"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica, poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias." Deepak Chopra

sábado, 26 de dezembro de 2009

Agulhadas e Sentença de Morte à nossa inércia!


Pai Caio de Omulu
Sacerdote umbandista, escritor, autodidata, estudioso de tudo que diz respeito a Umbanda e as religiões afrobrasileiras.


"O caso da criança de dois anos, que teve dezenas de agulhas enfiadas em seu corpo pelo seu padrasto em Ibotirama no oeste baiano, que tem como suspeitas de participação e envolvimento duas mulheres, uma identificada como amante do padrasto e outra, uma senhora que se diz Mãe-de-Santo, chocou e indignou o país diante da sua brutalidade.

A sequência de assassinatos misteriosos, com requintes de perversidade, em diversos bairros da capital cearense, cuja a investigação policial corre em sigilo e que está ligado, segundo a imprensa local, a rituais de magia negra tendo como possíveis suspeitos membros de terreiros de Umbanda está assustando a coletividade dos cultos afro-brasileiros em Fortaleza.

Para as autoridades religiosas e adeptos dos cultos e religiões afro-brasileiras uma certeza absoluta, ambos os casos nada tem haver com a doutrina, teologia, rito e liturgia, e as tradições do Candomblé, da Umbanda, do Omoloko, do cultos de nação em geral. Tão pouco é alicerçado ou respaldado pelos ensinamentos difundidos pelo mundo espiritual presente nessas religiões e cultos, bem como ministrados por seus sacerdotes e sacerdotisas.

Assim como todos, esses atos criminosos nos chocam, nos indignam e evidente que somamos a nossa voz ao coro de repúdio da sociedade, cobrando justiça e nos solidarizando as vítimas e seus familares.

É ponto pacífico, que tais atos são perpetrados por indivíduos ou grupos desequilibrados, destituídos de discernimento, razão ou quaisquer valores morais. Obnubilados por sandices e crendices desvirtuadas, somente acreditam no ódio, na vingança e nos seus desejos e sentimentos mais mesquinhos e vilipendiosos. Muitas vezes são seres vazios de tudo, sem rumo, horizonte e sem nenhum resquício de valores básicos da convivência humana.

Poderíamos discorrer longamente sobre os motivos ou exatamente a falta deles, que levam as criaturas humanas se assemelharem as bestas-feras e alcançar com seus atos a mais baixa iniquidade, caindo de cabeça nas sombras, na escuridão e nas trevas da alma.

Também poderia enveredar pelo caminho realista da discriminação e do preconceito que ainda resiste na sociedade, em pleno terceiro milênio, em relação a tudo o que diz respeito as religiões e cultos afro-brasileiros.

Prefiro, no entanto realizar uma reflexão crítica sobre a permissividade que grassa no seio do movimento dos cultos afro-brasileiros, que se não é a origem desta percepção discriminatória e preconceituosa da sociedade, contribui amplamente para sua existência.

Sempre digo que: “Quem permite o pouco, assiste passivamente o muito”. Essa sensação muitas vezes me vem a tona no dia-a-dia da religião.

A despeito dos religiosos sérios, dos trabalhos dignos e valorosos encetados em muitos templos, terreiros, tendas, choupanas, centros, barracões, roças etc, independente da luta nobre das diversas associações, organizações, instituições e federações pelo bom nome e da dignificação das religiões e cultos afro-brasileiros, da busca pela inserção e reconhecimento da sociedade, fato é que:

