Hoje recebi meu certificado de conclusão da graduação em
Teologia na Faculdade de Teologia Umbandista (FTU). Vi-me transportada para
aqueles anos nos quais ruíram um a um meus conceitos, meus preconceitos, minhas
verdades rasas e temporais. Vi nascer e se descortinar um novo horizonte para
minha vida, com desafios e expectativas.
Os anos passaram, e não sobrou quase nada
daquela que chegou à FTU. Mas, acima de tudo, nasceu uma Teóloga, sedenta de
conhecimento, com um olhar diferenciado pelas Religiões Afro-brasileiras e com
amor imenso pela diversidade de nossa religiosidade. E se faço parte agora dos insiders
(estudiosos/acadêmicos iniciados), rezo e peço às Santas Almas do Cruzeiro
Divino que me façam digna deste título e que eu possa honrá-lo a cada dia. Aranauam, Motumbá, Mukuiu, Kolofe, Saravá, Axé!
Esta é uma revisão das obras de W. W. da Matta e Silva feita por Mestre Ygbere (Mestre de Iniciação de Sétimo Grau do Segundo Ciclo, iniciado de Pai Rivas)
Neste últimos meses fiz mudanças fundamentais em
minha vida. Mudei de cidade, de empregos, de casa. Mudei.
Todo esse processo levou meses, e ainda demandará
muitos outros meses para se instalar definitivamente.
Sair da zona de conforto, arduamente conquistada, e
arduamente defendida, foi um esforço colossal. E no lugar da pseudo segurança
anterior, ficou apenas a impressão de andar em terreno frágil, denotando a
insegurança do ambiente ainda desconhecido.
Todo esse processo tem gerado profundas reflexões, e
hoje me surpreendi ao constatar que esse processo se iniciou há muitos anos.
Ele se iniciou quando me propus tomar as rédeas de minha vida, assumir minhas
escolhas,e caminhos. No momento em que
constatei que onde estava, não estava bom. E isso ocorreu há muitos anos atrás.
Nascida católica, de família do interior de Minas,
não é difícil explicar como fui educada. Família patriarcal, mãe submissa e
calada, irmão varão. E embora eu me lembre da Congada, da Festa de Santos Reis,
da Festa de São Benedito, de um quadro de Yemanjá na parede de minha avó (filha
de uma rezadeira, benzedeira e parteira), os constantes benzimentos e rezações,
esses assuntos sempre foram evitados. Assisti sim à missa dominical, ao terço,
às procissões e novenas. A Igreja ensinava a opressão e a diferença entre as
raças, classes, culturas e sexo. Cedo demais percebi que aquele mundo religioso
não era exatamente o que me agradava. E menina ainda, comecei a ler Chico
Xavier. Senti imenso alento em meu coração e suas obras apaziguaram minha
adolescência e me deram a paciência necessária. Compreender que existia algo
mais que a cruz e a dor, foi um marco em minha adolescência. Mas ainda não
conseguia abandonar a Igreja e assim mantive as duas religiões, transitando sem
grandes dramas conscienciais entre elas.
Quando me mudei para São Paulo, após o fim da minha
faculdade, com a finalidade de continuar minha formação médica, a cisão com a
Igreja ocorreu. A cisão com tudo que ela representava, o modelo patriarcal e a
submissão se foram. Eo Espiritismo
permaneceu ainda por mais alguns anos, e foi na Federação Espírita de São Paulo
que compreendi não pertencer àquele mundo.Aos poucos fui entendendo que ela ainda mantinha resquícios católicos,
identificados por mim no preconceito com as religiões afro-brasileiras, na
certeza de superioridade frente às demais religiões, na vaidade e na arrogância
disfarçadas nas palavras que estimulavam a humildade e renovação.
E por que estava na hora, ou por receber a
misericórdia divina em minha vida mais uma vez, um dia uma amiga me falou da
Umbanda, e me emprestou a Proto-Síntese Cósmica. E mesmo temerosa, embuída
ainda do preconceito religioso que eu trazia do Catolicismo e do Espiritismo,
li avidamente este livro. Entendi patavinas, mas algo foi mexido e remexido dentro
de mim. A ponto de na mesma semana procurar o rito da Rua Cheb Massud. Que
encontro fabuloso comigo mesma! Os
atabaques, os pontos, os cheiros, as cores, as entidades, o Baba! Ah, minha
casa. Enfim, pela primeira vez senti que estava no lugar certo, na hora certa!
