quinta-feira, 7 de abril de 2011

Movimentos sociais acusam governo e empresas transnacionais de violação a direitos humanos

 Daniella Jinkings, da Agência Brasil

Um estudo divulgado ontem (6) pelo Processo de Articulação e Diálogo (PAD) aponta que a criminalização dos movimentos sociais tem se acentuado nas duas últimas décadas. Além de assassinatos e ameaças, os defensores de direitos humanos também se tornaram alvos de ações criminais e policiais ilegais.
Durante esta semana, uma delegação composta por líderes de movimentos sociais denunciarão ao Congresso Nacional e às embaixadas estrangeiras abusos praticados pelo Estado e pelas empresas transnacionais.
Na Europa, outra delegação vai expor a parlamentares, organizações humanitárias e religiosas mundiais os problemas que enfrentam. A repressão brasileira aos movimentos sociais também será denunciada ao Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A atuação do Judiciário, de setores do Ministério Público, seja federal ou estadual, e de segmentos do Poder Legislativo representa uma face do Poder Público que desrespeita os direitos humanos e não coloca em prática a Constituição Brasileira”, diz o relatório.
O estudo reúne as principais denúncias de violação dos direitos humanos contra os movimentos sociais, como a repressão às manifestações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a criminalização das atividades do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e o drama das pessoas atingidas pela construção de grandes hidrelétricas. O relatório também revela que o Estado brasileiro cria mecanismos para criminalizar essas organizações em favorecimento de interesses privados.
De acordo com o coordenador do setor de movimentos sociais do PAD, Leonardo Maggi, grandes projetos dos setores mineral, energético e do agronegócio violam os direitos das populações atingidas e o meio ambiente, por estarem protegidas por um aparato legal que criminaliza quem ousa enfrentar esses projeto de desenvolvimento.
“A ideia é discutir os impactos do atual modelo de desenvolvimento por meio de alguns casos emblemáticos relacionados a grandes projetos”. Maggi citou como exemplos os casos da monocultura de eucalipto para a fabricação de celulose e da repressão às organizações de luta pela terra no desafio da reforma agrária, “que é o oposto do projeto do agronegócio”, afirmou.
Segundo ele, um dos maiores obstáculos é fazer com que os órgãos públicos entendam que a criminalização representa uma violação aos direitos humanos e uma ameaça à democracia. “Há muitos casos emblemáticos de violação e repressão tanto pelo Estado quanto por grandes companhias, principalmente transnacionais, contra movimentos sociais em geral. Esta semana, vamos convesar com embaixadores, parlamentares e ministros.”
De acordo com o relatório, a criminalização das lutas sociais é estratégia de forças conservadoras para barrar o avanço dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Essa tendência vem se repetindo em outros países da América Latina, como a Colômbia, o Peru, a Argentina Nicarágua, o Panamá, Equador, a Guatemala e o Chile.
Criado em 1995, o Processo de Articulação e Diálogo é formado por seis agências ecumênicas europeias e por 165 entidades parceiras no Brasil. Congrega representantes de movimentos como o MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e as organizações não governamentais.
Movimentos sociais querem que o governo faça reforma agrária e demarque terras indígenas
Representantes de movimentos sociais vão pressionar o governo brasileiro a adotar medidas que coloquem um fim às ações de criminalização, difamação e vitimização desses movimentos e de defensores de direitos humanos. Esta semana, durante reuniões com parlamentares, embaixadores e ministros líderes dos movimentos sociais vão exigir que o governo faça a reforma agrária e a demarcação de terras indígenas e quilombolas.
O relatório Processo de Articulação e Diálogo (PAD), divulgado ontem (6), apresenta uma série de denúncias sobre repressão aos movimentos sociais pelo governo e empresas transnacionais. Entre os casos denunciados está a criminalização dos defensores de direitos humanos ligados à reforma agrária, principalmente no Rio Grande do Sul.
De acordo com o estudo, mais de 12 mil famílias conquistaram um pedaço de terra no estado e organizaram-se em cerca de 300 assentamentos. No entanto, 2,5 mil ainda esperam a reforma agrária em 11 assentamentos. Algumas dessas famílias estão há mais de quatro anos acampadas.
“Nos últimos cinco anos, menos de 800 famílias foram assentadas. Esses índices são inferiores aos governos do regime militar”, diz o relatório. Além disso, nos últimos anos, manifestações dos integrantes do MST são reprimidas de forma arbitrária e truculenta pela polícia do Estado.
O movimento já havia denunciado tais fatos à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Organização das Nações Unidas (ONU), à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Secretaria de Direitos Humanos, no entanto, até o momento, nada foi feito, aponta o estudo.
Para a coordenadora do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Lucy Piovesan, a denúncia é uma maneira de a população e as autoridades saberem dessa repressão. “Isso pode contribuir para que empresas, Estado e Ministério Público [MP] pensem duas vezes antes de fazer essa criminalização e a repressão ao movimento.”
Segundo Lucy, há mais de 20 anos o MMC luta contra abusos do Estado, principalmente do MP. “O Ministério Público vem fazendo uma pressão muito forte, pois fiscaliza e questiona todos os projetos desenvolvidos pelo movimento. Tivemos a sede dos movimentos em vários estados invadida por policiais com muita truculência.”
Outra reivindicação dos movimentos sociais é a demarcação de terras indígenas. De acordo com o relatório, a não demarcação das terras no Brasil gera a morte de dezenas de indígenas a cada ano, ameaçando a sobrevivência étnica e física de diversas comunidades. O caso denunciado é referente à população indígena guarani-kaiowá, em Mato Grosso do Sul.
“Durante 2007, ano em que explodiu o número de assassinatos, 80 terras indígenas dos guarani-kaiowá sequer tiveram seus limites identificados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e nenhuma terra indígena foi declarada pelo Ministério da Justiça ou homologada pelo presidente de República”, diz o estudo.
Com isso, os índios acabam deixando suas terras e indo trabalhar em fazendas ou usinas de álcool, onde são explorados e submetidos a condições degradantes, análogas à escravidão. Segundo o relatório, a Funai se comprometeu a fazer o estudo de demarcação de terras, o que até o momento não ocorreu.
Reportagem de Daniella Jinkings, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 07/04/2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CASO BOLSONARO - A censura e outras confusões

