Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de julho de 2014

Especialistas estudam efeitos da Espiritualidade na saúde do brasileiro

  • As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes
Fato que não chega a ser raro na rotina médica de cardiologistas é se deparar com pacientes que apresentam melhora no seu quadro clínico após promessas, orações e pedidos ao santo de sua devoção para que os ajudem na sua cura.

Na prática, não há respostas científicas para isso. Mas muitos profissionais já começam a se interessar pelo assunto, não só no Brasil, mas no mundo todo. Um deles é o cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que coordena o Grupo de Estudos em Espiritualidade, e participará como debatedor em duas mesas-redondas sobre o tema no 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que será realizado em setembro, no Rio de Janeiro.

O objetivo é entender se o modo como as pessoas vivem e encaram as doenças pode interferir na saúde e na recuperação de problemas cardiovasculares.

"As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes", afirma Avezum. "Além disso, sentimentos tidos como positivos são relacionados à melhora de doenças em geral", avalia.

Para o especialista, a espiritualidade é uma postura perante a vida e não uma religião. Desta forma, sentimentos de paz, tolerância, tranquilidade, perdão e resignação caracterizam uma personalidade espiritual, influenciando na saúde do coração. "Tanto que o grupo é integrado por agnósticos, judeus, católicos, muçulmanos, espíritas e até mesmo ateus", conta.

Fase inicial

Os estudos ainda estão em fase inicial. Porém, Avezum comenta: "Há de chegar o dia em que poderei dizer ao paciente que, se ele for espiritualizado e souber lidar bem com as suas emoções, evitará as cardiopatias ou pelo menos elas não serão tão graves. Da mesma forma como hoje posso dizer com segurança a um paciente que, se ele fuma, tem maior possibilidade de sofrer um infarto do que um não fumante".

O grupo, atualmente, desenvolve uma pesquisa com 14 mil médicos associados à Sociedade Brasileira de Cardiologia, na qual os profissionais são questionados se têm religião, se frequentam igrejas ou cultos, com que frequência leem trabalhos sobre o tema e se têm o hábito de rezar ou não.

Esse questionário vem de um estudo norte-americano, já que há bastante tempo os Estados Unidos investem nesse tipo de pesquisa. Tanto que 80 faculdades de medicina daquele país incluem formalmente no currículo a cadeira Saúde e Espiritualidade, enquanto por aqui essa matéria só é curricular em três instituições.

No Brasil

Segundo a literatura científica mundial, há uma correlação direta sobre espiritualidade e doenças cardiovasculares, uma conclusão que o grupo de estudos brasileiro se propõe a verificar se é válida também para o Brasil.

Outra médica que pesquisa o assunto é a ginecologista Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, a AME, entidade que acaba de realizar a 9ª edição do Mednesp – Congresso Nacional Médico-Espírita do Brasil, em Maceió, Alagoas.

O tema desenvolvido durante o congresso foi a relação entre a saúde do corpo, da mente e do espírito, com palestras em torno de estudos médicos que usam a fé, a oração e a espiritualidade nos tratamentos e processos de cura.

Para a médica, o que é importante para o espírito são os sentimentos que promovem o encorajamento e a confiança de que a pessoa irá melhorar. "A atitude do ser humano pode promover uma reação favorável ao seu corpo, com sensação de bem-estar e alegria, tornando o cérebro produtor de estímulos positivos".

E, segundo ela, isso já é comprovado por estudos psicossomáticos. "Além disso, procurar ser feliz, desejar o bem dos outros e não guardar rancores já é uma boa forma de se ter uma vida muito mais saudável", afirma.

Visão católica

Para o Padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP, espiritualidade é viver em comunhão com o Espírito de Deus. É um refinamento, um desenvolvimento que se busca em qualquer religião. É algo antropológico, considerado pela Filosofia como uma virtude humana.

"Em momentos difíceis, de fragilidade, o ser humano busca sua força de origem divina para apoiá-lo. E, de forma geral, ele pode ter uma melhora sensível, em especial nas diversas doenças que afetam o coração."

