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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Teóloga Umbandista!


Hoje recebi meu certificado de conclusão da graduação em Teologia na Faculdade de Teologia Umbandista (FTU). Vi-me transportada para aqueles anos nos quais ruíram um a um meus conceitos, meus preconceitos, minhas verdades rasas e temporais. Vi nascer e se descortinar um novo horizonte para minha vida, com desafios e expectativas.
Os anos passaram, e não sobrou quase nada daquela que chegou à FTU. Mas, acima de tudo, nasceu uma Teóloga, sedenta de conhecimento, com um olhar diferenciado pelas Religiões Afro-brasileiras e com amor imenso pela diversidade de nossa religiosidade.
E se faço parte agora dos insiders (estudiosos/acadêmicos iniciados), rezo e peço às Santas Almas do Cruzeiro Divino que me façam digna deste título e que eu possa honrá-lo a cada dia. 
Aranauam, Motumbá, Mukuiu, Kolofe, Saravá, Axé!



http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/os-primeiros-teologos-umbandistas

domingo, 29 de novembro de 2015

Intolerâncias da Fé - Documentário





"Vida sem Ética dá mais Trabalho":



Cortella fala sobre a Intolerância:

http://cbn.globoradio.globo.com/default.htm?url=/comentaristas/mario-sergio-cortella/2015/12/01/INTOLERANCIA-E-A-INCAPACIDADE-DE-CONVIVER-COM-O-DIFERENTE.htm

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Novas Fases, destinos felizes

Novas fases, destinos felizes...



Ao acordar nessa manhã, procurei pensar nas coisas que tinha a fazer e enumerá-las para focar os objetivos que tracei. Muitas destas atividades estão veiculadas ao dia a dia, sustento financeiro, filhos, casa e etc, mas como a vida não se prende a só isso, repensei o espiritual e revi em minha mente alguns vídeos e textos que nosso Babá – Pai Rivas tem postado em seu blog nas redes sociais.

Apesar de estar presente aos seus ritos, e coadunar com tudo que é feito, chamou-me especial atenção onde ele fala sobre a Umbanda Esotérica de W.W.da Matta e Silva e suas obras, e que ele estaria retificando erros e valores e ratificando outros como o uso dos métodos do Ifá. Lembro que nosso Babá é o sucessor legítimo de Matta e Silva desde 1987, tendo ordens e direitos para fazer estes ajustes e que atendem aos novos momentos da Umbanda Esotérica.
Mas muitos poderiam agora se perguntar: o que chamou a atenção do Ygbere?
E respondo: depois de conviver há trinta e sete anos com nosso Babá e ter tido a oportunidade de estar com o mestre Yapacani (Matta e Silva) em sua casa/terreiro em Itacuruçá e em ritos que o mesmo realizou na OICD/SP, ter lido todas suas obras e até feito minha dissertação de mestrado sobre a magia na Umbanda Esotérica de Matta e Silva, percebi que aquilo que tinha lido, estudado e até escrito, não condizia com as novas fases da mesma.
Mas como assim, poderiam perguntar os amigos? Então procurarei ser mais claro:
Em um dos vídeos postados por nosso Babá, ele cita o livro Segredo da Magia de Umbanda p. 14 que fala o seguinte:


[...] Porque, a Corrente Astral de Umbanda, nessa 1ª Fase de Ação no Brasil e por dentro dessa coletividade chamada dos cultos afro-brasileiros, teve um objetivo e se apresentou assim: com “caboclos, pretos-velhos etc”; porém, na 2ª Fase de Ação, a se iniciar dentro de poucos anos, essa Corrente vai revelar novos aspectos...novos horizontes. É só, senhores “magistas, esoteristas, ocultistas etc.” (Matta e Silva, p.14)