Por Deonísio da Silva em 5/4/2011


Luís Fernando Veríssimo lembrou em O Globo (3/4, pág. 7):

"Quando o deputado Jair Bolsonaro, tempos atrás, lamentou publicamente que a ditadura não tivesse matado o então presidente Fernando Henrique Cardoso quando teve a oportunidade, a reação não foi a metade da causada pelas suas recentes declarações racistas e homofóbicas. Fobias por fobias, a FHCfobia extrema pareceu só um destempero enquanto as manifestadas agora chocaram todo o mundo. Mas o Bolsonaro é o mesmo, com o mesmo cargo. Talvez, antes, só não se tivesse prestado atenção".Há muitos anos, aqueles que estudam a censura com um olhar mais largo, pregam no deserto e são ouvidos somente por seus pares. Ou por gafanhotos e abelhas que produzem mel silvestre. Os outros só acham feia e errada a censura quando é contra eles ou contra seus amigos, sua turma. Quando é contra os inimigos ou desafetos, nada têm a declarar sobre vetos, proibições, apagamentos, silenciamentos etc. Tudo vale a pena para que os diferentes não falem. Assim, não são pautados e é como se não existissem.
Até que chegue a História, mas daí será tarde para os excluídos, embora cadáveres tenham às vezes vozes retumbantes, como estamos no momento presenciando com a indicação de locais onde foram enterrados os corpos de vítimas da repressão pós-64 (atrás do Hotel Quitandinha, em Petrópolis).

Direito de dizerNós precisamos de uma sociedade que se indigne sempre, não importa quem seja o ofendido, o excluído, sua cor, etnia, condição social, cultural, se militar, paisano, civil, religioso, ateu, agnóstico, nada.
É por isso que devemos garantir ao deputado Jair Bolsonaro o direito de ele dizer o que quiser. Se infringiu as leis com suas declarações, deve responder pelo que disse nos tribunais, não na mídia, mediante edições marotas que misturem aleivosamente perguntas e respostas fora de contexto, piorando o que ele já acha sobre notórios excluídos.
Quando Lula disse ao então prefeito de Pelotas, Fernando Marroni, sem saber que estava sendo filmado num estúdio de televisão, que "Pelotas é um polo exportador de veados" e a piada infame vazou, não houve gritaria nenhuma. Ricardo Noblat, comentando episódio em O Globo (4/4, pág. 2), escreve:
"Se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã, de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder".Defendendo liberdade para o deputado Jair Bolsonaro, defendemos liberdade para todos nós. E assim procedemos de modo radicalmente diverso daqueles que acham que vão fazer uma sociedade melhor quando excluírem quem pensa, declara e age diferentemente deles.
Ao defender o direito de ele dizer o que bem quiser, nós lembramos, como a vítima ao algoz, que pensamos, falamos e agimos de modo diferente. Que quando se quer justiça, não se quer vingança.
Nas redaçõesTambém em O Globo de domingo (3/4, pág. 16), Elio Gaspari comentou a censura sofrida pela revista Caras. A causa foi a reportagem de 19 páginas sobre as angústias que levaram a atriz Cibele Dorsa ao suicídio. O jornalista referiu a estranha alegação de Antonio Carlos Mendes, advogado do campeão de hipismo Alvaro "Doda" Miranda. O defensor que pediu e obteve a censura disse:
"Como uma pessoa que vai tirar a própria vida pode estar em estado normal para deixar uma carta?"Disse o jornalista:
"Trata-se de perguntar ao doutor o que ele sugere que se faça com a carta-testamento de Getulio Vargas".No Brasil, a censura raramente é combatida. Frequentemente é invocada como recurso contra aqueles que pensam de modo diferente. E isso ocorre também nas redações. Mas aqueles que a praticam, naturalmente são contra ela, que hipocrisia! Ou desconhecem que proibir é apenas um dos muitos recursos da censura?
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=636JDB002