Mas o Padre Valeriano ressalta: "Não estamos falando de casos extremos, em que há, por exemplo, total comprometimento do coração, e sim de problemas como hipertensão ou outras situações em que a confiança, a paz e a tranquilidade podem resultar de forma positiva. É quando a pessoa se permite receber uma graça divina por meio da fé, de promessas e orações".

De acordo com Costa, a fé pode levar à calma e à estabilidade emocional, normalizando picos de agitação. Desta forma, o coração repercute a espiritualidade e a religiosidade de cada um.

O padre, que celebra missas na Igreja Nossa Senhora do Brasil (aos domingos, às 12h30, em São Paulo), diz, inclusive, que isso é algo bem comum. "Consigo me recordar de vários casos em que promessas e orações auxiliaram no tratamento de fiéis", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/06/09/especialistas-estudam-os-efeitos-da-espiritualidade-sobre-a-saude.htm

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dad Janki - a mente mais estável do mundo - Guardiã do Planeta



DADI JANKI - A MENTE MAIS ESTÁVEL DO MUNDO


Uma ioguina indiana, DADI JANKI, de 86 anos, foi considerada pelo Instituto de Pesquisa Médica e Cientifica da Universidade do Texas, como a "mente mais estável do mundo" porque, mesmo testada em situações tensas e perigosas, seu eletroencefalograma marcou a presença constante de ondas delta, as ondas mais positivas e lentas produzidas pela atividade cerebral.

Ela recebeu da ONU o título, muito raro de ser concedido, de Guardiã do Planeta, por seu trabalho em prol de mentes mais livres e pacíficas.

Quando lhe perguntaram, em sua visita a São Paulo, a receita de uma mente tão tranquila e sem pesos, ela respondeu:

"Muito amor no coração por todos e nenhum apego por ninguém, tentar não prejudicar pessoa alguma minimamente e eliminar da mente qualquer pensamento negativo, fazendo um exercício diário e ter a certeza de que não estamos aqui à toa, mas para cumprir o destino da evolução. Que somos caminhantes, sem dependências ou estabilidades. Quem não percebe isso se torna escravo do
desnecessário e polui a mente".

Em 1978, Dadi Janki foi submetida a um teste na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, quando então se tornou conhecida como "a mente mais estável do mundo" (suas ondas cerebrais não se alteram mesmo em situações extremas).

"A maravilha é que, mesmo não entendendo inglês, consegui dar as respostas certas", diz.

Hoje, aos 86 anos, 60 deles dedicados ao estudo espiritual e à prática da meditação, Dadi é só tranqüilidade e paz. Co-diretora mundial da Brahma Kumaris - universidade espiritual com sede na Índia e mais de 5 mil centros pelo mundo -, integrante do grupo Guardiões da Sabedoria e criadora da Fundação Janki de Pesquisas para Saúde Global, em Londres, ela nos recebeu vestindo branco por dentro e por fora, sem solenidades, sem as vaidades comuns à maioria das mulheres. Seu discurso encanta pela pureza e ensina que as mudanças possíveis ao mundo começam no coração de cada pessoa.

- Por que tanta gente está buscando uma vida simples?

- Vivemos com muitas demandas de consumo. Eu quero isto, eu quero aquilo, aquilo outro e assim por diante. E todo mundo tem muitas demandas e expectativas. Se vivemos ao sabor das demandas externas, tudo o que conseguimos ver em termos de reconhecimento da personalidade humana é o que aparece na superfície, o que é artificial. E vida simples significa vida
real.

Algumas pessoas pensam que a necessidade da vida é possuir coisas, quando, na verdade, o que realmente importa é possuir valores espirituais. Portanto, quando reafirmamos nossa vida em propósitos de paz, felicidade e amor, caminhamos para a felicidade verdadeira.

A conquista de uma vida simples permite que a espiritualidade se desenvolva facilmente. E espiritualidade significa eu usar o meu tempo, o meu dinheiro e a minha energia no caminho do bem.

- E de que maneira podemos seguir esse caminho na prática, levando em conta as dificuldades do dia-a-dia?

