domingo, 4 de novembro de 2012

Mellen Thomas Benedict - Experiência de Quase Morte


Mellen-Thomas Benedict é um artista que sobreviveu a uma experiência de quase-morte em 1982. Ele permaneceu morto por mais de uma hora e meia após ter morrido de câncer. Na hora de sua morte ele saiu do corpo e foi para a luz. Ele estava curioso a respeito do universo, e foi levado pra longe, para as profundezas remotas da existência e além, para o vazio energético do nada que existe por detrás do Big Bang.
Durante a sua experiência, ele absorveu uma quantidade enorme de informações sobre a reencarnação. Por causa da sua experiência de quase-morte, ele trouxe de volta descobertas científicas. O Sr. Benedict tem estado profundamente envolvido com os mecanismos de comunicação celular e pesquisas sobre o relacionamento entre a luz e a vida que se chama Biologia Qüântica.
O Sr. Benedict descobriu que as células vivas respondem muito rapidamente à estimulação de luz, e isto resulta entre outras coisas, numa cura de alta velocidade. Ele é um pesquisador, inventor e palestrante, que tem seis patentes nos Estados Unidos.
A experiência quase-morte do Sr. Benedict foi re-impressa aqui com autorização dos autores Dr. Lee Worth Bailey e Jenny Yates. O seu livro excelente intitulado  The Near-Death Experience: A Reader publicado pela Routledge, Nova York, em 1996, é altamente recomendável pelo webmaster.
Um pedaço da sua experiência quase-morte também aparece no livro de P. M. H. Atwater, Beyond the Light .
Sobre a experiência de Mellen, Dr. Ken Ring ressaltou, "Sua história é uma das mais extraordinárias dentro da extensa pesquisa que tenho feito sobre experiências de quase-morte."


Em 1982 eu morri de um câncer terminal. A doença era inoperável, e todos os  tipos de quimioterapia que me davam me faziam vegetar cada vez mais. Os médicos me deram de seis a oito meses de vida. Eu fui um obstinado por informações nos anos 70, e me tornei cada vez mais desanimado por causa da crise nuclear, da crise ecológica e esses assuntos. E, por não ter uma base espiritual, eu passei a acreditar que a natureza havia cometido um engano, e que nós provavelmente éramos um organismo canceroso no planeta. Eu não via nenhuma saída para os problemas que tínhamos criado para nós mesmos e para o planeta. E enxergava todos os humanos como sendo câncer, já que era isso que eu tinha. Foi isso que me matou. Cuidado com a sua visão do mundo. Ela pode voltar pra você, especialmente se for uma visão de mundo negativa. Eu tinha uma visão gravemente negativa. Isto foi o que me conduziu à morte. Eu tentei vários métodos alternativos de cura, mas nada ajudou.
Então eu decidi que isto ficaria apenas entre eu e Deus. Na verdade eu nunca havia encarado Deus antes, nem lidado com Ele. Eu não tinha nenhuma espiritualidade na época, mas eu comecei uma jornada para aprender espiritualidade e curas alternativas. Eu li tudo o que pude e me agarrei ao assunto, porque eu não queria ter uma surpresa quando chegasse do outro lado. Comecei a ler sobre várias religiões e filosofias. Tudo era muito interessante e me deu uma esperança de que havia alguma coisa do outro lado.
Por outro lado, eu era um artista liberal que fazia vitrais, e não possuía assistência médica. Então, todas as minhas economias se foram do dia pra noite nos exames  médicos. Enfrentei os médicos sem nenhum tipo de seguro.  Eu não queria que a minha família se afundasse financeiramente, e decidi lidar com isso sozinho.
Eu não tinha dores constantes, mas apagava de vez em quando. Fiquei de um jeito que nem me atrevia a dirigir, e eventualmente ia parar no hospital. Eu contratei minha própria enfermeira. E fui abençoado por este anjo, que ficou junto comigo na fase terminal. Eu durei cerca de dezoito meses. Não quis tomar muitos remédios, para ficar o mais consciente possível. E comecei a ter tanta dor, que isso era a única coisa que eu tinha na consciência, felizmente por poucos dias de cada vez.
Eu me lembro de acordar um dia em casa por volta das 4:30 da manhã, sabendo que estava acabado. Este era o dia em que eu ia morrer. Então eu chamei uns amigos para me despedir. Eu acordei minha enfermeira e disse a ela. Eu tinha um acordo particular com ela de que ela deixaria meu corpo morto sozinho por umas seis horas, porque eu tinha  lido que muitas coisas interessantes acontecem quando você morre. Eu voltei a dormir. A próxima coisa que eu lembro é o começo de uma típica experiência quase-morte.
Subitamente eu estava totalmente consciente e de pé, mas meu corpo estava na cama. Tinha uma escuridão a minha volta. A experiência de estar fora do corpo foi mais vívida do que as experiências ordinárias. Foi tão vívida que eu podia ver cada cômodo da casa, eu podia ver o topo da casa, eu podia ver em volta da casa, eu podia ver em baixo da casa.
Tinha uma luz brilhando. Eu me virei para ela. A luz era muito similar com o que muitas outras pessoas haviam descrito nas suas experiências quase-morte. A Luz é magnífica. É tangível; você pode sentí-la. É atraente; você quer ir pra ela da mesma forma como você iria para os braços da sua mãe ou do seu pai ideais.
Na medida em que eu fui me movendo para a luz, eu senti intuitivamente que se eu fosse até lá eu estaria morto.
Então na medida em que eu ia me movendo para a luz eu disse, "Por favor, espere um pouco, espere um segundo. Eu quero refletir sobre isto; eu gostaria de conversar com você antes de ir."
Para a minha surpresa, toda a experiência parou naquele ponto. Você está sim no controle de sua experiência quase-morte. Isto não é como um passeio na montanha-russa. Então meu pedido foi honrado e eu tive alguma conversas com a luz.
A luz estava sempre se transformando em figuras como Jesus, Buda, Krishna, mandalas, imagens arquetípicas e simbólicas.
Eu perguntei a ela, "o que está acontecendo aqui? Por favor luz, esclareça-me. Eu realmente quero saber a verdade sobre esta situação."
Eu não tenho palavras exatas para dizer , porque foi um tipo de telepatia. A luz respondeu. A informação que foi transferida a mim foi que as suas crenças dão forma ao tipo de feedback que você obtém diante da luz. Se você for Budista ou Católico ou Fundamentalista, você terá um feedback relacionado com o que você acredita. Você tem uma chance de olhar e examinar as coisas, mas a maioria das pessoas não fazem isso.
Enquanto a luz se revelava para mim, eu me dei conta que o que eu realmente estava vendo era uma matriz de nosso Eu Superior. O que eu posso dizer é que aquilo se transformou em uma matriz, uma mandala de almas humanas, e o que eu percebi foi que o que nós chamamos de Eu Superior em cada um de nós,  é na verdade uma matriz. E é também um canal condutor para a Fonte; cada um de nós vem diretamente de lá, como uma experiência direta da Fonte. Todos temos um Eu Superior, ou uma parte além-alma. Ela se revelou para mim na sua forma mais verdadeira. A única forma que eu encontrei para descrever isso é o que o Eu Superior é como um canal. Ele não parece um canal mas é uma conexão direta com a Fonte que todos nós temos. Nós estamos diretamente conectados com a fonte.
A luz estava me mostrando a matriz do Eu Superior. E ficou bem claro para mim que todos os Eus Superiores estão conectados como um ser só, todos os humanos estão conectados como um ser só, nós somos na verdade o mesmo ser, diferentes aspectos do mesmo ser. Independente de religiões. Este foi o meu feedback. E eu vi a mandala de seres humanos. É a coisa mais linda que eu já vi. Eu fui até ela e foi simplesmente magnífico, avassalador. Era  como se todo o amor que você sempre quis estivesse ali. Aquele tipo de amor que cura, que cicatriza, que regenera.
Enquanto eu pedia que a luz continuasse explicando, eu entendi o que é a matriz do Eu Superior. Nós temos uma rede em volta do planeta onde todos os Eus Superiores estão conectados. É como uma grande companhia, um nível de energia sutil que está próximo, o nível espiritual, pode-se dizer.
Então, após uns minutos, eu pedi por mais esclarecimento. Eu realmente queria saber sobre o universo, e eu estava pronto para saber naquele momento.
Eu disse, "Estou pronto, pode me levar."
Então a luz virou a coisa mais linda que eu já vi até hoje: a mandala de almas humanas neste planeta.
E eu com a minha visão negativa sobre o que aconteceu no planeta.
Conforme eu pedia para luz a continuar me esclarecendo, eu vi nessa mandala como nós somos lindos na nossa essência, no nosso núcleo. Nós somos as mais lindas criações. A alma humana, a matriz humana da qual todos fazemos parte é absolutamente fantástica, requintada, exótica, tudo. Eu não tenho palavras suficientes para expressar como este instante mudou a minha visão do ser humano.
E disse, "Oh, Deus, eu não sabia o quanto somos belos"
Em qualquer nível, alto ou baixo, em qualquer forma que você esteja, você é a criação mais linda sim.
Eu fiquei atônito ao perceber que não existe nada de mau em nenhuma alma.
E disse, "Como pode ser?"
E a resposta foi que nenhuma alma era ruim por natureza. As coisas terríveis que

