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sábado, 25 de agosto de 2018

OITC - Templo do Caboclo 7 Ondas! Nossa casa completou 6 meses de trabalho

E foi no dia 23/08/18 que nosso Conga pequenininho completou 6 meses de portas abertas, dedicadas ao atendimento espiritual. E foram tantos os desafios, que nem sei... Se eu disser que foi fácil, não foi. E, no meio do caminho, ainda ocorreu o desencarne de Mestre Arapiaga. Nada mais icônico para demonstrar as dificuldades que enfrentamos. Nós sabemos que ele queria que fizéssemos exatamente isso, inaugurássemos nossa casa, conforme suas próprias orientações. Certamente hoje ele estaria feliz com todo nosso trabalho. 
Cada pessoa que por lá passou nesses 6 meses foi uma honra para todos nós. Um a um, a assistência se multiplicou, os cambonos também, os médiuns foram chegando, e, da maneira mais inesperada e improvável, hoje somos muitos. Já não sei como colocar todos que chegam dentro dele, nosso Conga esta pequenininho... mas abençoado pela Santas Almas do Cruzeiro Divino, sob a égide do Pai Moçambique, do Caboclo 7 Cachoeiras, do Caboclo 7 Ondas, da Jureminha e do Exu 7 Poeiras. E pasmem, minha coroa se faz representada lá, e trabalhando muito. 
Para a nossa alegria, tivemos nosso primeiro rito de Iniciação, com os médiuns e cambonos que estão chegando, que já estão recebendo suas escoras para o trabalho digno e sério. Quantas bençãos! Que eles sejam firmes diante dos desafios do dia a dia de nossa casa. 
E foi pelos Caminhos de Itacuruçá que encontramos a razão dos nossos dias. Salve Pai Matta e toda sua valência, que velem por seus filhos hoje e sempre! Aranauam!!!










domingo, 22 de julho de 2018

A Alma da Palavra


Podemos ver na “Linguagem dos pássaros” (Farid Ud-din Attar), ensinada a David e a seus herdeiros que a mesma é antes de tudo o Bem Supremo, o Dom que permite novamente ao Homem o acesso aos estados superiores do Ser, ou conforme outra acepção, aos estados angélicos.
É de fato notável, em todas as tradições, a associação entre pássaros e anjos. E não é senão com a finalidade de alcançar os estados angélicos, a realização espiritual, que o homem se instrui nesta linguagem, que alude diretamente ao canto, à música, ao ritmo e à sua expressão mais pura, o número – todos os elementos que constituem, segundo as tradições, a ciência primordial que possibilita ao homem compreender em si mesmo, ao mundo e às criaturas na proporcionalidade que mantém entre si e também com sua essência ou origem.
O conhecimento dessa linguagem é indicativa de uma alta iniciação, e a fala ritmada é a sua expressão no mundo sensível. É esse o motivo de todos os textos e escritos sagrados estarem calcados no metro e na rima poética. O nome Corão, por exemplo, quer dizer, precisamente, recitação. Entre os gregos a poesia era designada a linguagem dos deuses, isto é, afirmava-se nitidamente a natureza essencial da rima poética como expressão do divino.
No ritmo, a contiguidade entre o vazio e o cheio é o que conta para penetração do sagrado, inaugurado no silêncio entre um falar e outro. Assim, nas tradições orais, o contar algo importante sempre se reveste de uma pulsação, não se limita a um discurso, a uma exposição, mas, toma a forma de recitação, de um canto, de uma performance, o corpo passa a ser um livro, a remontar um enredo...
“Quando as musas abrem a teogonia de Hesíodo, elas, as forças do cantar, pelo seu canto presentificam o mundo, o in-vocam, chamam-no para si, permitindo que ele seja passível de admiração, ou seja, constituem o milagre primeiro, aquele da existência...”
Esta forma de transmissão do saber obedece como dissemos anteriormente a ciclos e ritmos, ou seja, o ritmo e número. A raiz da palavra grega “Aritmos” para número, liga-se ao latim “Ritus”, envolvendo a ideia de ritmo. O significado primitivo de “Aritmus é ajuste, arranjo, boa disposição, ordem “do latim ordo, que equivale ao sânscrito Rita que partilha da mesma raiz de Aritmus”, e quando Aritmus é traduzido por número, este deve ser entendido não só como quantidade mas também por harmonia, proporção e conjunto, ou seja, o ritmo quer traduzir espacialmente como na arquitetura, quer nos sons, como na música (ver Saint-Yves d’Alveydre).
Vamos ver tudo isso também no “Trivium” – lógica, retórica, gramática – que formam par com o “Quadrivium” de natureza mais matemática.
Da mesma forma que o radical KRI no sânscrito significa ação, fazer e dela derivou o latim Creare, a poesia deriva do grego Poein, que também significa fazer, criar, o que faz aquele que a utiliza (o poeta iniciador), ao cantar ou falar, um coprodutor daquilo que é cantado ou falado. Nós ocidentais utilizamos a expressão sem invocação, não colocamos alma nas palavras que proferimos, tal qual a torre babélica que ilustra a situação de expressão por si só. A torre é dividida em andares mostrando os planos de realidade em que nos encontramos. Enquanto símbolo, a torre nos remete para a estrutura íntima da realidade estratificada segundo os graus de existência que medem tantos passos quanto damos ao transpor à “PORTA DE DEUS” (do acádio BAB-ILI).
O termo Babel em hebraico significa confusão das letras BBL (confusium linguarum, em latim). A torre de Babel é o símbolo máximo da verticalidade destruída, apenas afirmada e nunca suspensa, pois se existe planos de realidade existe também a comunicação entre estes e, quando esta é relegada, a própria hierarquia perde a sua inteligibilidade. Instala-se assim a confusão (BBL). Por isso falamos exaustivamente na tradição oral. Esta mesma que não possui amarrações, livros ou hierarquias estratificadas, e que podem sofrer enrijecimento conforme o transito entre os “andares”.
A linguagem dos pássaros, bem como a tradição oral afro-brasileira, passa de um lado a outro, tal como o vôo dos pássaros, sem prisões, sem obstáculos, pois a linguagem é do espírito, da essência, e assim transita tal qual o vento, de um lado ao outro...