Jornal Futura 05/04/2011 Bloco 1

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lançamento da Coleção da UNESCO: História Geral da África

Evento em São Paulo
CEA/USP e CECAFRO/PUC-SP - Tuca Arena - 6 de abril/2011

Período da manhã
9:30 horas - Lançamento da Coleção História Geral da África
Convidados oficiais
- Ministro da Educação Fernando Hadad
- Ministério da Cultura
- Representante da UNESCO no Brasil
- Ministra da SEPPIR,Luiza Barros
- Cônsul Geral da África do Sul
- Secretário de Educação do Estado de São Paulo
- Secretário de Educação do Município de São Paulo
- Reitor da Universidade Federal de São Carlos
- Reitor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Coordenação: Prof. Valter Silvério (UFSCAR)
TEMA - Coleção HGA: fonte multidisciplinar de conhecimentos sobre a África
10:30 horas - Mesa I: História, cultura e o legado civilizatório africano
- Prof. Valter Silvério (UFSCAR)
- Prof. Kabengele Munanga (CEA/USP)
- Prof. Fernando Albuquerque Mourão (USP)
- Prof. Joel Rufìno dos Santos (UFRJ)
Comentários: representante da L|NESCO
Coordenação: Prof. Paulino de Jesus Cardoso (UDESC e ABPN)
Período da tarde
14:00 horas - Mesa II: África e diáspora: formação de profissionais e produção de
materiais pedagógicos
- Profa. Petronilha Gonçalves da Silva (UFCAR)
- Profa. Fulvia Rosemberg (PUC/SP)
- Profa. Maria Aparecida da Silva Bento (CEERT)
- Prof. Jean-Michel Tali - Historiador, Membro do Comitê Científico para
elaboração do Material Pedagógico a partir da Coleção História Geral da África
Comentários e coordenação: Prof. Dagoberto José Fonseca (UNESP)
16:00 horas- Mesa III: História, historiograÍia e a produção de saberes na África e na
diáspora
- Prof. Alberto da Costa e Silva
- Prof. Ali Moussa Iye (UNESCO)
- Prof. Muryatan Barbosa (doutorando USP)
Comentírios e : Prof. Acácio Sidinei Almeida Santos (PUC/SP)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Responsabilidade Social: o paradigma da competitividade