- Existem três aspectos importantes para o entendimento do que proponho aqui, do que estamos levando adiante com o conhecimento.

a) O primeiro passo é empreender a busca, porque quando faço isso reconheço os territórios internos, em termos de qualidade dos pensamentos, e entendo o que pode ser feito para mudar.

b) Segundo, tenho de conhecer a Deus, ser capaz de ter um relacionamento com o divino, de maneira a estar pronto para receber de Deus o tesouro da paz.

c) Terceiro, eu também preciso entender os movimentos de calma e de ação, assim como o curso e os efeitos de minhas ações. Se eu puder entender essas três coisas, então certamente terei paz verdadeira.

- A senhora vive com pouco?

- Posso viver muito bem com três conjuntos de roupas: uma para tudo, outra para alternar na lavagem, uma terceira guardada. Às vezes, quando visito alguém, as pessoas me chamam para mostrar o número de roupas que elas têm, a quantidade de sapatos, as jóias. Eu sinto compaixão por elas, porque seu intelecto certamente está disperso. Todos esses apelos externos nos distraem do real propósito da vida.

- Essa desconexão com o real complica também nossos relacionamentos?

- Sim, as demandas externas distanciam as pessoas do que entendemos como qualidade em um relacionamento. É o que deteriora a família, as amizades e consagra o egoísmo no lugar da verdade. Quando, enfim, complicamos muito a vida, fica difícil tomarmos conta de nós mesmos e, mais ainda, não há como
cuidar devidamente de nossos relacionamentos.

Bem, eu posso mostrar, com a minha vida, de que maneira é possível alcançar a felicidade e, assim, os outros têm uma referência de como conseguir isso também. Com uma vida simples, posso dar atenção aos outros, cooperar com os outros, porque quando meu coração é honesto, ele se torna grande, generoso.

- É possível manter-se centrado mesmo com o turbilhão de informações produzido por jornais, revistas e televisão?

- Eu prefiro viver longe desse fluxo. Porque, se sabe, isso acaba virando um vício. As pessoas acreditam que, lendo jornais ou assistindo TV, estejam apenas buscando informações sobre o que acontece no mundo. Mas, na verdade, tudo isso produz uma grande quantidade de distrações.

O cinema, da mesma forma, difunde muitos e muitos maus hábitos. Assim, fica muito difícil, por exemplo, manter uma vida mais contemplativa, pautada na prática da meditação. A natureza humana é muito suscetível.

Somos freqüentemente afetados pelo mal. E quase sempre a influência do mal ocorre de maneira muito rápida. Se eu, de fato, quiser me tornar um ser humano em sua plenitude, se esse é meu propósito, devo procurar caminhos diferentes, que não me façam perder tempo e energia. Ideias assim são sempre muito inspiradoras. Mas parece um tanto difícil conseguir isso.

A verdade é que há muitos males no mundo de hoje e creio que é mesmo hora de pararmos com isso. Eu tenho o alegre objetivo de, primeiro, fazer da minha vida uma boa vida e manter a mim mesma livre de todas as influências de negatividade do mundo. E há muitas pessoas criando uma vida boa como esta. Gente do mundo todo está reconhecendo que é por meio da espiritualidade que se pode alcançar uma vida plena.

- Vivemos tempos um tanto incertos. Podemos acreditar num bom destino para a humanidade?

- Sim, eu acredito que o futuro será bom. Há pessoas buscando uma vida sensata, uma vida simples, e elas servirão de inspiração para os outros, em favor do mundo. E tudo o que é exigido é uma transformação interna, de maneira que possamos ter bons sentimentos, sem nos colocarmos negativamente contra quem quer que seja. Basta que não tenhamos maus sentimentos, que exercitemos a aceitação dos outros, disseminando paz e felicidade.

- É preciso tornar-se um iogue para incorporar essa atitude?

- Não necessariamente. Todos aqueles que, através da observação contínua de si mesmos, e através da meditação, experienciam um relacionamento autêntico com Deus, podem se tornar as estrelas brilhantes que iluminam o mundo.