Mestre Ygbere
Ordem Iniciática do Tríplice Caminho – Templo do Caboclo 7 Ondas

domingo, 8 de novembro de 2015

Orixás renascendo.

Dia31/10/15, mais uma vez, tive o privilégio de testemunhar e receber o axé de mais 5 Orixás que nasceram no nosso Ile, Yemanjá, Ogun, Oxumarê, Oxossi Arolé, Odé. 
Aos meus irmãos de Santé Ararité, Felipe, Aracyara, Yabauara e Fernanda, meus parabéns! Que seus renascimentos possam trazer alegria, equilíbrio e serenidade aos seus Oris, e que os Orixás maravilhosamente manifestados ontem, possam cobri-los de bençãos e vitórias. 
Axé, e minha eterna gratidão ao meu Baba Pai Rivas Ty Ogyion por me permitir vivenciar esses momentos inesquecíveis!

Obaositalá


Há muitos anos atrás tive um sonho onde estava em uma grande cidade e via pessoas negras e que passavam por mim em grupos, vestiam roupas coloridas e caminhavam de forma interessante pois se moviam com um mesmo ritmo e podia perceber que estavam felizes. Não podendo conter a curiosidade perguntei a uma pessoa que estava ao meu lado quem eram aquelas pessoas? E ouvi claro, alto e em bom som: esses são o povo de Gyan ben Gyan, os Universais (ou Vencedores).

Acordei com uma profunda alegria e guardei em minha a'alma aquela cena...

