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sábado, 21 de novembro de 2015
sábado, 25 de junho de 2011
Futebol: Mano veta pastor na concentração
COPA AMÉRICAPresença de religiosos e manifestações de crença, liberadas na era Dunga, agora são proibidas
MARTÍN FERNANDEZ
SÉRGIO RANGEL
ENVIADOS ESPECIAIS A LOS CARDALES
O técnico Mano Menezes proibiu a presença de líderes religiosos na concentração da seleção na Copa América.
Durante a era Dunga (2006-2010), pastores tinham livre acesso aos bastidores do time nacional.
No Mundial da África do Sul, em 2010, o pastor Anselmo Alves frequentou o hotel da seleção para dar ajuda espiritual aos atletas de Dunga.
Nas folgas, como hoje, os jogadores têm liberdade para encontros religiosos.
A CBF também monitora o fervor religioso dos atletas.
Antes da estreia do Brasil -no dia 3 de julho, contra a Venezuela-, a entidade vai alertar os jogadores para evitar comemorações com mensagens religiosas.
Jogadores festejando gols com frases religiosas em camisetas e integrantes da comissão técnica comandando orações no centro do campo depois de conquistas de títulos eram hábito na seleção.
A Fifa já censurou a CBF por causa das manifestações religiosas dos atletas dentro de campo. Depois da conquista da Copa das Confederações de 2009, a federação pediu moderação na atitude dos atletas mais fiéis.
Na época, os jogadores da seleção fizeram uma roda no centro do campo e rezaram.
A Fifa informou que não puniria os atletas na ocasião porque a manifestação ocorreu depois do apito final.
Já no Mundial, a entidade comunicou que enviaria representante para monitorar as seleções, a fim de evitar mensagens religiosas. A Fifa não gosta de misturar futebol com política ou religião.
Depois da Copa do Mundo, a CBF escanteou a ala religiosa. Na comissão técnica e na administração da seleção, ela deixou o poder.
Na África do Sul, o auxiliar técnico Jorginho foi apontado como o responsável por aparelhar a delegação brasileira de evangélicos. Ele foi o responsável pela contratação de Marcelo Cabo para ser "espião" de Dunga na Copa.
Desconhecido no futebol, Cabo frequentava com Jorginho a Igreja Congregacional da Barra da Tijuca. O auxiliar técnico influiu até na escolha dos seguranças da seleção. Um deles foi colocado no posto por ser evangélico.
Dentro de campo, a força dos religiosos é menor e as manifestações públicas também são. O grupo perdeu força com as saídas de Kaká e Felipe Mello, que faziam questão de sempre expressar a fé nas entrevistas coletivas.
No ano passado, atletas do Santos -incluindo Ganso, Robinho e Neymar, que estão na seleção- se recusaram a visitar um centro espírita. Argumentaram "motivos religiosos e outras coisas". Dias depois, pediram desculpas e fizeram uma visita ao local.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2506201102.htm
Obs: até que enfim, o bom-senso venceu! Somos um país plural, e não podemos admitir que a maioria seja desprezada. Todos têm direito à religião, mas publicamente devem respeitar uns aos outros. Imagino que na seleção haja aqueles que não são neopentecostais... e aí???
MARTÍN FERNANDEZ
SÉRGIO RANGEL
ENVIADOS ESPECIAIS A LOS CARDALES
O técnico Mano Menezes proibiu a presença de líderes religiosos na concentração da seleção na Copa América.
Durante a era Dunga (2006-2010), pastores tinham livre acesso aos bastidores do time nacional.
No Mundial da África do Sul, em 2010, o pastor Anselmo Alves frequentou o hotel da seleção para dar ajuda espiritual aos atletas de Dunga.
Nas folgas, como hoje, os jogadores têm liberdade para encontros religiosos.
A CBF também monitora o fervor religioso dos atletas.
Antes da estreia do Brasil -no dia 3 de julho, contra a Venezuela-, a entidade vai alertar os jogadores para evitar comemorações com mensagens religiosas.
Jogadores festejando gols com frases religiosas em camisetas e integrantes da comissão técnica comandando orações no centro do campo depois de conquistas de títulos eram hábito na seleção.
A Fifa já censurou a CBF por causa das manifestações religiosas dos atletas dentro de campo. Depois da conquista da Copa das Confederações de 2009, a federação pediu moderação na atitude dos atletas mais fiéis.
Na época, os jogadores da seleção fizeram uma roda no centro do campo e rezaram.
A Fifa informou que não puniria os atletas na ocasião porque a manifestação ocorreu depois do apito final.
Já no Mundial, a entidade comunicou que enviaria representante para monitorar as seleções, a fim de evitar mensagens religiosas. A Fifa não gosta de misturar futebol com política ou religião.
Depois da Copa do Mundo, a CBF escanteou a ala religiosa. Na comissão técnica e na administração da seleção, ela deixou o poder.
Na África do Sul, o auxiliar técnico Jorginho foi apontado como o responsável por aparelhar a delegação brasileira de evangélicos. Ele foi o responsável pela contratação de Marcelo Cabo para ser "espião" de Dunga na Copa.
Desconhecido no futebol, Cabo frequentava com Jorginho a Igreja Congregacional da Barra da Tijuca. O auxiliar técnico influiu até na escolha dos seguranças da seleção. Um deles foi colocado no posto por ser evangélico.
Dentro de campo, a força dos religiosos é menor e as manifestações públicas também são. O grupo perdeu força com as saídas de Kaká e Felipe Mello, que faziam questão de sempre expressar a fé nas entrevistas coletivas.