Eu acredito que se todos seguirmos juntos assim, poderemos criar o céu aqui na Terra. Mas, primeiro, teremos de criar o céu em nossas mentes. Porque tudo o que acontece neste mundo começa antes no coração dos homens.

sábado, 20 de março de 2010

Revista Época publica polêmico artigo sobre o Santo Daime!

20/03/2010
O doido, o daime e o crime (trecho)


Qual é a relação entre o consumo religioso da ayahuasca e o comportamento psicótico do assassino do cartunista Glauco?

Humberto Maia Junior, Ana Aranha, Rafael Pereira e Juliana Arini Com Alexandre Mansur, Eliseu Barreira, Leopoldo Mateus e Naiara Lemos
 
 

Na madrugada de 1º de janeiro de 2010, o comerciante Carlos Grecchi Nunes recebeu uma ligação de seu filho mais velho, de 24 anos:
 

– Pai, eu tô morrendo, me salva.

Nunes, que mora em Goiânia e estava em São Paulo para passar as festas de fim de ano com a família, tentou conversar com o rapaz, mas ele estava desorientado. Aos poucos, com dificuldade, conseguiu entender que o filho estava dentro do carro, parado numa estrada de terra próximo à igreja Céu de Maria, um dos locais de culto do santo-daime, religião criada em torno de uma droga alucinógena de origem amazônica conhecida como ayahuasca. A igreja fica em Osasco, na Grande São Paulo. Nunes pegou o carro e foi em busca do filho. Quando chegou à igreja, diz ele, um homem contou que seu filho tinha deixado o local de carro:

– Estava muito pilhado e foi embora.

– Mas como você deixa o rapaz sair desse jeito de carro? – disse o pai.

– Não há problema. Deus está com ele.

Nunes diz que refez o caminho e, seguindo a orientação de um morador, encontrou o filho. “Tive de quebrar a janela do carro para chegar a ele”, afirma. “Ele tinha urinado e defecado. Estava suando, babava e tremia muito. O celular estava na mão dele, mas ele não conseguia atender às várias ligações que eu tinha feito.

– Tô morrendo, pai, tô morrendo – repetia o rapaz.

Nunes ligou para seu outro filho e pediu ajuda. Horas depois, Cadu – como todos chamavam Carlos Eduardo Sundfeld Nunes – estava mais calmo. Diante da melhora, o pai não o encaminhou ao hospital. Nem insistiu em interná-lo numa clínica psiquiátrica, embora Cadu já tivesse dado sinais de perturbação mental e carregasse antecedentes familiares de esquizofrenia (sua mãe sofre da doença). Olhando para trás, é fácil perceber indícios de que Cadu estava a caminho de um desastre, mas a família não entendeu. Foi um erro.
Três meses depois da crise do Ano-Novo, na madrugada da última segunda-feira, o mesmo Cadu foi preso na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, quando tentava fugir com um carro roubado para o Paraguai. Trocou tiros com policiais federais e feriu um deles no braço. Interrogado, confessou diante dos repórteres que três dias antes havia matado em São Paulo o cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25, um duplo assassinato que chocou o país:

– Foi eu. Foi eu – gritou, de olhos esbugalhados, para as câmeras de televisão.



     Nesse tom sensacionalista, Época vai descrevendo aquilo que julga um envolvimento fatal entre o Daime, Glauco e a Esquizofrenia.
     Culpar o culto ao Santo Daime pelo crime é, no mínimo ingenuidade.
     Devemos nos perguntar o motivo que leva as pessoas, mesmo aquelas preparadas, intelectualizadas e com um nível social privilegiado, a negligenciar os sinais e sintomas da Esquizofrenia...
     Lamentável é assistir um jovem dilacerar seu futuro, seu presente e destruir a vida daqueles a quem mais amava, pais, irmãos, e padrinho.
     Tragédia que poderia ter sido evitada se todos os envolvidos tivessem tido o bom senso de procurar tratamento para a doença mental, admitindo e assumindo que a doença é altamente limitante e degradante.  Preconceito que foi fatal nesse caso.    
     Enquanto todos se omitirem diante das doenças mentais, preferindo a tolerância que esbarra na omissão, veremos dia após dia, tragédias como essa se repetirem. A Religiosidade ou a Fé não pode obnubilar a Razão e o Bom Senso.
     Estaremos sempre nos deparando com tentativas de culpabilizar um culto religioso qualquer pela violência que venha ocorrer entre seus adeptos. É bom que estejamos atentos para nos posicionar diante do Preconceito Religioso e da Intolerância que atinge diariamente nossa Fé, e que pode vir disfarçada com argumetação fina e polida pelos bancos universitários do jornalismo.
 

