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segunda-feira, 31 de julho de 2017
sábado, 16 de abril de 2016
Benzedeiras, Curadoras e Rezadeiras
" A curandeira não é uma mulher que cura, a curandeira é uma mulher que ama "
Por
todo Brasil existem homens e mulheres que são curadores, que aplicam a
sabedoria ancestral, em chás de ervas, banhos e benzimentos, com rezas e
cantos. Com essas práticas, conseguem reduzir e até exterminar muitos dos males
que atingem as pessoas que as consultam. Assim, são essas pessoas, que conhecem as folhas,
cascas, cipós, as luas mais propícias e também as rezas que orientam sua fé na
cura.
Pelo efeito da fé daqueles que aplicam conhecimentos de cura que
vêm de povos tão distintos – brancos, negros, indígenas – as benzedeiras ou
curandeiras têm suprido a falta de atendimento médico em localidades remotas. Há
também quem, mesmo nas cidades, prefira procurar uma benzedeira para casos em que a cultura popular
identifica como sendo de trato das benzedeiras – empacho, espinhela caída,
quebrante, bucho virado – e tantos outros nomes que o povo usa para designar
sensações físicas muito incômodas.
No município de Rebouças, no Paraná, as
benzedeiras se organizaram e conseguiram o reconhecimento do seu ofício. Hoje, por lei municipal, todas
são identificadas por uma carteirinha que as identifica. Assim, podem trabalhar
no seu ofício sem o susto de serem autuadas ou denunciadas. Desde 2010 são
reconhecidas pública e legalmente. É o que nos conta o documentário de Lia
Marchi, Benzedeiras –
Ofício tradicional.
Outro documentário muito interessante sobre as benzedeiras e
rezadeiras é o das Benzedeiras do
Parintins, que apresenta várias benzedeiras do estado
do Amazonas, apresentado como trabalho de conclusão de curso de jornalismo da
Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
Há também o documentário Eu que te benzo,
Deus que te cura, que foi apresentado como
trabalho de conclusão do curso de jornalismo na Universidade Federal de Santa
Catarina. Nele, foram registradas as práticas terapêuticas religiosas
populares realizadas por benzedeiros de Florianópolis, um resgate cultural
muito interessante que mostra como e porquê o conhecimento da benzedura é
adquirido, realizado e praticado.
Foram também entrevistados um historiador, uma psicóloga, uma
antropóloga, um médico e um ambientalista – a ampliação, para o mundo
científico, desta discussão, é muito benéfica para o entendimento da
importância das práticas de benzedura e suas origens.
Fontes: Alice Branco (GreenMe)
http://umbandaeucurto.com/noticias/benzedeiras-curadoras-e-rezadeiras-cura-pela-natureza-e-pela-fe/#
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Minha Herança
Sou herdeira de rezas e benzeduras. De mulheres que encontraram nos contornos da castração social, brechas por onde deixar infiltrar os poderes ancestrais femininos. Mulheres que cultivam remédio para todos os males, entre flores e folhas, histórias e sonhos, palavras e canções. Mulheres fortes, por vezes duras, valentes como um bicho feroz, mas com a sensibilidade de uma borboleta. Daquelas que enquanto choram pela galinha que perdeu os pintinhos, degola outra pra jogar na panela e cozinhar lentamente o almoço que sustenta toda a grande família.
Sou herdeira de mulheres simples, sabedoras, que fazem da rotina um ritual. Com a vassoura varrem os pensamentos ruins, as lembranças difíceis, e assim vão varrendo até a calçada, até a estrada. Fazem da casa um relicário, baús que guardam histórias tramadas no algodão, o café exalando aroma de saudade gostosa. Fazem do quintal um altar, lugar maior que o mundo, composto de silêncios e de restos, repleto de símbolos de poder.
Quintal por aqui se chama terreiro, que na Umbanda é tido como ‘casa religiosa de cura espiritual que pratica o bem e o amor ao próximo’. No significado não difere muito do terreiro de nossas avós. Um pedaço de terra, às vezes um filete entre a parede e o muro do prédio moderno que acotovela a simples casinha caiçara, onde se cultiva plantas de cura e contemplação. Ali tem erva pra chá amargo que cura o estômago, pra jogar na garrafa com cachaça e aliviar dor muscular, pra emplastro e compressa, pra temperar comida e pra benzer verruga. As flores e folhagens vistosas são remédios para a alma, bálsamos em cores, formas e cheiros que acalentam as dores do dia-dia.
Sou herdeira de mulheres de muitos filhos e pouca louça, que aprenderam desde menina o poder de tirar o suficiente do pouco, porque muito é exagero, e sempre tem quem precise mais. Dessas mulheres eu trago a linha e a agulha, as garrafas de tintura curtindo no armário, a florzinha sem vergonha crescendo no quintal. A elas sou grata e peço a bênção pra seguir meu caminho.
Texto: Tailu Nascimento, A foto é da inspiradora Tasha Tudor (Google).
Publicado em 06/01/2016 e,:
https://estudioimbe.wordpress.com/2016/01/06/minha-heranca/
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