acontecem com as pessoas podem levá-las a fazer coisas ruins, mas suas almas não são más. O que todas as pessoas buscam, e o que as sustenta é  o amor, a luz me disse. O que distorce as pessoas é a falta de amor.
As revelações vindas da luz pareciam não ter fim, e então eu perguntei, "Isto quer dizer que a raça humana será salva?"
E a Grande Luz falou, ao som de um tipo de toque de trombetas e com uma chuva de luzes espiraladas, "Lembre-se disso e nunca esqueça; você salva, redime e cura a si mesmo. Você sempre pôde fazer isto. Você sempre poderá. Você foi criado com este poder, desde antes do começo do mundo."
Naquele momento eu fui até mais longe. Eu entendi que NÓS JÁ FOMOS SALVOS, e nós nos salvamos porque fomos feitos para a auto-correção, assim como o resto do universo de Deus. Este é o porquê da segunda vinda.
Eu agradeci à Luz de Deus com todo o meu coração. A melhor coisa que eu pude dizer foram estas palavras simples de  agradecimento pleno:
"Oh Deus amado, Universo querido, amado Ser Superior, eu amo a minha vida."
A luz parecia respirar em mim ainda mais profundamente. Era como se a luz estivesse me absorvendo completamente. O amor que a luz é, até esse dia,  é algo indescritível. Eu penetrei em uma outra realidade, mais profunda que a anterior, e percebi algo muito, muito maior. Era um fluxo de luz, vasto e repleto, no meio do coração da vida. Eu perguntei o que era aquilo.
A luz respondeu, "Este é o RIO DA VIDA. Beba desta água manancial para satisfazer o seu coração."
E assim fiz eu. Tomei um grande gole e depois mais um. Beber da própria vida! Eu fiquei em êxtase.
E então a luz disse, "Você deseja algo."
A luz sabia tudo sobre mim, todo passado, presente e futuro.
"Sim!" eu sussurrei
Eu pedi para ver o resto do universo; além do nosso sistema solar, além de toda a ilusão humana. A luz então me disse que eu poderia ir com o Rio. Eu fui, e fui carregado através da luz para o fim do túnel. Eu senti e ouvi uma série de estrondos sonoros muito suaves. Que enxurrada!
De repente, eu parecia estar sendo lançado para fora do planeta no rio da vida. Eu vi a Terra voar para longe. O sistema solar, com todo seu esplendor passou por mim a toda velocidade e desapareceu. Mais rápido que a velocidade da luz, eu voei através do centro da galáxia, absorvendo cada vez mais conhecimento. Eu aprendi que esta galáxia, e todo o universo, estão abarrotados das mais variadas espécies de VIDA. Eu vi muitos mundos. A boa notícia é que não estamos sós neste universo!
Conforme eu viajava por este fluxo de consciência através do centro da galáxia, o fluxo estava se expandindo em imponentes ondas fractais de energia. Os super-conglomerados de galáxias com toda sua sabedoria ancestral passaram por mim. Aquilo foi uma maravilha inimaginável! Eu realmente estava como uma criança maravilhada; um bebê no mundo da fantasia!
Parece que todas as criações do universo passavam voando por mim e desapareciam num ponto de luz. Quase que imediatamente uma segunda luz apareceu. Ela vinha de todos os lados, e era bem diferente; uma luz composta de mais do que todas as freqüências no universo.
E novamente eu senti e ouvi um monte de estrondos sonoros suaves. Minha consciência ou meu ser,  estavam se expandindo para todo o universo holográfico e para além dele.
Conforme eu passava pela segunda luz, eu me dei conta de que eu tinha transcendido a verdade. Estas são as melhores palavras que eu encontrei, mas vou tentar explicar melhor. Conforme eu passava pela segunda luz, eu me expandi além da primeira luz. Eu me encontrei num profundo estado de quietude, além de todo e qualquer silêncio. Eu pude ver ou perceber o ETERNO, além do infinito. Eu era o vazio. Eu estava na pré-criação, antes do Big Bang. Eu ultrapassei o começo do tempo - a primeira palavra - a primeira vibração. Eu estava no centro da criação. Eu senti como se eu estivesse tocando a face de Deus. Não foi um sentimento religioso. Eu estava simplesmente em harmonia com a vida absoluta e com a consciência.
Quando eu digo que eu pude ver ou perceber o eterno, eu quero dizer que eu pude vivenciar toda criação se gerando. Não tinha começo nem fim. Este é um pensamento que desafia a mente não? Os cientistas vêem o Big Bang como um único episódio que criou o universo. Eu vi que o Big Bang é apenas um de um número infinito de Big Bangs que criam universos infinita e simultaneamente. A única imagem que chega um pouco perto disso, em termos humanos, seriam aquelas criadas pelos supercomputadores que usam equações geométricas fractais.
Os povos ancestrais sabiam disso. Eles diziam que a Mente de Deus criava universos novos periodicamente, através da expiração, e des-criava (de-creating) outros universos através da inspiração. Estes períodos, ou épocas eram chamados de Yugas. A ciência moderna chama de Big Bang. Eu estava na consciência pura e absoluta. Eu podia ver ou perceber todos os Big Bangs ou Yugas criando e des-criando a si próprios. Na mesma hora eu entrei neles todos simultaneamente. Eu vi que toda e qualquer parte da criação tem o poder de criar. É muito difícil tentar explicar isso. Eu ainda não tenho palavras.
Depois do meu regresso eu fiquei anos assimilando a experiência do vazio. E o que eu posso dizer é que o vazio é ao mesmo tempo menos do que nada e mais do que tudo que existe. O vazio é o zero absoluto; o caos formando todas as possibilidades. É a consciência absoluta, ainda mais do que a inteligência universal.
Onde está o vazio? Eu sei. Está dentro e fora de tudo. Você, neste momento, enquanto vive, está sempre dentro e fora do vazio simultaneamente. Você não precisa ir a lugar algum nem morrer para chegar lá. O vazio é o vácuo ou o nada entre todas as manifestações físicas. O ESPAÇO entre átomos e seus componentes. A ciência moderna começou a estudar esse espaço entre tudo. Eles chamam isso de Ponto Zero .