No ano passado, atletas do Santos -incluindo Ganso, Robinho e Neymar, que estão na seleção- se recusaram a visitar um centro espírita. Argumentaram "motivos religiosos e outras coisas". Dias depois, pediram desculpas e fizeram uma visita ao local.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2506201102.htm
Obs: até que enfim, o bom-senso venceu! Somos um país plural, e não podemos admitir que a maioria seja desprezada. Todos têm direito à religião, mas publicamente devem respeitar uns aos outros. Imagino que na seleção haja aqueles que não são neopentecostais... e aí???
sexta-feira, 23 de julho de 2010
O insustentável preconceito do ser!
Rosana Jatobá
Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos. Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
- Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
- Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
- A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
- Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.
- Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
- Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....
De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.
Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.
Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.
Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
- O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
"O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor".
"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.
A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:
"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim: 'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".
Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?
A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:
- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social!
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo? Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
- Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
- Só podia ser judeu!
A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem". Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às
palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.
A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.
O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade. Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!
Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo , no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.
PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos.
..
Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo.
ESSE TEXTO é PARTE DA SéRIE DE CRôNICAS SOBRE SUSTENTABILIDADE PUBLICADA NA CBN
sábado, 3 de julho de 2010
ESTATUTO AGORA É “ÉTNICO”
18 de junho
Blog Meu Lote - http://www.neilopes.blogger.com.br/
No último dia 16 de junho, o Senado aprovou o Estatuto da Igualdade Racial. O texto aprovado, entretanto, foi bastante esvaziado em relação à proposta original, em atenção aos reclamos dos adversários das políticas de ação afirmativa que beneficiariam a população afrodescendente. Tanto que a adoção dessas políticas poderá ocorrer, sim, mas de forma específica e não genérica, segundo o relator do projeto.
Ressalte-se que as reivindicações do movimento social afrobrasileiro encontraram eco na consciência de um dos mais respeitados historiadores brasileiros, o professor Luiz Filipe de Alencastro, professor do Instituto de Economia da UNICAMP. Em março passado, chamado a dar seu depoimento na audiência publica para discussão do tema no Congresso, o ilustre mestre disse entre outras coisas o seguinte:
Que “a prática democrática, consiste num processo dinâmico, reformado e completado ao longo das décadas pelos legisladores brasileiros, em resposta às aspirações da sociedade e às iniciativas de países pioneiros. Foi somente em 1932 -, ainda assim com as conhecidas restrições suprimidas em 1946 -, que o voto feminino instaurou-se no Brasil. Na época, os setores tradicionalistas alegaram que a capacitação política das mulheres iria dividir as famílias e perturbar a tranquilidade de nação. Pouco a pouco, normas consensuais que impediam a plena cidadania e a realização profissional das mulheres foram sendo reduzidas, segundo o preceito -, aplicável também na questão racial -, de que se deve tratar de maneira desigual o problema gerado por uma situação desigual”.
Na oportunidade, colocando a questão da discriminação ou não da população afrobrasileira na atualidade , apesar da inexistência de discriminação legal no país, o professor Alencastro afirmou:
“A resposta está retratada nas creches, nas ruas, nas escolas, nas universidades, nas
cadeias, nos laudos dos IML de todo o Brasil. Não me cabe aqui entrar na análise de estatísticas raciais, sociais e econômicas que serão abordadas por diversos especialistas no âmbito desta Audiência Pública. Observo, entretanto, que a ADPF apresentada pelo DEM, na parte intitulada « A manipulação dos indicadores sociais envolvendo a raça » (pp. 54-59), alinha algumas cifras e cita como única fonte analítica, o livro do jornalista Ali Kamel, o qual, como é sabido, não é versado no estudo das estatísticas do IBGE, do IPEA, da ONU e das incontáveis pesquisas e teses brasileiras e estrangeiras que demonstram, maciçamente, a existência de discriminação racial no Brasil”.
Do que restou do Estatuto, segundo a sinopse publicada na edição de 17 de junho de O Globo, vê-se que “o poder público garantirá o reconhecimento das sociedades negras, clubes e outras formas de manifestação coletiva”; incentivará a “celebração de personalidades negras e de datas comemorativas relacionadas á história do samba”, alem de “reconhecer a capoeira”.
E já que raça não existe (apesar de o racismo fazer o que a gente sabe), a questão agora é enfocada como “desigualdade étnica”. Ou seja...
PS: mais um excelente texto para a reflexão de todos!
por Nei Lopes 10:27
Blog Meu Lote - http://www.neilopes.blogger.com.br/
No último dia 16 de junho, o Senado aprovou o Estatuto da Igualdade Racial. O texto aprovado, entretanto, foi bastante esvaziado em relação à proposta original, em atenção aos reclamos dos adversários das políticas de ação afirmativa que beneficiariam a população afrodescendente. Tanto que a adoção dessas políticas poderá ocorrer, sim, mas de forma específica e não genérica, segundo o relator do projeto.
Ressalte-se que as reivindicações do movimento social afrobrasileiro encontraram eco na consciência de um dos mais respeitados historiadores brasileiros, o professor Luiz Filipe de Alencastro, professor do Instituto de Economia da UNICAMP. Em março passado, chamado a dar seu depoimento na audiência publica para discussão do tema no Congresso, o ilustre mestre disse entre outras coisas o seguinte:
Que “a prática democrática, consiste num processo dinâmico, reformado e completado ao longo das décadas pelos legisladores brasileiros, em resposta às aspirações da sociedade e às iniciativas de países pioneiros. Foi somente em 1932 -, ainda assim com as conhecidas restrições suprimidas em 1946 -, que o voto feminino instaurou-se no Brasil. Na época, os setores tradicionalistas alegaram que a capacitação política das mulheres iria dividir as famílias e perturbar a tranquilidade de nação. Pouco a pouco, normas consensuais que impediam a plena cidadania e a realização profissional das mulheres foram sendo reduzidas, segundo o preceito -, aplicável também na questão racial -, de que se deve tratar de maneira desigual o problema gerado por uma situação desigual”.
