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segunda-feira, 11 de março de 2013

Violência institucionalizada contra a mulher




Alexandra Kollontai:
“A prostituição deforma todas as noções que nos levam a considerar o ato sexual como um dos fatos essenciais da vida humana, como o acorde final de múltiplas sensações físicas levando-nos a estimá-lo, em troca, como ato vergonhoso, baixo e grosseiramente bestial. A vida psicológica das sensações na compra de carícias tem repercussões que podem produzir conseqüências muito graves na psicologia masculina. O homem acostumado à prostituição, relação sexual na qual estão ausentes os fatores psíquicos, capazes de enobrecer o verdadeiro êxtase erótico, adquire o hábito de se aproximar da mulher com desejos reduzidos, com uma psicologia simplista e desprovida de tonalidades. Acostumado com as carícias submissas e forçadas, nem sequer tenta compreender a múltipla atividade a que se entrega a mulher amada durante o ato sexual. Esse tipo de homem não pode perceber os sentimentos que desperta na alma da mulher.”



Labrys
estudos feministas/ études féministes
agosto/dezembro 2005 -août/ décembre 2005

Banalizar e naturalizar a prostituição: violência social e histórica*

tania navarro swain

Resumo:

A prostituição vem sendo apresentada pelo história como algo já existente desde os primórdios da organização social humana. Diferentes facetas do discurso social retomam esta idéia e justificam a prostituição, esvaziando-a de sua violência constitutiva. A prostituição transformada em profissão de fato legaliza a violência da apropriação material e simbólica dos corpos das mulheres.