sábado, 6 de março de 2010

NEM SEMPRE É ALUCINAÇÃO

(matéria publicada na Folha Espírita em junho de 2004)

A Folha Espírita transcreve entrevista da Dra Marlene Nobre (Presidente da AME-Brasil e AME-Internacional) à revista Psychic World e realiza entrevista com o Dr. Sérgio Felipe Oliveira (AME-SP), psiquiatra

Psychic World – Dra. Marlene, gostaria de colocar uma questão crucial para você, sobre o que é comumente chamado de esquizofrenia. Hoje, quando alguém ouve vozes é tido como esquizofrênico, recebe fortes sedativos e, freqüentemente, é internado em hospitais de unidades psiquiátricas, registrado como mentalmente instável. Uma definição praticamente irreversível e para o resto de sua vida. De fato, freqüentemente, não o é de verdade e não recebe tratamento... mas recebe, por períodos indefinidos, sedativos que fazem estragos. Acho isso uma situação intolerável... O que você me diz sobre isso?

Marlene Nobre – Bem, o que ocorre, infelizmente, no curso médico, na prática médica, é algo que realmente não se compreende muito bem. Por quê? Porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que saúde é o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, social, ecológico e espiritual. Então, saúde é definida pela OMS como sendo o equilíbrio entre fenômenos orgânicos, psíquicos, sociais e espirituais. No entanto, na prática, os médicos não consideram todos esses fenômenos, mas tão somente os orgânicos ou biológicos. Podemos perguntar, em qualquer país, o que ensinam as escolas de medicina e constataremos que os médicos não são alertados para os problemas psicológicos e espirituais do paciente, eles restringem-se às reações orgânicas, como se o ser humano fosse reduzido tão somente ao corpo físico. Embora o Código Internacional de Doenças (CID), que é conhecido no mundo todo, no número 10, questão F 44.3, contemple a existência dos estados de transe, fazendo a distinção entre os normais, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença, a maioria dos médicos não leva isso em consideração. No Tratado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, um dos mais consultados pelos psiquiatras, no capítulo dedicado ao estudo das personalidades, há também a distinção entre as personalidades que recebem a atuação de espíritos e as dos outros que são doentes. A Psiquiatria já faz, portanto, a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios. Isso, portanto, precisaria ser mais discutido com os colegas, principalmente, com aqueles que não consideram a possibilidade de comunicação dos espíritos com os encarnados. Por quê? Porque já há a contemplação nos próprios compêndios da Medicina a respeito da possibilidade de comunicação dos espíritos. Outro aspecto também é a obra de Carl Gustav Jung, que estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas. Desse modo, constatamos que já existe uma abertura para o estudo do espírito dentro do currículo da Psicologia e da própria Medicina. O que ocorre é que a preparação dos médicos ainda é extremamente reducionista e, com essa visão estreita, são levados a considerar apenas e tão somente os fenômenos orgânicos. Quanto ao exemplo referido por você, nós realmente nos constrangemos ou ficamos tristes com a conduta dos colegas que, habitualmente, rotulam todas as pessoas que dizem ouvir vozes como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas. Ficamos penalizados com uma situação como essa, porque existe uma porcentagem de pessoas que são consideradas psicóticas por ouvirem espíritos e que, na realidade, são médiuns. Cremos que, na História da Moléstia Atual do paciente, deveriam constar também, além dos sintomas orgânicos, os psicológicos e espirituais, a fim de que pudéssemos fazer a distinção, evitando, assim, que os médiuns sejam taxados de psicóticos para o resto de suas vidas. Muitos deles poderiam encontrar um caminho mais fácil para a cura, a partir do momento em que é diagnosticado um caso de obsessão ou de comunicação espirítica. Acredito que só quando tivermos uma Medicina que leva em consideração o ser integral, espírito/corpo, é que teremos possibilidade de abertura para entender quando se trata de um ou de outro caso.