Gilberto Barros Lima

O sentimento da competição sempre esteve impregnado nas relações humanas, tal comportamento não se conteve apenas nos estádios e disputas esportivas, o ato de competir se tornou uma alavanca para o sucesso profissional, empresarial e também no reconhecimento pessoal.
Ressaltando também o fenômeno da penetração da internet, isso causou uma revolução mundial não apenas na forma como a sociedade se comunica e busca a informação, muito além disso, como na maneira de se pensar e fazer a publicidade de qualquer evento. O desenvolvimento tecnológico registrado nas ultimas décadas provocou essa transformação no mercado mundial em varias frentes.
Por sua vez, a exacerbada competitividade tem sido um paradigma marcante no atual contexto em que a sociedade vivencia mudanças extraordinárias. Embora esse aspecto seja necessário para o progresso dos avanços tecnológicos e sociais, a competitividade é uma característica de força que o ser humano utiliza em determinados espaços para desenvolver suas atividades.
O mundo continua mudando não trazendo apenas avanços, mas surgindo inúmeros problemas, crises, conflitos nas áreas políticas, econômicas e sociais. Contudo, no cotidiano global têm surgido alternativas que visam amenizar essa conflituosa realidade.
Nesse período histórico do século 21, temos ouvido constantemente que vivemos a chamada era da transparência, o momento em que tudo sabemos numa questão de segundos, esse fenômeno faz com que encaremos as oportunidades e preveniremos todos os riscos para que não impliquem em resultados negativos afetando a reputação corporativa.
Não são poucos os desafios no presente e no futuro, a extrema necessidade de rever conceitos e políticas industriais obriga também toda a sociedade mundial aderir a uma nova postura defronte a questão socioambiental. Daí surge como ferramenta essencial a Responsabilidade Social, reforçada pela ideia de que “O terceiro setor, mostra-nos o caminho de que o que importa é o objetivo comum, ou seja, o exercício da responsabilidade social. (ARAÚJO, 2006, p.73)”.
Durante muito tempo, ocorreu uma visão contrastante quanto à responsabilidade social pelo fato de que a boa imagem era resultante basicamente da qualidade de produtos e serviços. Essa rotina era amplamente amparada por estratégias de marketing eficaz, porém esse modelo ultrapassado está perdendo a vez porque as empresas procuram se inserir numa rede de demandas, cumprindo diversas obrigações e selando cada vez relacionamentos em escala global.
Outro ponto de vista sobre a obrigatoriedade de assumir a Responsabilidade Social é comentada por Augusto (2008, p.5) quando afirma sua opinião: Mais do que apoiadores da iniciativa, somos todos agentes e protagonistas de um momento histórico do nosso mercado que reflete envolvimento, engajamento e, principalmente, maturidade para compartilhar dúvidas e problemas comuns, frutos do fato de vivermos na era da maior mudança da história recente. Só com autoconhecimento, mergulho profundo em questões sérias e delicadas e a união entre pares é que se consegue dar um passo além e ir em direção a uma evolução da classe.
Independentemente de a Responsabilidade Social conquistar a cada dia um espaço significativo no panorama global, ainda temos algumas complexidades quanto à utilização desse instrumento. Para exemplificar, Araújo (2006, p.10) esclarece que “A responsabilidade social é um tema amplo que, ao contrário de assistencialismo, estabelece uma proposta de gestão de empresas para ações sociais com diferentes públicos”. 
De outra forma, Araújo (2006) revela que a responsabilidade social empresarial é um instrumento recente, polêmico e dinâmico, ou seja, o envolvimento desde a geração de riquezas lucros pelas empresas, numa visão bastante simplificada, até a implementação de ações sociais no plano de negócios das companhias, em contexto abrangente e complexo.
Marinho (2008) exemplifica que o consumidor está cada vez mais consciente, além de exigente quanto a produtos e serviços, a sociedade atual demanda uma postura social e ambientalmente responsável por parte das empresas. Consequentemente isto implica que as transformações econômicas e naturais pelas quais o mundo passa obriga a conscientização geral, a fim de reverter os prejuízos já causados.
No mesmo pensamento, o processo histórico da Responsabilidade Social em nosso País apresenta as seguintes características: O histórico e a evolução da prática da responsabilidade social no Brasil não diferem muito do contexto mundial; alguns aspectos podem ser observados com a mesma intensidade e importância. Um primeiro fator que contribuiu para o surgimento de uma consciência mais acentuada da necessidade de mudanças no panorama social aconteceu nos anos 70, com a expansão e o surgimento das Organizações Não-Governamentais, conhecidas como ONG´s. (ARAÚJO, 2006, p.14).
O surgimento dessa nova conscientização frisada acima vem ao encontro do que se vê adiante. Isto implica que a Responsabilidade Social é um paradigma de competitividade necessário para se obter a sustentabilidade em todos os segmentos do mercado, empresas, governos e toda a sociedade mundial. Naturalmente é um caminho árduo para que sejam postas em prática todas as reformas urgentes vigentes no mundo capitalista.
Entre as principais e mais urgentes mudanças de comportamento em relação à Responsabilidade estão a manutenção do elo entre todos os envolvidos e não apenas a participação de um dos seus elementos. Cabe assinalar que o envolvimento e comprometimento de algumas empresas, um grupo de políticos interessados pela causa e uma parcela da sociedade tem se alistado nessa longa batalha para mudar o rumo catastrófico causado durante todos esses séculos.
Desde o surgimento da Responsabilidade Social, esses grupamentos procuram assimilar uma nova ótica que o futuro do planeta requererá para se desenvolver e crescer sustentavelmente. Nesse contexto surgem inúmeros conceitos ou mesmo jargões que enriquecem o vocabulário socioambiental.
Nessa gama de conceitos definimos o que é o empreendedor social, conforme relata Araújo (2006, p.70). O empreendedor social é aquela pessoa que possui o sonho e a vontade de transformar a realidade, mobilizando e sensibilizando pessoas para isso, pois sozinho o empreendedor social não conseguirá viabilizar esse sonho de transformação. Assim, o empreendedor social, além de pensar no coletivo, atua coletivamente.
Pensando dessa maneira o empreendedor social tem a relevante conscientização sobre toda a sua participação nesse longo processo. Isto também representa que reputação não se constrói de um dia para o outro [...] (ARAÚJO, 2006, p.70).
Em consequência disso, Santa Cruz (2008, p.10) amplia essa presente preocupação com o empreendedorismo social: [...] as empresas já não são consideradas apenas como entidades econômicas, geradoras de produtos e serviços. São avaliadas, e até fiscalizadas, como instituições sociais, como uma lista alentada de obrigações a cumprir. Precisam ser bons lugares para se trabalhar, boas vizinhas das comunidades onde atuam, demonstrar responsabilidade social, garantir diversidade no corpo de funcionários e transparência na relação com investidores, entre outras cobranças. Mais do que apenas produzir e vender, têm que cultivar relacionamentos com diversos públicos. Têm que conquistar e renovar constantemente, um mandato social para suas marcas.
Santa Cruz (2008, p.10) ainda continua sua postura quanto a reputação corporativa: “Porque se sabe que reputação é coisa frágil – um escorregão, como aprenderam a duras penas muitas empresas, pode comprometer o investimento de anos”.
É fundamental ter a habilidade de fazer diferente, pensar em soluções integradas, olhar as situações desde vários ângulos, trazerem soluções simples para problemas complexos, inovar, desconstruir e reconstruir processos (RIVELLINO, 2008, p.52).
Finalmente é reforçada a realidade de que a Responsabilidade Social veio para ficar, ser introduzida, entendida e principalmente vivenciada pela sociedade, pelo empresariado e todo o planeta.
Gilberto Barros Lima – Bacharel em Relações Internacionais, Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais, Captador de Recursos (Fundraiser) do Centro de Recuperação Nova Esperança (CERENE), Professor Universitário de Responsabilidade Social e Metodologia da Pesquisa e do Ensino Superior. E-mail: gbarroslima@yahoo.com.br
http://www.ecodebate.com.br/2011/04/04/responsabilidade-social-o-paradigma-da-competitividade-artigo-de-gilberto-barros-lima/