Na oportunidade, colocando a questão da discriminação ou não da população afrobrasileira na atualidade , apesar da inexistência de discriminação legal no país, o professor Alencastro afirmou:
“A resposta está retratada nas creches, nas ruas, nas escolas, nas universidades, nas
cadeias, nos laudos dos IML de todo o Brasil. Não me cabe aqui entrar na análise de estatísticas raciais, sociais e econômicas que serão abordadas por diversos especialistas no âmbito desta Audiência Pública. Observo, entretanto, que a ADPF apresentada pelo DEM, na parte intitulada « A manipulação dos indicadores sociais envolvendo a raça » (pp. 54-59), alinha algumas cifras e cita como única fonte analítica, o livro do jornalista Ali Kamel, o qual, como é sabido, não é versado no estudo das estatísticas do IBGE, do IPEA, da ONU e das incontáveis pesquisas e teses brasileiras e estrangeiras que demonstram, maciçamente, a existência de discriminação racial no Brasil”.
Do que restou do Estatuto, segundo a sinopse publicada na edição de 17 de junho de O Globo, vê-se que “o poder público garantirá o reconhecimento das sociedades negras, clubes e outras formas de manifestação coletiva”; incentivará a “celebração de personalidades negras e de datas comemorativas relacionadas á história do samba”, alem de “reconhecer a capoeira”.
E já que raça não existe (apesar de o racismo fazer o que a gente sabe), a questão agora é enfocada como “desigualdade étnica”. Ou seja...
PS: mais um excelente texto para a reflexão de todos!
por Nei Lopes 10:27
sábado, 26 de junho de 2010
África - Os Leões se movem
26/06/2010
Relatório oferece visão otimista sobre economias africanas
The New York timesCelia W. Dugger
Johannesburgo (África do Sul)
A África costuma ser retratada como um lugar de guerras, doença e pobreza, com uma caneca de esmola estendida para o mundo. Um novo relatório mostra um retrato bem mais otimista de um continente com economias em crescimento e uma classe consumidora em expansão que oferece aos investidores internacionais grandes taxas de retorno no mundo em desenvolvimento.
Num relatório divulgado na quinta-feira, a firma de consultoria McKinsey & Company apresentou uma mensagem esperançosa às companhias, argumentando que “os negócios globais não podem se dar ao luxo de ignorar esse potencial.”
“O crescimento que vimos na África recentemente é bem mais espalhado do que se reconhece normalmente”, disse Arend van Wamelen, autor do relatório que trabalha para a McKinsey em Johannesburgo, e que aconselha as companhias locais e internacionais a investirem na África. “Há muitas coisas boas subjacentes acontecendo na economia.”
O relatório, intitulado “Lions on the Move” [“Leões em Movimento”], inclui uma variedade de fatos interessantes levantados pela área de pesquisa de empresas e economia da consultoria, a McKinsey Global Institute. Desde 2000, 316 milhões de pessoas do continente se inscreveram em serviços de telefonia celular, mais do que a população inteira dos Estados Unidos; a população de um bilhão de habitantes da África gastou US$ 860 bilhões, mais do que a população de 1,2 bilhões da Índia.
De 2000 a 2008, as economias africanas cresceram duas vezes mais rápido do que nos anos 80 e 90. Além disso, a África foi uma entre as duas regiões – a Ásia é a outra – onde a economia coletiva subiu durante a recessão global de 2009, em 1,4%.
Num sinal claro de reorientação da paisagem econômica na África, a China forneceu mais financiamento para estradas, eletricidade, ferrovias e outras obras de infraestrutura nos últimos anos do que o Banco Mundial.
E num sinal do aumento da segurança, o número de conflitos sérios nos quais mais de mil pessoas morriam anualmente caiu de uma média de 4,8 por ano na década de 90 para 2,6 por ano nos anos 2000, informou o relatório.
Muitos defensores da democracia, dos pobres e das pessoas com Aids provavelmente ofereceriam uma visão menos cor-de-rosa dos persistentes problemas da África, mas os autores do relatório da McKinsey admitem que o continente como um todo fez um progresso sólido nos fundamentos econômicos.
Com frequência, o crescimento econômico da África é visto como resultado do aumento dos preços de sua riqueza em recursos naturais – petróleo, ouro, platina e diamantes, entre outros recursos. Como exemplo disso, os três maiores produtores de petróleo do continente – Argélia, Angola e Nigéria – receberam US$ 1 trilhão em exportações de petróleo de 2000 a 2008, comparados com US$ 300 bilhões nos anos 90, descobriu o relatório.
Mas os pesquisadores da McKinsey também concluíram que o aumento nos preços dos recursos naturais responderam por cerca de um quarto do aumento do crescimento econômico nos anos 2000.
O crescimento econômico acelerou em 27 das 30 maiores economias do continente, tanto nas mais ricas em recursos quanto nas mais pobres, descobriram os pesquisadores. Aquelas que possuem uma grande riqueza natural cresceram cerca de 5,4% por ano no mesmo período, enquanto que as que não possuem tantos recursos cresceram em 4,6%.
