Mostrando postagens com marcador Analfabetos Funcionais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Analfabetos Funcionais. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que não fecham logo de uma vez as escolas públicas????

Geraldo Reco


Acabo de buscar minha esposa na escola. Ela estava chorando, de novo. Ela é professora e as coisas que se passam na escola e que ela me ralata no dia a dia me dão verdadeiro asco.  Drogas e mais drogas, desrespeito total por parte dos alunos para com os professores, direção.
O que ocorre nas escolas públicas é um verdaeiro acinte: ninguém consegue ensinar nada e ninguém consegue aprender nada. O que eles estão fazendo lá????
Ok Governador Geraldo, o Sr. conseguiu. As escolas públicas já não possuem a mínima utilidade. Complete o serviço Sr. Governador. Demita todos os professores, diretores e demais pessoal. O Sr economizará um bocado de dinheiro com isso. Venda todos os terrenos das escolas, o Sr. conseguirá um bom dinheiro com isso.  Use esse dinheiro todo para fazer mais algumas pistas nas  marginais, afinal as pessoas precisam se locomover mais rápido. Para onde Sr. Governador, para onde?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A escola, o emprego, a renda, e a violência.

Washington Novaes

O Brasil tem vivido embalado, nos últimos tempos, pelas animadoras notícias de redução da miséria, da pobreza e do desemprego, graças às políticas sociais e econômicas dos últimos governos. 
Produzem um choque, por isso, as informações do Ipea e do IBGE (Estado, 12/10) de que entre agosto de 2004 e agosto último a taxa de desemprego dos 20% mais pobres da população (renda per capita domiciliar abaixo de R$ 203,3 mensais) aumentou de 20,7% para 26,27%. No mesmo período, a desocupação dos 20% de renda maior (acima de R$ 812,3 mensais) caiu de 4,04% para 1,4% – ou seja, caiu 67,9%. E as causas são claras, segundo Márcio Pochmann, do Ipea: dificuldades relacionadas com baixa escolaridade, num momento em que “a competição é por trabalhadores qualificados”.
Só 41,8% dos desempregados mais pobres frequentaram 11 anos ou mais de escola, enquanto 86,1% dos ricos têm esse nível mais alto de escolaridade. E para agravar tudo, 76,7% dos desempregados mais pobres são negros. Tudo faz parte do mesmo quadro: nos últimos seis anos o número total de desempregados nas regiões metropolitanas caiu de 2,42 milhões para 1,6 milhão, mas o número de desempregados de baixa renda aumentou de 652,1 mil para 667,7 mil. Os 20% mais pobres são 41,72% dos desempregados nas seis regiões, enquanto os 20% mais ricos somam apenas 5,19%.
O quadro fica ainda mais preocupante quando se lembra que o quadro do emprego tem matizes dramáticos também quando se observam as faixas de idade. A taxa de crescimento de empregos formais no País foi de 4,5% no ano passado; mas entre jovens de 18 a 24 anos foi de apenas 2,6%; e na faixa de 16 a 17 anos, somente 1,5% (Folha de S.Paulo, 6/8). Tudo isso agrava o quadro que mostra (Estado, 12/8) uma taxa de desemprego de 17% entre jovens, embora haja outras fontes que cheguem a indicar mais de 50% na faixa dos 15 aos 24 anos.
É inevitável a lembrança das estatísticas do IBGE sobre a violência no País, apontando que jovens de 15 a 24 anos respondem por um quarto das mortes anuais no Brasil (27 mil de 106 mil) por “causas eternas” (homicídios, suicídios, acidentes do trabalho). E os homicídios respondem por 67,5% desse total. São muitos os especialistas que têm relacionado o desemprego nessa faixa com a violência: que se poderia esperar de um jovem pobre desempregado e de instrução limitada? Que espere pacientemente na porta de casa que a renda chegue? Ou irá buscá-la no tráfico de drogas, no assalto e em outras violências, transformando-se também em vítima? Mais grave ainda será se o jovem for negro – seu risco de morte violenta é 130% mais alto. “O principal fator da violência entre jovens é a renda”, diz o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz (Estado, 31/3). “A concentração da renda está intimamente ligada aos homicídios juvenis”, diz ele.
Como se quebrará esse círculo fechado de renda baixa, escolaridade precária, dificuldade no mercado de trabalho, risco de violência? Que se vai fazer quando, na escola primária, uma das tábuas de salvação apregoadas hoje é a presença de dois professores em cada sala de aula, prática já existente nas escolas públicas até das menores cidades do interior paulista na década de 40 – como a que foi frequentada pelo autor destas linhas? Quando se chegará à escola de tempo integral proclamada por Darcy Ribeiro na década de 70, para dar ensino em dois turnos, alimentação, assistência psicológica aos alunos, de forma a compensar as desigualdades para crianças mais pobres? Era uma política de renda também, ao reduzir as despesas na casa de crianças pobres. Como era política de geração de trabalho, ao dar melhor possibilidade de qualificação profissional.
Tudo isso volta ao centro da questão agora, quando o noticiário mostra com clareza o crescimento da demanda por mão de obra qualificada – e o aumento do desemprego na faixa de renda mais baixa. Registrou este jornal (21/9) que, em 2009, 32,8% dos jovens entre 18 e 24 anos abandonaram os estudos antes de completada a terceira série do ensino médio. A escolaridade média até 25 anos de idade é de apenas 5,8 anos (ante 12 anos na Coreia do Sul, 13,5 em Taiwan, 13,4 nos EUA). Apenas 39,2% dos jovens entre 15 e 17 anos estão matriculados no ensino médio no Nordeste, ante 39,1% no Norte e 60,5% no Sudeste. Como nos espantarmos, assim, que alguns estudos digam que 75% dos que passam até oito anos em escolas são “analfabetos funcionais”, incapazes de interpretar um texto simples, de poucas linhas? Por que nos admirarmos diante das notícias de que trabalhadores chineses e de outros países asiáticos estão vindo disputar vagas no mercado brasileiro, e em setores de baixa remuneração?
Quando se passa ao ensino mais graduado – do qual dependerá o futuro próximo do País -, as preocupações não são menores. Em artigo neste jornal (22/9), o geógrafo Wanderley Messias da Costa, da Universidade de São Paulo, mostrou que apenas 24% dos 5 milhões de alunos no nível de graduação no País estão entre 18 e 24 anos. E 50% das vagas oferecidas em 2008 não foram preenchidas. A taxa média de evasão nos quatro anos de graduação é de 43%. A esmagadora maioria não conclui no prazo os cursos que frequenta. Grande parte leva até oito anos ou mais para completar o curso de quatro.
Vê-se, então, que o quadro é complicado e preocupante: a falta de qualificação leva ao aumento do desemprego nos setores de menor renda; mas o quadro permanece difícil mesmo quando as crianças desses setores conseguem chegar à escola. As taxas de evasão são muito altas, até na universidade. E o nível de formação, frequentemente precário. O mercado começa a ressentir-se da falta de qualificação da mão de obra ofertada. E são, todas, questões urgentes.
Há muito mais que aborto a ser discutido com a sociedade. Nossos fundamentos sociais estão em questão.
Washington Novaes é jornalista.
Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo.