   Sempre que eles tentaram mensurá-lo, chegavam a conclusão que não tinham instrumentos com escalas compatíveis, que seriam infinitas, por assim dizer. Existe muito mais 'Ponto Zero' no seu próprio corpo e no universo do que qualquer outra coisa!
O que os místicos chamam de vazio não é vazio. É cheio de energia, uma energia diferente, que criou tudo o que somos. Tudo desde o Big Bang é vibração, desde a primeira palavra, que é a primeira vibração.
O "Eu Sou" bíblico realmente tem um ponto de interrogação depois.
"Eu Sou? O que Sou Eu?"
Então a criação é Deus explorando a Si Mesmo através de tudo o que se possa imaginar, numa contínua e infinita exploração por meio de cada um de nós. Através de cada fio de cabelo da sua cabeça, através de cada folha, em cada árvore, através de cada átomo, Deus está explorando a Si Mesmo, o grande "Eu Sou". Eu comecei a enxergar que tudo o que é,  é o Eu (Self), literalmente; o seu Eu (your Self), o meu Eu (my Self). Tudo é o grande Eu. É por isso que até quando uma folha cai Deus sabe. Isto é porque onde quer que você esteja, este é o centro do universo. Em qualquer lugar que qualquer átomo estiver este é o centro do universo. Deus está lá e Deus está no vazio.
Enquanto eu estava explorando o vazio e todos os yugas ou criações, eu estava totalmente fora das nossas concepções de tempo e espaço. E eu descobri, nesse estado expandido, que a criação é puramente consciência absoluta, ou Deus, vindo para a experiência da vida que conhecemos. O vazio em si é destituído de experiência. Ele é pré-vida, antes da primeira vibração. A Mente de Deus é mais do que vida e morte. Portanto existe muitas coisas além de vida e morte para se experimentar no universo!
Eu estava no vazio e estava consciente de tudo o que já foi criado. Era como enxergar com os olhos de Deus. De repente eu não era mais eu. A única coisa que eu posso dizer é que eu estava vendo com os olhos de Deus. E subitamente eu soube o porquê de cada átomo, e pude enxergar tudo.
O interessante foi que eu fui para o vazio e eu voltei com o entendimento de que Deus não está lá. Deus está aqui. É isso. Então a busca constante da raça humana de ir para fora para achar Deus......Deus deu tudo para nós, tudo está aqui, é aqui que está. E o que nós estamos vivendo agora é a exploração de Deus sobre Si mesmo em nós. As pessoas estão tão ocupadas tentando se tornar Deus que elas deveriam entender que nós já somos Deus e Deus está se tornando nós. É exatamente isso. Quando eu entendi isso, eu já estava satisfeito com o vazio, e queria retornar a esta criação , ou yuga. Parecia a coisa mais natural a ser feita.
Então eu de repente voltei pela segunda luz, ou Big Bang, e escutei mais alguns estrondos. Eu vim pelo rio da consciência de volta por toda a criação, que passeio! Os super conglomerados de galáxias passaram por mim me dando ainda mais insights. Eu passei pelo centro da nossa galáxia, que é um buraco negro. Buracos negros são os grandes processadores ou recicladores do universo. você sabe o que tem do outro lado de um buraco negro? Somos nós; nossa galáxia; que foi reprocessada de um outro universo.
Na sua configuração energética total, a galáxia parecia um fantástica cidade de luzes. Toda energia deste lado do Big Bang é luz. Cada sub-átomo, átomo, estrela, planeta, até a própria consciência é feita de luz e tem uma freqüência e/ou partícula. Luz é uma coisa viva. Tudo é feito de luz, até as pedras. Então tudo está vivo. Tudo é feito da luz de Deus; tudo é muito inteligente.
Conforme eu vinha pelo rio, eventualmente eu avistava uma luz enorme vindo. Eu sabia que era a primeira luz; a matriz do Eu Superior do nosso sistema solar. Então o sistema solar inteiro apareceu na luz, acompanhado de um daqueles estrondos suaves.
Eu vi que o sistema solar no qual vivemos é o nosso maior corpo. Este é o nosso corpo local e somos muito maiores do que imaginamos. Eu vi que o sistema solar é o nosso corpo. Eu sou uma parte dele, e a terra é um grande ser criado que somos nós, e nós somos a parte dela que sabe que é assim. Mas nós somos apenas uma parte dela. Nós não somos tudo, mas somos uma parte que sabe que é assim.
Eu pude vislumbrar toda a energia que esse sistema solar gera, e esse é um show de luzes inacreditável! Eu pude escutar a Música das Esferas,  . Nosso sistema solar, assim como todos os corpos celestes, gera uma matriz única de luz, som e energias vibracionais. Civilizações avançadas de outros sistemas estelares podem localizar  vida no universo na forma que a conhecemos pela vibração ou padrão matricial. Como em uma brincadeira de crianças. As crianças da terra (seres humanos) produzem um som abundante neste momento, como crianças brincando no quintal do universo.
Eu fui pelo rio até o centro da luz. Me senti abraçado por ela conforme ela ia me levando para dentro de sua respiração novamente, seguido por mais um estrondo.
Eu estava na grande luz de amor com o rio da vida fluindo através de mim. E tenho que dizer de novo, esta é a luz mais amorosa e sem julgamentos que existe. É o pai-mãe ideal para a sua criança.
"E agora?" eu me perguntei.
A luz me explicou que não existe morte; somos seres imortais. Nós já estivemos vivos desde sempre. Eu compreendi que fazemos parte de um sistema vivo que se recicla eternamente. ninguém me disse que eu tinha que voltar. Eu simplesmente soube que eu voltaria. Era natural, a partir do que eu tinha visto.
Eu não sei quanto tempo eu fiquei com a luz, em tempo humano. Mas chegou um momento em que eu percebi que todas as minhas perguntas tinham sido respondidas do outro lado, de verdade. Todas as minhas perguntas tinham sido respondidas. Cada ser humano tem uma vida diferente, e perguntas diferentes. Algumas de nossas perguntas são universais, mas cada um de nós explora isso a que chamamos vida de uma forma própria. E assim é com todas as formas de vida, de montanhas até cada folha em cada árvore.
E isso é muito importante para o resto de nós neste universo. Porque tudo contribui para a Grande Figura, a totalidade da vida. Nós somos literalmente Deus explorando a Si Mesmo na dança infinita da vida. A  peculiariedade de cada um contribui com toda a existência.
Enquanto eu retornava para o ciclo da vida, nem passou pela minha mente, e também ninguém me disse, que eu retornaria para o mesmo corpo. E também nem importava. Eu tinha total confiança na luz e no processo da vida. Conforme o rio se fundiu com a grande luz, eu pedi para nunca esquecer as revelações e as sensações do que eu tinha aprendido do outro lado.
Eu ouvi um "Sim". Foi como um beijo na minha alma.
Então eu fui conduzido de volta pela luz na realidade vibratória novamente. O processo inteiro se reverteu, até com mais informação sendo passada para mim. Eu voltei para casa, e eu estava tendo lições sobre os mecanismos da reencarnação. Eu estava obtendo respostas para todas aquelas pequenas perguntas que eu tinha:
"Como isto funciona? Como aquilo funciona?" Eu sabia que eu reencarnaria.
A terra é um grande processador de energia, e a consciência individual desenvolve-se a partir do interior de cada um. Eu pensei em mim como um humano pela primeira vez, e fiquei feliz por sê-lo. Depois de  tudo o que eu vi, eu já ficaria feliz em ser um átomo no universo. Um átomo. Imagine ser a parte humana de Deus...essa é a bênção mais fantástica. É uma benção que está muito além da maior expectativa do que uma benção pode ser. Para cada um de nós, ser a parte humana dessa experiência é algo imponente, magnífico. Cada um de nós, independentemente de onde estivermos, com problemas ou não, é uma benção para o planeta, onde estivermos.
Então eu passei pelo processo de reencarnação esperando ser um bebê em algum lugar. Mas eu estava recebendo um ensinamento sobre como a identidade individual e a consciência se desenvolvem. E eu reencarnei de volta neste corpo.
Eu fiquei tão surpreso quando eu abri meus olhos. E não sei por que, porque eu já tinha entendido isso, mas ainda assim foi uma surpresa estar de volta neste corpo, de volta no meu quarto, com alguém se debulhando em lágrimas por cima de mim. Era minha enfermeira. Ela desistiu uma hora e meia após me encontrar morto. Ela teve certeza de que eu estava morto; todos os sinais de morte estavam lá - e eu já estava ficando enrijecido. Não sabemos há quanto tempo eu estava morto, mas sabemos que se passou uma hora e meia desde que eu fui encontrado. Ela tinha respeitado o meu desejo de deixar meu corpo recém-falecido a sós por umas horas, o máximo que ela pudesse. Nós tínhamos um estetoscópio amplificado e muitas maneiras de checar as funções vitais do corpo para ver o que estava acontecendo. Ela pode verificar que eu estava morto mesmo.
Não foi uma experiência de quase-morte. Eu experenciei a morte por no mínimo uma hora e meia. Ela me encontrou morto e olhou o estetoscópio, a pressão arterial e o monitor cardíaco por uma hora e meia. Daí eu acordei e vi luz do lado de fora. Eu tentei levantar para ir até ela, mas eu caí da cama. Ela ouviu o barulho, entrou correndo e me viu no chão.
Quando me recuperei eu estava muito surpreso e ainda atônito sobre o que tinha acontecido comigo. No começo toda a memória da viagem que eu fiz não estava lá. Eu continuava escorregando para fora deste mundo e continuava perguntando, "será que estou vivo?" Este mundo parecia mais um sonho do que o de lá. Em três dias eu estava me sentindo normal novamente, com mais clareza, embora de uma maneira que eu nunca tinha me sentido antes. Minha lembrança da viagem voltou um pouco depois. Eu não conseguia ver mais nada de errado com os seres humanos como eu via antes. Antes disso tudo eu costumava julgar muito. Eu achava que muitas pessoas eram problemáticas, na verdade todos eram problemáticos, menos eu. Mas eu curei tudo isso.
Cerca de três meses depois, um amigo me falou que eu deveria fazer exames, e assim eu fiz. Eu estava me sentindo muito bem, mas fiquei com medo de ter más notícias.
Eu me lembro do médico na clínica olhando para os exames de antes e de depois, dizendo, "Bem, você não tem nada."
Eu disse, "Verdade? Isto é um milagre?"
Ele disse, "Não, essas coisas acontecem, e são  chamadas de remissões espontâneas."
Ele não se impressionou. Mas foi um milagre, e eu me impressionei, mesmo se ninguém mais o fizesse.
O mistério da vida tem muito pouco a ver com inteligência. O universo não é um processo intelectual mesmo. O intelecto ajuda; é brilhante, mas agora é só com isso que a gente processa, ao invés de nossos corações e a parte mais sábia de nós.
O centro da terra é um grande transmutador de energia, como vemos em filmes sobre o campo magnético da terra. Esse é nosso ciclo, atraindo almas reencarnadas de volta e completando novamente o ciclo. Um sinal de que você está atingindo o nível humano é quando você começa a desenvolver uma consciência individual. Os animais tem uma alma grupal, e eles reencarnam em grupos de almas. Um veado será um veado para sempre. Mas ao se tornar um humano, não importa se um humano deformado ou um gênio, mostra que você está no caminho do desenvolvimento de uma consciência individual. Isto faz parte da consciência de grupo a qual chamamos humanidade.
Eu vi que as raças são conglomerados de personalidades. Nações como França, Alemanha e a China têm cada uma a sua personalidade. Cidades tem personalidades, elas têm grupos de almas que atraem certas pessoas. Famílias têm grupo de almas. A personalidade individual está se desenvolvendo como ramificações de um fractal: a alma grupal se explora na nossa individualidade. As diferentes questões que cada um de nós tem são muito muito importantes. Esta é a forma pela qual a Mente de Deus explora a si mesma - através de você. Então faça as suas perguntas, realize as suas pesquisas. Você encontrará o seu Eu e encontrará Deus neste Eu, porque só existe o Eu. Mais do que isto, eu comecei a ver que cada um de nós, humanos, somos almas-gêmeas .