A McKinsey atribuiu a expansão econômica da África ao aumento dos preços dos commodities, maior estabilidade política auxiliada por uma redução dos conflitos violentos, melhora no desempenho macroeconômico e reformas econômicas voltadas para o mercado.
A inflação coletiva da África caiu para 8% depois de 2000, de 22% nos anos 90. Os déficits orçamentários caíram de 4,6% para 1,8% do PIB. O setor privado emergiu. O investimento estrangeiro direto aumentou de US$ 9 bilhões em 2000 para US$ 62 bilhões em 2008.
“Obviamente, há lugares que vão muito mal”, disse Wamelen. “Não ignoramos isso. Mas no conjunto, se você observar o número de pessoas na pobreza, verá que esses números estão caindo drasticamente. A distribuição de renda está lá.”
Algumas das tendências demográficas elogiadas no relatório podem acabar se tornando espadas de dois gumes. Em 2040, estima a McKinsey, a África terá 1,1 bilhão de pessoas em idade de trabalhar, mais do que a China ou a Índia. Mas mesmo agora, a África do Sul, uma das economias mais dinâmicas do continente, não está crescendo rápido o suficiente para absorver todos os jovens que entram no mercado de trabalho – nem fornecendo a eles uma educação que possa formá-los para o mercado de trabalho.
De fato, o relatório observa que a África tem conseguido colocar muito mais crianças na escola, mas que precisa fazer mais, dando a elas uma educação de qualidade.
O relatório também observa que a África está se urbanizando em ritmo acelerado. O continente tem agora 52 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, mais do que o dobro do que tinha nos anos 90 e o mesmo número que existe na Europa Ocidental. O relatório reconhece que as cidades podem produzir favelas miseráveis, mas também sustenta que elas aumentam a produtividade dos trabalhadores, a demanda e o investimento.
“Se a África puder fornecer a educação e as habilidades de que seus jovens precisam, esta grande força de trabalho poderia responder por uma fatia significativa tanto do consumo quanto da produção mundial”, afirma o relatório.
Tradução: Eloise De Vylder
Violência em Gaza - Campanha chegará à ONU
Caros amigos,
O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.
Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito de se defender, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrarão sua próxima refeição.
As Nações Unidas, a União Européia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e para lançar uma profunda investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.
Vamos gerar um clamor global tão alto, que não possa ser ignorado. Assine a petição para exigir uma investigação independente sobre o ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique para assinar a petição, e depois repasse essa mensagem a todos os que você conhece:
http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla/98.php?CLICKTF
A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais, assim que alcançarmos 200.000 nomes – e novamente a cada oportunidade à medida que a lista for crescendo e que os líderes forem reagindo à situação. Uma petição massiva em um momento de crise como esse pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – que os cidadãos estão prestando atenção e demandam ações concretas.
Enquanto a União Européia decide se irá expandir suas relações comerciais com Israel, e o Obama e o Congresso Americano definem o orçamento para ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada: é tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza. Assine agora e passe essa mensagem adiante:
http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla/98.php?CLICKTF
A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para defendê-lo, envenenam este sonho. Como um colunista israelense escreveu para os seus compatriotas no jornal Ha’aretz hoje, “Nós não estamos mais defendendo Israel. Nós estamos agora defendendo o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está se tornando o Vietnam de Israel.”
Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram hoje contra o ataque e o bloqueio, em passeatas desde Haifa até Tel Aviv e Jerusalém – se unindo a protestos ao redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército Israelense insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados de tropas pesadas para atacar um comboio de navios em águas internacionais, que levava remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.
Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, nós possamos fazer deste momento trágico, um ponto de virada – se nós nos unirmos em um chamado de justiça inabalável e um sonho de paz inviolável.
Com esperança,
Ricken, Alice, Raluca, Paul, Iain, Graziela e toda a equipe Avaaz
Saiba mais:
Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100531_entendabloqueiogaza_ji.shtml
Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio de Gaza e mata ativistas:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/05/31/israel-ataca-barcos-que-tentavam-furar-bloqueio-faixa-de-gaza-mata-ativistas-916736797.asp
PS:
Resolvi apoiar esta iniciativa após ver o blog do Prof. Luis Assunção. Eu assinei a petição à ONU.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
França apresentará projeto de lei para proibir véu integral
Uol Notícias - AFP
O governo francês anunciou nesta quarta-feira que apresentará em maio um projeto de lei que contemple a proibição do uso do véu islâmico integral - burca e niqab - em todos os espaços públicos e não apenas nos prédios estatais.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do governo, Luc Chatel, após uma reunião de gabinete com o presidente Nicolas Sarkozy, que mais uma vez declarou que o véu integral é um "atentado à dignidade das mulheres".
"O objetivo é impedir que o fenômeno avance. Legislamos para o futuro, o uso do véu integral é um sinal de recolhimento comunitário e uma rejeição de nosso valores", afirmou o porta-voz do governo, antes de recordar que 2.000 muçulmanas usam o véu integral na França.
A decisão do Executivo francês significa que o projeto de lei deve ser submetido ao Conselho de Estado, a principal instância administrativa na França, que no fim de março advertiu que uma proibição total da burca e do niqab poderia ser rejeitada do ponto de vista jurídico.
O Conselho de Estado rejeitou uma proibição geral e absoluta do véu islâmico integral, mas admitiu que "exigências próprias de determinados serviços públicos justificariam a obrigação de manter o rosto descoberto".