A prostituição, ou seja, a venda de corpos, forçada ou não, é talvez a maior violência social cometida contra as mulheres. Esta violência é agudizada por sua total banalização; mais ainda, a profissionalização da prostituição, que acolhe adeptos mesmo entre as feministas, define a apropriação e a “mercantilização” total das mulheres como um trabalho, que seria tão estatutário e dignificante quanto qualquer outro.
 A simples classificação “trabalho” promove a compra de mulheres – momentânea ou permanente, como no caso das meninas raptadas, violentadas e prostituídas – a um nível de mercado, de justificação monetária, de inserção nos mecanismos de produção e reprodução do social. De fato, a prostituição é um agenciamento social onde a classe dos homens, como bem definiu Christine Delphy (1998), se apropria e usa a classe das mulheres.[1]
Os mecanismos de inteligibilidade social integram a prostituição, no imaginário e nas representações sociais, como um estado prazeroso, tal como o apresenta, por exemplo, a literatura, dentre os discursos sociais. Por exemplo, Jorge Amado, em muitos de seus romances: apresenta o prostíbulo como um lócus de troca amorosa, de repouso e prazer..Assim, não paira sequer a questão: para quem as mulheres são colocadas à disposição, corpos e ouvidos complacentes, perpétuos sorrisos enganchados no rosto, caricaturas de uma relação de encontro?
Aspirar à dignidade de um trabalho, enquanto prostituta, é totalmente compreensível, sobretudo quando não existem condições materiais para uma transição ou o abandono de tal atividade. Afinal, quem não deseja o respeito e a consideração social? Entretanto, mesmo se a legislação confere um status trabalhista à prostituição, a linguagem popular mostra seu lugar na escala social. Ser “filho da puta” não é ainda o insulto maior?
Diversas asserções tentam justificar a violência da transformação de pessoas em orifícios, como por exemplo, “a prostituição é a mais antiga profissão do mundo”. Esta frase é dita e escrita à exaustão, criando sentidos sobre o vazio de sua enunciação. De fato, em História, nada existiu “desde sempre e para sempre”, a não ser em uma história positivista, enredada em premissas essencialistas e datadas, para a qual é “natural” a presença de prostitutas no social. Ao contrário, a pesquisa histórica vem mostrando que a prostituição é uma criação do social, em momentos épocas específicas; esta denominação encobre, inclusive, no discurso histórico, a presença de mulheres no social que destoam da norma representacional sobre as mulheres.
Esta proposição – a mais antiga profissão do mundo -  cria e reproduz a idéia da existência inexorável da prostituição, ligada à própria existência das mulheres, parte de seu destino biológico; nesta asserção é mantida, no senso comum, a noção da essência maléfica e viciosa das mulheres, que através dos tempos se concretiza na figura da prostituta, o lado sombrio e negativo da representação construída sobre a mulher-mãe na historicidade discursiva ocidental. Por outro lado, fica materializada e generalizada a idéia da condição inferior das mulheres ao longo da história, despossuídos de seus corpos e de sua condição de sujeito, no social e no político.
              Delimitada pela noção de essência e permanência, a prostituição vai perdendo sua historicidade e a própria variação semântica da palavra desaparece sob generalizações no mínimo insustentáveis. Por exemplo, a “prostituição sagrada” na antiguidade dos povos orientais é uma interpretação anacrônica, pois insere em valores do presente – o sexo mercantilizado – a análise de um ritual simbólico de renovação da vida (Stone, 1979)
Explica esta autora que o  hierogamos – união sagrada  entre a grande sacerdotisa e o futuro rei, ou entre uma sacerdotisa e um visitante do templo – era uma celebração do ritual místico da vida, reproduzindo, na Suméria,  a união de Inana / Damuzi ou de Ishtar/Tamuzi, na Babilônia - fundamentou a idéia de  "prostituição sagrada", ou seja, uma interpretação etnocêntrica, que confere ao rito uma desqualificação incompatível com a importância e o sentido conferido à cerimônia.