Nós somos parte da mesma alma, que se fragmenta (fractaling) em diversas e criativas direções, mas ainda é a mesma alma.
Agora quando eu olho pra qualquer ser humano eu vejo uma alma-gêmea, minha alma gêmea, aquela que eu sempre procurei. Além disso, a maior alma-gêmea que você irá encontrar é você mesmo. Somos todos masculinos e femininos. Nós vivemos isso no útero e nos estágios de reencarnação. Se você está procurando por uma alma-gêmea definitiva fora de você, pode ser que você não encontre, ela não está lá. Assim como Deus não está "lá". Deus está aqui. Não procure Deus fora. Procure Deus aqui. Olhe para o seu Eu. Comece pelo maior caso de amor que você jamais teve...com você mesmo. A partir daí você passará a amar tudo.
Eu fiz uma descida ao que vocês chamariam de inferno, e foi muito surpreendente. eu não encontrei satã ou o mal. Minha descida ao inferno foi uma descida à miséria humana, à ignorância e escuridão do não-saber dentro de cada um. Parecia uma eternidade de miséria. Mas cada uma das milhões de almas a minha volta tinham uma pequena estrela de luz sempre disponível. Mas ninguém parecia prestar atenção nela. Eles estavam consumidos pela sua própria dor, trauma e miséria. Mas, após o que parecia uma eternidade, eu comecei a buscar aquela luz, como uma criança pedindo a ajuda dos pais. Então a luz se abriu formando um túnel que veio direto para mim e me isolou daquele medo e daquela dor. Isto é o que o inferno realmente é.
Então o que estamos fazendo é aprender a dar as mãos, e nos unir. As portas de saída do inferno estão abertas agora. Nós vamos nos unir, dar as mãos e sair do inferno juntos.
A luz veio para mim e se transformou em um enorme anjo dourado. Eu disse, "você é o anjo da morte?"
Ele expressou para mim que ele era minha alma superior, minha matriz do Eu Superior,  uma parte super-antiga de nossos seres. Então eu fui levado para a luz.
Em breve nossa ciência irá quantificar o espírito. Não será maravilhoso? Estão aparecendo aparelhos que são sensíveis à energia sutil ou espiritual. Os físicos utilizam os aceleradores de partículas para esmagar átomos e ver do que eles são feitos. Eles chegaram nos quarks e charms, e tudo mais. Bom, um dia eles chegarão àquilo que mantém tudo isso junto e eles serão obrigados a chamar isso de .....Deus. Com os aceleradores de partículas, eles não apenas vêem o que está aqui, mas eles estão criando partículas. Graças a Deus a maioria delas tem vida curta de milisegundos e nanosegundos. Nós apenas estamos começando a entender que nós também estamos criando, conforme caminhamos.
Como eu vi a eternidade, eu vim para uma realidade na qual existe um ponto em que passamos todo o conhecimento e começamos a criar o próximo fractal. Temos o poder de criar conforme vamos explorando. E isso é Deus expandindo seu ser através de nós.
Desde o meu retorno eu venho experimentando a luz espontaneamente, e eu aprendi como ir para aquele espaço quase que em qualquer hora na minha meditação. Cada um de vocês pode fazer isso. Já está no seu equipamento, você já está capacitado. O corpo é a luz mais maravilhosa que existe. O corpo é um universo de uma luz incrível. O Espírito não está nos forçando a dissolver o corpo. Não é isso que está acontecendo. Pare de tentar se tornar Deus; Deus está se tornando você. Aqui.
A mente é como uma criança correndo pelo universo, exigindo e pensando que ela criou o mundo. Mas eu pergunto para a mente:
"O que a sua mãe tinha a ver com isso?
Este é o próximo nível de consciência espiritual. Ah, minha mãe! De repente você desiste do ego, porque você não é a única alma do universo.
Uma das perguntas que eu fiz para a luz foi, "o que é o céu?"
Eu ganhei de presente um tour por todos os céus que foram criados: os Nirvanas, os Campos da Fartura, todos. Eu passei por eles. Eles são formas-pensamento que nós criamos. Nós não vamos realmente para o céu; nós somos reprocessados. Mas seja o que quer que criemos, nós deixamos uma parte de nós lá. É real, mas não é a alma toda.
Eu vi o céu cristão. Espera-se que seja um lugar lindo, e você fica na frente do trono, venerando eternamente. Eu tentei. É chato! Isso é tudo que iremos fazer? É infantil demais. Eu não pretendo ofender ninguém. Alguns céus são bem interessantes, e outros são muito chatos. Eu achei os céus dos povos ancestrais mais interessantes, como o dos índios norte-americanos, os Campos da Fartura. Os egípcios têm céus fantásticos. E assim por diante. Existem tantos deles... Em cada um deles tem um fractal que é sua interpretação particular, a não ser que você faça parte do grupo de almas que acredita apenas no Deus daquela religião particular. Estamos muito juntos, no mesmo estádio de baseball. Mas mesmo assim, cada um é um pouco diferente. Tem uma parte sua que você deixa ali. Morte é vida, não é céu.
Eu perguntei para Deus, "Qual é a melhor religião do planeta? Qual está certa?"
E a mente de Deus disse, com muito amor, "Eu não me importo."
Isto foi uma graça incrível.

Isto significa que nós somos seres que nos importamos.
Mas o Deus poderoso de todas as estrelas nos diz, "Não importa em qual religião você está."
Elas vêm e vão, elas mudam. O Budismo não esteve aqui sempre, o Catolicismo não esteve aqui sempre, e todos eles estão prestes a ficar mais iluminados. Mais luz está vindo para todos os sistemas agora. Haverá uma reforma na espiritualidade que será tão dramáticaquanto a reforma protestante. Vai ter um monte de gente brigando por causa disso, uma religião contra a próxima, acreditando que só ela está certa.
Todo mundo pensa que é dono de Deus, as religiões e filosofias, especialmente as religiões, porque elas formam grandes organizações acerca de sua filosofia. Quando Deus disse "Eu não me importo", eu entendi imediatamente  que é para a gente se importar. É importante, porque somos os 'cuidadores'. Importa para nós e isso que é importante. O que temos é uma equação de energia na espiritualidade. Em última instância Deus não importa se você é Protestante, Budista ou seja lá o que for. Isto é apenas uma faceta do todo. Eu adoraria que todas as religiões entendessem isso e deixassem os outros Serem. Não é o fim das religiões, mas nós estamos falando do mesmo Deus. Viva e deixe viver. Cada um tem um ponto de vista diferente. E todos adicionam algo ao grande quadro; todos são importantes.
Eu fui para o outro lado com um monte de medos sobre lixo tóxico, mísseis nucleares, explosão demográfica, florestas tropicais. E voltei amando cada problema. Amo a radiotividade. Amo aquela nuvem em forma de cogumelo, esta é a mandala mais sagrada que nós manifestamos até agora, como um arquétipo. Esta nuvem, mais do que qualquer religião ou filosofia na terra, nos levou de repente para um outro nível de consciência, todos juntos. O fato de sabermos que nós podemos explodir o planeta 50 ou 500 vezes, nos fez finalmente perceber que estamos todos unidos neste momento. Por um

período eles tem que explodir mais bombas para que entendamos. Até que comecemos a dizer, "Nós não precisamos mais disso."
Neste momento estamos no mundo mais seguro que já existiu, e ele vai ficar ainda mais seguro. Então eu voltei amando a radioatividade, porque ela nos uniu. Essas coisas são muito grandiosas. Como Peter Russel diria, estes problemas agora são do "tamanho da alma." Você tem respostas do tamanho da alma? SIM!
A devastação das florestas tropicais vai diminuir, e em cinqüenta anos haverá mais árvores no planeta, como há muito tempo não vemos.  Se você gosta de ecologia; você é aquela parte do sistema que está se tornado consciente.  Vá com tudo, mas não fique deprimido. Isto é uma parte de um todo maior.
A terra está num processo de domesticação dela mesma. E nunca mais será um lugar tão selvagem como já foi no passado.  Haverá lugares selvagens lindos, reservas onde a natureza será vicejante. Jardins e reservas serão a coisa do futuro. O aumento da população estará se aproximando de um alcance ótimo o suficiente para causar uma mudança na consciência. E esta mudança de consciência irá alterar  política, dinheiro, energia.
O que acontece quando sonhamos? Somos seres multi-dimensionais. Podemos acessar estas outras dimensões através dos sonhos lúcidos. Na verdade, o universo é o sonho de Deus. Uma das coisas que eu vi é que os humanos são um grão no planeta que é um grão na galáxia que por sua vez é um grão. Estes são sistemas gigantes, e nós estamos em um tipo de sistema mediano. Mas os seres humanos já são legendários em todo o cosmos da consciência. O pequenino ser humano da Terra/ Gaia é legendário. Um dos motivos de sermos legendários é o fato de sonharmos. Nós somos sonhadores legendários. De fato, todo o cosmos tem buscado o significado da vida, o significado de tudo. E foi o pequeno sonhador que veio com a melhor resposta de todas. Nós sonhamos e criamos isso. Sonhos são importantes.
Depois de morrer e voltar, eu realmente respeito a vida e a morte. Nas nossas experiências com o DNA, nós devemos ter aberto a porta de um grande segredo. Em breve será possível viver o quanto quisermos viver neste corpo. Depois de viver uns 150 anos mais ou menos, existirá uma sensação intuitiva da alma que fará você querer mudar de canal. Viver para sempre em um corpo não é tão criativo quanto a reencarnação, como transferir energia para este fantástico vórtice de energia que nós estamos. Nós iremos na verdade ver a sabedoria da vida e da morte, e aproveitá-la.
Nós já vivemos desde sempre, assim como estamos vivos agora. Este corpo que você está usando vive desde sempre. Ele vem de um infindável rio da vida, e vai de volta ao Big Bang e além. Este corpo dá vida à próxima vida, na energia densa e na sutil. Este corpo já vive desde sempre.
"Vamos nos unir, dar as mãos e sair do inferno juntos”.
("Mellen- Thomas Benedict)


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Blasfêmia: crime impossível



Carlos Alberto Lungarzo
Prof. Tit. (r) Univ. Est. Campinas, SP, Br.
21 de outubro de 2012
O código penal brasileiro, como os códigos de outros países, define o crime impossível. Este se encontra em seu artigo 17:
Não se pune a tentativa [de crime] quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.
Por exemplo, são crimes impossíveis:
1)    assassinar um cadáver;
2)    roubar-se a si mesmo;
3)     produzir lesões com um beijo a distância;
4)    pretender enganar uma árvore, e assim em diante.
Não menos impossível que este é o crime de blasfêmiapor conta do qual, muitas pessoas são presas, torturadas e assassinadas em países orientais, e algumas outras sofrem penas de prisão e multa, incluso nos países ocidentais, considerados “civilizados” e “democráticos”.
Há dois casos terríveis que aconteceram há algumas semanas, e que representam, por um lado, a barbárie de pretender punir um crime impossível e, por outro lado, a insanidade de gerar uma onda vandalismo com numerosos feridos e até mortos.
O primeiro é o caso de Rimsha Masihuma adolescente paquistanesa acusada de “ofender” o Al Qur’ãn. (Vide) O outro é o da reação demencial de bandas de fanáticos de diversos países, que protestaram por causa de um filme que “ofenderia” o profeta Maomé. (Vide). Este último caso não merece especial comentário, na minha opinião.
Estes exemplos se referem a “ofensas” de figuras ou objetos ditos “sagrados” venerados pela fé islâmica, mas também existem casos em que estas punições impossíveis se aplicam em outros credos, como o católico. O fato de que as condenações por blasfêmia sejam menores nos países cristãos, deve-se apenas a um acaso, e não ao fato de que a teocracia ocidental seja menos cruel que a oriental. Simplesmente, uma parte importante de países europeus conseguiu libertar-se (parcialmente) da teocracia no século 19, enquanto a maioria dos orientais não conseguiu.