Hoje ao acordar pela manhã, relembrando o rito de renascimento de cinco irmãos que passaram a ser yawos no Egbe de nosso Babá - Pai Rivas na noite anterior, fui remetido à aquele sonho pois reconhecia no rito a mesma alegria que vi e senti ao ver os Deuses dançando com toda a coletividade.
A cada momento do rito novas surpresas nos reservavam, momentos que os mitos falavam forte em nosso interior e nos levavam a introspecção. 
Ogum vinha a frente com nosso irmão Sergio - Ararité com sua dança guerreira, Oxumaré em nosso irmão Felipe dançando sinuosamente trazia a Terra os auspícios do Céu, Yemanjá com a nobreza da grande mãe, dançava com sua filha Fernanda em perfeito transe, Oxossi dançava caçando com seu filho João - Yabauara, trazendo ao Egbe, prosperidade e fartura. E fechando, vinha Odé com sua filha Wanda - Aracyara percorrendo as pegadas dos que o antecederam como se seguisse a caça para provento de seus filhos.
É meus amigos e irmãos, a noite foi memorável!
Mas para não acabar aqui, uma profunda alegria me aguardava, e foi quando nosso Babá foi dançar com os Deuses. Sua feição era de total alegria e podíamos ver o divino estampado em seu sorriso, como se naquele momento não houvessem mais separações entre o Orun e o Aiye...
Só podemos desejar aos novos yawos onan rere ou seja, caminhos felizes aos renascidos pelas mãos de nosso Babá. 
Motumbase ao Egbe!
Motumbase Baba mi!
Ygbere - Olavo Solera

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Novas Fases, destinos felizes

Novas fases, destinos felizes...



Ao acordar nessa manhã, procurei pensar nas coisas que tinha a fazer e enumerá-las para focar os objetivos que tracei. Muitas destas atividades estão veiculadas ao dia a dia, sustento financeiro, filhos, casa e etc, mas como a vida não se prende a só isso, repensei o espiritual e revi em minha mente alguns vídeos e textos que nosso Babá – Pai Rivas tem postado em seu blog nas redes sociais.

Apesar de estar presente aos seus ritos, e coadunar com tudo que é feito, chamou-me especial atenção onde ele fala sobre a Umbanda Esotérica de W.W.da Matta e Silva e suas obras, e que ele estaria retificando erros e valores e ratificando outros como o uso dos métodos do Ifá. Lembro que nosso Babá é o sucessor legítimo de Matta e Silva desde 1987, tendo ordens e direitos para fazer estes ajustes e que atendem aos novos momentos da Umbanda Esotérica.
Mas muitos poderiam agora se perguntar: o que chamou a atenção do Ygbere?
E respondo: depois de conviver há trinta e sete anos com nosso Babá e ter tido a oportunidade de estar com o mestre Yapacani (Matta e Silva) em sua casa/terreiro em Itacuruçá e em ritos que o mesmo realizou na OICD/SP, ter lido todas suas obras e até feito minha dissertação de mestrado sobre a magia na Umbanda Esotérica de Matta e Silva, percebi que aquilo que tinha lido, estudado e até escrito, não condizia com as novas fases da mesma.
Mas como assim, poderiam perguntar os amigos? Então procurarei ser mais claro:
Em um dos vídeos postados por nosso Babá, ele cita o livro Segredo da Magia de Umbanda p. 14 que fala o seguinte:


[...] Porque, a Corrente Astral de Umbanda, nessa 1ª Fase de Ação no Brasil e por dentro dessa coletividade chamada dos cultos afro-brasileiros, teve um objetivo e se apresentou assim: com “caboclos, pretos-velhos etc”; porém, na 2ª Fase de Ação, a se iniciar dentro de poucos anos, essa Corrente vai revelar novos aspectos...novos horizontes. É só, senhores “magistas, esoteristas, ocultistas etc.” (Matta e Silva, p.14)


