justiça
- Guido Mantega (PT-SP) - Ministério da Fazenda
- Miriam Belchior (PT-SP) - Ministério do Planejamento
- Luiza Helena de Bairros (PT) - Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial
- Tereza Campello (PT) - Ministério do Desenvolvimento Social
- Luiz Sérgio (PT-RJ) - Secretaria de Relações Institucionais
- Afonso Bandeira Florence (PT-BA) - Desenvolvimento Agrário
- Iriny Lopes (PT-ES) - Secretaria Especial de Políticas para as MulheresPMDB
- Nelson Jobim (PMDB) - Ministério da Defesa
- Edison Lobão (PMDB-MA) - Ministério das Minas e Energia
- Wagner Rossi (PMDB-SP) - Ministério da Agricultura
- Pedro Novais (PMDB-MA) - Ministério do Turismo
- Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Ministério da Previdência
- Moreira Franco (PMDB-RJ) - Secretaria de Assuntos EstratégicosPSB
- Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) - Integração Nacional
- Leônidas Cristino (PSB) - Secretaria Especial de PortosPDT
- Carlos Lupi (PDT) - TrabalhoPR
- Alfredo Nascimento (PR-AM) - Ministério dos TransportesPP
- Mário Negromonte (PP) - Ministério das CidadesPC do B
- Orlando Silva Jr. (PC do B) - Ministério dos EsportesSem partido
- Izabella Teixeira - Meio Ambiente
- Ana de Hollanda - Ministério da Cultura
- Helena Chagas - Secretaria de Comunicação Social
- Alexandre Tombini - presidência do Banco Central
- Luís Inácio de Lucena Adams - Advocacia Geral da União (AGU)
- Antonio Patriota - Relações Exteriores
- General José Elito Carvalho - Gabinete de Segurança Institucional
- Jorge Hage - Controladoria-Geral da União (CGU)
Ministros de Dilma
PT
- Alexandre Padilha (PT) - Ministério da Saúde
- Fernando Pimentel (PT) - Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
- Fernando Haddad (PT) - Educação
- Aloizio Mercadante (PT) - Ciência e Tecnologia
- Ideli Salvatti (PT-SC) - Ministério da Pesca
- Maria do Rosário (PT-RS) - Secretaria de Direitos Humanos
- Paulo Bernardo (PT-PR) - Ministério das Comunicações
- Antonio Palocci (PT-SP) - Casa Civil da Presidência
- Gilberto Carvalho (PT-SP) - Secretaria-Geral da Presidência
- José Eduardo Cardozo (PT-SP) - Ministério da Justiça
- Guido Mantega (PT-SP) - Ministério da Fazenda
- Miriam Belchior (PT-SP) - Ministério do Planejamento
- Luiza Helena de Bairros (PT) - Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial
- Tereza Campello (PT) - Ministério do Desenvolvimento Social
- Luiz Sérgio (PT-RJ) - Secretaria de Relações Institucionais
- Afonso Bandeira Florence (PT-BA) - Desenvolvimento Agrário
- Iriny Lopes (PT-ES) - Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
- Nelson Jobim (PMDB) - Ministério da Defesa
- Edison Lobão (PMDB-MA) - Ministério das Minas e Energia
- Wagner Rossi (PMDB-SP) - Ministério da Agricultura
- Pedro Novais (PMDB-MA) - Ministério do Turismo
- Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Ministério da Previdência
- Moreira Franco (PMDB-RJ) - Secretaria de Assuntos Estratégicos
- Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) - Integração Nacional
- Leônidas Cristino (PSB) - Secretaria Especial de Portos
- Carlos Lupi (PDT) - Trabalho
- Alfredo Nascimento (PR-AM) - Ministério dos Transportes
- Mário Negromonte (PP) - Ministério das Cidades
- Orlando Silva Jr. (PC do B) - Ministério dos Esportes
- Izabella Teixeira - Meio Ambiente
- Ana de Hollanda - Ministério da Cultura
- Helena Chagas - Secretaria de Comunicação Social
- Alexandre Tombini - presidência do Banco Central
- Luís Inácio de Lucena Adams - Advocacia Geral da União (AGU)
- Antonio Patriota - Relações Exteriores
- General José Elito Carvalho - Gabinete de Segurança Institucional
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