O Caso de Rimsha Masih

Uma jovem paquistanesa pertencente à pequena comunidade cristã, chamadaRimsha (ou RiftahMasih, foi detida em Agosto desse ano pela polícia por uma suposta ofensa contra o dito “livro sagrado” do Islã, o Al Qur’ãn. O estado de abandono em que vive a enorme maioria de miseráveis do Paquistão é tão grande que não foi possível determinar sequer a idade da menina, pois ela não está registrada, oscilando as estimativas entre 11, 14 e 16 anos. Sabe-se que ela é doente mental, mas se desconhece a natureza exata da doença, supondo alguns que seja Síndrome de Down.
Rimsha foi encontrada com um livro queimado, cuja destruição talvez tenha sido o resultado da tendência ao fogo de algumas pessoas com disfunções mentais. Dentro desse livro, foram encontradas algumas páginas do livro “sagrado”. Encontrar estas folhas queimadas produziu uma bárbara e insana reação de um grupo de adultos que a acusavam de blasfêmia (ofensa aos símbolos sagrados, que no caso do islamismo é Al Qur’ãn), e se preparavam para seu linchamento.
Segundo disse a polícia no primeiro momento, ela foi detida para evitar que fosse linchada por essas hordas de fanáticos religiosos, que exigiam que se aplicasse contra a ele a pena de morte. Esta punição, repudiada na Europa, incluso para crimes gravíssimos, é comum nas teocracias para punir as “ofensas” contra os símbolos ditos sagrados. A policia aduziu que a queria proteger. Mas a jovem foi confinada numa prisão de alta segurança, que é um local um pouco exótico para proteger alguém.
O caso produziu uma fortíssima reação da opinião esclarecida mundial, mas encontrou pouca repercussão nos governos que se beneficiam de suas relações diplomáticas com o bárbaro estado. Os americanos, que tiram proveito da subserviência paquistanesa, apenas protestaram simbolicamente, e só seis senadores enviaram notas de repúdio a Islamabad.
O Papa se pronunciou, não por sentimento humanitário, mas porque o ataque contra a menina significava ameaçar a pequena comunidade cristã do Paquistão. Como diz a música de Violeta Parra, o santo padre estava preocupado por sua “pomba”.
As Nações Unidas protestaram com a pouca energia possível numa organização decadente, que não consegue nem garantir a neutralidade nuclear de Oriente Médio. Mas, de qualquer maneira, diversas agências internacionais e, sobretudo, numerosas organizações de direitos humanos, se manifestaram com bastante indignação. Como de hábito em questões de direitos humanos, o Brasil esteve “prudente”. Para que brigar com os algozes paquistaneses por causa de uma menina doente e pobre? Afinal, pode ser que Islamadab se interesse pelo pré-sal e até ajude com a sempre sonhada bomba atômica tupiniquim.
Entre diversas vocês respeitáveis, ouviu-se, como em outras épocas, a do governo socialista da França:
França há “exigido às autoridades paquistanesas libertar esta jovem”, e há reafirmado que “a simples existência do crime de blasfêmia viola liberdades fundamentais, como a liberdade de religião e de crença, e a liberdade expressão.” [Grifo meu] (vide)
Finalmente, Rimsha foi solta e só nos últimos dias os tribunais paquistaneses a “absolveram” numa primeira instância, algo que é totalmente absurdo, porque não se absolve a alguém que nunca cometeu nenhum crime.
Entretanto, a história não acaba aqui, porque o “julgamento” definitivo já foi adiado várias vezes.
Pior ainda: Rimsha não foi solta porque os carrascos tivessem sido iluminados por uma mínima faísca de humanidade… Não! Ela foi absolvida por uma razão tonta: o “crime” de blasfêmia foi cometido por um sacerdote paquistanês (um imã), que colocou entre as páginas queimadas pela menina algumas folhas do Al Qu’rãm.
Ele queria culpar a comunidade cristã da região de Rawalpindi para causar sua expulsão do lugar.
Mas, se Rimsha tivesse realmente queimado aquelas folhas, talvez ela teria ficado presa ou teria sido executada… no meio ao cinismo das potências ocidentais que falam de democracia, liberdade, direitos humanos e outras palavras nobres cujos correspondentes factuais desprezam.
Finalmente, em 18 de outubro, o ministro para a harmonia nacional Paul Bhatti prometeu que a menina e sua família seguiriam sobre a proteção do governo. Pode parecer inacreditável, mas o mais alto tribunal que julga o caso ainda não se manifestou, e ADIOU SEU VEREDICTO PARA 14 DE NOVEMBRO.
Lamentavelmente, a militância internacional contra esta atrocidade parece estar esgotada e não tem podido prover uma solução drástica ao problema. É natural que a luta seja tão árdua que quase ninguém resiste em permanente estado de protesto. Mas isto deve abrir, junto com o caso recente de Malala (a menina que foi ferida a tiros por assistir à escola, também em Paquistão), para que a minoria que possui alguma honestidade na ONU, proponha algumas medidas.
A punição por blasfémia deve ser considerada pelo Tribunal Penal Internacional como crime de lesa humanidade, e o conceito de liberdade religiosa deve ser relativizado. Se isso não aconteceu ainda é porque as grandes religiões do planeta movem trilhões de dólares em todo tipo de investimento (desde imóveis até armas e petróleo), embora também gastem muito na proteção jurídica de pedófilos.

Blasfêmia, Injúria Religiosa e Ódio Religioso

Estes três conceitos não devem ser confundidos. Uma coisa é a injúria religiosa contra um indivíduo ou uma comunidade. Isto pode oscilar de um insulto pessoal que merece repúdio moral, mas está sujeito ao direito privado, até uma injúria forte que coloca a quem a recebe numa situação de humilhação pública, constituindo, portanto, uma violação a seus direitos humanos.
Ao insultar uma pessoa por ser cristão, judeu, muçulmano, budista, umbandista, etc., a vítima está sofrendo uma ferida moral que consiste em desprezar seu valor humano, por considera-lo crente ou respeitoso numa fé ou seita que o injuriador repudia. Este insulto pode ser pessoal ou de grupo, e sua gravidade dependerá das circunstâncias em que foi proferida, da forma em que o ato do insulto tomou estado público, das consequências psicológicas ou morais para essa pessoa.
Tanto o valor da injúria como o tamanho da punição dependerá, em grande medida, na maneira em que a “vítima” se sente afetada. Como toda crença pacífica merece inicialmente respeito, também um ateu poderia se ofender se fosse injuriado. Mas, nesse caso, como em outros, a gravidade dependerá da situação particular e da apreciação do próprio injuriado. Por exemplo, se alguém, para me ofender, me chamando de “ateu de m…”, eu ignoraria totalmente a intenção do insulto, salvo que isso fosse feito de maneira reiterada e torna-se fisicamente impossível minha vida cotidiana. Nesse caso, poderia acusar o injuriador de perturbação da vida privada.
Observe que a injúria não seria me acusar de “ateísmo”, tampouco seria o desprezo pelo ateísmo, já que este é uma forma ideológica e não pode ser ofendida como se fosse um ser humano. O “delito” estaria originado na crença (que no caso deste exemplo seria falsa) do injuriador, de que eu me sentiria ofendido se fosse chamado de ateu.
Em geral, a injúria religiosa é um ataque contra uma pessoa, e não contra uma crença, pois as crenças são objetos abstratos e não podem ser factualmente atacadas.
Já a mensagem de ódio religioso é algo muito mais grave. Ele é um crime contra a humanidade e, dependendo de sua intensidade, pode produzir danos reais numa comunidade, como acontece também com as mensagens de racismo, de xenofobia, de homofobia, de misoginia, etc.
O holocausto dos judeus pelos nazistas foi resultado da pregação de ódio racial, mas também, parcialmente, religioso. Luteranos e Católicos alemães foram mobilizados contra outros alemães que tinham “sangue” hebraica não apenas pelos racistas oficiais do Reich, mas também pelos pastores e padres que exigiam o castigo dos que mataram a Cristo 2000 anos antes. (Pelo jeito, no direito canônico não existe prescrição, ou ela demora muito.)
A blasfêmia é algo totalmente diferente. Quando alguém critica, satiriza, trata sem respeito, etc., um símbolo dito “sagrado”, esta pessoa não está querendo ofender àqueles que acreditam na sacralidade do objeto.
O que ele pretende salientar é que não considera que esse objeto seja sagrado, e que não compartilha a convicção de alguém que considera esse objeto intocável.
Por exemplo: Muitas vezes, na América Latina, artistas progressistas desenharam cruzes católicas atreladas a aviões ou bombas, querendo simbolizar a cumplicidade da Igreja com ditaduras, guerras e o genocídios. Isso foi chamado “blasfêmia” pelos crentes, e até um prestigioso escultor argentino teve seu atelier destruído por vândalos financiados pela prefeitura de Buenos Aires da época. Em realidade, essas obras eram a descrição do ponto de vista de alguém que não acredita que os símbolos inanimados (duas barras de prata cruzadas, por exemplo, cum uma estatua necrológica pregada nelas) tenham qualquer qualidade de sagrado.
blasfemo denuncia a sacralidade como uma falsa crença, uma superstição, um fetiche. Isso não significa que os adoradores desses fetiches sejam desprezados pelo “blasfemo”. Ele apenas mostra sua rejeição por esse totemismo, e fixa uma oposição que, certa ou errada, tem todo o direito de manifestar.
Por outro lado, esse tipo de blasfemo contribui a iluminar as pessoas combatendo a superstição e tentando que os que ainda não estão totalmente mergulhados nas trevas, escapem do cabresto das castas sacerdotais.
Se você coloca um crucifixo de sua propriedade num local público e toca fogo em ele, podem acontecer várias situações:
  1. Você se limita a dizer que não acredita em seu caráter sagrado. Isso chama-seiconoclastia e é uma crença que existe até entre os próprios religiosos e possui uma história e uma influência muito grande. Por exemplo, os dissidentes cristãos gregos do século XI destruíram crucifixos e estátuas de santos para mostrar sua própria opinião sobre a adoração de objetos. Muitas seitas cristãs acham idolatria considerar certos objetos sagrados. Neste caso, simplesmente está sendo respeitada a liberdade de opinião.
  2. Se você aproveita a queima do crucifixo para provocar os católicos presentes, você pode estar proferindo uma injúria contra alguns deles. Se essa injúria é grave ou não dependerá de vários fatores específicos.
  3. Se, junto com a queima do crucifixo, você lança uma mensagem propondo a guerra contra os católicos, você está promovendo um crime contra a humanidade, algo como fizeram os nazistas com os judeus. Você pode ser seriamente punido, não por queimar um fetiche, mas por propor agressão contra os adoradores desse fetiche. Com efeito, os símbolos são fetiches, mas seus adoradores são seres humanos que merecem ser tratados com dignidade.
 Na linguagem atual, (1) é uma blasfémia e, num país minimamente civilizado, não pode ser delito. (2) é uma injúria, cuja gravidade é relativa. (3) É um convite ao ódio de grupo e é um crime gravíssimo.
Cabe ainda a possibilidade de que você esteja queimando um crucifixo sobre o qual não tem direito de propriedade. Nesse caso, você pode ser acusado de roubo ou destruição da propriedade alheia.
Observe que esta idéia de objetos sagrados acontece também com símbolos patrióticos e não apenas religiosos. Atualmente, a maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, consideram que a dessacralização dos símbolos nacionais não é uma infração e faz parte do direito de protesto. Entretanto, alguns vestígios de arcaísmo ainda dominam em certos países, como a Suíça e a Alemanha.
 _______________________________________________
Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo, e milita em Anistia Internacional desde há muito tempo, nas seções mexicana, argentina, brasileira e (depois do fim desta) americana. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos. 
http://www.consciencia.net/blasfemia-crime-impossivel/