Minha vida nunca mais seria a mesma.
Dia após dia, frequentei a OICD, li os
livros do meu Baba, li os livros de Pai Matta, e fui me inserindo neste novo
contexto religioso. Meus preconceitos foram sendo remodelados, rejeitados e
enfim, abandonados. E fui substituindo o que trazia pelo novo. Esvaziei o
cálice que trazia, e o enchi novamente com o conteúdo da Umbanda Esotérica.
Mas, devo admitir que, em alguns momentos me senti
incomodada. Os conteúdos que naquele momento eu ingeria nos livros e autores
novos, traziam embutidos ainda alguns conceitos presentes no Catolicismo e no
Espiritismo que eu abandonara. Preconceito racial, patriarcado, submissão da
mulher dando a ela funções secundárias, rejeição ao homossexualismo.
Como
compreender afirmações como a que diz que a mulher é menos confiável, dada à
futilidades, responsabilizando-a por todo o cenário deplorável religioso? Como
compreender afirmações como a que diz que os negros eram uma raça ainda em
evolução, e que precisavam de mais elaboração e que seu passado religioso era
apenas fetiche e necessitava ser rejeitado para dar origem a uma nova forma de
exercer sua fé? Que a Umbanda seria algo melhorado, superior?
Em diversos momentos, identifiquei os mesmos ranços do
Catolicismo e do Espiritismo, mas mesmo assim continuei, lendo, vendo e ouvindo,
confiante de que aquele astral poderoso iria clarear melhor minhas ideias,
permitindo que eu compreendesse melhor aquelas palavras. Achei que eu não
conseguia atingir o alcance daquelas palavras.
Os anos se passaram. Vi os ritos sendo realizados
todos ao mesmo tempo, cada um em dia diferente. O Candomblé de Caboclo/Omolocô,
a Umbanda Traçada, a Quimbanda, o Tríplice Caminho, e a Umbanda Esotérica. Para minha alegria, fui convidada de novo a esvaziar meu cálice, e a enchê-lo novamente, com novos conceitos, e a dar novos rumos à minha espiritualidade. E que alegria!
Foi com alegria que eu vi e participei de um processo intenso de transformação,
onde paulatinamente a Umbanda Esotérica e seus conceitos foram sendo
modificados e abandonados, até darem lugar a conceitos mais abrangentes, menos
excludentes. Fui me aproximando paulatinamente das religiões afro-brasileiras,
sem traumas, sem dramas. E foi com alegria que percebi que a mulher foi
recolocada em posição de igualdade com o homem, que as vi receberem a iniciação na TUO.
Foi com alegria que vi os homossexuais receberem o respeito que sempre
mereceram, e mais, vi rolarem escada abaixo conceitos de superioridade do
branco sobre o negro. Sua cultura, seu povo, sua ancestralidade passou a ser
estudada com afinco, e a pautar a partir dali, toda a nossa religiosidade.
Lembrei-me do dia em que meu irmão soube que eu era
espírita, e me perguntou se eu ia no Candomblé. Lembrei-me de seu semblante
aliviado ao ouvir que eu ia no Espiritismo, “menos mal” disse ele. Nesse momento, consegui compreender
o quanto havia caminhado. E hoje, quando amarro meu ojá na cabeça, quando visto
minha saia, quando coloco minhas guias, percebo que, além de toda a
ancestralidade que isso carreia, eu me desnudo de meus preconceitos e de minha educação
abrâmica.
Hoje, a Congada, as Festas de Reis e de São Benedito, os benzimentos e rezações de minha bisavó Mãe Chica, e o quadro de Yemanjá na parede de minha avó beata, fazem sentido em minha vida. Entendi o que significa ressignificação.