PS: Essas mulheres que já vivem o jugo da submissão ainda terão que enfrentar o conflito entre a cultura do país onde vivem e a religião que nasceram e professam. Muitas não acham a Burca e o Niqab uma violência contra seus direitos. A maioria delas acredita no que estão fazendo. Nasceram, cresceram e vivem os valores do Islamismo, mesmo que sejam radicais.
São valores que nós ocidentais achamos muito rígidos??? O problema é nosso. Nós nos colocamos na posição de juízes e sentenciamos essas mulheres a maior sofrimento, o isolamento doméstico.
Ontem li que um Sheik islamico culpou as mulheres pelas tragédias mundiais, alegando que o comportamento feminino é inaceitável, levando o homem ao afastamento de Alah. Se no Islamismo existem líderes religiosos que assim falam publicamente, certamente existe um público que os apóia. Imaginem então as esposas e filhas desse público em particular, como vivem????
O fato é que nós ocidentais temos dificuldade em compreender culturas tão diversas da nossa. E acreditando que temos a posse da verdade, queremos a todo custo garantir que todos se comportem do mesmo jeito que nós, achamos que isso é Igualdade.
Mas o que é Igualdade mesmo????
i.gual.da.de
sf (lat aequalitate) 1 Qualidade daquilo que é igual; uniformidade. 2 Conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, qualidade ou quantidade. 3 Relação entre coisas iguais. 4 Completa semelhança. 5 Paridade. 6 Identidade. 7 Mat Expressão da relação entre duas quantidades iguais; equação. 8 Polít Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade. 9 p us Eqüidade, justiça.
Se pegarmos apenas as duas últimas definições do Michaelis, igualdade é identidade de condições entre os membros da mesma sociedade, e Equidade/justiça. Vejamos. Os franceses são protestantes, na sua maioria. Todos os franceses têm o direito de expressar sua religiosidade. Só os franceses? E todos os demais credos religiosos que existem naquele país? Devo entender que são aceitos desde que se mantenham inexpressivos? Afinal, e os Direitos Humanos?
Falamos aqui em Intolerância Religiosa, que está velada pelas doces e nobres palavras Dignidade e Igualdade. Oprimir as minorias, alegando que elas rejeitam os nossos valores, é inaceitável. Impingir os valores ocidentais a uma minoria, não é garantia de direitos a elas, mas sim violência oficializada.
É melhor nos lembrarmos dos abusos cometidos em nome de ideologias no decorrer da História. A Santa Inquisição, Hitler, Bin Laden, e se nos esfoçarmos mais, veremos que a lista é imensa. Todos estavam muito bem intencionados, e desejavam que houvesse uma única cartilha, a sua.
O que me impressiona mais é o fato de nunca aprendermos com nossos fracassos. As derrotas não ensinam. A História é estudada nas escolas desde meninos, e mesmo assim, repetimos os mesmos fatos, apenas mudamos os nomes para que fiquem mais palatáveis. Em nome de Deus, Em nome da Lei, Em nome dos Direitos Humanos...
O governo francês anunciou nesta quarta-feira que apresentará em maio um projeto de lei que contemple a proibição do uso do véu islâmico integral - burca e niqab - em todos os espaços públicos e não apenas nos prédios estatais.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do governo, Luc Chatel, após uma reunião de gabinete com o presidente Nicolas Sarkozy, que mais uma vez declarou que o véu integral é um "atentado à dignidade das mulheres".
"O objetivo é impedir que o fenômeno avance. Legislamos para o futuro, o uso do véu integral é um sinal de recolhimento comunitário e uma rejeição de nosso valores", afirmou o porta-voz do governo, antes de recordar que 2.000 muçulmanas usam o véu integral na França.
A decisão do Executivo francês significa que o projeto de lei deve ser submetido ao Conselho de Estado, a principal instância administrativa na França, que no fim de março advertiu que uma proibição total da burca e do niqab poderia ser rejeitada do ponto de vista jurídico.
O Conselho de Estado rejeitou uma proibição geral e absoluta do véu islâmico integral, mas admitiu que "exigências próprias de determinados serviços públicos justificariam a obrigação de manter o rosto descoberto".
PS: Essas mulheres que já vivem o jugo da submissão ainda terão que enfrentar o conflito entre a cultura do país onde vivem e a religião que nasceram e professam. Muitas não acham a Burca e o Niqab uma violência contra seus direitos. A maioria delas acredita no que estão fazendo. Nasceram, cresceram e vivem os valores do Islamismo, mesmo que sejam radicais.
São valores que nós ocidentais achamos muito rígidos??? O problema é nosso. Nós nos colocamos na posição de juízes e sentenciamos essas mulheres a maior sofrimento, o isolamento doméstico.
Ontem li que um Sheik islamico culpou as mulheres pelas tragédias mundiais, alegando que o comportamento feminino é inaceitável, levando o homem ao afastamento de Alah. Se no Islamismo existem líderes religiosos que assim falam publicamente, certamente existe um público que os apóia. Imaginem então as esposas e filhas desse público em particular, como vivem????
O fato é que nós ocidentais temos dificuldade em compreender culturas tão diversas da nossa. E acreditando que temos a posse da verdade, queremos a todo custo garantir que todos se comportem do mesmo jeito que nós, achamos que isso é Igualdade.