domingo, 7 de outubro de 2012

Antropologia da Religião - Entendendo a possessão espiritual e o transe baseado em estudos de caso - Entrevista Bettina E. Schmidt


FóRUM
Alethea Aires Pecora* Cristina Angelini Melchior**

No momento da entrevista, a Dra.Bettina Schmidt estava alocada como pesquisadora em Estudos das Religiões na Universidade de Bangor, Escola de Teologia e Estudos Religiosos1. Seu mestrado foi em Antropologia e Estudos Religiosos e sua tese foi sobre a medicina tradicional da Purhépecha, no México; o doutorado com tese sobre etnicidade e religião, com referências à Santeria e ao Espiritismo em Porto Rico. O pós-doutorado foi em teorias culturais e religiões caribenhas, todos pela Universidade de Marburg. Bettina tem trabalhado como conferencista em Antropologia para várias universidades alemãs. Foi professora convidada na Universidade de Nova York e na Universidade Nacional de San Antonio Abade em Cusco, no Peru. No momento, ela é membro do conselho dos editores da revista Indiana, publicação anual do Instituto Ibero-americano em Berlim, e da revista Curare, de Antropologia Médica e Psiquiatria Transcultural, publicada pela AG Ethnomedicine. Recentemente, Bettina transferiu-se para a Universidade de Wales Trinity Saint David, no país de Gales. O departamento em que atua combina Teologia, Estudos das Religiões e Estudos Islâmicos, e reúne dezenove pesquisadores com diferentes especializações. Em 2010, a pesquisadora publicou o livro Spirit Possession and Trance: New Interdisciplinary Perspectives (Conti- nuum Advances in Religious Studies Series) (Londres, Continuum).

REVER: Bettina, fale um pouco do seu trabalho e por que escolheu viver e trabalhar fora da Alemanha.
BES: Após o término do meu pós-doutorado, devido à dificuldade de en- contrar uma oportunidade nas universidades da Alemanha, eu me candidatei a uma vaga na Universidade de Oxford para o departamento de Estudos Religiosos e Antropologia. De início, eu achava que não teria chances porque era a única candidata estrangeira. No entanto, isso não parece ter sido um impedimento, uma vez que fui convocada e contratada por três anos. Para mim, estar num ambiente de língua inglesa e, particularmente, em Oxford, foi uma grande oportunidade profissional para sair do sistema alemão. Anteriormente, eu já havia feito pesquisas e ministrado aulas nos Estados Unidos, mas sempre acabava retornando para a Alemanha. Graças a essa experiência em Oxford, fui contratada pela Universi- dade de Bangor, afiliada à Universidade de Marburg, na Alemanha. Trabalho com religião afrocaribenha há 20 anos, comecei em 1990. Fui pela primeira vez a Porto Rico quando decidi fazer meu doutorado sobre os caribenhos. Durante minha visita, decidi trabalhar com as religiões. Desde então, estudo as religiões afrocaribenhas analisando diferentes áreas e questões, mas geralmente questões sobre a identidade, imigração e diáspora. Foi então que observei algumas possessões espirituais pela primeira vez e decidi escrever um pequeno artigo sobre o assunto, focando os praticantes e sua performance, enfatizando o quanto isso era fascinan- te. Então, quando voltei para a Inglaterra, percebi que não era hora de entrar na questão de possessões espirituais, porque eu teria que me aprofundar mais sobre o assunto. Em Oxford comecei a estudar a possessão na África e a história europeia da possessão espiritual. Foucault escreveu sobre isso, muitos pensadores franceses trataram do assunto. Eu decidi delimitar meu campo. Então, como antropóloga, percebi a necessidade de entrar no campo empírico, não só no campo teórico. Decidi mostrar para outras pessoas no que eu estava trabalhando.

REVER: Como você vê a situação da Antropologia na Inglaterra e na Europa em geral? BES: Por muito tempo a França e a Alemanha seguiram uma Antropologia Cultural, enquanto a Escandinávia e o Reino Unido seguiam mais o caminho da Antropologia Social. Hoje, essa delimitação já não existe e tanto a Inglaterra quanto os outros países europeus dedicam-se às duas áreas da Antropologia. Ago- ra, as duas correntes antropológicas são capazes de tratar de religião e conceitos culturais, diferentemente de antes, quando o foco estava nas hierarquias sociais e políticas. Recentemente a Europa tem se dedicado mais aos estudos antropoló- gicos que seguem a linha de pesquisa norte-americana, e eu vejo isso com pesar. A França tem tradições maravilhosas, assim como o Reino Unido. E, antes, eles tinham orgulho dessas tradições. Da minha parte, não sei se isso é um bom de- senvolvimento, eu sempre tento me aproximar e trabalhar mais com as ideias da América Latina. Nas minhas publicações sempre cito estudiosos e pesquisadores da universidade da Cidade do México e das universidades brasileiras para mostrar que a Antropologia é uma tradição de destaque na América Latina e não somente nos Estados Unidos. Entretanto, esse tipo de estudo não é tão apreciado em todas as partes da Europa, pois há uma tendência enorme em se voltar somente para o que está acontecendo nos Estados Unidos.

REVER: Como você vê a relação entre as áreas da Antropologia e da Ciência da Religião?
BES: A Inglaterra não adota a mesma terminologia da Alemanha e do Brasil. Lá não se fala Ciência ou Ciências da Religião e sim Estudos Religiosos. Uma vez que a Antropologia estuda a cultura e a identidade de um povo, ou seja, aquilo que as pessoas fazem, resolvi me dedicar tanto à Antropologia quanto às Ciências da Religião. Isto porque acredito que não podemos entender o que as pessoas fazem se nós não compreendermos primeiro aquilo em que elas acreditam. Esta é minha abordagem da religião: compreender o outro através do seu sistema de crenças. É claro que nas Ciências da Religião se utilizam diferentes métodos: as pessoas analisam textos, estudam as línguas, interpretam textos antigos em sâns- crito, em aramaico, realizam estudos bíblicos. Outras, ainda, olham através da Sociologia, das dinâmicas sociais. Entretanto, mais e mais pessoas procuram por métodos usados por décadas na Antropologia, daí eu pensar que a Antropologia e as Ciências da Religião têm uma forte relação. Claro que, quando ensino Ciências da Religião, não fico só na Antropologia, mas menciono os outros campos das Ciências da Religião, justamente para mostrar essa diversidade, tudo o que tem impacto na religiosidade. Mas, como sou antropóloga, é claro que levo mais para o meu campo.

REVER: No seu artigo em “O espectro disciplinar da Ciência da Religião”, seu público-alvo era o leitor brasileiro. Caso seu artigo fosse endereçado ao leitor europeu, sua abordagem teria sido diferente?
BES: Eu publiquei recentemente um texto didático de Antropologia da Reli- gião para os estudantes alemães. Parte dele foi similar ao artigo – eu usei a mesma estrutura -, mas é claro que também incluí muito mais sobre o desenvolvimento alemão, o desenvolvimento europeu e também autores que não mencionei nesse artigo do Brasil. No livro, eu tive oportunidade de escrever muito mais. Incluí autores brasileiros, de maneira a mostrar o que acontece em outras regiões. Ao final de cada capítulo incluí uma lista de recomendações bibliográficas, mencionando autores brasileiros e o desenvolvimento da Antropologia no Brasil.