1 - Os desmandos da autoridade religiosa ainda é um câncer a ser extirpado;
2 - Os vendilhões do templo, continuam a vender qualquer coisa pelo melhor preço que conseguirem;
3 - Os mercadores da fé traficam falsas esperanças, curas impossíveis, realizações de quimeras, e satisfação de qualquer tipo de desejo, sentimento e vontade;
4 - O culto a personalidade, a egolatria, o poder desmedido fascinam autoridades e criam um despotismo renitente;
5 - A mediunidade como fim e não como meio que ressalta o fenômeno e respalda o maravilhoso e o sobrenatural;
6 - A falta de disciplina e disciplinadores;
7 - A facilidade como se aplaude, louva, permite, aceita se é condescendente, mesmo em nome da educação, da tolerância e do respeito ao próximo, com o que se sabe ser errado;
8 - A falta de estudo e pesquisa ou a existência deles, não pelo poder do saber, mas pelo conhecimento salutar que alicerça a fé e abre os horizontes da visão espiritual;
9 - A desarticulação fraterna, a falta de união, a visão míope da defesa dos minifúndios, ou mesmo dos latifúndios religiosos.
10- Por fim e não chegando ao fim de uma lista muito maior que essa, a total desvalorização que os próprios religiosos nutrem sobre as iniciativas individuais ou coletivas válidas, sejam por pessoas, grupos ou instituições a favor das religiões e cultos afro-brasileiros.
Nos calamos demais, silenciamos mais ainda.
Diz o ditado que quem cala consente. Assim consetimos demais, deixamos correr frouxo, fazemos vista grossa, muitas vezes ao que acontece no interior de nossas casas espirituais, logo ao lado, ou mesmo em lugares que somos convidados a visitar.

São pais e mães de “poste”, sacerdotes e sacerdotisas “alienígenas”, que caem de paraquedas e ninguém sabe de onde veio ou surgiu, a “mistureba”, em nome da evolução e da modernidade, com ritos, conceitos e doutrinas exteriores as tradições das religiões e cultos afro-brasileiros, fora a “demonização” impetrada por nós mesmos, na tentativa de gerar uma aura de respeito e medo aos outros , de divulgar a crença absurda que somos detentores de “verdades absolutas”, de um poder mediúnico “forte”, manipuladores de “magias” poderosas e conhecedores de ensinamentos ocultos, místicos e sobrenaturais.

Sim, devemos matar esta inércia que solapa a realidade de nossas religiões e cultos afro-brasileiros e a inaptidão que nos paralisa e impede de conseguirmos reverter esta errônea percepção que a sociedade e a mídia possuem de nós, antes que pela inércia e incapacidade morramos, transformados definitivamente naquilo em que não somos, não pregamos, não cultuamos e nem defendemos.

Bradamos ao mundo a discriminação e o preconceito e esquecemos de olhar para o próprio umbigo e ver muitas vezes a manifestação a discriminação e o preconceito intra-religiosos.

Exigimos respeito e consideração e deixamos tanta coisa errada acontecer no interior e no entorno do nosso movimento religiosos.

Não podemos culpar os outros de olharem para nossas religiões e cultos e enxergarem em muitos locais que visitam, exatamente aquilo que eles já ouviram falar de errado, ou as ideias pré-concebidas que adquiriram através, por exemplo de alguns setores mal informados da mídia e do ataque de outros segmentos religiosos.

Às vezes penso que gostamos desta pecha e de vivermos assim como párias religiosos da sociedade e cultura de periferia no seu sentido pejorativo.

Definitivamente, não praticamos rituais satânicos, sacrifícios de seres humanos, rituais de magia negra, enfiamos agulhas em criança ou qualquer coisa assemelhada e parecida.

Agulhadas merecem todos nós, adeptos das religiões e cultos afro-brasileiros para que reajamos e não fiquemos escondidos em nossas conchas, com a cabeça, feito avestruz enfiada na terra, repetindo incansavelmente para nós mesmos, isso não tem nada haver comigo, logo vai passar.

Sentença de morte merece a inércia que congela e paralisa a nossa iniciativa de luta, de união, de espírito de corpo, de fraternidade, liberdade e igualdade que as religiões e cultos afro-brasileiros já merecem a muito tempo.

Pensemos nisso ao apagar das luzes de 2009."