domingo, 3 de abril de 2011

Líbia - Como e porque

Anna Malm
As resoluções 1970 e 1973 adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU permitem à qualquer país bombardear a Libia.

Muitos dos que estão aplaudindo a destruição da Líbia, podem não ter entendido muito bem que eles próprios poderão ser as próximas vítimas de uma agressão internacional sancionada pelo Conselho de Segurança da ONU. Não nos enganemos quanto a aparencia superficial de legalidade. Essas duas resoluções são ilegais, uma vez que contradizem e confromtam os próprios estatutos da ONU. È como decretar leis nacionais que contradigam e confromtem o próprio Código Penal do país, e isso assim, sem maiores cerimonias ou explicações. * **

Ser amigo ou aliado subjugado dos interesses imperialistas, dessa vez claramente liderados pelos EUA-França-Inglaterra e dentro de poucas horas – NATO, não dá à ninguém razão de se sentir seguro e tranquilo. Uma constante dos Estados Unidos é a de não ser leal a ninguém, como a história já nos mostrou com suficiente claridade, como por exemplo com Saddam Hussein no Iraque e Hosni Mubarak no Egito. Dois “amigos” de por aí vinte à trinta e tantos anos.

Líbia: Quem são os insurgentes e quem são seus patrões? Introduzindo o assunto Peter Dale Scott [1] ressalta que o mundo está frente a uma situação muito imprevisível e perigosa, com os Estados Unidos já muito envolvido no Iraque e Afeganistão e com assaltos esporádicos ao Yemen e à Somalia, agora bombardeando ainda a mais um país, a Líbia, no norte da Africa. Obama, já deu indicações de que os Estados Unidos estão se encaminhando à uma guerra para mudança de regime no continente africano. Peter Dale aponta também para o fato de que essa guerra seria prolongada – compreenda se dolorosa, assim como a do Iraque nos mostrou como é que é, e com potenciais riscos de se extender bem para além da Líbia, na região compreendendo o norte da Africa e o Oriente Médio.