REVER: Como você avalia a sua área, Antropologia, nos estudos atuais sobre a religiosidade no Brasil?
BES: Eu penso que no Brasil a Antropologia da Religião é relativamente forte. Conheci diversas pessoas que trabalham em Antropologia da Religião em Florianópolis e Porto Alegre, desenvolvendo uma Antropologia mais sociológica como nos movimentos pentecostais brasileiros, mostrando a importância desse campo nas universidades no Brasil. Acredito que isso se deva à forte influência da herança francesa, já que Strauss e Bastide estudaram religião, o que justifica a continuação dessa tradição no Brasil. Isto para mim é bom porque é difícil ter informações na Europa sobre as publicações brasileiras. Estou compilando todas as informações para levar para casa.


REVER: Do que trata a sua pesquisa, quais os seus objetivos?

BES: Há cerca de dois anos, organizei uma conferência sobre a interpretação da possessão espiritual e do transe, reunindo pessoas que trabalham com este tema. Depois nos utilizamos dessas comunicações para realizar uma conferência internacional na minha universidade, Bangor. Dessa conferência resultou um livro. Em artigos, procuro escrever sob um ponto de vista mais teórico, tentando unir o relato pessoal da prática com a teoria existente sobre o assunto. Eu quero obter informações sobre a dinâmica desse conceito e o ponto de vista dos crentes, porque a interpretação da possessão espiritual vem do ponto de vista ético. Tenho tentado coletar informações dos praticantes para entender de dentro aquilo em que eles acreditam, o que eles sentem. Eu penso que essa prática é enormemente importante para o nosso estudo das Ciências da Religião porque é um fenômeno que acontece no mundo inteiro, e não está restrito somente a um contexto cristão, mas em todas as religiões aparecem alguns aspectos do transe espiritual. Às vezes esses aspectos são tidos como uma manifestação mais demoníaca, em outros, são vistos como divinos. Mas estão no mundo inteiro, em diferentes religiões e culturas. Eu acho que esse, no fundo, é o ponto central de algumas experiências religiosas.

REVER: Como é desenvolver uma pesquisa de campo em uma sociedade à qual não se pertence?
BES: Temos na tradição da Antropologia europeia sempre essa regulamen- tação não oficial de que o trabalho de campo tem que ser feito em diferentes con- textos, no contexto exterior, para experimentar a visão do outro. Um dos debates nos anos 1990 na Antropologia era de que não poderíamos encontrar o outro em nossa própria terra natal. Estudantes, para se iniciarem em Antropologia, tinham que viver fora do seu contexto, sozinhos, fora do país. Isso vem mudando nas úl- timas décadas, porque agora um estudante pode fazer seu trabalho de campo em grandes cidades. Eu fiz meu pós-doutorado em Nova York, que é um ambiente diferente de uma pequena vila no México, onde fiz minha primeira pesquisa. Ago- ra, a Antropologia feita dentro de casa também é possível. Às vezes, pesquisando pessoas que moram nas ruas da sua própria cidade, você pode identificar o outro, porque você pode ter uma distância social maior desse indivíduo do que de um indivíduo que vive na Europa, ou seja, distante de você. O trabalho de campo, para mim, é inspirador.

REVER: Diferentemente de se trabalhar com povos tribais, como é trabalhar com grandes sociedades como São Paulo?
BES: No México eu precisava de uma conexão familiar, eu morei na casa de uma família e pertencia a esta família. Percebi mais tarde que essa família tinha problemas com outras famílias dessa mesma vila, por isso eu não era aceita pela comunidade. Isso significa que nas sociedades tribais sua posição dentro dessa comunidade abre ou fecha as portas de comunicação. E claro, em outros ambien- tes, isso é diferente. O mais difícil algumas vezes, nas áreas urbanas, é conseguir informação sobre as cerimônias, o local onde vão acontecer. Na vila todo mundo sabe de tudo. São os altos e baixos na pesquisa de um e de outro.


REVER: Por que para a sua pesquisa você escolheu a cidade de São Paulo?

BES: Eu gosto de São Paulo desde quando vim pela primeira vez, alguns anos atrás. Provavelmente porque fui bem recebida e alguns estudantes me apre- sentaram a cidade. Eu também achei São Paulo semelhante a Nova York. Antes, já tinha ido para Salvador, que também é um centro urbano interessante, mas é muito mais restrito para minha pesquisa, pois lá predomina o Candomblé. Em São Paulo coexistem diversas tradições religiosas. E porque eu queria investigar as diferenças existentes entre essas manifestações, penso que São Paulo tenha sido
uma boa escolha.


REVER: Qual a relevância do povo brasileiro para a sua pesquisa de campo?

BES: O suporte do povo brasileiro faz com que a pesquisa seja possível. Eu também tive boas experiências com os brasileiros porque eles gostam de falar sobre religião. Em Nova York há um controle maior ao se falar de religião porque muitas das práticas são ilegais, então, normalmente, eles não gostam de falar com uma pessoa estranha sobre suas práticas. Mas aqui as pessoas são mais abertas e isso tem a ver com o modo brasileiro de ser. E, para mim e para a pesquisa, isso
é maravilhoso.

REVER: Quais as contribuições eventuais que os resultados das suas pesquisas poderão oferecer para o campo científico das religiões?
BES: Eu espero desenvolver uma nova forma de entendimento sobre a pos- sessão espiritual e o transe. Eu não quero associar isso a doenças mentais. Quero atingir o público em geral, e fazer com que esse estudo não fique restrito ao campo acadêmico, desenvolvendo um novo modo de compreensão da possessão. No ano passado eu falei em uma conferência dirigida a pessoas que tratam de doenças mentais para dizer a elas que a possessão espiritual não está relacionada à saúde mental. E quero continuar a fazer isso. Espero trazer uma contribuição não só para adicionar uma outra história sobre o Brasil, mas também para mostrar como isso se encaixa no debate geral sobre a possessão em diversos países.

REVER: Quais os aspectos positivos e negativos que você aponta ao se realizar uma pesquisa de campo no Brasil?
BES: A primeira dificuldade é obter a informação. Às vezes, leva-se muito tempo para obter informações sobre as cerimônias, onde elas acontecem, conseguir que as pessoas envolvidas concordem em dar entrevistas. No começo elas dizem que sim, são amigáveis, sem problemas; mas então as pessoas viajam, não aten- dem, não respondem. Eu acho que o problema é que o brasileiro se compromete e depois não cumpre. Eu não tenho muito tempo, não posso esperar até o Natal para ter as respostas. Outro problema em fazer pesquisas em São Paulo é o tráfego, o problema de locomoção. Um aspecto positivo é que a maioria das cerimônias é aberta. Eu posso comparecer, sou convidada a participar porque eles não têm medo uma vez que não fazem nada ilegal.

REVER: Como você avalia a sua pesquisa até aqui? De uma forma geral o trabalho de campo em São Paulo foi o que você esperava?
BES: Até agora tenho 23 entrevistas gravadas, o que é representativo para uma antropóloga. Além das entrevistas, tenho todo o material pesquisado em bibliotecas e sites aqui no Brasil que vou levar de volta para casa. Nesse aspecto, o estar em São Paulo preenche minhas expectativas. Continuo não vendo um resultado final, até este ponto não cheguei a uma conclusão. Preciso mais tempo para compilar os dados e discutir o resultado com outras pessoas da área. Volto para casa com a ideia de escrever um livro.

REVER: Como pesquisadora, as questões de Gênero influenciam na sua pesquisa? BES: No Equador, por exemplo, eu visitei uma vila na qual eu queria fa- zer a pesquisa sobre diferentes religiões. Primeiro, eu tinha que me apresentar e conseguir permissão para fazer a entrevista. Em uma das vilas que fui, um jovem estudante mostrou-me o caminho da vila e me acompanhou na entrevista. Quando fui entrevistar o ancião, ele respondia para o estudante e não para mim, embora eu fizesse as questões. Isto é típico de algumas sociedades tradicionais nas quais as mulheres são simplesmente ignoradas. O homem só se dirige ao homem, eles só confiam nos homens. Frequentemente as pessoas se organizam dessa maneira. No Brasil, um pai de santo, talvez por medo, não se sentiu confortável em falar comigo sozinho. Em duas ou três vezes ele se dirigiu ao estudante que me apre- sentou a ele, que era homem, mas eu o interrompi de uma forma polida para dizer que a entrevista era minha. Às vezes isso acontece, mas não é frequente. Aqui no Brasil esse tipo de situação é um pouco melhor. A parte negativa é que às vezes as cerimônias têm uma longa duração e a dificuldade é o transporte público - pelo fato de eu ser mulher e de os cultos acabarem tarde.

REVER: Com quais religiões você trabalha? Assinale as diferenças que você percebe entre elas.
BES: Há grandes diferenças entre as três tradições religiosas com as quais eu trabalho: Umbanda, Candomblé e o Centro Espírita. É claro que, às vezes, elas se misturam. Pessoas que tenho entrevistado frequentam o Candomblé e a Umbanda ao mesmo tempo, mas, normalmente, estão divididas. Diferentes hierarquias, cerimônias, mesmo a possessão espiritual é diferente. Algumas estruturas e funções, no entanto, são idênticas, o conteúdo da prática é que difere. Os orixás, por exemplo, são diferentes. Eles se apresentam de forma diferente no Candomblé e na Umbanda. Já o Espiritismo é uma mistura. A Umbanda é uma mistura, claro. Mas um recebe a influência do outro.