Paó, Pai Caio!!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

VIII Feira CulturalPreta


“Herança Compartilhada: Negros e Indígenas”

A cidade de São Paulo será novamente palco de uma das mais tradicionais festas de celebração da cultura negra brasileira. A 8ª edição da Feira Preta Cultural acontece no dia 13 de dezembro, das 12h às 22h, no Palácio das Convenções do Anhembi.

O evento terá o tema “Herança Compartilhada: Negros e Indígenas”. O diálogo de duas riquezas culturais que ajudaram a construir a identidade nacional do nosso país.
O encontro é conhecido por reunir música, dança, artesanato, moda, culinária, literatura, cinema e outros elementos da cultura negra em um só local.

A expectativa é de que cerca de 10 mil pessoas freqüentem esse grande festival em 2009. Em sete anos mais de 70 mil visitantes passaram pela Feira Cultural Preta.
A programação cultural será marcada pela presença de povos tradicionais em toda a sua programação. Artistas plásticos, literários, cineastas, religiosos, estilistas, dançarinos, atores, entre outras personalidades darão o tom que celebrará a diversidade cultural.

O público será convidado a interagir com as artistas por meio de oficinas, bate-papo, desfiles e manifestações culturais. E mais. Na Passarela da Preta, a marca de roupas Balaco traz em sua coleção a visão estética da mistura do negro com o índio.

No Palco Alternativo o espaço estará livre para experiências sonoras e a artistas underground. No Microfone da Preta os visitantes terão o microfone aberto para expressar seus pensamentos.

A Feira conta ainda uma série de palestras e oficinas culturais nas áreas de gestão de negócios, empreendedorismo, política pública, turismo étnico, educação entre outros temas relevantes.

Tudo isso, além dos já tradicionais Espaços Culturais, Mercado da Preta e Degustasom com o Boteco Vila do Samba e das atrações musicais que contará com a Liga do Samba Rock: Clube do Balanço, Opalas e Sandálias juntos no mesmo espetáculo musical.


http://www.feirapreta.com.br/site/node/26

domingo, 6 de dezembro de 2009

Marcha Mundial pela Paz e Não Violência


Se você clama pelo fim da violência participe da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência!

17/12 (quinta-feira) em SALVADOR, às 15hs, percusso do CAMPO GRANDE a PRAÇA MUNICIPAL


Pelo fim da violência econômica e a injustiça social,

Pelo fim da violência contra jovens, mulheres e crianças,

Pelo fim da intolerância religiosa,

Pelo fim da discriminação e do preconceito,

Pelo fim da violência contra os homossexuais, travestis e transexuais,

Pelo fim da violência contra as pessoas vivendo com HIV/AIDS,

Pelo fim da violência contra dos movimentos sociais,

Pelo fim das guerras, pelo desarmamento nuclear,


Pelo fim da violência contra a pessoa idosa.


A Capital da Bahia recebe a equipe internacional que percorre o mundo exigindo o desarmamento nuclear e o fim de todo tipo de violência
A Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência é a maior mobilização da história, pelo fim das guerras, pelo desarmamento nuclear e pelo repúdio a todas as formas de violência. Os organizadores dessa campanha mundial (Mundo Sem Guerras e Sem Violência, organismo internacional do Movimento Humanista) conseguiram adesões dos mais diferentes setores e correntes do mundo.
Além das adesões de personalidades do campo da ciência, religião, artes, política e chefes de Estado milhares de pessoas comuns e organizações estão realizando as mais criativas iniciativas para “Criar Consciência de paz e de Não-Violência Ativa”, (oficinas, festivais, passeatas, cinema, simpósios, etc.) em bairros, escolas, universidades ver objetivos no site: www.marchamundial.org.br
Além dessas ações de conscientizaçã o um grupo de voluntários(as) de várias culturas estão percorrendo toda o planeta para pedir o fim das guerras e pelo desarmamento nuclear mundial. Essa “Equipe Base” da Marcha Mundial, como chamam os organizadores, iniciou sua viagem de volta ao mundo no dia 02 de outubro desse ano (dia internacional da Não-Violência em homenagem ao nascimento de Mahatma Gandhi).
A partida foi na cidade de Wellington capital de Nova Zelândia, a equipe já passou por vários países da Ásia, Oriente Médio, Ex-União Soviética, Europa e agora está na África, para depois seguir para o Continente Americano onde termina a jornada no dia 02 de janeiro de 2010 no Parque de Estudos e Reflexão Punta de Vacas, ao pé do Monte Aconcágua, Cordilheira dos Andes em Mendonza Argentina.
Pode-se acompanhar em tempo real a vigem da Equipe Base pelo site: www.theworldmarch. org e ver as fotos dos locais que ela já passou pelo link:
http://picasaweb.google.es/imagenpressenzaspain?showall=true#100