Muammar Al Gaddafi, aos 27 anos foi o chefe de um pequeno grupo de oficiais (que no espírito declarado por Abdel Nasser) tirou, através de um golpe de estado não sangrento, o então rei da Libia do poder. Depois disso os assaltos e ameaças à sua vida começaram. Esses assaltos e ameaças vieram de monarquistas, do Serviço de Inteligencia de Isarael (Mossad), de alguns desafetos palestinianos, do Serviço de Segurança da Arábia Saudita, da Fronte Nacioanl de Salvação da Líbia (NFSL na sigla inglesa), da Conferencia Nacional da Oposição Líbia (NCLO na sigla inglesa), do Serviço de Inteligencia Britanico, do antagonismo dos Estados Unidos e em 1995, do mais sério de todos:- de um grupo similar à Al-Qaeda, um grupo revolucionário Islamico conhecido como A- Jamaà al-Islamiyyah al-Muqatilah bi-Libya, (LIFG pelas siglas inglesas) [1]

Dessa lista ressalta-se abaixo os que são os insurgentes na Líbia hoje em dia.. Para facilitar a compreensão serão esses apresentados como 1), 2) e 3). Note-se que são grupos treinados e armados, sendo assim na Libia, uma situação muito diferente da que a que ocorreu tanto na Tunísia como no Egito.

1) A Frente Nacional para a Salvação da Líbia (NFSL). Com a intenção de tirar Kadafi do poder, Israel e os Estados Unidos treinaram rebeldes anti-Kadafi em diversos países africanos. Documentação oficial norte-americana indica que o financiamento para a guerra secreta contra a Libia, com base em Chad, também veio da Arabia Saudita, Egito, Marroco, Israel e Iraque. O NFSL também foi apoiado pelo Serviço de Inteligencia Francês, assim como pela CIA . [1]

2) Conferencia Nacional para Oposição na Líbia (NCLO):- A Frente Nacional para a Salvação da Líbia (NFSL) cooperou com esse movimento (o NCLO) e recursos britanicos foram, e estão sendo usados, para apoiar os mencionados e outros oposicionistas na Libia. O maior grupo chefiando a insurreição atual é exatamente esse under ponto 2), ou seja, a Conferencia Nacional –NCLO. O MI6 (Serviço de Inteligencia britanico) foi já no passado acusado de apoiar essa organização. O envolvimento do governo britanico com a NCLO, apesar de ser ponto de controversa, é claro quanto ao deixar o grupo LIFG (apontado acima como um grupo similar à Al-Qaeda) à desenvolver bases para suporte logístico, ou seja, comunicação transporte e moradia por ex , assim também como o levantamento de fundos na Inglaterra. [1]

3) A Frente Islamica – Al-Jamaá al Islamiyya al Muqatilah bi-Libya (Libyan Islamic Fighting Group- (LIFG)O ataque de maior significancia dessa Frente Islamica foi a tentativa de assassinar Kadafi em 1996, quando jogaram uma bomba na comitiva dele, mas o grupo também age como guerrilhas contra as Forças de Segurança da Libia. Dirigentes desse grupo são considerados como envolvidos em criar um “Emirato Islamico” na agora chamado parte liberada, no noroeste da Libia. [1]

Nota-se que já em setembro de 1995, confrontações violentas ocorreram entre as forças de segurança de Kadafi e essa Frente Islamica –LIFG.[1]

Americanos, ingleses e franceses são agora camaradas em armas com esse grupo – não só similar a Al-Qaeda como também um elemento da mesma. Hillary Clinton admite que esses serão provavelmente mais anti americanos que Kadafi, mas é como diz o provérbio, os fins justificam os meios... [1]

Num estudo recente, Stephen Walt, à respeito do que a Libia nos ensina quanto as diferenças entre os neo-conservativos e os liberais nos Estados Unidos, argumenta que os atuais liberais- intervencionistas dos Estados Unidos (a administração de Obama, por exemplo) nada mais são que neo-cons com uma retórica mais agradável. [2]

Walt deduz que os Estados Unidos foram levados à guerra contra a Libia em grande parte pelos conselhos de liberais- intervencionistas como Susan Rice, atual embaixador para os Estados Unidos na ONU, Hillary Clinton, e os assistentes junto ao NSC (National Security Council- Conselho de Segurança Nacional) , Samantha Power e MichelMcFaul. Fato é que de acordo com muitos diferentes fontes e reportes, Obama leva o pais à guerra, apesar da objeção e oposição do próprio Secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, e de um, ao que entendi, importante conselheiro da Segurança Nacional, Tom Donilon. [2]



Por minha parte vi na televisão suéca que o próprio Secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, num encontro com altos dignatários da sua esfera, disse claramente que qualquer futuro oficial responsável pela segurança norte-americana, deveria deixar sua cabeça ser examinada por professionais competentes, se lhe passasse pela mesma iniciar qualquer outra ocupação ou agressão militar na Africa ou no Oriente Médio. Não se passaram mais que pouquissimos dias e lá estava a administração Obama a caminho de atolar-se na Libia, no norte da Africa, claramente e ativamente apoiado por Hillary Clinton.