PS:
Achei este artigo ótimo. 
Impressionante que o autor não tenha citado o nome de Lula como o responsável pela melhoria dos índices de miséria do país no último senso. Mais ainda, não tenha citado que o responsável pela alta taxa de analfabetismo funcional seja o PSDB, com sua política de aprovação automática até a 8ª série. E que justamente a idéia de colacarem-se dois professores na sala de aula é deles, já que eles mesmos fizeram a desgraça.
Este texto é ótimo, e vê-se claramente que o autor tenta colocar sua opinião, sem apontar nomes, e portanto, preservar seu emprego.  Essa é nossa Imprensa Livre.

domingo, 24 de maio de 2009

Mudanças Estruturais

"Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia quando você se defende porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come
o suficiente morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre não lhe é permitido se defender."
(Quem se defende - Bertold Brecht)

No poema Quem se Defende de Bertold Brecht vemos exposta explicitamente a angústia daqueles que vivem na miséria.
O autor traça um comparativo acerca do direito de defender a própria vida com a necessidade de se alimentar. Interroga ele por que é dado o direito de auto-defesa da vida nos tribunais, mas não lhe é dado o direito de se alimentar, ou de defender-se quando não tem comida.
Propõe ele uma violação do direito de Propriedade para saciar a fome dos que vivem na miséria? Propõe ele romper com a organização social instalada?
É obvio que quem não come adequadamente não tem condições para lutar por Educação e sendo assim, não consegue ocupar cargos de trabalho que lhe dê condições dignas de sua subsistência e de sua família. Mantê-los na miséria é a mesma coisa que manter a imobilidade social, e a desestimular a luta social por mudanças. É a famosa manutenção do status quo.
Mas como ajudar a resolver tal paradigma sem promover uma geração de dependentes sociais? Como promover a melhoria de sua situação sem mantê-los mais uma vez escravizados aos incentivos sociais distribuídos pelo Estado (Bolsa familia, p.ex.)?
Se é verdade que os incentivos sociais diminuem os conflitos na base da pirâmide social, também é verdade que diminui o interesse pela luta social. Não devemos nunca nos esquecer da famosa política "Pão e Circo", tão antiga e tão atual.
Até quando manteremos essa política, sem mudanças realmente verdadeiras?
Precisamos de mudanças estruturais. Chega de políticas emergenciais!
Claro que devemos matar a fome daquele que a tem. Mas esta não deve ser desculpa para adiarmos ainda mais as mudanças necessárias no paradigma social.
Saúde e Educação são apenas as primeiras portas que devem ser abertas. E nem mesmo essas o foram até hoje. Basta ler as Diretrizes do Banco Mundial para a década de 90 e início do século XXI na América Latina. Vamos continuar fingindo que nossas crianças vão à escola, que não são analfabetas, se quando terminam o colegial não sabem ler um bilhete simples, ou fazer as funções básicas de matemática como somar, multiplicar, diminuir e dividir? Que geração estamos produzindo, a de analfabetos funcionais?

Postagem em destaque

A importância do Ponto de Referência

O ÂNGULO QUE VOCÊ ESTÁ, MUDA A REALIDADE QUE VOCÊ VÊ Joelma Silva Aprender a modificar os nossos "pontos de vista" é u...