PW – Para a quantidade de pessoas que começam a ouvir vozes, qual é o seu conselho?

Marlene – É difícil dizer, quando você está em outro país, onde não se conhece muito bem o procedimento, tanto do lado médico quanto espiritual. Mas é preciso ir, pouco a pouco, oferecendo material de estudo, livros, para que a população se informe também a respeito da obsessão, da possibilidade de se ouvir espíritos. Esse é um fenômeno corriqueiro, banal, comum a muitas pessoas. Então, à medida que a divulgação vai sendo feita, através de livros ou de palestras e cursos, há a possibilidade de se informar mais à população. E as famílias passam a conhecer mais o problema. Não é nada fácil, porque em um país como este que respeitamos tanto, de tantas tradições, de tanto progresso, o Espiritismo é praticamente ignorado, mas já há por parte de alguns médicos e psicólogos um entendimento do que seja a mediunidade, no caso mais específico, a obsessão. Talvez, então, fosse interessante que houvesse troca de impressões e de idéias entre o movimento espírita e os profissionais que já aceitam a mediunidade, de modo a oferecer aos obsedados os recursos terapêuticos espirituais indicados para esses casos.

Folha Espírita – Como distinguir alucinação por transtorno mental da que ocorre no processo obsessivo?

Sérgio Felipe de Oliveira – A obsessão espiritual oficialmente é conhecida em Medicina como possessão e estado de transe. O Código Internacional de Doenças – CID 10, item F 44.3 – qualifica estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente. Essa situação é considerada doença quando a pessoa não tem controle. Os casos em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença. A alucinação é um sintoma que pode surgir tanto no transtorno mental anímico, a partir de neuroses graves que marcam o subconsciente, quanto na interferência de fatores externos. Esses fatores externos podem ser químicos e orgânicos, como na ingestão de drogas ou nas desordens orgânicas – febre muito alta, uremia, desordens cerebrais, etc. – ou espirituais. A interferência de uma personalidade intrusa, a obsessão espiritual, pode desajustar a percepção da realidade levando a alucinações. A pessoa pode ter alucinações e ainda assim sustentar a crítica da razão – ela sabe que está alucinando ou pode perder a crítica da razão julgando ser verdadeira aquela falsa realidade. Um dia, um paciente mergulhou no rio Tietê diante da alucinação de que estaria numa bela praia. Nesse caso, temos o transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura. O médico deve inicialmente fazer o diagnóstico da condição orgânica para depois estabelecer diagnóstico diferencial entre o transtorno dissociativo por estado de transe ou possessão, de um caso de transtorno dissociativo psicótico. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria – DSM IV – alerta que o clínico deve tomar cuidado para diagnosticar erradamente como alucinação ou psicose casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas porque isso pode não significar uma alucinação ou psicose. A distinção entre alucinação, clarividência ou clariaudiência é uma situação bastante complexa.

FE – Como distinguir esquizofrenia da obsessão?

Sérgio Felipe de Oliveira – Na verdade, temos de discriminar no diagnóstico qual o papel da obsessão espiritual na doença que a pessoa está vivendo, já que todo transtorno psicótico como a esquizofrenia possui o componente obsessivo-espiritual.

FE – É possível saber em que proporção o processo obsessivo permeia os transtornos psicóticos, como, por exemplo, no caso das esquizofrenias?