Depois de ler isso, continuei a leitura do livro todo, e para minha surpresa comecei a ver e entender coisas que nunca tinham passado em minha cabeça, lembrando que este livro vi e revi várias vezes. Pude ver com total clareza que o mesmo tem abordagens extremamente diferentes que a obra do homem/iniciado/sacerdote Matta e Silva e que foram citadas pelo nosso Babá - Pai Rivas exaustivamente. 
Percebi uma dicotomia entre o que eu tinha plena convicção e o que lá estava. No primeiro instante, atirei o livro ao chão, tamanha aversão que senti pelos temas falados e em especial quando falava do negro. Assuntos totalmente ultrapassados e que só existiram na metade do século passado com a insistência do embranquecimento da população brasileira, como se a cor da epiderme pudesse tornar alguém melhor ou pior. 
Na sequência dos textos, pude constatar aspectos de misoginia, homofobia, xenofobia, evolucionismo cultural, evolucionismo social, elitismo, conservadorismo, etnocentrismo, temas que nosso mestre ou Babá chamou de vergonhosos e que deveriam ser alterados e transformados em suas partes visíveis e invisíveis.
Mas, os amigos poderiam continuar a perguntar: mas, o Babá já falou sobre isso há tempos e só agora você está falando isso?
Sim, concordo. A leitura do livro novamente fez com que eu me visse, tal qual em um espelho, e ao me ver, percebi que estive enganado quando não me achava preconceituoso, fazendo parte de uma elite de pensadores do Santo.... Tola ilusão.
Só agora vislumbro o que o Babá já viu há muito tempo, e que vem falando, ensinando, corrigindo e vivenciando, bastando ver suas realizações.
A nova fase está aí, basta ver o TUO, com seu Templo devidamente adequado para o estudo e aplicação do destino dos seres, por intermédio de Orunmilá Ifá. O mesmo Ifá que Matta e Silva falou no livro Macumbas e Candomblés na Umbanda em 1969, e que a maioria não entendeu que o mesmo não tinha solução de continuidade em relação a diversidade das religiões afro brasileiras, pelo contrário, afinal tudo é um grande encadeamento de saberes e viveres obedecendo um grande continum.
Neste “novo” momento, existe o respeito à todas as formas de entender e compreender o sagrado, não há uma verdade única ou uma totalidade, há sim múltiplas formas de acesso ao real, tais como a memória, a vivência, o afeto, a percepção, a oralidade, a ética, a episteme, os métodos e tudo centrados na ancestralidade sobrenatural (Orixás e entidades que possibilitam o transe do imanente para o transcendente dos seus adeptos).
E foi com esta profusão de pensamentos que me vi sem pré-conceitos, sem máscaras, ou seja, desnudo de tolas vaidades, pois naquele momento percebi o “outro” que muitas vezes estava em meu falar, mas não no meu coração. Confesso que senti em meu corpo uma intensa aflição e busquei naquele momento até o auxílio de maracujinas, valerianas e etc., pois saía de uma zona de conforto de muitos anos.
Hoje depois destes momentos e ao ver comentários de muitos nas redes sociais, contrários às mudanças daquilo que conheceram apenas no que ouviram falar do mestre Matta e Silva, peço que releiam suas obras, mas não se detenham apenas no momento cronológico que as mesmas foram escritas e sim naquilo que ele sabia e escreveu que viria em um futuro breve e por isso fez um sucessor legítimo para essas transformações. 


Aranauam,
Saravá,
Motumbasé,
Saudações a todos.
Ygbere



http://abaara.blogspot.com.br/2015/10/novas-fases-destinos-felizes.html?m=1

sábado, 17 de outubro de 2015

Consagração como Mestra de Iniciação de 6º Grau no TUO (2ª Fase da Umbanda Esotérica)


Não há como agradecer as alegrias e emoções vivenciadas na TUO. Somente a eterna gratidão ao meu Babá Pai Rivas Ty Ogyion pelas bençãos misericordiosamente estendidas a mim e ao meu grupo, que foi iniciado. É impossível descrever esta experiência. É a passagem do profano para o Sagrado. Este momento foi um marco na vida de todos nós. E peço aos Ancestrais que nos acobertaram neste dia, que nos ajudem a nos tornarmos dignos desta grande alegria, e que possamos honrar nosso Baba e sua Ancestralidade todos os dias de nossa existência. Asé Babá mi.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mestra Arakitan! A TUO ordena mais uma sacerdotisa de 7º Grau !!! Paó a Pai Rivas

Paó a Pai Rivas por mais uma iniciada na TUO! 
Só quem conhece Arakitan sabe a dedicação e o respeito com os quais vivenciou estas quase três décadas ao lado no nosso Mestre. Parabéns!!! Vida longa a Mestra Arakitan!


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mestre Yamatiara! Mais um iniciado da TUO no Sétimo Grau, Segundo Ciclo! Paó!!!!!!



http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/ordenacao-sacerdotal-consagracao-do-7.html

Quem quiser ver mais:
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/religioes-afro-brasileiras-um-dia.html

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mais uma Iniciação na Casa de Pai Rivas!!!