De acordo com Stephen Walt [2] os neo-conservativos mostram desprezo pelas instituições internacionais, que eles veem como barreiras a uma maor aquisição de poder, enquanto os liberais intervencionistas (tipo Obama e Hillary Clinton) parecem ver as mesmas instituições como uma maneira certa e segura de poder legitimar uma dominancia norte-americana no mundo.

Liberais intervencionistas e neo-conservativos acreditam então que o poder militar norte-americano possa ser um instrumento altamente efetivo de imposição, assim também como ficam igual e profundamente alarmados frente à perspectiva de ter o poder atomico nas mãos de qualquer outros que não eles mesmos, e seus mais próximos aliados. [2]

Eu, por minha vez, fico profundamente alarmada vendo os Estados Unidos, que considero como o maior terrorista na face da terra, tendo justo isso. Acesso total as armas de destruição em grande escala. Se não usaram toda a escala no Iraque, usaram o uranio empobrecido, ou seja lixo atomico em escala massiva, com consequencias abomináveis para os iraquianos, fato esse que a média corporativa cúmplice, até hoje silencia e isso também em grande escala.

Constatamos agora que a guerra no Cosovo- Iugoslávia, em 1999, efetuada pela OTAN, foi a primeira grande guerra na história da humanidade na qual nenhuma operação de combate se efetuou entre os contraentes no campo de batalha, sendo também a primeira guerra sem qualquer e nenhuma perda, em combate, por parte do agressor. [3]

Desproporções vergonhosas vimos à partir de então no Iraque, Gaza, Afeganistão e entre muitos outros ataques furtivos como por ex. no Yemen e Somalia. Motivo de maior preocupação ainda, se isso fosse possível, seria essa, ao que parece, nova moda de agressões internacionais sendo ilegalmente sancionada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Quanto a todos os porques da atual guerra nunca se pode saber ao certo, mas para além dos enormes interesses financeiros da atual coalição bombeando a Libia e que agora se voltam à OTAN para completar o serviço, existem ainda motivos com sequencia histórica, como apresentados abaixo em sequencia. [**]

1969, quando da tomada de poder por Kadafi. Na décima- quarta sessão da ONU, na Assembléia Geral, os embaixadores dos Estados Unidos e da Inglaterra foram notificados que a Libia não mais acomodaria as bases militares inglesas e americanas.

1970- O setor financeiro da Libia foi nacionalisado por Kadafi.

1973. Iraque, Algéria e Libia nacionalizarm suas indústrias energéticas petroleiras e Libia levou a agenda de nacionalização à OPEC (sigla inglesa para os países produtores de petróleo).

1977- A Libia de Kadafi proclama uma economia de “self-governance” (governo próprio), um tipo de socialismo, baseado no modelo Iugoslavo.

Ao apresentado acrescenta-se a tentativa de Kadafi de introduzir recentemente uma forma de moeda-ouro que naturalmente viria em detrimento do dólar como reserva de valuta mundial. O dólar como moeda de reserva mundial é, como sabemos, uma das duas pernas que ainda sustemtam o colosso derrocando. A outra perna sendo o abusivo poder militar do mesmo.

Ao histórico podemos acrescentar que depois de tudo- até mesmo depois das acusações levantadas contra Kadafi, tanto acusações de terrorismo como acusações, provavelmente baseadas em fatos, de financiamente de terrorismo, ocorridas mais ou menos até ano 2000- a situação mudou. Especialmente depois de 2003 as relações de Kadafi com as potencias imperialistas tomaram um novo rumo. Diz-se que em muitos aspectos por causa da atuação de um dos seus filhos. Os antigos colonistas, assim como as mais novas potencias emperialistas voltaram à Libia e lá estiveram até agora, de onde saem as pressas para voltar com bombas, mísseis, Tomahawks e coisas do genero. 

Pelo que vemos a tentativa de submissão da Libia não adiantou muito. O que essas ditas potencias querem é tudo e mais nada, sem ter que dar satisfações á nenhum governo dirigido por um coronel que pensa ser alguma coisa. Dessa vez pretendem conseguir isso com o avanço bélico da OTAN e pela cumplicidade ilegal do Conselho de Segurança da ONU.

REFERENCIAS E NOTAS:

* Beto Almeida, “Líbia, Obama, Dilma e o exemplo de Tancredo” em www.patrialatina.com.br

**Alexander Mezyaev, “UN Security Council on Libya: Killing the International Law” No original em www.strategic-culture.org : “The UN Security Council passed Resolution 1973 on Libya slapping new sanctions on the country and reinforcing the ones it endures due to Resolution 1970 dated February 26. The truth is that the new Resolution erodes the international law to the point of virtually killing it…What sense does it make to urge a government facing a mutiny to stop fighting and does the UN have the right to de fato side with the rebels trying to overthrow the administration in a UN member country?