Depois de ler isso, continuei a leitura do livro todo, e para minha surpresa comecei a ver e entender coisas que nunca tinham passado em minha cabeça, lembrando que este livro vi e revi várias vezes. Pude ver com total clareza que o mesmo tem abordagens extremamente diferentes que a obra do homem/iniciado/sacerdote Matta e Silva e que foram citadas pelo nosso Babá - Pai Rivas exaustivamente. 
Percebi uma dicotomia entre o que eu tinha plena convicção e o que lá estava. No primeiro instante, atirei o livro ao chão, tamanha aversão que senti pelos temas falados e em especial quando falava do negro. Assuntos totalmente ultrapassados e que só existiram na metade do século passado com a insistência do embranquecimento da população brasileira, como se a cor da epiderme pudesse tornar alguém melhor ou pior. 
Na sequência dos textos, pude constatar aspectos de misoginia, homofobia, xenofobia, evolucionismo cultural, evolucionismo social, elitismo, conservadorismo, etnocentrismo, temas que nosso mestre ou Babá chamou de vergonhosos e que deveriam ser alterados e transformados em suas partes visíveis e invisíveis.
Mas, os amigos poderiam continuar a perguntar: mas, o Babá já falou sobre isso há tempos e só agora você está falando isso?
Sim, concordo. A leitura do livro novamente fez com que eu me visse, tal qual em um espelho, e ao me ver, percebi que estive enganado quando não me achava preconceituoso, fazendo parte de uma elite de pensadores do Santo.... Tola ilusão.
Só agora vislumbro o que o Babá já viu há muito tempo, e que vem falando, ensinando, corrigindo e vivenciando, bastando ver suas realizações.
A nova fase está aí, basta ver o TUO, com seu Templo devidamente adequado para o estudo e aplicação do destino dos seres, por intermédio de Orunmilá Ifá. O mesmo Ifá que Matta e Silva falou no livro Macumbas e Candomblés na Umbanda em 1969, e que a maioria não entendeu que o mesmo não tinha solução de continuidade em relação a diversidade das religiões afro brasileiras, pelo contrário, afinal tudo é um grande encadeamento de saberes e viveres obedecendo um grande continum.
Neste “novo” momento, existe o respeito à todas as formas de entender e compreender o sagrado, não há uma verdade única ou uma totalidade, há sim múltiplas formas de acesso ao real, tais como a memória, a vivência, o afeto, a percepção, a oralidade, a ética, a episteme, os métodos e tudo centrados na ancestralidade sobrenatural (Orixás e entidades que possibilitam o transe do imanente para o transcendente dos seus adeptos).
E foi com esta profusão de pensamentos que me vi sem pré-conceitos, sem máscaras, ou seja, desnudo de tolas vaidades, pois naquele momento percebi o “outro” que muitas vezes estava em meu falar, mas não no meu coração. Confesso que senti em meu corpo uma intensa aflição e busquei naquele momento até o auxílio de maracujinas, valerianas e etc., pois saía de uma zona de conforto de muitos anos.
Hoje depois destes momentos e ao ver comentários de muitos nas redes sociais, contrários às mudanças daquilo que conheceram apenas no que ouviram falar do mestre Matta e Silva, peço que releiam suas obras, mas não se detenham apenas no momento cronológico que as mesmas foram escritas e sim naquilo que ele sabia e escreveu que viria em um futuro breve e por isso fez um sucessor legítimo para essas transformações. 


Aranauam,
Saravá,
Motumbasé,
Saudações a todos.
Ygbere



http://abaara.blogspot.com.br/2015/10/novas-fases-destinos-felizes.html?m=1

domingo, 18 de outubro de 2015

Manifesto dos Iniciados e Filhos de Santo de Baba Rivas Ty Ogyion


Todos nós, integrantes da comunidade de Babá Rivas Ty Ogyion (Pai Rivas) assistimos, perplexos, às tentativas de difamação e calúnia de nosso sacerdote e irmãos de santo por redes sociais variadas tais como emails e facebook. Diante do exposto viemos à público afirmar nossa posição contrária ao que vem ocorrendo. Acreditamos que situações como essas enfraquecem e maculam as religiões afro-brasileiras, já tão preconceituadas e estigmatizadas. 
Nosso Babá sempre manteve um posicionamento claro: o trabalho em prol das diversas tradições afro-brasileiras. Em mais de cinquenta anos de atuação sacerdotal foram muitas as realizações efetivas e positivas, as quais caminham em defesa da diversidade religiosa, do reconhecimento e identidade afro-brasileiros assim como o empenho por condições civis democráticas: vários terreiros espalhados pelo país, produção literária relevante no campo teológico afro-brasileiro, bem como a fundação da primeira e única Faculdade de Teologia com ênfase em religiões afro-brasileiras, reconhecida com nota de excelência pelo Ministério da Educação (MEC).
Nesse sentido, basta o mínimo de coerência para que sejam feitos os devidos distanciamentos entre aquele que trabalha e os que ocupam seu tempo em propagar mentiras e distorções.
Assinam esse texto todas as filhas e filhos de nossa comunidade de santo.