Mas o que é Igualdade mesmo????
i.gual.da.de
sf (lat aequalitate) 1 Qualidade daquilo que é igual; uniformidade. 2 Conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, qualidade ou quantidade. 3 Relação entre coisas iguais. 4 Completa semelhança. 5 Paridade. 6 Identidade. 7 Mat Expressão da relação entre duas quantidades iguais; equação. 8 Polít Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade. 9 p us Eqüidade, justiça.
Se pegarmos apenas as duas últimas definições do Michaelis, igualdade é identidade de condições entre os membros da mesma sociedade, e Equidade/justiça. Vejamos. Os franceses são protestantes, na sua maioria. Todos os franceses têm o direito de expressar sua religiosidade. Só os franceses? E todos os demais credos religiosos que existem naquele país? Devo entender que são aceitos desde que se mantenham inexpressivos? Afinal, e os Direitos Humanos?
Falamos aqui em Intolerância Religiosa, que está velada pelas doces e nobres palavras Dignidade e Igualdade. Oprimir as minorias, alegando que elas rejeitam os nossos valores, é inaceitável. Impingir os valores ocidentais a uma minoria, não é garantia de direitos a elas, mas sim violência oficializada.
É melhor nos lembrarmos dos abusos cometidos em nome de ideologias no decorrer da História. A Santa Inquisição, Hitler, Bin Laden, e se nos esfoçarmos mais, veremos que a lista é imensa. Todos estavam muito bem intencionados, e desejavam que houvesse uma única cartilha, a sua.
O que me impressiona mais é o fato de nunca aprendermos com nossos fracassos. As derrotas não ensinam. A História é estudada nas escolas desde meninos, e mesmo assim, repetimos os mesmos fatos, apenas mudamos os nomes para que fiquem mais palatáveis. Em nome de Deus, Em nome da Lei, Em nome dos Direitos Humanos...
Essa eu tinha que publicar!!! rsrsrsrs
Por que as mulheres são tão inteligentes???
Peter Moon
O repórter especial de ÉPOCA vive No mundo da Lua, um espaço onde dá vazão ao seu fascínio por aventura, cultura, ciência e tecnologia. petermoon@edglobo.com.br
Ou melhor, por que as mulheres são mais inteligentes que os homens?
É uma pergunta que me faço há 20 anos, desde o dia em que tive uma revelação.
Ao contrário de tudo o que minha família, a escola, os meios de comunicação e a sociedade haviam me ensinado (ou me levado a acreditar), constatei que pertencia ao sexo fraco. As mulheres não só eram mais inteligentes... ELAS SÃO O SEXO FORTE!
Naquele dia, acho que tinha 21 anos, entrei em depressão.
Lembro da minha vontade de não sair do quarto. Como faria para enfrentar e sobreviver naquele novo mundo infestado de feras com ar de sereias que me aguardava na porta da rua? Precisei de um mês para me recompor, um mês para abandonar minha visão adolescente, machista e chauvinista do mundo, e tentar começar a enxergá-lo sob a lente correta. Eu tinha perdido a fantasia de predador, membro de um gênero dominante. Mas me recusava – e ainda me recuso! – a virar presa.
As mulheres são mais inteligentes que os homens. Tenho certeza que a maioria delas concorda com esta afirmação - assim como a imensa maioria dos homens jamais o fará. Intuitivamente, as mulheres sabem que são mais espertas. Afinal, não são elas que se queixam dos homens como sendo seres “muito básicos”, “simplistas”, grossos, incapazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, enquanto elas precisam (e conseguem) se dividir entre o trabalho, os filhos e o casamento? A inteligência feminina salta aos olhos. Só não vê quem não quer. Ela é perceptível na mais tenra infância. As meninas andam antes - e tiram a fralda primeiro.
Há dois traços definidores da espécie humana: a razão e a fala.
Pois bem, as meninas aprendem a falar mais cedo (e, depois que aprendem, não param mais).
E quanto à razão? “As mulheres aprendem mais rápido,” me disse ontem uma amiga. “Elas são mais práticas em resolver problemas.” Ao ouvir sua resposta, disse: “Você sabia que acabou de me dar uma definição bastante precisa de inteligência?”. Segundo o “Mainstream Science on Intelligence”, um documento publicado por um grupo de acadêmicos no The Wall Street Journal, em 1994, inteligência é “uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender idéias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência”.
Lembro de uma conversa com um professor da USP, quando ele constatou com indisfarçável pesar: “Na graduação, quase todos os melhores alunos são mulheres. Elas são também a maioria entre os ingressantes da pós-graduação. Mas a maior parte dos que defendem teses são homens. Muitas alunas trocam a pós pela maternidade.”
As mulheres são mais inteligentes. Não importa quantos gênios da humanidade, todos eles homens, se enumere, a inteligência da média das mulheres será sempre maior que a da média dos homens.
A maioria dos homens jamais enxergará (ou admitirá) que ocupa um pedestal inexistente. A reação masculina é natural. Somos criados acreditando que existe um sexo forte – o nosso. Logo, por que acreditar que a realidade é exatamente oposta? Razões não faltam.
Mulheres têm maior resistência à dor (ver meu filho nascer foi emocionante. E também didático. Percebi que homem algum sobreviveria a um parto). Também é ponto pacífico entre os médicos que as mulheres são mais saudáveis. Afinal, elas vivem mais, não vivem? Homens morrem mais cedo.