 Merlin Stone historiadora e arqueóloga, explica que as sacerdotisas dos templos da Deusa, seja na Suméria, Babilônia, Cartago, Chipre, Anatólia, Grécia, Sicília, eram consideradas sagradas e puras; seu nome acadiano de gadishtu significa literalmente "mulheres santificadas" ou "santas mulheres" (Stone, 1979: 237).
 Julgamento de valor, valores criadores de sentidos, sentidos instauradores do real na senda do imaginário social: assim se constrói a prostituição como atemporal, Se “o que a História não diz, não existiu”, como costumo afirmar, o que a história diz é certamente justificação para determinadas relações sociais. Nesta perspectiva, à asserção “prostituição, a mais velha profissão do mundo”, corresponde “as mulheres sempre foram dominadas pelos homens”, proposições construídas pelas representações sociais binárias e hierarquizadas dos historiadores, destituídas de fundamento.  Mas isto assegura, no discurso  e às condições de imaginação social, a representação das mulheres enquanto prostitutas e como seres dominados / inferiores, desde a aurora dos tempos conhecidos.

Sentidos múltiplos

Assim, a questão que se coloca é igualmente: o que é uma prostituta? Cada época tem sua definição e seus limites que vão desde a mulher que não é casada, daquela que tem um amante até a profissão que ela exerce, como até pouco tempo, no Brasil, as aeromoças, as cantoras, as mulheres que trabalhavam fora de casa. Se o termo contém uma suposta relação mercantil, a representação da prostituta atinge todas aquelas que não se enquadram às normas de seu tempo / espaço. 
Simone de Beauvoir, que marcou a visibilidade dos feminismos no século XX com a publicação do “Segundo Sexo” (1949), assim analisa a condição da prostituta:“[...]a prostituta é um bode expiatório; o homem descarrega nela sua torpeza e a renega ”(Idem,376)e continua […]  a prostituta não tem direitos de uma pessoa, nela se resumem , ao mesmo tempo, todas as figuras da escravidão feminina”.(idem) A pertinência desta análise nos aponta para a inversão que institui e classifica a prostituição no mais baixo nível social, que pune e persegue a prostituta e não o cliente. A violência simbólica desta inversão não pune ou rejeitado socialmente os agentes da violência, os criadores de mercado: os clientes. A  quem serve afinal, a legalização da prostituição?.
Simone de Beauvoir considera que é na  prostituição, onde:
“[...]a mulher oprimida sexualmente e economicamente, submetida ao arbítrio da polícia, à uma humilhante vigilância médica, aos caprichos dos clientes, destinada aos micróbios e à doença, é realmente submetida ao nível de uma coisa”(idem,389)
. Estas frases contém um sem-número de questões: a prostituição como o resultado de relações sociais hierárquicas de poder; como resultado igualmente de uma situação moral; como objetificação total do feminino nas instâncias sexual e econômica, submetido  à ordem masculina ; como instituição partícipe do funcionamento do sistema patriarcal; como uma forma de violência e apropriação social das mulheres/ meninas/ crianças pela classe dos homens.
Meninas abandonadas pelos pais, pelos amantes ou maridos, falta de oportunidade de trabalho, falta de capacitação, sedução e exploração, escravidão sexual, medo, são causas arroladas por  De Beauvoir (idem:279/380) para a prostituição. Podemos acrescentar o abuso sexual doméstico, na escola, no trabalho, nas instâncias de lazer. No caminho da prostituição, o abuso e o estupro estão quase sempre presentes. Sob o signo do social se coloca  a existência da prostituição,  num contexto de violência implícita ou explícita, desmascarando “a mais antiga profissão do mundo”. Como bem analisa Colette Guillaumin(1978), as mulheres padecem de não TER um sexo, mas de SER um sexo, no imaginário patriarcal.  
De Beauvoir comenta ainda a respeito da prostituição:

“[...] gostaríamos de saber a influência psicológica que esta brutal experiência teve sobre seu futuro; mas não se psicanalisa “as putas”, elas não sabem se descrever e se escondem sob os clichês”(idem, 380).

Esta questão é bem ilustrativa da banalização e naturalização da prostituição: as mulheres violentadas são usualmente encaminhadas para um acompanhamento psicológico; mas e as prostitutas? Ou elas realizam a improvável operação da separação de seus corpos e mentes quando exercem esta atividade, ou são apenas robôs, destituídas de psique, de sentimentos, de emoções.
 Dizer que a prostituição é um trabalho e ainda, voluntário, é, no mínimo, um insulto às mulheres, é um insulto ao trabalho, é o menosprezo total das condições que levaram tais mulheres a se submeter e mesmo defender a “profissão” que exercem. O que poderia levar uma criança, uma adolescente, uma mulher à este aviltamento senão a força, o poder, o estupro, a violência social que aceita a figura do “cliente” como seqüência de corpos profanados, usados e abusado, assujeitados, escravizados? Basta lembrar que o tráfico de mulheres só é superado em lucratividade pelo comércio das armas. Estariam todas estas mulheres e meninas nos bordéis e nas ruas, por sua livre vontade, presas de sua “natureza” perversa?
 A naturalização e a profissionalização da prostituição não é também uma forma de convencimento para as meninas / adolescentes? Porque não ser prostituta, “trabalho” “fácil”, para se ganhar muito dinheiro? Não se explica a elas o que vão constatar: a perda de sua condição de sujeito, de ser humano, entre surras e pancadas, na total insegurança, sem falar nesta intimidade, nesta troca de fluidos corporais, de odores, texturas, hálitos, suores, a invasão e a despossessão  de seus  corpos por qualquer indivíduo do sexo masculino? Como se ousa dizer que alguém quer ou gosta de ser prostituta?
 De fato, a prostituição é a banalização do estupro.
Um argumento bem atual é que a sedução exercida pela prostituta seria uma forma de poder sobre os homens: a mulher teria algo tão desejável que faria o homem se submeter a pagar por isto, diz a revista Nova em 1999. Mutatis mutandis, o patrão que paga um salário torna-se assim instrumento e posse de seu operário? Que estranha inversão é esta que  torna o comprador tributário do vendedor? Que tipo de raciocínio é este que seria destruído em segundos por qualquer estudante de economia e se sustenta na análise da prostituição?  De toda maneira, o dinheiro ganho pelas prostitutas raramente fica em suas mãos.
No estupro e na violência  material e psicológica encontram-se raízes da prostituição; no aliciamento para o mundo artístico, inumeráveis jovens desaparecem no tráfico  internacional de mulheres onde são vendidas e confinadas em bordéis; no apelo ao consumo e na falta de oportunidades de trabalho, na ausência de capacitação profissional e mesmo de alfabetização, outras passam a vender seus corpos, já que, afinal, não é este um destino “natural” para as mulheres?. Mas não só a ausência de condições materiais estimulam a venda de corpos: são as representações sociais sobre as mulheres, são as condições de imaginação social que asseguram a existência da prostituição, como algo banal e natural.          
Estas são situações de fato, levadas em conta pelos feminismos quando se debruçam sobre a experiência singular das mulheres, colocando-se em sua defesa e proteção. Sob a égide da legalização da prostituição encontra-se, entretanto, um imenso mercado que mal disfarça seus interesses. A mercadoria é o corpo ou o sexo das mulheres e meninas. Por vários motivos, a prostituição não pode ser assimilada a um trabalho, a uma profissão: numa relação profissional ou mercantil, o que se vende é o trabalho ou o produto do trabalho. Na prostituição, o corpo das mulheres seria seu produto? Como ser força de trabalho e ao mesmo tempo seu produto?  Isto é a re-naturalização do sexo feminino, a sua transformação de ser humano em carne , cujo destino é a satisfação do  desejo de outrem.
Confundir prostituição e trabalho é dotá-la de uma dignidade que não possui no imaginário e na materialidade social – o linguajar popular exprime o desprezo social em relação à prostituta e nenhuma legislação irá modificar esta imagem: é a forma falaciosa  de justificar o completo assujeitamento das mulheres a seu corpo sexuado, mergulhando-as  na total imanência.
É a melhor maneira de perpetuar a prostituição, igualmente, na medida em que as próprias mulheres defenderiam sua profissionalização, para escapar ao opróbrio, às perseguições legais e à própria auto-representação, fincada num imaginário de degradação. Assim, descriminalizar é uma coisa e profissionalizar é algo muito diferente: descriminalizar é proteger as mulheres prostituídas do arbítrio legal e da exploração dos cafetões;  profissionalizar é  integrá-la ao funcionamento do mercado de trabalho, banalizando e normalizando a apropriação das mulheres pelos homens, na expressão paroxística da matriz heterossexual, na reafirmação do patriarcado enquanto sistema.
A prostituição é, portanto, uma instituição social que materializa a apropriação geral da “classe” dos homens em relação à “classe das mulheres”, (Guillaumin, 1978) historicamente constituída nas relações sociais e que tende a ser naturalizada. A prostituição enquanto “escolha” de uma “profissão” obscurece a profunda esquizofrenia do olhar lançado sobre as prostitutas, destituídas de toda perspectiva psicológica, capazes de cindir, no exercício da sexualidade, da “profissão”, seu corpo e sua mente, seu corpo e suas emoções.
 Evidentemente, os consultórios de psicólogos e psicanalistas estão repletos de mulheres e homens com problemas sexuais; as prostitutas, entretanto, não são afetadas por estas disfunções, já que se trata de um “trabalho”, de uma “escolha”. As imagens que são produzidas pela televisão, pelo cinema, pela literatura, mostram os bordéis como casas de alegre convivência, de felizes encontros, de doces recordações – para os homens – escondendo a sombria realidade de seres despojados de seu corpo e de sua humanidade.

Pequena questão final

A materialidade das relações sociais apela para um posicionamento político e a análise crítica é um dos vetores que pode rasgar as tramas dos discursos e suas práticas.  A História, enquanto discurso social também dotado de historicidade é uma das grandes veiculadoras de representações de mulheres naturalizadas: entre maternidade e prostituição, a escolha de um destino biológico. Os feminismos, atentos à sua própria produção do conhecimento, não podem senão negar a banalização da violência que prostitui as mulheres e afirma que elas assim o querem porque assim são feitas e constituídas.