Link:
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2015/10/manifesto-da-comunidade-de-santo-de.html

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Unicamp estuda técnicas de cura utilizadas nas Religiões Afro-brasileiras


"Essas religiões são ricas em técnicas para potencializar o uso de folhas e substâncias da natureza que são tão eficientes quanto a biomedicina", ressaltou.
O estudo revela que a maior dificuldade para juntar os saberes biomédicos e os praticados em terreiros é o preconceito racial e religioso da comunidade.
"A população deve denunciar à polícia qualquer tipo de dificuldade no atendimento. Um terço ou outro elemento católico é aceito em um quarto de hospital. Um item de Umbanda, por vezes, não", considerou o médico.
A pesquisa, iniciada em 2013, é financiada pelo Ministério da Saúde, apoiada pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde e Centro de Estudos), e Cepedoc (Pesquisa e Documentação em Cidades Saudáveis). O coordenador do estudo não informou o valor investido pelo governo federal.
http://www.destakjornal.com.br/noticias/campinas/pesquisa-da-unicamp-propoe-usar-tecnicas-dos-terreiros-no-sus-268228/






quinta-feira, 4 de junho de 2015

O TUO e Ifá - mudanças de paradigma e resignificação.







     Neste últimos meses fiz mudanças fundamentais em minha vida. Mudei de cidade, de empregos, de casa. Mudei.
    Todo esse processo levou meses, e ainda demandará muitos outros meses para se instalar definitivamente.
    Sair da zona de conforto, arduamente conquistada, e arduamente defendida, foi um esforço colossal. E no lugar da pseudo segurança anterior, ficou apenas a impressão de andar em terreno frágil, denotando a insegurança do ambiente ainda desconhecido.
      Todo esse processo tem gerado profundas reflexões, e hoje me surpreendi ao constatar que esse processo se iniciou há muitos anos. Ele se iniciou quando me propus tomar as rédeas de minha vida, assumir minhas escolhas,  e caminhos. No momento em que constatei que onde estava, não estava bom. E isso ocorreu há muitos anos atrás.
     Nascida católica, de família do interior de Minas, não é difícil explicar como fui educada. Família patriarcal, mãe submissa e calada, irmão varão. E embora eu me lembre da Congada, da Festa de Santos Reis, da Festa de São Benedito, de um quadro de Yemanjá na parede de minha avó (filha de uma rezadeira, benzedeira e parteira), os constantes benzimentos e rezações, esses assuntos sempre foram evitados. Assisti sim à missa dominical, ao terço, às procissões e novenas. A Igreja ensinava a opressão e a diferença entre as raças, classes, culturas e sexo. Cedo demais percebi que aquele mundo religioso não era exatamente o que me agradava. E menina ainda, comecei a ler Chico Xavier. Senti imenso alento em meu coração e suas obras apaziguaram minha adolescência e me deram a paciência necessária. Compreender que existia algo mais que a cruz e a dor, foi um marco em minha adolescência. Mas ainda não conseguia abandonar a Igreja e assim mantive as duas religiões, transitando sem grandes dramas conscienciais entre elas.
     Quando me mudei para São Paulo, após o fim da minha faculdade, com a finalidade de continuar minha formação médica, a cisão com a Igreja ocorreu. A cisão com tudo que ela representava, o modelo patriarcal e a submissão se foram. E  o Espiritismo permaneceu ainda por mais alguns anos, e foi na Federação Espírita de São Paulo que compreendi não pertencer àquele mundo.  Aos poucos fui entendendo que ela ainda mantinha resquícios católicos, identificados por mim no preconceito com as religiões afro-brasileiras, na certeza de superioridade frente às demais religiões, na vaidade e na arrogância disfarçadas nas palavras que estimulavam a humildade e renovação.
     E por que estava na hora, ou por receber a misericórdia divina em minha vida mais uma vez, um dia uma amiga me falou da Umbanda, e me emprestou a Proto-Síntese Cósmica. E mesmo temerosa, embuída ainda do preconceito religioso que eu trazia do Catolicismo e do Espiritismo, li avidamente este livro. Entendi patavinas, mas algo foi mexido e remexido dentro de mim. A ponto de na mesma semana procurar o rito da Rua Cheb Massud. Que encontro fabuloso comigo mesma!   Os atabaques, os pontos, os cheiros, as cores, as entidades, o Baba! Ah, minha casa. Enfim, pela primeira vez senti que estava no lugar certo, na hora certa! Minha vida nunca mais seria a mesma. 
     Dia após dia, frequentei a OICD, li os livros do meu Baba, li os livros de Pai Matta, e fui me inserindo neste novo contexto religioso. Meus preconceitos foram sendo remodelados, rejeitados e enfim, abandonados. E fui substituindo o que trazia pelo novo. Esvaziei o cálice que trazia, e o enchi novamente com o conteúdo da Umbanda Esotérica.
     Mas, devo admitir que, em alguns momentos me senti incomodada. Os conteúdos que naquele momento eu ingeria nos livros e autores novos, traziam embutidos ainda alguns conceitos presentes no Catolicismo e no Espiritismo que eu abandonara. Preconceito racial, patriarcado, submissão da mulher dando a ela funções secundárias, rejeição ao homossexualismo. 
     Como compreender afirmações como a que diz que a mulher é menos confiável, dada à futilidades, responsabilizando-a por todo o cenário deplorável religioso? Como compreender afirmações como a que diz que os negros eram uma raça ainda em evolução, e que precisavam de mais elaboração e que seu passado religioso era apenas fetiche e necessitava ser rejeitado para dar origem a uma nova forma de exercer sua fé? Que a Umbanda seria algo melhorado, superior?
     Em diversos momentos, identifiquei os mesmos ranços do Catolicismo e do Espiritismo, mas mesmo assim continuei, lendo, vendo e ouvindo, confiante de que aquele astral poderoso iria clarear melhor minhas ideias, permitindo que eu compreendesse melhor aquelas palavras. Achei que eu não conseguia atingir o alcance daquelas palavras.
     Os anos se passaram. Vi os ritos sendo realizados todos ao mesmo tempo, cada um em dia diferente. O Candomblé de Caboclo/Omolocô, a Umbanda Traçada, a Quimbanda, o Tríplice Caminho, e a Umbanda Esotérica.
   Para minha alegria, fui convidada de novo a esvaziar meu cálice, e a enchê-lo novamente, com novos conceitos, e a dar novos rumos à minha espiritualidade. E que alegria! 
   Foi com alegria que eu vi e participei de um processo intenso de transformação, onde paulatinamente a Umbanda Esotérica e seus conceitos foram sendo modificados e abandonados, até darem lugar a conceitos mais abrangentes, menos excludentes. Fui me aproximando paulatinamente das religiões afro-brasileiras, sem traumas, sem dramas. E foi com alegria que percebi que a mulher foi recolocada em posição de igualdade com o homem, que as vi receberem a iniciação na TUO. Foi com alegria que vi os homossexuais receberem o respeito que sempre mereceram, e mais, vi rolarem escada abaixo conceitos de superioridade do branco sobre o negro. Sua cultura, seu povo, sua ancestralidade passou a ser estudada com afinco, e a pautar a partir dali, toda a nossa religiosidade.