Sérgio Felipe de Oliveira – Nesse caso, a melhor forma é a prova terapêutica. Uma vez acertado o tratamento medicamentoso e psicoterápico, a associação do tratamento espiritual, sobretudo a magnetização e a desobsessão, nos dará a proporção do envolvimento espiritual. Casos em que há uma predominância do fator obsessivo-espiritual, a melhora com a magnetização e desobsessão chega a ser espetacular, trazendo novos horizontes para a Psiquiatria. Nos casos em que há a predominância anímica ou orgânica, a melhora está mais associada à transformação da pessoa ou seu estado orgânico de forma bem caracterizada. Julgamos importante que o médico e o psicólogo que acompanham casos nessa profundidade passem pelo processo de magnetização e desobsessão a fim de se desvencilhar de possíveis envolvimentos com as energias e os obsessores que acompanham o caso.

OBS: Foi apresentado no 1º Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI um trabalho de levantamento sobre a construção da visão da Psiquiatria no século XX a respeito do Transe e Possessão. Este trabalho se encontra nos anais da Faculdade de Teologia Umbandista (FTU) e foi exposto na forma de Mural, e mostra toda a evolução do pensamento médico e os progressos que ocorreram neste período, podendo hoje haver a diferença entre Transe Religioso e Alucinaçao/Delirio.
Vale a pena consultar a FTU para saber mais a respeito: http://www.ftu.edu.br/

Dúvidas?
http://formspring.me/jocianenegrao

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ato Médico - Senado Federal


08-01-2010

Enquete promovida pelo site do Senado apontou que 62% são favoráveis à regulamentação do exercício da medicina nos termos do projeto PLS 268/02, enquanto 38% declararam não aprovar o texto.

A questão esteve no ar durante o mês de dezembro e foi uma da mais acessadas no site do Senado ao longo de 2009, tendo recebido 545.625 votos. A participação intensa foi atribuída pela Agência Senado à mobilização de várias entidades que reunem profissionais de saúde, interessadas na regulamentação do tema.

O texto do projeto que define as atividades privativas dos médicos foi aprovado pelo Senado, recebeu emendas da Câmara dos Deputados e está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O relator do projeto, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), acredita que o parecer da CCJ deve estar concluído até fevereiro. A proposição seguirá depois para votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e posterior apreciação pelo Plenário.


Fonte: Senado Federal/CFM

Comissão de Seguridade aprova projeto do Ato Médico


14/10/2009 20:40

Proposta já foi aprovada por duas comissões e segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e do Plenário.

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou hoje o projeto do Ato Médico (PL 7703/06), que define as atividades privativas dos médicos. O projeto foi aprovado na forma do substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, com emendas do relator, deputado Eleuses Paiva (DEM-SP).

O substitutivo aprovado mantém as principais definições do texto original do projeto, de autoria do Senado. O projeto define que os médicos são os responsáveis exclusivos pelo diagnóstico de doenças e pela prescrição do tratamento adequado. Segundo o texto, a denominação médico é privativa dos graduados em cursos superiores de Medicina e o exercício da profissão só é permitido aos inscritos no conselho regional da categoria.

Além das atividades privativas, somente médicos podem exercer a direção e chefia de serviços médicos, assim como a coordenação e supervisão de trabalhos relacionados com suas áreas de atuação, como perícias e auditorias. Também o ensino de disciplinas especificamente médicas e a coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para a categoria devem ser exercidos por esses profissionais.

Emendas de redação
O relator disse que as emendas aprovadas hoje tornam mais claro o texto do projeto. Ele determinou, por exemplo, que o médico desenvolverá suas atividades em áreas como a reabilitação. O texto anterior citava "reabilitação dos enfermos e portadores de deficiência". O relator também suprimiu a palavra "deficiência" do rol de condições que podem ser atestadas pelos médicos.

Outra emenda do relator determina que não são privativos dos médicos os diagnósticos psicológicos, nutricionais e socioambientais, assim como as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial, perceptocognitiva e psicomotora. O texto anterior usava termos diversos.

Atividades privativas
De acordo com o projeto, além do diagnóstico e da prescrição, estão entre as atividades privativas do médico:
- indicação e execução de cirurgia e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;
- indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;
- intubação traqueal;
- coordenação da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, assim como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas e do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva, incluindo a desintubação traqueal;
- execução da sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral;
- emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagem e dos procedimentos diagnósticos invasivos;
- emissão dos diagnósticos anatomopatológicos e citopatológicos;
- indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses de uso temporário;
- prescrição de órteses e próteses oftalmológicas;
- determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico;
- indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde;
- realização de perícia médica e exames médico-legais, excetuados os exames laboratoriais de análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular;
- atestação médica de condições de saúde e doença;
- atestação do óbito.