Referências bibliográficas 

DE BEAUVOIR, Simone. Le Deuxième Sexe. L’expérience vécue, Paris: Gallimard, 1966. (1a edição em 1949)
DELPHY, Christine. L´ennemi pprincipal. vol 1. Paris : Ed. Syllepse, 1998
GROULT, Benoite. Cette mâle assurance. Paris : Albin Michel, 1993
GUILLAUMIN, Colette. 1978.Pratique du pouvoir et idée de Nature, 2.Le discours de la Nature, Questions féministes, n.3, mai, p.5-28,
STONE, Merlin. Quand Dieu était femme. Quebec: Etincelle, 1979.
RICH, Adrienne. La contrainte à l'hétérosexualité et l'existence lesbienne, Nouvelles Questions Féministes, Paris, mars , n.1, p.15-43, 1981.
JODELET, Denise.  Les représentations sociales, un domaine en expansion. In :___ (dir)  Représentations sociales. Paris : PUF,  1989.



[1] Na linguagem  marxista de relações de classes, Delphy (1998) identifica na associação dos homens uma classe, que como tal se apropria das mulheres, também enquanto classe
nota biográfica
Tânia Navarro swain é professora do Departamento de História da Universidade de Brasília, doutora pela Université de Paris III,Sorbonne. Fez seu pós-doutorado na Universidade de Montréal, onde lecionou durante um semestre  na Université du Québec à Montréal, (UQAM), onde foi professora associada ao IREF, Institut de Rechereches et d´Études Féministes. Ministra um curso de Estudos Feministas na graduação e trabalha na área de concentração com a mesma denominação na pós-graduação. Publicou recentemente um livro pela Brasiliense, “O que é lesbianismo”, 2000 e organizou um número especial “Feminismos: teorias e perspectivas” da revista Textos de História, lançado em 2002. Organizou igualmente um livro “História no Plural”,  além de vários artigos em revistas nacionais e internacionais.Organizou igualmente o livro "mulheres em ação:práticas discursivas, práticas políticas", publicado em 2005. É editora da revista digital Labrys, estudos feministas"

* texto publicado na revistaUnimontes Científica, revista da Universidade Estadual de Montes Claros, vol6,n2, julho/dez 2004.
http://www.tanianavarroswain.com.br/labrys/labrys8/perspectivas/anahita.htm#umb
http://blogln.ning.com/forum/topics/o-feminismo-e-a-legaliza-o-da-prostitui-o?xg_source=activity

sábado, 14 de maio de 2011

Lei de Talião ainda existe!

Irã adia aplicação da pena de homem condenado a ficar cego


TEERÃ, 14 Mai 2011 (AFP) -As autoridades judiciais iranianas adiaram a execução da pena que condenou um homem a perder a visão por ter cegado e desfigurado com ácido uma mulher que mora atualmente na Espanha.

As autoridades não explicaram o motivo do adiamento, nem anunciaram uma nova data para a aplicação da sentença, segundo a agência Isna.

Em aplicação à lei do talião (olho por olho) prevista pela sharia (lei islâmica) em vigor no Irã, Majid Movahedi foi condenado em 2008 a ficar cego com a administração de gotas de ácido nos olhos por ter desfigurado e cegado, em 2004, Ameneh Bahrami, que não aceitou se casar com ele.

Bahrami, de 30 anos, que vive em Barcelona com uma pensão de invalidez concedida pelo governo espanhol, repetiu recentemente que gostaria de aplicar a sentença.

"Sofri muito nos últimos anos, mas agora sou realmente feliz", declarou Bahrami em entrevista ao jornal Haft-e Sobh.

"Gostaria eu mesma de aplicar a pena, mas não é possível, será um médico", completou a jovem, que viajou ao Irã para assistir a aplicação da sentença.

Ela explicou que deseja a execução da lei do talião "não para que o culpado tenha os mesmos sofrimentos, e sim para que isto possa dissuadir os que pensarem em cometer este crime no futuro".

Segundo o Haft-e Sobh, a execução da pena seria uma novidade no Irã.

A Anistia Internacional denunciou na sexta-feira a decisão de aplicar a pena por considerá-la um "castigo cruel e desumano equivalente a um ato de tortura".