Participe traga seu grupo, organização, coletivo, movimento, sua bandeira, sua voz e seu clamor!

Maiores informações:

Comitê – Salvador/Bahia
Ademir Santos (71) 9936-5046 – 9142-3132
Nilda – (77) 8827-1724
Lourdes (11) 8159-2347

www.marchamundial.net
www.marchamundial.org.br
www.movimentohumanista.org

E-mail:mmp.pazeanaoviolenciasalvador@ gmail.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cartilha da Defensoria Pública de São Paulo

http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/Default.aspx?idPagina=3510

1 - Por que devemos denunciar a discriminação sofrida?
Todos sabem que qualquer punição ou indenização
não será suficiente para curar a dor sofrida
com a discriminação.
Mas as pessoas não devem se calar em situações
tão graves. É preciso denunciar para combater a
discriminação e contribuir para efetivação dos
direitos à igualdade e à diferença e para consolidação
de uma sociedade verdadeiramente plural.

2 - O que é direito À Igualdade?
A Constituição Federal afirma que as pessoas
nascem livres e iguais.
As leis valem para todos e é proibido discriminar,
sendo que todas as pessoas devem ser tratadas de
forma igual, por quem quer que seja e pelo Estado.
O direito à igualdade, no entanto, também é o
direito à diferença.

3 - O que é direito à Diferença?
É a possibilidade que todos têm de ser e viver
segundo a sua própria cultura e suas características
pessoais sem ser discriminado por isso.
O direito à igualdade e o direito à diferença são as
faces de uma sociedade plural.

4 - O que é uma sociedade Plural?
É uma sociedade como a brasileira, que é formada
com a contribuição das mais diversas culturas.
Deve-se respeitar as pessoas e também as diferentes
manifestações culturais para que todos tenham o
mesmo tratamento dos demais.
Nunca se pode esquecer que todos são seres
humanos e é respeitando e aprendendo com as
diferenças que se cresce como pessoa e como povo
brasileiro.
Mas enquanto as pessoas aprendem a viver em uma
sociedade plural, podem ocorrer discriminações,
justamente por quem não tem essa consciência.
Caso isso aconteça, o que pode ser feito?

5 - O que fazer em caso de discriminação?
Quem já sofreu discriminação sabe que tal
ato dói fundo porque o desrespeito é muito
grande.
Nada pagará a humilhação sofrida. Mas não
adianta discutir violentamente com o ofensor.
Embora seja difícil, é preciso manter a calma
e pensar no que pode ser feito para que o
direito à igualdade e à diferença sejam
efetivados.
Uma dica que pode ser útil é tomar nota,
mesmo que mentalmente, de todos os
detalhes, com a máxima precisão.
Se puder, é importante anotar o nome, endereço,
telefone do ofensor e das pessoas que
presenciaram o ocorrido, assim como, detalhes
do local onde aconteceu a discriminação
(não tem problema faltarem alguns dados).
Dependendo da forma da discriminação, deve
-se ainda guardar documentos como nota fiscal,
anúncio, propaganda, fotos, reportagens,
que podem ajudar na hora de denunciar.
Com as informações e eventuais documentos,
deve-se ir à Delegacia de Polícia, mais próxima
do local onde ocorreu a discriminação ou da
residência da pessoa que foi discriminada,
para pedir que se faça um boletim de ocorrência
(BO). Antes de sair da Delegacia, não
esqueça de pedir uma cópia do BO.
Após, é necessário procurar um advogado ou,
caso não tenha condições de arcar com os
custos, a Defensoria Pública para propositura
das medidas jurídicas cabíveis.

