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sábado, 28 de novembro de 2015

FTU no Simpósio da ABHR na PUC/SP

Mais uma vez nossos irmãos Yabauara (João T'Osósi) e Yacyrê (Erica T'Nanã) nos honraram ao participar da Mesa de "Intolerância Religiosa em pauta e em Ação" no Simpósio da Associação Nacional de História das Religiões (ABHR) na PUC-SP. 
Ambos são escritores conhecidos e renomados, doutorado e doutoranda. E são árduos combatentes das RAB na atualidade. Sinto-me honrada de tê-los como irmãos no Egbé. 
Como disse nosso Babá Rivas Ty Ogyon: "Realizacão maiúscula para as RAB e principalmente no combate sem tréguas contra o preconceito ao negro e aos pobre que compreende mais de 90% da população brasileira. Parabéns aos dois awon iyawo que dignificam nosso ile asé e principalmente a cosmovisão do Candomblé. Awon gbogbo oosa bo ri o. Motumbasé"
A mesa também foi composta por nossa Egbomy Yamaracyê (Be T'Ogodô), que teve parte de sua tese lida durante o encontro.
Estiveram presentes nossos irmãos Aratiara e Luciano, prestigiando o evento e apoiando nossos autores.  






Jociane T'Obá - Obaositalá

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Até quando o ódio contra a Umbanda e o Candomblé estará dentro da Lei?

Por Isadora Bertolini

Deu meia-noite e o galo já cantou. Seu Tranca Rua que é dono da Gira. E corre a Gira que Ogum mandou. O batuque do atabaques, a cantoria dos pontos de orixás, as saias rodando, as confissões e conversas íntimas com as entidades – tudo é interrompido com um choque: membros de uma igreja neopentecostal invadem o terreiro, agridem fisicamente os participantes e depredam o local. Era a última gira da Mãe Gilda, que sofreu um enfarte e morreu três meses depois. A data de sua morte, 21 de janeiro de 2000, inspirou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
O caso da Mãe Gilda é apenas um em meio a tantos ataques contra as religiões afrobrasileiras, algo que uma data comemorativa está longe de contornar. O mais recente deles foi a declaração da Justiça Federal do Rio de Janeiro, em resposta a uma ação no Ministério Público Federal para a retirada de vídeos no Youtube de cultos evangélicos que incitavam a violência contra “macumbeiros”. A afirmação é de que a Umbanda e o Candomblé não são religiões, não configurando assim um quadro de intolerância religiosa. A justificativa é o fato de não possuírem um texto base (como a Bíblia), uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado.
Diante da forte repercussão negativa que a declaração causou, o juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do RJ, voltou atrás e reconheceu seu erro. Na nova declaração, afirma que a Umbanda e o Candomblé são religiões, mas ainda assim não aceita o pedido de remoção dos vídeos, pois isso fere a “liberdade de expressão”. Vista sob esse ponto de vista, essa “liberdade” entra em conflito com diversos aspectos da Constituição brasileira, que prevê a criminalização da intolerância religiosa, do preconceito e do racismo implícito nos discursos de ódio às religiões afrobrasileiras. O juiz que permite a permanência desses vídeos no ar, portanto, é conivente com esses crimes, desrespeitando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos) e a Lei 12.288, que reafirma os direitos iguais para a população negra (triste, em realidade, é a necessidade de criação dessa lei).
Mesmo sendo revogada, a primeira declaração da Justiça Federal é crucial para entender o preconceito diante das religiões afrobrasileiras. Mas antes de pensar nos três itens que, supostamente, constituem uma religião, é preciso dar um passo atrás: como um juiz, cuja formação é provavelmente na área de Direito, se acha no direito de fazer uma afirmação tão veemente de cunho teológico (ainda por cima em um Estado supostamente laico)? Baseada no achismo e na eleição de modelos religiosos, pautados na hegemonia do Catolicismo, Judaísmo e Islamismo, essa definição deturpada, que exclui não só a Umbanda e o Candomblé mas também religiões asiáticas, como o Budismo, o Taoismo e o Xintoísmo, demonstra como o preconceito se exprime como uma tentativa cega de negar tudo aquilo que foge do que é considerado “normal”. No caso da discriminação contra religiões africanas e afrobrasileiras, inclui-se também o preconceito racial que permeia a descrença e a depreciação de diversos aspectos da cultura negra.
As religiões africanas e afrobrasileiras não seguem o modelo eurocêntrico e ocidental de religião. Os três elementos apontados pelo juiz deflagram não só a essência dessas religiões, como também a maneira como elas propõem uma filosofia que contesta esse padrão hegemônico. Em primeiro lugar, a ausência de um texto base. “Não faria sentido escrever um livro para dar conta de toda a diversidade cosmológica de cada vertente afrobrasileira”, contesta Maria Elise Rivas, vice-diretora da Faculdade de Teologia Umbandista. Candomblé Nagô, de Angola, Jejê, Umbanda branca, kardecista, omolocô, batuque, encantaria, jurema – reduzir tudo isso a um texto seria incongruente. A cultura oral, na qual essas religiões se baseiam, é justamente o que permitiu essa diversidade. “A oralidade estimula a ressignificação das crenças de acordo com cada meio e cada tempo”, explica Maria. “Muitas vezes, um texto arcaico não faz sentido para o homem moderno. Esse caminhar histórico, mas sem perder a tradição, é marca das religiões afrobrasileiras. Por isso, não vamos ‘evoluir’ para a tradição escrita”.
A cultura oral, além disso, exige ainda mais responsabilidade individual dos praticantes, o que reforça o sentido coletivo dessas religiões. Não possuir uma estrutura hierárquica, e sim policêntrica, na qual cada escola tem seu gerenciamento, é outro desafio imposto ao modelo religioso do juiz carioca. “O próprio livro escrito é uma relação de poder”, aponta Maria. “Nas religiões afrobrasileiras, caminhamos todos juntos, há espaço para todas as vozes dentro das comunidades”.
A falta de um Deus a ser venerado, por fim, revela também a total ignorância do juiz frente a essas religiões. No caso de muitas vertentes da Umbanda, como a branca ou cristã, Deus apenas muda de nome – Olorum. Para as demais vertentes, Maria prefere o termo “henoteísmo”: “na falta de um, existem vários deuses, sendo que um se destaca frente aos demais”. A tamanha variedade de crenças e rituais na Umbanda e no Candomblé, enfim, evidenciam o que pastores evangélicos preconceituosos mais precisariam aprender: o respeito.