Atividades não privativas
Estão previstas como atividades não privativas:
– aplicação de injeções;
– realização de curativo;
– atendimento à pessoa sob risco de morte iminente;
– cateterização nasofaringenana, orotraqueal, esofágica, gástrica, enteral, anal, vesical e venosa periférica, de acordo com a prescrição médica;
– aspiração nasofaringeana ou orotraqueal;
– punções venosa e arterial periféricas, de acordo com a prescrição médica;
– realização de curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico;
– realização dos exames citopatológicos e seus respectivos laudos;
– procedimentos realizados através de orifícios naturais em estruturas anatômicas, visando a recuperação físicofuncional e não comprometendo a estrutura celular e tecidual.

O texto ressalva que algumas das atividades privativas não se relacionam à atuação dos odontólogos, que continuam atuando quanto à saúde bucal de maneira separada. Também não são exclusivos do médico a direção administrativa de serviços de saúde.

Tramitação
A proposta tramita em regime de urgência e precisa ser votada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário. O projeto já foi aprovado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Educação e Cultura.

Reportagem - Vania Alves
Edição – Pierre Triboli

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

Agora, aguardamos o Senado Federal!

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

domingo, 24 de maio de 2009

Mudanças Estruturais

"Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia quando você se defende porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come
o suficiente morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre não lhe é permitido se defender."
(Quem se defende - Bertold Brecht)

No poema Quem se Defende de Bertold Brecht vemos exposta explicitamente a angústia daqueles que vivem na miséria.
O autor traça um comparativo acerca do direito de defender a própria vida com a necessidade de se alimentar. Interroga ele por que é dado o direito de auto-defesa da vida nos tribunais, mas não lhe é dado o direito de se alimentar, ou de defender-se quando não tem comida.
Propõe ele uma violação do direito de Propriedade para saciar a fome dos que vivem na miséria? Propõe ele romper com a organização social instalada?
É obvio que quem não come adequadamente não tem condições para lutar por Educação e sendo assim, não consegue ocupar cargos de trabalho que lhe dê condições dignas de sua subsistência e de sua família. Mantê-los na miséria é a mesma coisa que manter a imobilidade social, e a desestimular a luta social por mudanças. É a famosa manutenção do status quo.
Mas como ajudar a resolver tal paradigma sem promover uma geração de dependentes sociais? Como promover a melhoria de sua situação sem mantê-los mais uma vez escravizados aos incentivos sociais distribuídos pelo Estado (Bolsa familia, p.ex.)?
Se é verdade que os incentivos sociais diminuem os conflitos na base da pirâmide social, também é verdade que diminui o interesse pela luta social. Não devemos nunca nos esquecer da famosa política "Pão e Circo", tão antiga e tão atual.
Até quando manteremos essa política, sem mudanças realmente verdadeiras?
Precisamos de mudanças estruturais. Chega de políticas emergenciais!
Claro que devemos matar a fome daquele que a tem. Mas esta não deve ser desculpa para adiarmos ainda mais as mudanças necessárias no paradigma social.
Saúde e Educação são apenas as primeiras portas que devem ser abertas. E nem mesmo essas o foram até hoje. Basta ler as Diretrizes do Banco Mundial para a década de 90 e início do século XXI na América Latina. Vamos continuar fingindo que nossas crianças vão à escola, que não são analfabetas, se quando terminam o colegial não sabem ler um bilhete simples, ou fazer as funções básicas de matemática como somar, multiplicar, diminuir e dividir? Que geração estamos produzindo, a de analfabetos funcionais?

Postagem em destaque

A importância do Ponto de Referência

O ÂNGULO QUE VOCÊ ESTÁ, MUDA A REALIDADE QUE VOCÊ VÊ Joelma Silva Aprender a modificar os nossos "pontos de vista" é u...