A associação de defesa dos direitos humanos destacou que não deseja minimizar a gravidade do crime cometido contra Ameneh Bahrami, mas ressaltou que o Irã tem a responsabilidade de seguir as leis internacionais e não aplicar a pena.

Majid Movahedi lançou ácido na cabeça de Ameneh Bahrami porque a estudante, que frequentava a mesma universidade que ele, não aceitou seus pedidos de noivado.

A vítima ficou completamente desfigurada e perdeu a visão, apesar das 17 cirurgias a que foi submetida na Espanha.

A lei do talião é aplicada no Irã em casos de assassinato. A família da vítima deve pedir expressamente a aplicação, que depende da apreciação do juiz.

Olho por olho, dente por dente

Filed under: antigamentepunir — bell @ 10:42 am
Significado: Desforra correspondente à ofensa.
Origem: A lei de talião (do latim Lex Talionis: lex: lei e talis: tal, parelho), também chamada pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. É uma das mais antigas leis existentes.
Os primeiros indícios da lei de talião foram encontrados no Código de Hamurabi, em 1730 a.C., no reino da Babilónia. Essa lei permite evitar que as pessoas façam justiça elas mesmas, introduzindo, assim, um início de ordem na sociedade com relação ao tratamento de crimes e delitos, “olho por olho, dente por dente“.
Escreve-se com inicial minúscula, pois não se trata, como muitos pensam, de nome próprio. Encerra a ideia de correspondência de correlação e semelhança entre o mal causado a alguém e o castigo imposto a quem o causou: para tal crime, tal pena.
O criminoso é punido taliter, ou seja, talmente, de maneira igual ao dano causado a outrem. A punição era dada de acordo com a categoria social do criminoso e da vítima. Se uma pessoa arrancasse o dente de outra, a pena seria a mesma. Se um nobre homem batesse num escravo, o escravo não poderia bater no nobre homem.

PS: É assustador! Um caso que por si só já é estarrecedor pelo requinte de crueldade utilizado pelo criminoso, e pelo claro desprezo pelo direito da mulher em dizer não, agora pode ainda alcançar ainda um nível pior, o da vingança. Direito garantido pela lei islâmica no Irã, mas questionável para a sociedade cristã. Adianta falar alguma coisa? 

quarta-feira, 9 de março de 2011

No 100 º Dia Internacional da Mulher, ONU faz balanço de conquistas e desafios


Aproveitando a celebração do 100° aniversário do Dia Internacional da Mulher (08/03) funcionários das Nações Unidas lembraram as conquistas das mulheres ao longo dos anos e fizeram um alerta para os desafios que ainda permanecem.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que, em muitos países, mulheres e meninas continuam sofrendo discriminação e violências inaceitáveis, dizendo que “em casa e na escola, no trabalho e na comunidade, muitas vezes ser mulher significa ser vulnerável”. Ban também observou que, enquanto mais mulheres em mais países estão assumindo seu lugar legítimo nos postos de decisão, menos de 10% dos países têm mulheres como Chefes de Estado ou de Governo.
A Diretora Executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, destacou os ganhos das mulheres nos últimos 100 anos, principalmente na conquista dos direitos, mas afirmou que as esperanças de igualdade expressadas no primeiro Dia Internacional da Mulher, cem anos atrás, ainda estão longe de serem alcançadas. “A força, a produção e a sabedoria das mulheres continuam sendo os maiores recursos inexplorados da humanidade”, disse Bachelet. “Não podemos esperar mais cem anos para libertar esse potencial.”
A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, dedicousua mensagem aos papéis corajosos que as mulheres têm desempenhado nas recentes manifestações pacíficas no Norte da África e no Oriente Médio, lembrando que em momentos de transições históricas é importante assegurar que os direitos das mulheres não sejam postos de lado e que sejam tratados como prioridade.
Ressaltando os avanços feitos na saúde das mulheres e meninas, como reformas na idade mínima de casamento e de consentimento sexual, aborto seguro, contracepção e no progresso para acabar com violência sexual, a Diretora Geral da Organização Mundial de Saúde(OMS) Margaret Chan também lembrou os desafios a serem enfrentados. Entre eles estão as altas taxas de HIV entre mulheres, o aumento do consumo de tabaco e outras formas de violências relacionadas ao gênero, ressaltando que a falta de educação afeta negativamente a fertilidade, as taxas de tabagismo e a prevenção ao HIV.