Alguns dos muitos depoimentos de nossos irmãos parabenizando a João Luiz Carneiro, por mais esta etapa em sua vida:

"Sempre tem alegria, sempre tem alegria, sempre tem alegria na Casa do Caboclo Urubatão da Guia... A Iniciação de mais um filho de Pai Rivas. Vida longa a João Luiz Carneiro, Yabauara! (Jociane Negrão)

Mais um Iniciado no axé de Pai Rivas! Seguem algumas fotos da parte externa do ritual. O awo fica reservado para os Iniciados... O axé da nossa Casa está hoje mais fortalecido! Sua vitória é nossa João Luiz Carneiro! Fidelidade e trabalho sempre! Hoje estamos em festa!!! Além da emoção particular do ritual, fico feliz e emocionada em ver minha comunidade de santo se manifestar por esta vitória e celebração. Isso é irmandade de santo. Isso é a força de um verdadeiro Babá! Axé!(Érica Jorge)

Estou muito emocionada pela conquista de meu querido irmão Yabauara. Acompanhei de perto sua jornada e sei que sempre foi fiel a banda e ao nosso Mestre trabalhando com muito afinco. Quem merece recebe! Axé. (Fernanda Aterje)

Muito bom, felicidade de toda banda, axé YabauaraJoão Luiz Carneiro felicidade sempre, "sempre tem alegria!!! (Pati Ioco)

Toda nossa comunidade em festa e feliz pelo o fortalecimento de nosso Axé coletivo ao termos a honra de mais um iniciado. Obrigado ao Nosso Baba e ao nosso irmão Yabaura , João João Luiz Carneiro por mais esta conquista. Axé (Ivanildo Garcia de Oliveira)

Yabauara, João Luiz Carneiro, a Comunidade de Axé do Pai Rivas está muito feliz pela sua conquista. É emocionante ver as fotos! São momentos únicos que você está vivendo. E não são necessários muitos anos de convívio com você, para saber da importância deste momento, para um irmão que tanto se dedica ao nosso Babá e a nossa Comunidade. Vida longa ao nosso Babá e a você, meu irmão. Este domingo não poderia ser mais especial! Axé! (Fabíula Berti)

Axé, Axé, Axé!!!  A comunidade de Pai Rivas esta em festa! Adukpé ó Baba mi ! Adukpé o João Luiz Carneiro! (Andrea Cerqueira)

Yabauara, meu irmão, parabéns pela vitória e obrigado por fortalecer o nosso Axé coletivo. O ritual é apenas a consumação de tanto esforço despendido por você em nome da Tradição e de nosso Babá!
Em uma verdadeira Comunidade de Axé, a vitória de um é a vitória de todos. Vamos em frente, juntos! Axé! (Thomé Sabbag Neto)

Aranauan! Ashé! Posso aquilatar as emoções que tomaram conta de seu espírito... Nada se lhe pode comparar... Mais uma etapa vencida, Yabauara. Ashé! (Pedro Nogueira)

Estou feliz, muito feliz, axé omó orixá, axé Yabauara (José Roberto Silva)


Todo elo que é fortalecido em nossa coletividade, faz com que todos sejam fortalecidos. Que as bênçãos dos Orixas possam ser constantes em sua caminhada sempre. (Olavo Solera)"

https://www.facebook.com/erica.jorge.161/posts/548792711886312

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Iniciação

Falar de iniciação é falar de um assunto complexo até para os mais experientes, para pessoas como eu então, é tarefa árdua e perigosa. Comecemos com todo o cuidado, analisando o verbete e seu significado.

Big Bang

i.ni.cia.ção

sf (lat initiatione) 1 Ato ou efeito de iniciar ou iniciar-se. 2 Ação de começar. 3 Cerimônia pela qual se inicia alguém nos mistérios de alguma religião ou doutrina. 4 Admissão de alguém em qualquer ordem. 5 Segundo o ocultismo, espécie de educação gradual, em que o discípulo, instruído primeiramente nas suas possibilidades mediante uma exposição dogmática e ainda hipotética, desenvolve em si, por seus próprios esforços, faculdades transcendentes, das quais por enquanto só possui o germe. (fonte: Michaelis online)
s.f. Ação ou efeito de iniciar ou iniciar-se. / Cerimônias pelas quais alguém era admitido ao conhecimento de certos mistérios nas religiões antigas e que acompanham hoje a admissão em diferentes sociedades secretas. / Ação de dar a alguém as primeiras noções de certas coisas que ignorava: iniciação à filosofia. (fonte: Aurélio online)

Estes são os conceitos tradicionalmente aceitos, onde um leigo, ao aderir a determina corrente de pensamento, recebe a iniciação de um adepto mais velho e outorgado para isso, normalmente um mestre, ou um pai espiritual.