Esse sim foi o caminho percorrido. PS: Hoje, sei que honro minha bisavó, como herdeira de seu corolário. Sua herança ancestral me abençoa e me impulsiona nesse caminho, há muito abandonado por minha família. E devo tudo isso a meu Babá, sem ele eu jamais teria reencontrado as pontas interrompidas do meu destino. Axé Baba mi! Links importantes: Falácias sobre o TUO e Pai Rivas de Ogiyan: https://www.facebook.com/ftusp/posts/1666973850202515?fref=nf&pnref=story https://www.facebook.com/rodrigo.garcia.3954/posts/782468095200222 https://www.facebook.com/rodrigo.garcia.3954/posts/782510078529357 https://www.facebook.com/joaoluiz.carneiro/posts/1001411123211801
Caminho pelos caminhos diversos das Religiões Afro-brasileiras
apresentados por meu Baba Pai Rivas e alegremente, filiei-me na TUO/OICD há 8
anos.
Ao longo desses anos, antigos compromissos e novos ares. Vi
descortinarem-se diante de mim minhas mazelas, fraquezas, limites,
inseguranças, medos. Como se cada véu caído mostrasse o quanto eu ainda tinha
por aprender, apreender e compreender. Um a um, os anos me trouxeram grande
aprendizado e renovação.
Disseram-me que o caminho da iniciação é pedregoso, e
de fato foram muitas as pedras que machucaram meus pés, mas muitas bênçãos
oriundas dos Orixás e dos Ancestrais Ilustres que nos acobertam sempre vieram
amenizar e suavizar as dores do renascimento. Plena certeza de que o caminho
foi sabiamente escolhido, e que o amparo sempre esteve presente, tornando mais
leve e mais suportável todas as etapas da transformação.
Nesta última semana vivi um dos momentos mais impressionantes e
memoráveis da minha vida religiosa. E precisei de alguns dias para melhor
compreender o alcance daqueles breves momentos. Pai Rivas, meu Baba, o
tabuleiro de Ifá, e o meu destino nas mãos de Orunmilá. Hora fatídica,
definitivamente determinante em minha vida, a partir daquele momento. Como um
ponto, estabelecendo ordem ao caos.
Por dias, desde que o rito foi marcado, alimentei em mim uma
ansiedade injustificável. Comecei a me perguntar qual seria o enredo que
nortearia meu destino? E eu, que já reconhecia no Orixá Obá minha mãe e energia
primordial, comecei a me perguntar como seria se Orunmilá Ifá mostrasse que não
mais era minha mãe querida a dona de minha cabeça?Tantas informações, tantas dúvidas.
Ao entrar naquele Congá, que carreava décadas de história,
legítimo representante da Raiz de Guiné, uma grande interrogação me acompanhou.
Nunca mais eu seria a mesma. A partir
daquele instante, minha vida mudaria definitivamente. O que fui, o que fiz,
tudo, absolutamente tudo, ficaria atrás daquela porta.
As areias daquele chão sagrado estavam diferentes, elas
simbolizavam o espaço entre o Orun e o Ayê. Meus pés tocavam meu inconsciente,
e cada passo dado em direção ao meu Baba remexia dentro de mim minhas gavetas
fechadas, minhas memórias ancestrais. Descortinando, desvelando, revelando. Nem
o tempo, nem as memórias apagadas pela reencarnação impediriam o relembrar de
um momento, o primordial, aquele momento onde meu Ori foi feito utilizando a
matéria doada pelo Orixá que passaria a guiar e ditar meu destino. E mais, os
dois outros Orixás que contribuíram para completar meu Ori. ENI-ORIXÁ,
EDJI-ORIXÁ
e ETA-ORIXÁ. O que tudo isso significaria para mim a
partir de então?
Senti-me
como uma criança que chega à escola no primeiro dia. Medo, insegurança, mas ao
mesmo tempo, curiosidade, interesse pelo novo velho caminho.
Ao
olhar meu Baba, e sentir nele a Sabedoria dos Babalawos, apaziguei-me.
No
chão de areia, o tabuleiro de Ifá coberto com um pano branco velava o destino.
E na medida em que os ikins caíam, via lá o enredo da minha história. Exu,
Yabás minhas mães ancestrais, e o velho sábio Pai de todos.
Compreendi
de imediato que muito ainda tenho por aprender. A maioria das informações que
recebi ainda habitam minha mente, sem compreensão. Mas, de pronto,
identifiquei-me. IDENTIDADE. Assim como o RG. Cada fato, meu mediunismo, as
entidades que são carreadas com ele, meus amigos. Tudo relacionado e conectado.