REVER: Como você pretende superar as barreiras impostas pela comunicação, no caso, as questões das traduções e do entendimento de uma cultura estrangeira?
BES: Eu gravo as entrevistas procurando não interromper a pessoa no mo- mento em que ela está dando seu depoimento. Não quero interromper o fluxo. Dessa forma, se eu não entendo o que a pessoa fala, posso recorrer a terceiros para me auxiliar na tradução. Minha experiência aqui em São Paulo é que as pessoas estão abertas a diferentes sotaques e ao meu “portunhol”. Fora de São Paulo as pessoas têm mais dificuldade, pois não estão acostumadas com quem fala espanhol. Em Porto Alegre é diferente porque eles estão mais próximos da fronteira. Depende de cada pessoa. Às vezes eles não têm problema nenhum em me compreender e tentam explicar de diferentes maneiras para que eu possa compreender. Eu também procuro nas literaturas específicas de outras tradições religiosas para conferir nos glossários os termos que não consigo entender nas gravações e também checar a escrita e o significado. Às vezes consulto colegas para me explicar termos que não encontro em lugar nenhum.


REVER: É possível fazer a pergunta em inglês?
BES: Não. Não é possível entrevistar em inglês. Eu penso que quando você fala sobre religião, deve falar na sua própria língua, utilizando-se de termos familiares.

REVER: A partir das palestras e das aulas que você ministrou no Brasil, como você descreve o alunado brasileiro?
BES: Eu ministrei cursos para diferentes públicos. Em Recife, por exem- plo, eram estudantes universitários, alguns pós-graduados, membros do staff e profissionais de ciências aplicadas nas áreas de Psicologia e Psiquiatria. O curso teria a duração de três horas por dia no período da tarde, durante uma semana, só para mim. A audiência estava mais interessada na terapia de saúde mental e não em teorização, harmonização ou em debates. Tive que mudar a apresentação que havia preparado para me concentrar mais naquilo que eles estavam interes- sados em ouvir, ou seja, o modo como a possessão e o transe impactam a terapia de saúde mental. E as pessoas vieram, começaram a falar e ficou uma atmosfera barulhenta. Mesmo com o microfone, estava difícil para mim. Parecia que eu estava falando para uma barreira de ruídos. Isso foi uma experiência negativa. Já em outras partes do Brasil, no Departamento de Antropologia, como em Floria- nópolis e Porto Alegre, foi interessante falar das minhas experiências e as pessoas faziam perguntas interessantes. Dei uma preleção por mais de uma hora e depois tive mais uma hora de perguntas. Foi interessante e algumas perguntas foram até desafiadoras, de um nível relativamente bom. Em Londrina, no Departamento das Ciências Sociais, as questões foram mais básicas. Eles queriam saber mais sobre os detalhes que apareciam nos slides e não sobre as ideias. E depois do debate recebi algumas questões escritas que também eram de um nível relativamente bom. Em São Paulo fiz uma comunicação na Universidade de São Paulo, infelizmente, du- rante uma greve. Não havia muitas pessoas, não passavam de vinte. Mas não foi tão ruim. Foi sobre Antropologia. Eu acho que o nível intelectual dos estudantes de Antropologia no Brasil é similar ao da Europa.

REVER: Quais os seus planos para o futuro e o que você pretende fazer com o material pesquisado no Brasil?
BES: Minha primeira oportunidade será em uma conferência da Interna- tional Association for The History of Religions (IAHR) em Toronto, quando organizarei uma mesa-redonda com o tema Mente, Corpo e Religião. Essa será minha oportunidade de apresentar algumas das minhas ideias. Também fui con- vidada a escrever um capítulo de um livro sobre mediunidade, mas antes disso vou escrever sobre minha experiência em Porto Rico. Mas o trabalho final mesmo, como resultado da minha pesquisa realizada aqui no Brasil, será uma monografia.


Mestranda em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
** Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Atualmente (2011): University of Wales Trinity Saint David - School of Theology, Religious Studies and Islamic Studies.

Rever • Ano 11 • No 01 • Jan/Jun 2011 

Umbanda e Santo Daime influenciam saúde mental e física - 20/9/2012




Práticas religiosas mostraram ser eficientes no combate a distúrbios como a depressão
Estudo realizado no Instituto de Psicologia (IP) da USP apresentou a relação entre religiosidade e saúde ao analisar duas religiões brasileiras: Santo Daime, que faz uso sacramental da bebida psicoativa Ayahuasca, e a Umbanda, ambas com rituais fundamentados em práticas de estados diferenciados de consciência.
A psicanalista Suely Mizumoto, em sua dissertação de mestrado Dissociação, religiosidade e saúde: um estudo no Santo Daime e na Umbanda, fez suas observações a partir  das condições de saúde e de indicadores de bem estar psicológico e social dos membros envolvidos na pesquisa.
Constatações
Entre diversas constatações, adeptos do Santo Daime e da Umbanda apresentaram diferenças significativas quanto à redução da frequência de mudanças de humor e de sentimentos contraditórios, e quanto ao aumento de domínio sobre essas alterações.  As diferenças foram baseadas nas experiências anteriores e posteriores à participação nos rituais de cada religião. Quando comparados a um grupo controle, os adeptos mostraram ter maior equilíbrio de humor e emoção. Os praticantes do Santo Daime ainda revelaram ter maior domínio sobre quadros de base depressiva. Já na Umbanda, o aumento de domínio foi mais aparente em experiências de alteração de identidade.
A comunidade religiosa, provedora de apoio emocional, material e afetivo, pode também ser compreendida como uma comunidade terapêutica para as condições psicológicas estressantes. Os adeptos podem encontrar em suas comunidades suporte em momentos de fragilidade. É comum a quem desconhece a questão do transe mediúnico temer algum tipo de aumento na mediunidade ou descontrole. No entanto, Suely diz que, “na verdade, o aprendizado que essas religiões proporcionam podem ensinar seus adeptos a ter um domínio maior quanto ao enfrentamento espiritual dessas questões, diminuindo experiências mediúnicas traumatizantes”.
Ayahuasca
A dissertação de Suely ainda tratou da polêmica em torno da utilização do psicoativo Ayahuasca. Geralmente condenado, o uso do psicodélico mostrou associar a experiência de cura espiritual — desfrutada por participar aos rituais — a mudanças no estilo de vida dos usuários. A ruptura de velhos padrões com a adoção de outros novos e saudáveis causou reflexo no combate ao risco de dependências da nicotina, álcool, cannabis sativa e cocaína. O ritual com a Ayahuasca aumentou, em altas porcentagens, a recuperação declarada quanto ao abuso e risco de dependência para usuários das substâncias citadas.
Na esfera da afetividade, a Ayahuasca serviu como uma espécie de antidepressivo, ou como a psicóloga conta, “aqueles que faziam parte dos rituais com o psicoativo diziam ter os períodos muito longos de tristeza cada vez menores e mais raros, como se a Ayahuasca fosse equivalente a um ‘banho de serotonina’”. Segundo Suely, “é possível que a busca por uma religião que faça uso da ayahuasca possa resultar em efeitos terapêuticos para aqueles vulneráveis a quadros bipolares ou à depressão”.
Método e alguns dos resultados
A dissertação contou com a orientação do professor Wellington Zangari e foi baseada em questionários e escalas aplicadas a um grupo de 106 pessoas; 42 dos voluntários eram adeptos do Santo Daime, 44 da Umbanda e houve também o grupo controle composto por 20 pessoas. O grupo controle serviu para comparar a influência da religiosidade nos participantes. Além disso, tanto no grupo de Santo Daime como no de Umbanda havia a presença de praticantes novatos e experientes.
A psicóloga empregou um questionário que abordava o perfil social, a religiosidade e a saúde, tanto física como mental, dos voluntários. Dados sociodemográficos evidenciaram poucas diferenças entre os grupos, principalmente entre gênero, idade, grau de instrução, faixa salarial e condição de moradia. “Os resultados obtidos dos perfis sociais, saúde e religiosidade e das escalas revelaram indicadores de bem estar que confirmam índices de saúde inteiramente satisfatórios e até melhores quando comparados aos resultados do grupo controle”, relata a pesquisadora.
Contribuições
Não há, até o momento, a precisão da verificação dos resultados apresentados e correlacionados nas comunidades estudadas. Com o tema de sua dissertação, Suely espera incentivar os estudos acerca do psicoativo Ayahuasca e os benefícios a ele associados, em especial, ao seu potencial terapêutico para o tratamento de dependências. Ela buscou amenizar os preconceitos com as religiões afro brasileiras. A Umbanda é um exemplo de religião que trabalha exclusivamente na arte do ensino da prática mediúnica, não faz uso de psicoativos, mas mesmo assim pode ser não bem interpretada. Não havendo nocividade nestas práticas, a relação entre religião e saúde, mais bem esclarecida por esta pesquisa, pode ajudar a desconstruir muito do senso comum que envolve a religiosidade no País.


Por Mariana Grazini
Agência USP de Notícias, 20/9/2012

http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3769%3Aumbanda-e-santo-daime-influenciam-saude-mental-e-fisica-2092012&catid=46%3Ana-midia&Itemid=97&lang=pt

sábado, 6 de outubro de 2012

XXIII Rito de Exu e Ossaim - Guardiões do Axé e das Plantas Medicinais e Rituais




Convite oficial do Rito de Exu. O mesmo pode ser acessado pelo anexo.


XXIII Rito de Exu e Ossaim - Guardiões do Axé e das Plantas Medicinais e 

Rituais

Dia 20 de outubro de 2012

Antes de começar o Rito, por volta das 19:30hs, ocorrerá também o 

III Congresso de Sacerdotes e Sacerdotisas das Religiões Afro-brasileiras.

Local: FTU. Av. Santa Catarina, 400 - São Paulo, SP.

Confirme sua presença pelos telefones (11)5031-8852 ou (11)5031-8110. Se 

preferir, confirme pelo email: faculdade@ftu.edu.br

Postagem em destaque

A importância do Ponto de Referência

O ÂNGULO QUE VOCÊ ESTÁ, MUDA A REALIDADE QUE VOCÊ VÊ Joelma Silva Aprender a modificar os nossos "pontos de vista" é u...