Por séculos, a longevidade feminina foi explicada como decorrência da sua aparente “fragilidade”. Como exemplares do sexo forte, os homens sempre se expuseram às tarefas que exigem força física e envolvem riscos, como lutar na guerra. Este mito acabou. Com o avanço da medicina e a elevação da expectativa de vida, foi ficando claro que, mantidas as mesmas condições de acesso aos serviços de saneamento, saúde e prevenção, as mulheres continuam sobrevivendo aos homens. A razão estaria na constituição genética feminina. Sob a ótica da sobrevivência da espécie, as mulheres (que nascem com cerca de 400 óvulos) são indispensáveis. Já os homens, que produzem mais de 100 milhões de espermatozóides por dia, são absolutamente descartáveis.
“Por que as mulheres são tão inteligentes? O efeito do QI maternal sobre a mortalidade infantil pode ser um fator evolutivo relevante” é o título de um interessante artigo da revista Medical Hypotheses. A questão que se coloca não é saber por que as mulheres são tão inteligentes, mas de que forma a seleção natural favoreceu o aumento da inteligência entre as fêmeas da espécie Homo sapiens – que bem poderia ser chamada Mulier sapiens (do latim mulier)?
Os autores pertencem a uma corrente da antropologia chamada Psicologia Evolutiva – com a qual não concordo. Para tentar explicar a evolução do comportamento humano, os psicólogos evolutivos partem de um cenário que é resultado de mais de um século de descobertas arqueológicas e antropológicas.
A espécie humana evoluiu na África há mais de 200 mil anos e lá permaneceu confinada até 50 mil anos atrás. Durante aqueles 150 mil anos, o Homo sapiens aprendeu a falar e aperfeiçoou seus métodos de caça até se tornar o mais eficiente predador do planeta. Só então, há 50 mil anos, nossos ancestrais saíram do berço africano para povoar o planeta. Há 10 mil anos, inventamos a agricultura e criamos as primeiras cidades.
Segundo os psicólogos evolutivos, nenhum dos quase 7 bilhões de seres humanos evoluiu para viver em cidades numa civilização global. Não houve tempo para nossa espécie se adaptar às mudanças tecnológica provocadas desde a invenção da agricultura. O comportamento humano foi forjado naqueles 150 milênios de isolamento africano, numa luta diária pela sobrevivência. Naquelas circunstâncias, dizem os autores, mulheres mais rápidas para resolver problemas e se adaptar às restrições do meio ambiente, encontrando comida, água e abrigo durante uma seca, por exemplo, teriam mais chance de garantir a sobrevivência dos filhos. Já as mulheres menos espertas teriam desaparecido sem deixar descendentes. A seleção natural favoreceu a sobrevivência de mulheres mais inteligentes. Elas também procuravam casar com homens mais inteligentes, aqueles que poderiam assegurar a sobrevivência dos filhos. E estes, por hereditariedade, também eram inteligentes. Ao longo de milhares de gerações, defendem os autores, a inteligência feminina, mas não a masculina – somos descartáveis, lembram-se? – se tornou um traço dominante da nossa espécie. Hoje, tudo mudou.
Numa civilização tecnológica não há pressão ambiental para selecionar a sobrevivência das mulheres mais inteligentes. Mas elas ainda o são.
Toda esta história faz sentido, mas a mim não convence. Os psicólogos evolutivos são deterministas demais para o meu gosto. Defendem suas teses com um fervor ideológico. Sou ateu, portanto avesso a quaisquer formas de fé ou ideologia. Defendo a teoria da evolução, e graças a ela me sinto irmanado com todas as formas de vida na Terra. Mas não acho que, mesmo inconscientemente, eu seja um caçador africano. É verdade que sou básico, às vezes meio grosso (sim, meninas, vocês têm razão), e posso ser violento. Mas definitivamente eu não sou um caçador africano. Sou um jornalista científico e um pesquisador da história da ciência. Minha formação acadêmica me leva a duvidar de qualquer afirmação científica que não possa ser testável ou reproduzida, como é o caso. Obviamente, não se pode manter um bando de gente no meio do mato por gerações para verificar se, de fato, as moças espertas prevalecerão.
É nestas horas que a formação humanista faz a diferença.
Sim, as mulheres são mais inteligentes. Para mim, não se trata de ciência, mas de um fato.
Para entender este belo mistério, prefiro continuar com a explicação que descobri há vários anos. Seu autor é o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855).
Kierkegaard é o filósofo do amor, um eterno apaixonado pelas mulheres. Ele dedicou a maior parte da sua obra ao desejo e à sedução. Há um livrinho intitulado O banquete ou In vino veritas (“no vinho, a verdade”, seu título original, em latim). É uma paródia do famoso Banquete de Platão, onde Sócrates e uma roda de amigos, inebriados pelo vinho após uma ceia, resolvem fazer um elogio ao belo. No caso de Kierkegaard, quatro amigos fazem um almoço no campo. Enlevados pelo vinho, decidem fazer um elogio à mulher. Cada um toma a palavra. O último, e o mais sábio, encerra o discurso. O pequeno trecho que selecionei abaixo sintetiza tudo. Grande Kierkegaard. Ele sabia das coisas.