A Iniciação existe há milhares de anos, quando o mais velho elegia seu sucessor, ou para garantir a perpetuação daquele conhecimento. Portanto, era raro alguém receber a Iniciação, pois essa significava Poder e Liderança sobre determinado povo ou credo. Hoje não ocorre assim, sendo a Iniciação tratada com menos cuidado e parcimônia.

Pai Rivas define iniciação como sendo o “conhecimento da Origem de todas as coisas, inclusive de si mesmo”. Iniciar-se então é conhecer o Início.

Vivemos envoltos no Universo, realidade regida pelo Espaço e Tempo.O Espírito, imortal, eterno, não é regido pelas dimensões Espaço e Tempo. Quando o Espírito resolveu se manifestar através do Corpo físico, criou a dualidade (o Manifesto e o Imanifesto). E embora liberto da dimensão Espaço e Tempo, preferiu estar exposto a ela.

Portanto, sua percepção começou a se iludir com o que não existia e criar necessidades que anteriormente não possuía.
Na medida em que o Espírito foi se aprofundando na matéria, criando seus corpos densos, foi iludindo-se cada vez mais. A ponto de hoje não mais se reconhecer como Espírito, esquecendo-se e até negando-se em acreditar que é eterno. Não se imagina longe do conforto da vida moderna, com suas necessidades tão prementes e inadiáveis... Dinheiro, beleza, poder, fama.
O Espírito descobriu a Inveja, o Egoísmo, a Vaidade, a Ambição, A Gula, a Luxúria, o Ódio. Envolto em todos estes véus de Ilusão, construiu a Vida Moderna, verdadeiro grilhão formado por elos numerosos, dificultando a passagem de um mínimo sequer de Lucidez Espiritual.

A Iniciação é a busca desta Lucidez esquecida.

A retirada destes véus é o único caminho para o Espírito voltar a se reconhecer. No entanto, isso pode ser extremamente perigoso. Extremamente dolorosa, chegar até a Verdade e vê-la pode provocar a perda do equilíbrio mental. Deve ser feito por um Mestre consumado, preparado e outorgado para isso. Senão, a Iniciação será apenas uma Escola de feitura de Loucos.

E o que dizer então das iniciações feitas em cursos, por meio de apostilas?
Se é certo que há quem faça, é mais certo ainda que há quem compre. Para todo rebanho há um pastor.
Dizer que a cada um seu quinhão de responsabilidade, e isentar-se do dever de discutir o assunto, é mais cômodo, claro. Seria mais fácil dizer que cada um segue o caminho que quiser, que cada um compra o que deseja, e se ilude o quanto quer...
No entanto, esta prática tem se tornado cada vez mais freqüente, e o número de cursos proliferam de forma assustadora. Não é mais possível se isentar do dever de falar sobre esse assunto.
O caminho da Iniciação é como caminhar sob o "fio da navalha". O limiar entre a sanidade e a loucura é tênue. Somente um Mestre consumado, de fato e de direito, pode nos mostrar o caminho. 