segunda-feira, 7 de março de 2011

UNESCO comemora Dia Internacional da Mulher


O sofrimento de milhões de pessoas em idade escolar, adolescentes e jovens vivendo em conflito no mundo e as zonas de conflito será destaque no lançamento de Paris de Educação da UNESCO para o Relatório de Monitoramento Global, que terá lugar na sede da Organização em 08 de março, marcando o Dia Internacional da Mulher .

Diretor Geral da UNESCO Irina Bokova vai lançar a edição francesa do relatório, "A crise escondida: Conflito armado e educação" na abertura de uma conferência internacional sobre a igualdade de acesso à Educação, Formação e Ciência e Tecnologia, que reunirá um número de alto nível de palestrantes de todo o mundo. 

 "O relatório mostra como estupro e outras violências sexuais têm sido amplamente utilizados como uma tática de guerra em muitos países", disse o director-geral disse. "A insegurança e o medo associados com a violência sexual manter jovens, em particular, fora da escola. Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para destacar este ultraje e mobilizar nossas forças contra ela. "

O relatório apela para o fim da cultura de impunidade em torno da violência sexual, com o monitoramento mais intenso das violações dos direitos humanos que afetam a educação, uma aplicação mais rigorosa da legislação internacional existente e da criação de uma Comissão Internacional de estupro e violência sexual, apoiada pela Organização Internacional Tribunal Penal

O lançamento e conferência terá início uma série de eventos e iniciativas da UNESCO para celebrar o Dia Internacional da Mulher. 

A edição 2011 do Women Make the News, uma iniciativa global destinada a promover a igualdade de gênero na mídia, também vai começar no Dia Internacional da Mulher. O tema para este ano, Media e Informação Alfabetização e Sexo, visa melhorar a compreensão sobre a perspectiva de gênero nos meios de comunicação e sistemas de informação.

A edição especial da revista da UNESCO Courier também será publicado para assinalar a ocasião. Falando para os sem voz: Cinco Mulheres em Ação traz entrevistas com Michaelle Jean (Haiti), Ben Achour Sana (Tunísia), Aminetou Mint El Moctar (Mauritânia), Kamal Sultana (Bangladesh) e Monica Gonzalez Mujica (Chile).

Exposições artísticas serão realizadas na sede da UNESCO para o dia, com as mulheres artistas do Brasil, Egipto, Gabão, Líbano, Tailândia e EUA. Vários eventos culturais também estão programadas, incluindo uma noite musical com dois artistas internacionais: Kareyce Fotso (Camarões) e Geta Burlacu (Moldávia), em 8 de março.

Em 09 de março, a UNESCO irá acolher uma mesa redonda sobre Empoderamento da Mulher - social, educacional e Liderança Cultural, organizado em colaboração com a Tailândia (Sala IV). 

Dia Internacional da Mulher foi o primeiro homenageado cem anos atrás, em um punhado de países europeus. 
Todos os anos, em 08 de março, a UNESCO celebra o Dia Internacional da Mulher, hospedando um programa pioneiro, que consiste em mesas-redondas, conferências, exposições e eventos culturais que destacam questões relativas ao empoderamento das mulheres ea promoção da igualdade de gênero.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cartilha alerta sobre a violência contra mulheres

http://www.unfpa.org.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=586:cartilha-alerta-sobre-a-violencia-contra-mulheres&catid=5:home&Itemid=40


Uma em cada três mulheres em todo o mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida. O número mostra a necessidade de ampla conscientização sobre os direitos da mulher. Com o intuito de alertar e informar sobre o problema, o UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, o UNAIDS, ACNUR, OPAS e UNIFEM/ONU-Mulheres lançam a cartilha “Direitos da Mulher – Prevenção à Violência e ao HIV/Aids”.