6 - LeisInjúria qualificada prevista no Código Penal
Artigo 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 3º - Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem
ou a condição de pessoa idosa ou portadora
de deficiência.
Pena - reclusão, de um a três anos e multa.
Lei 7.716/89:
Esta lei define os crimes e punições resultantes
de discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional
Convenção Internacional sobre a eliminação de
todas as formas de discriminação racial
(Ratificada pelo Decreto 65.810/69)
Para mais informações sobre os dispositivos
legais consulte:
www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/discriminacao

7 - Onde Procurar ajuda:
Além das Delegacias de Polícia, pode-se buscar
atendimento nos seguintes locais:

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO(Núcleo de combate a discriminação, racismo e preconceito)
Avenida Liberdade, 32 — 7º andar, sala 06 - Centro
CEP: 01502-000
Telefone: 3105-5799
núcleo.discriminação@dpesp.sp.gov.br

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Rua Riachuelo, 115 — Centro - CEP: 01007-904
Telefone: 3119-9000

OUVIDORIA DA POLÍCIA DE SÃO PAULORua Japurá, 42 - Bela Vista - CEP:01319-030
Telefone: 3291-6006 / 0800-177070

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Rua Peixoto Gomide, 768 - Cerqueira Cesar - CEP: 01409-000
Telefone: 3269-5000

DELEGACIA DE CRIMES RACIAIS E DELITOS DE
INTOLERÂNCIA - DECRADI
Rua Brigadeiro Tobias, 527 - 3º andar - Luz
Telefone: 3311-3556 / 3315-0151 ramal 248

SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA E DEFESA DA
CIDADANIA
Pátio do Colégio, 148-184 - Centro
CEP: 01016-040
Telefone: 3291-2600

SOS RACISMO - DISQUE DENÚNCIA(Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa
do Estado de São Paulo)
Telefone: 0800-7733886

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quem é Mãe Stella?