Obaositalá

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, leia:
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2013/11/a-iniciacao-se-transforma-em-uma.html 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pierre Verger x Joana Elbein



             A aula de Sistemas Religiosos do 3º ano na FTU nos trouxe mais uma grande surpresa. 
            A leitura de dois textos propostos pelo Prof. Olavo (Ygbere) foi difícil.
            Página após página, dúvidas surgiam. 
            Os dois autores, Pierre Verger e Juana Elbein, são respeitadíssimos em seus meios. Ambos constituem leitura obrigatória para quem se propõe a compreender as Religiões Afro-Brasileiras, e são de fundamental importância para quem deseja ser um Teólogo Umbandista.
            Pierre Verger, um jovem abastado francês que resolve viver fotografando a cultura africana, e que fica famoso com isso, vem para o Brasil, e se aproxima das Religiões Afro-Brasileiras, passando a escrever sobre elas. Chega a visitar a África algumas vezes, onde recebe o título de Fatumbi, e a outorga de Babalawô.
            Juana Elbein, antropóloga, iniciada no Santo e esposa de um Babaogê famoso na Bahia, defende seu doutorado em Sorbone/França com a tese Os Nagô e a Morte, e que posteriormente vira um dos livros mais lidos pelos adeptos das Religiões Afro-Brasileiras.
            O primeiro texto, escrito por Pierre Verger, é uma crítica ao livro Os Nagô e a Morte, escrito por Juana Elbein. Neste texto ele a acusa formalmente de construir um sistema teogônico sofisticado, estruturado, embelezado, dualista.  Chama atenção para obras que deram origem a erros crassos de interpretação da cultura africana, e como estas obras foram sendo assimiladas e reproduzidas por outros autores, até chegarem aos dias atuais.  Erros conceituais, e até de simples tradução ou entonação vocal originaram, segundo ele, erros irreparáveis. E para os pesquisadores menos preparados, ou menos sérios, estes conceitos foram fatais. Enfim, Verger coloca dúvidas razoáveis na obra de Juana Elbein. Questiona sua idoneidade e sua reputação como Antropóloga.
            O segundo texto foi escrito por Juana Elbein, como direito de resposta dado pela mesma revista que publicou o texto de Verger. Neste texto, Juana fala do conceito “desde dentro”, como uma iniciada e verdadeiramente envolvida com o Santo, chamando a atenção para o fato de que, embora Verger tenha o título de Babalawô, jamais teve terreiro. Segundo ela, sua experiência de anos vividos em dois terreiros famosos da Bahia, mais a sua convivência conjugal com seu Pai de Santo, capacitam-na para escrever sobre tudo que viu e ouviu. Ela chama isto de Antropologia Iniciática.
Acusa Verger de buscar o exotismo, a beleza e o bom primitivo, desprezando a capacidade do povo africano em construir uma teogonia tão complexa e paradigmática. Questiona ela os conceitos expostos no conhecimento acadêmico. Questiona também a capacidade de Verger em interpretar os valores dos povos africanos. Acusa-o de falta de probidade, de ter limitações metodológicas, e de produzir conceitos esvaziados de conteúdos filosóficos.
Segundo ela, Verger insiste em manter a cultura africana no primitivismo, num estágio inferior, fácil de ser manipulada e dominada. Mais um discurso colonialista europeu. Tenta desvalorizar a tradição oral, fonte primordial do conhecimento das Religiões Afro-Brasileiras, e procura desacreditar a sagrada relação mestre-discípulo, que caracteriza o caminho da Iniciação dos terreiros.
Em sua visão racista, mantém a visão folclorizante do outro, que se deseja dominar, procurando alienar e cooptar.
O discurso de Pureza esconde o vil preconceito. Pretendendo proteger os incapazes, procura manter o monopólio da Verdade, e reage à mínima contrariedade, quando vê seu Poder ameaçado.
Juana mostra-se coerente, consciente de seu papel. Verger, ao contrário, mostra-se arrogante e superior.
Ficam bem claros os conflitos de gênero entre Verger e Joana. Mas, acima de tudo, fica evidente a questão de hierarquia. Como pode uma iniciada sobrepor a opinião de um Babalawô? Verger não suportou, por certo, as duas coisas ao mesmo tempo. Perda de prestígio, humilhação e medo do ostracismo, teria sido isso que pensou Verger para compilar seu texto?
É inegável o valor de Verger, ele é referência em todos os textos escritos sobre o Povo de Santo. Mas, é inegável que este texto deixou bem claro que a tolerância com as diferenças não era uma qualidade dele.
Em minha pouca experiência, achei fabuloso poder encontrar textos tão bem escritos, e capazes de manter minha atenção por tão longo tempo. 

Ver também:
https://drive.google.com/file/d/0B0QWMww0gZVYMmFZemViU3p0d3M/view

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