Dúvidas???
Ah, muitas além daquelas que eu já tinha. Mas, ao menos já sei em que estrada
estou caminhando.
Axé
Baba mi. Que eu me torne digna deste caminho e saiba honrá-lo dia após dia.
W. W. da Matta e Silva, Pai Matta, meu avô de Santé, manipulando o tabuleiro de Ifá. Essa foto serve para dirimir qualquer dúvida de que o Ifá está e sempre esteve presente na Umbanda Esotérica.
É com muita honra que comunico a ordenação de mais 3 Mestres na TUO-Itanhaém. É uma grande alegria para nossa comunidade, uma grande realização para todos nós.
Que as Santas Almas do Cruzeiro Divino continuem abençoando nossa casa, tornando cada dia mais fértil esse solo sagrado!
Sua Benção, Pai Rivas!
Este foi um dos momentos mais belos que eu vivi nesta vida.
Assisti parte da jornada do Ygbere, caminhada longa e difícil, na Iniciação. E vê-lo receber o sétimo grau foi uma concretização de suas vitórias no campo astral.
Foram muitas lutas, superações e lágrimas. Mas, a certeza da cobertura das Santas Almas do Cruzeiro Divino sempre o fortaleceu e gratificou.
Pai Moçambique, Caboclo 7 Cachoeiras, Caboclo 7 Ondas, Jureminha, Exu 7 Poeiras, e tantas outras entidades que estão atreladas ao seu mediunismo positivo, certamente estiveram lá conosco e iluminaram aquele Congá, sob as bençãos de Pai Guiné e Pai Joaquim.
Vida longa ao Mestre de Iniciação de Sétimo Grau Ygbere! Paó!!!! Paó a Mestre Araphiagha, Pai Rivas, por mais um Sacerdote na TUO. As bençãos, meu Pai.
Tal qual a onda que chega sempre a praia, a ancestralidade por meio da espiritualidade sempre se apresenta quando mais precisamos. (Olavo Solera)
"Tive a felicidade de presenciar a ordenação sacerdotal de Mestre Ygbere (Olavo Solera), irmão de santé de longa data, que está com Mestre Arhapiagha desde os idos 1979, ou seja, com mais de 35 anos de trabalhos, vivências e, sobretudo, de fidelidade ao Mestre e à Raiz. É um dos meus irmãos que conheceu Mestre Yapacani (o Vô Matta) pessoalmente. Mestre Ygbere não é, como muitos por aí, "discípulo de livros" ou de "mestres mortos" nem, pior ainda, "mestre de si mesmo". Ygbere, meu irmão, aceita meus preitos de vida longa! Que possamos honrar juntos o Nome, o Trabalho e o Exemplo de nosso Mestre! Aranauan!" (Thomé Sabbag Neto)
"Foi um dia duplamente especial: poder participar da iniciação de meu Tio e de Meu Pai (Pedro Nogueira) de Santé no mesmo rito! E ambos no 7o grau! Poder ver a Tradição sendo desvelada, manifesta e passada de Pai pra filho realmente foi muito intenso e profundo e jamais esquecerei. Agradeço ao meu avô de Santé, Mestre Araphiagha por permitir que essa Tradição que ele recebeu de meu bisavô Mestre Yapacani pudesse novamente ser perpetuada. Agradeço a Ele também por poder ter Bisavô,Avô, Pai, Tios e principalmente pela oportunidade de ser filho e ser um membro dessa família! Me sinto muito feliz por poder estar com vocês Mestre Ygbere! Parabéns novamente por ser um vencedor de si mesmo!" (Vagner Costa)
"Sem palavras para expressar esse momento sublime em sua jornada Mestre Ygbere. A pálida noção de tudo que já enfrentou na vida só me faz desejar que tenhas muito mais realizações positivas hoje e sempre. Axé Mestre Ygbere!" (Robson Leite) Pedro NogueiraAlma em júbilo! Não é possível traduzir o que se passa, o que se sente... Axé, meu querido amigo e Irmão! Vida longa! Templo de Umbanda Pai Joaquim de AruandaMaravilhosa, conquistada com muito trabalho e amor ao que faz, um ritual para ficar guardado na retina da alma . Marta PurificaçãoPaó... Ygbere vc é muito querido por todos nós, sinto sempre verdade contida na sua fala e na sua escrita!!! Obrigada por ser nosso irmão mais velho. Axé!!! Vânia Mariamuito bom parabens e um grande abraco. Célio Antônio Corrêa Marques