Mãe Stella recebe título de Doutor Honoris Causa da Uneb

Cleidiana Ramos, do A TARDE
Rejane Carneiro / Agência A TARDE

Mãe Stella é uma das ialorixás mais respeitadas na Bahia
Nesta quinta, em cerimônia que começa às 9h30, no auditório da Uneb, no Cabula, a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, vai receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Mãe Stella, uma das mais conhecidas sacerdotisas do candomblé baiano, festeja esta semana seus 70 anos de iniciação religiosa.
O título da Uneb é mais uma honraria que vem se somar às conquistadas por Mãe Stella. Ela já foi agraciada com a Medalha Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador; a da Ordem do Cavaleiro, do governo da Bahia; comenda do Ministério da Cultura, além do título de Doutor Honoris Causa, da Ufba, concedido em 2005.
A homenagem foi sugerida pelas professoras da Uneb, Yeda Pessoa de Castro, Márcia Rios, Norma Lopes e Rosa Helena Blanco, integrantes do Departamento de Ciências Humanas da Uneb. A proposta para o título foi formalizada no Conselho Superior Universitário (Consu) pelo diretor do departamento, Egnaldo Pellegrino.
A principal justificativa para o título é o reconhecimento pela trajetória da ialorixá em defesa da sua herança cultural afro-brasileira que é a mesma de grande parte dos baianos.
“A trajetória de Mãe Stella tem grande relevância para a academia e a sociedade já que, como líder religiosa, foi importante defensora da cultura de matriz africana. A concessão desse título é mais uma iniciativa que reforça essa missão da nossa Uneb de promover a igualdade étnica e social", destaca o reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim.
A Uneb concede o titulo de Doutor Honoris Causa a pessoas que tenham se distinguido de forma significativa por seus conhecimentos ou atuação em defesa das artes, ciências, filosofia ou melhor entendimento entre os povos.
A professora Yeda Pessoa de Castro, que fez parte do grupo de docentes autores da sugestão para que Mãe Stella recebesse o título, afirma que a yalorixá se destaca não só pela defesa da sua religião, mas também na luta em prol do respeito à diversidade.
“Além disso, ela tem escrito vários livros onde aborda a ética das suas tradições religiosas e ao mesmo tempo defende também a natureza, afinal as religiões afro-brasileiras são religiões ecológicas“, diz.
Mãe Stella é autora de E daí Aconteceu o Encanto, escrito em parceria com Cléo Martins e publicado em 1988; Meu Tempo é Agora (1993); Oxóssi, o Caçador de Alegrias (2006), Owé- Provérbios, lançado em 2007 e Epé Laiyé- Terra Viva, publicado este ano e voltado para o público infanto-juvenil.
Outras comemorações- Além do título de Doutor Honoris Causa, Mãe Stella vai receber homenagens no Ilê Axé Opô Afonjá. A programação, organizada pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, inclui, no próximo sábado, inauguração da Praça Mãe Stella no terreiro, pela manhã, e à noite uma festa em homenagem a Oxóssi.
Aos 84 anos, Mãe Stella está há 33 à frente do Ilê Axé Opô Afonjá. Ela é a quinta ialorixá a ocupar o comando do terreiro que completa 100 anos em 2010. Enfermeira aposentada, Mãe Stella foi a responsável pela instalação no Afonjá do Museu Ohun Lailai e da Escola Eugênia Anna dos Santos, que é uma das referências no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.
Ela também foi a líder de um manifesto, divulgado na década de 1980, onde defendia que o candomblé firmasse a sua posição como religião.

Espaço sagrado, comandado por mãe Stella de Oxóssi, foi alvo da ação de ladrões



Ladrões invadiram, nesta segunda-feira, o terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. Entre os 20 quartos que foram invadidos e revirados está o espaço sagrado de Oxalá. “Foi um episódio de vandalismo”, reclamou o ogã Ribamar Daniel, presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá.
O crime aconteceu por volta das 4h30. Pouco depois, o segurança do terreiro se deu conta de que os quartos do terreiro haviam sido invadidos. De acordo com o ogã, os bandidos fizeram um buraco que deu acesso à cozinha da casa onde os filhos de santo se hospedam durante os trabalhos e rituais.
“Mas não tinha nada de valor lá. Estava tudo fechado, os trabalhos foram finalizados e a Casa estava isolada”, explicou o ogã. Para Daniel, o crime pode ter sido praticado por pequenos usuários de drogas da localidade. “É uma falta de respeito para com um espaço religioso”, indignou-se.
Esta não é a primeira vez que o templo é invadido. “Todas as vezes registramos queixa na 11ª CP (Delegacia de Tancredo Neves)”, lembrou o ogã.
Providência - Indignado com a ação, Ribamar Daniel disse que entrou em contato com o secretário da Segurança, César Nunes, que se comprometeu a enviar uma viatura ao local.
Nesta segunda à tarde, uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a perícia. “Esperamos que haja um retorno por parte dos poderes públicos”, declarou o ogã.
Após a perícia, o local por onde os bandidos invadiram o terreiro foi fechado, assim como foram lacradas as portas dos quartos.
O crime vai ser apurado por policiais do Serviço de Investigação (SI) da 11ª CP (Tancredo Neves), comandados pela delegada plantonista Simone Moutinho.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1297061