Violência é o ato de agressão ou até de omissão que causa sofrimento físico ou psicológico à vítima. O guia esclarece as várias situações de violência em que as mulheres estão sujeitas, além de mostrar formas de como prevenir e buscar ajuda.

A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos de idade. O Brasil é um dos países que mais sofre com esse tipo de violência, que atinge 23% das mulheres brasileiras. Além disso, a cada 15 segundos uma mulher é agredida no país.

O sofrimento e a morte não são as únicas consequências da violência. A agressão e o medo  aumentam a vulnerabilidade da mulher à infecção pelo HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Segundo a cartilha, um dos principais motivos para as mulheres se calarem diante da violência é o temor pela segurança pessoal e segurança de filhos e familiares. Entre outros motivos, estão a vergonha e o sentimento de humilhação.

Apesar das dificuldades, as mulheres podem contar com alguns meios para defender seus direitos e denunciar a violência. Uma forma eficiente de proteção é a Lei n° 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha. O livreto indica outras formas de assistência para as mulheres.

A cartilha “Direitos da Mulher – Prevenção à Violência e ao HIV/Aids” está disponível na internet. Para fazer o download, clique aqui

* Por Gabriela Borelli

Relatório sobre a Situação da População Mundial 2010
        Observação: alguns dados relativos à mortalidade materna e infantil da seção de indicadores do Relatório Situação da População Mundial 2010 podem apresentar divergência em relação às últimas revisões de dados recentemente divulgadas pela ONU. Esta versão do Relatório já incorpora estas atualizações no caso do Brasil; para dados sobre outros países, favor consultar:
        Mortalidade Infantil:
        Mortalidade Materna:

        terça-feira, 7 de dezembro de 2010

        UNESCO e a Violência contra as mulheres

        Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres


        25 de novembro é declarado por resolução da ONU como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, convidando os governos, organizações internacionais e ONG para organizar actividades destinadas a sensibilizar o público para o problema no mesmo dia. UNESCO Beirute está marcando este dia o lançamento de um estudo piloto com base género da violência no Líbano.                                                                                                                       

        A violência de gênero (VBG) é uma violação dos direitos humanos com graves conseqüências físicas, psicológicas e mentais, bem como uma das causas de vários problemas sociais. GBV também afeta negativamente o acesso das raparigas à conservação e na educação. De acordo com o EFA Global Monitoring Report sobre o Género e Educação para Todos, a violência baseada no género é uma das principais causas de insucesso e altas taxas de abandono das meninas da escola que perpetua a diferença de gênero.
        Para marcar o dia, a UNESCO Beirut é o lançamento de um estudo piloto no Líbano na violência de gênero relacionadas com a escola base, a fim de identificar: 
        • a natureza ea extensão do fenômeno
        • as causas e os seus principais autores
        • o impacto sobre os estudantes, especialmente meninas, e em suas escolhas educacionais e de realização
        Os resultados do estudo serão utilizados para iniciar um diálogo político sobre a escola GBV relacionados e orientar ações corretivas e preventivas adequadas, em um esforço para promover um ambiente seguro de aprendizagem que permite que todos os alunos, meninos e meninas, de frequentar a escola livre do medo e consequências da violência. 
        O estudo é realizado em colaboração com o Conselho Superior para a Infância - Ministério dos Assuntos Sociais, do Ministério da Educação e do Ensino Superior e da Universidade La Sagesse. É financiado pelo Governo da Itália, no âmbito do projecto "Apoio a Igualdade de Género em Educação no Líbano".
        Os 16 Dias de Activismo Contra a Violência de Gênero campanha é organizada a cada ano, começando com O Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra a Mulher, em 25 de novembro até o Dia Internacional dos Direitos Humanos em 10 de Dezembro. Nesta ocasião, a UNESCO Beirute está organizando uma conferência de imprensa em 03 de dezembro, por ocasião do lançamento do estudo sobre a escola GBV relacionados.
        06.12.2010
        Fonte: Escritório da UNESCO em Beirute

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