[1] Peter Dale Scott, a former Canadian diplomat and English Professor at the University at the University of California. ( Peter Dale- ex diplomata canadense e professor na cátedra de inglês da Universidade da California) em www.globalresearch.ca

[2] Stephen Walt in www.raceforiran.com : “What Intervention in Libya Tell us About the Neocon-Liberal Alliance”

[3] Wilhelm Agrell, “Morgon-Dagens Krig”. Edição suéca. (As Guerras de Amanhã)

* Anna Malm escreve direto de Estocolmo na Suecia para o Pátria Latina
http://www.patrialatina.com.br/colunaconteudo.php?idprog=b3b4d2dbedc99fe843fd3dedb02f086f&codcolunista=69&cod=1981

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Afeganistão: “Este foi um ataque ultrajante e covarde contra a ONU”, diz Secretário-Geral

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou veementemente os ataques desta sexta-feira (01/04) que resultaram na morte de funcionários das Nações Unidas, quando manifestantes invadiram o complexo da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), na cidade de Mazar-i-Sharif no norte do país.
“Este foi um ataque ultrajante e covarde contra funcionários da ONU que não pode ser justificado sob nenhuma circunstância, que eu condeno nos termos mais fortes possíveis”, declarou Ban. Ele estendeu as condolências aos mortos e feridos nos ataques, bem como às suas famílias.
Ban disse ainda que o Representante Especial para o Afeganistão e Chefe da UNAMA, Staffan de Mistura, que se dirigiu à cidade de Mazar-i-Sharif para lidar com a situação, também foi encarregado de tomar todas as providências necessárias para assegurar a segurança dos funcionários da ONU no país.
O número exato de funcionários da ONU mortos ainda não foi estabelecido, mas o porta-voz da ONU em Nova York disse que houve um “substancial número de mortos e feridos, incluindo funcionários da ONU e os guardas que estavam tentando protegê-los”.

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Sete funcionários estrangeiros da ONU e cinco manifestantes afegãos foram mortos quando um grupo atacou o escritório da ONU em Mazar-I-Sharif, principal cidade do norte do Afeganistão, segundo um novo registro anunciado pelo governador provincial. De acordo com a agência Reuters, o número de mortos pode chegar a 20.
"Dos sete funcionários da Unama (Missão da ONU no Afeganistão) que foram mortos, cinco são nepaleses e dois são europeus, uma mulher e um homem", declarou Atta Mohammad Nour, governador da província de Balkh, da qual Mazar-I-Sharif é a capital. 

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"Cinco manifestantes foram mortos e 20 ficaram feridos", acrescentou durante uma entrevista coletiva à imprensa, afirmando que "mais de 20 insurgentes envolvidos no ataque foram presos". 
"Não estava prevista a chegada da manifestação aos escritórios da Unama, mas um grupo de insurgentes atacou a sede da Unama", explicou o governador.
O chefe da polícia para o norte do Afeganistão havia declarado anteriormente que oito membros da ONU tinham sido mortos.
Um porta-voz da ONU em Nova York confirmou o ataque, indicando que havia "mortos" entre funcionários da ONU, sem especificar seus nomes.
Um porta-voz da polícia de Mazar-I-Sharif, Lal Mohammad Ahmadzai, afirmou à AFP que insurgentes "talebans se infiltraram entre os manifestantes".
Ahmadzai assegurou que dois funcionários da ONU mortos foram decapitados, afirmação desmentida por uma autoridade provincial da polícia, o general Abdul Rauf Taj: "Ninguém foi decapitado. Eles receberam tiros na cabeça", disse.
A manifestação, organizada para protestar contra um pastor integrista americano que queimou o Corão, tinha começado às 13h (6h de Brasília), após a tradicional oração desta sexta-feira.
Os manifestantes fizeram uma declaração exigindo que o governo afegão "rompa qualquer ligação diplomática com os Estados Unidos se eles não julgarem o pastor que queimou o Corão".
Na noite de domingo passado, o pastor evangélico americano Terry Jones queimou um exemplar do Corão no interior de sua igreja em Gainesville, Flórida. 
Jones celebrou um "julgamento" no interior de sua igreja no qual o livro sagrado dos muçulmanos foi declarado "culpado" de vários delitos, entre eles, assassinato. Em seguida, queimou o exemplar.
*Com informações da AFP e da Reuters

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