“No principio havia só um sexo; dizem os gregos que era o sexo masculino. Dotado de faculdades magníficas, era uma criatura admirável em que se reviam os deuses; os dons eram tão grandes que aconteceu aos deuses o mesmo que por vezes acontece aos poetas que gastaram todas as forças nas criações de uma obra: tiveram inveja do homem. O pior é que tiveram receio dele; temeram que ele não estivesse disposto a aceitar de bom grado o jugo divino; tiveram medo, embora sem razão para isso, que o homem chegasse a abalar o céu. Haviam feito surgir uma força nova que lhes parecia ser indomável. A inquietação e a perplexidade dominavam então no concílio dos deuses. Mostraram-se primeiro de uma generosidade pródiga ao criarem o homem; mas agora tinham de recorrer aos meios mais violentos para legítima defesa. Os deuses pensavam que o seu poderio estava em perigo, e que não podiam voltar atrás, como um poeta que renegue sua obra. O homem já não poderia ser dominado pela força, porque se o pudesse ser, os deuses teriam facilmente resolvido o problema; e era isso precisamente o que lhes causava desespero. Era preciso cativá-lo pela fraqueza, por um poder mais fraco e mais forte do que ele, capaz de subjugá-lo. Que poder espantoso e que poder contraditório não havia de ser! A necessidade também ensina os deuses a transcenderem os limites do engenho. Pensaram, meditaram, encontraram. A nova potência foi a mulher, maravilha da criação, que aos próprios olhos dos deuses era superior ao homem; e os deuses, ingênuos e contentes, mutuamente se felicitaram pela nova invenção. Que mais poderei eu dizer em louvor da mulher? A mulher foi tida capaz de fazer o que parecia impossível aos deuses; além disso, a verdade é que desempenhou admiravelmente o seu papel; que maravilha não deve ser a mulher para conseguir tais fins! Tal foi a astúcia dos deuses. A encantadora foi dotada de uma natureza enganadora; mal encantou o homem, logo se transformou, envolvendo-o entre todas as dificuldades do mundo finito; era isso mesmo o que os deuses queriam. Que seria possível imaginar de mais fino, de mais atraente, de mais arrebatador, do que este subterfúgio dos deuses que querem salvaguardar um império, do que este processo para seduzir o homem? Tal é a realidade; a mulher é a sedução mais poderosa do céu e da terra. Comparado a ela, homem é um ente muito imperfeito.”
domingo, 4 de abril de 2010
Lamentável!
''O best seller “Orixás, caboclos e guias, deuses ou demônios?”, do bispo Edir Macedo, volta a ser comercializado mais de 10 anos após o lançamento da primeira edição.
Até o ano de 2006, quando a obra parou de ser produzida, foram vendidos mais de 3 milhões de exemplares só no Brasil. Nesta nova edição, espera-se mais um sucesso de vendas.
“Sentir-me-ei realizado se este livro for uma verdadeira mensagem transformadora”, diz o bispo, que descreve a obra como um trabalho simples, sem pretensão, senão a de ajudar pessoas que vivem sofrendo por estarem enganadas e entrelaçadas por espíritos malignos.
Durante a narrativa, ele ensina como os indivíduos podem se livrar do mal que os domina.
“Quero ver milhares de pessoas – que antes eram escravas ou ‘cavalos’ dos demônios –, por intermédio destas palavras e da ação do Espírito Santo em suas vidas, tornarem-se verdadeiras servas do Deus Altíssimo, adorando o Senhor Jesus em Espírito e em Verdade”, completa o autor.''
OBS:
Este livro tinha sido retirado de circulação, em respeito às religiões afro-brasileiras. Mas voltou a ser vendido, e seu site vincula esta mensagem descrita acima.
http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=987&cod=148870&edicao=938
Respeito muito o direito de todas as crenças em realizarem seus cultos, ensinarem sua doutrina, e orientarem seu corpo de doutrina, seus fiéis. Todos têm o direito irrestrito, garantido pela Constituição Brasileira de 1988, artigo V, inciso 6.
Podemos pensar o que quer que seja, mas acho que assim como temos o direito, temos também o dever de fazer o mesmo, respeitar a crença do outro.
Este livro avilta os cultos afro-brasileiros, insulta nossos Orixás, e incentiva atos de intolerância e violência contra nossos Templos.
Espero que logo a Lei novamente retire este livro de circulação. E que o respeito vença a intolerância.
Chega!!!
Até o ano de 2006, quando a obra parou de ser produzida, foram vendidos mais de 3 milhões de exemplares só no Brasil. Nesta nova edição, espera-se mais um sucesso de vendas.
“Sentir-me-ei realizado se este livro for uma verdadeira mensagem transformadora”, diz o bispo, que descreve a obra como um trabalho simples, sem pretensão, senão a de ajudar pessoas que vivem sofrendo por estarem enganadas e entrelaçadas por espíritos malignos.
Durante a narrativa, ele ensina como os indivíduos podem se livrar do mal que os domina.
“Quero ver milhares de pessoas – que antes eram escravas ou ‘cavalos’ dos demônios –, por intermédio destas palavras e da ação do Espírito Santo em suas vidas, tornarem-se verdadeiras servas do Deus Altíssimo, adorando o Senhor Jesus em Espírito e em Verdade”, completa o autor.''
OBS:
Este livro tinha sido retirado de circulação, em respeito às religiões afro-brasileiras. Mas voltou a ser vendido, e seu site vincula esta mensagem descrita acima.
http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=987&cod=148870&edicao=938
Respeito muito o direito de todas as crenças em realizarem seus cultos, ensinarem sua doutrina, e orientarem seu corpo de doutrina, seus fiéis. Todos têm o direito irrestrito, garantido pela Constituição Brasileira de 1988, artigo V, inciso 6.
Podemos pensar o que quer que seja, mas acho que assim como temos o direito, temos também o dever de fazer o mesmo, respeitar a crença do outro.
Este livro avilta os cultos afro-brasileiros, insulta nossos Orixás, e incentiva atos de intolerância e violência contra nossos Templos.
Espero que logo a Lei novamente retire este livro de circulação. E que o respeito vença a intolerância.
Chega!!!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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