Enquanto o ódio e o preconceito contra religiões afrobrasileiras continuarem nos discursos de pastores, padres e outros líderes religiosos, e ainda por cima, com o aval da Justiça Federal, a intolerância religiosa não morrerá. E enquanto esse discurso for reproduzido não só pelos fiéis evangélicos, mas também pelos setores conservadores, preconceituosos e ignorantes da sociedade, a Umbanda e o Candomblé seguirão como religiões perseguidas e marginalizadas. Que a “liberdade de expressão” não seja usada como desculpa para a propagação desse discurso deturpado, que justifica ações de violência e contribui para o preconceito contra religiões tão importantes na formação cultural de nosso país
revistavaidape.com.br/2014/05/21/ate-quando-o-odio-contra-a-umbanda-e-o-candomble-estara-dentro-da-lei/

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

III Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI



Neste último final de semana, tivemos o privilégio de assistir ao III Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI.
A Umbanda foi dignificada mais uma vez diante da grandeza e da seriedade com que foi tratada, palestra após palestra.
No primeiro dia, estava de plantão, e portanto não pude assistir ao Congresso! Errado. Pude assistir às palestras via internet, todas com uma transmissão limpa e clara. No twitter pude expor minhas dúvidas, e recebia resposta imediata da equipe responsável por esta mídia. Organização é o nome!
No primeiro dia, o Professor Cassiano Terra Rodrigues expôs o tema Mito, Oralidade, Filosofia e Religião:
Pude também assistir à brilhante oficina do Mestre Obashanan, já no seu segundo ano consecutivo, e tomara que esteja presente nos próximos anos, pois nossa música é maravilhosa e deve ser sempre lembrada. Pela primeira vez a Prof. Virgínia tocou em conjunto com os alabês da OICD:
O Prof. Jorge Claudio Noel Ribeiro Junior falou sobre A Juventude diante das religiões, mostrando o panorama dos jovens estudados, e sua surpreendente forma de encarar o preconceito, os dogmas e os excessos das religiões tradicionais:
Infelizmente não pude assistir à aula do Prof. F. Rivas Neto, mas todos foram unânimes que foi magnífica, clara e concisa. Parabéns ao Professor, Mestre e Babalawô! Sua benção!
Algumas das fotos foram retiradas do Twitter da FTU. Elas eram colocadas no momento das apresentações, para que pessoas como eu, que não puderam estar presentes, estivessem mais envolvidas no acontecimento.
Estive presente no último dia, onde pude assistir à aula do Prof. Julio Moracen que, com sua alegria e poesia, falou com brilhantismo sobre o Sistema Mágico-religioso da cultura cubana:

Eu tive também o privilégio de assistir à Oficina da Prof. Maria Elise (Yamaracyê), sobre Comida de Santo:

 Ela não só falou sobre a importância dos alimentos, como distribuiu para todos a canjica feita na hora  por uma yabassê:
Logo após o almoço delicioso, feito pelas trabalhadoras da cozinha, tivemos a alegria de ouvir ao Prof. José Flávio Pessoa de Barros, que falou sobre a História, Memória e Identidade: os cantos da Jurema.
E finalizando de forma impecável, o Prof. Valdemir Donizetti Zamparoni falou sobre a Imagem da África no Brasil. Chamou-nos a atenção a respeito das distorções presentes hoje, resultado da visão colonialista de 500 anos atrás, que se perpetuaram e que se mantém firmes no inconsciente coletivo da Brasil e do mundo, dificultando o reconhecimento da história magnífica e de todos os progressos que a África alcançou.

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