AntonioParabéns! Axé! "Ao ver tantas demonstrações de carinho sobre meu rito de ordenação sacerdotal, decidi escrever algumas palavras daquilo que sinto e entendo sobre iniciação. Posso separar meu caminho iniciático com o mestre Arapiaga em três momentos distintos. O primeiro nos anos 80, onde tive a honra de ter tido por meio de nosso mestre o contato com o mestre Yapacani – Matta e Silva. Naqueles momentos conhecia gradativamente suas obras e com o privilégio de as mesmas serem ilustradas por alguns rituais que fez aqui em São Paulo no templo da OICD e em visita a TUO de Itacuruça. Eram tempos para mim de um certo deslumbramento, pois os “mistérios” contidos em tantos assuntos que tive a oportunidade em ouvir e presenciar, me levavam a estudar, estudar e muitas vezes me sentir único... Confesso que pouco entendia daqueles conhecimentos e que nosso mestre exaustivamente nos ensinava e exemplificava vivendo-os. Eram tempos de grandes transformações e diuturnamente acompanhava nosso mestre em seus afazeres, afinal precisava eu viver tudo aquilo de forma a conseguir capacidade e conhecimento, para de forma simplória ajudar a executar as mudanças que aconteciam em uma velocidade incrível. No segundo momento, depois da transmissão da raiz, feita por pai Matta a nosso mestre, em seguida acontece a passagem de pai Matta para a Aruanda. Chegava a hora de nosso mestre colocar em prática as verdadeiras vivências que teve com o mestre Yapacani e a espiritualidade, representadas por ancestrais de estofo, pois meu mestre nunca utilizou de palavras mortas de livros para construções espirituais, e assim também isso nos ensinou. Naqueles momentos, fomos vendo chegar novos conhecimentos e afazeres e juntos vinham o astral pertinente à aqueles tempos (quem não se lembra do caboclo 7 Espadas e do sr. Capa Preta), e interessante era que neste segundo momento, os conhecimentos apreendidos começava a dar lugar ao “outro”, coisa que no primeiro momento nem se falava e tão pouco se entendia. A iniciação aí então começava a tomar um novo rumo, pois aquilo que entendíamos como algo que nos elevava a patamares elitistas e ilusórios no primeiro momento, dá lugar ao respeito ao outro, e tudo começa a tomar novos rumos. Iniciava naquele momento em mim, mesmo que palidamente uma desconstrução de valores. Entender a origem ou início, que é o mote principal de uma iniciação, passariam obrigatoriamente pelo “outro” ... E neste terceiro momento que hoje se apresenta, depois de ver tantas realizações de nosso mestre, procuro entender parte do todo e vejo neste momento que o que se busca é o vivencial com o mestre vivo, pois não pode ser diferente a iniciação, ela só acontece com a oralidade, o poder da palavra realmente vivida e consagrada pelas obras e pela ancestralidade que está por trás de tudo isso. Hoje nosso mestre nos ensina a viver a simplicidade com alegria, nos ensina que o importante é estarmos livres de pré-conceitos e principalmente a reconhecer o bom caminho e trilha-lo. Enganam-se aquele que buscam as aparências, pois me parece ridículo ver algumas pessoas do passado que daqui saíram, insistirem em continuar na letra morta, falando daquilo que não se viveu, falando de Matta e Silva com uma pretensa eloquência como se o mesmo estivesse vivo e lhes dessem aval em seus trabalhos. O velho mestre Matta e Silva em vida sempre deu exemplos de trabalho sob a regência da espiritualidade com ordens e direitos, e sabedor que o trabalho deveria continuar com outro mestre vivo, fez a transmissão a nosso mestre, pois assim caminha a iniciação e o mestre só vive após sua passagem por meio de sua linhagem com ordens e direitos de trabalho...Logo!" Ygbere – Discípulo de mestre Arapiaga