     Lembrei-me do dia em que meu irmão soube que eu era espírita, e me perguntou se eu ia no Candomblé. Lembrei-me de seu semblante aliviado ao ouvir que eu ia no Espiritismo, “menos mal” disse ele. Nesse momento, consegui compreender o quanto havia caminhado. E hoje, quando amarro meu ojá na cabeça, quando visto minha saia, quando coloco minhas guias, percebo que, além de toda a ancestralidade que isso carreia, eu me desnudo de meus preconceitos e de minha educação abrâmica. 
     Hoje, a Congada, as Festas de Reis e de São Benedito, os benzimentos e rezações de minha bisavó Mãe Chica, e o quadro de Yemanjá na parede de minha avó beata, fazem sentido em minha vida. Entendi o que significa ressignificação.
     Esse sim foi o caminho percorrido.

PS: Hoje, sei que honro minha bisavó, como herdeira de seu corolário. Sua herança ancestral me abençoa e  me impulsiona nesse caminho, há muito abandonado por minha família. E devo tudo isso a meu Babá, sem ele eu jamais teria reencontrado as pontas interrompidas do meu destino. Axé Baba mi!


Links importantes:

Falácias sobre o TUO e Pai Rivas de Ogiyan:
https://www.facebook.com/ftusp/posts/1666973850202515?fref=nf&pnref=story

https://www.facebook.com/rodrigo.garcia.3954/posts/782468095200222

https://www.facebook.com/rodrigo.garcia.3954/posts/782510078529357

https://www.facebook.com/joaoluiz.carneiro/posts/1001411123211801

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