sábado, 26 de julho de 2014

Número de consultas em Centros Espíritas ultrapassa o de grandes hospitais


Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês). "Este número é muito superior ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos", destaca o médico psiquiatra Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A média relatada de atendimentos semanais em cada instituição foi de 261 pessoas.
 
"Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos serviços de saúde", revela, lembrando que, geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros espíritas.
 
Vallada Filho foi o orientador da dissertação de mestrado Descrição da terapia complementar religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo com ênfase na abordagem sobre problemas de saúde mental, de autoria da médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti, apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP em dezembro.
 
A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos. Observou-se também que apenas uma pequena minoria realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes. Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).
 
Centros espíritas

A autora realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições. Neste levantamento, foram considerados apenas centros espíritas "kardecistas", ou seja, aqueles que seguem a doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos (publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
 
A médica enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um dos 504 centros. Destas cartas, 139 voltaram devido a problemas como mudança ou erro no endereço. Das 370 que restaram, apenas 55 foram respondidas. "Se considerarmos que essa média de 60 mil atendimentos mensais representa menos de 15% da totalidade dos centros existentes na cidade, chegaremos a um número total de atendimentos muito superior aos dos 55 que participaram do estudo", destaca Vallada.
 
Um questionário foi respondido apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do centro. O material era bastante extenso e continha perguntas ligadas à identificação e funcionamento do centro, o número de voluntários e de atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais os motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita a diferenciação entre mediunidade, obsessão e transtorno psicótico e quais orientações para estes casos, entre outras questões.
 
Resultados

Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com dois anos. Em praticamente quase todos, os usuários são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.
 
Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química, abuso de substâncias e problemas de relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo todas sem uso de cortes.
 
Quanto à diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios, estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma religião e cultura específicos, entre outros.
 
"Esse levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/06/numero-de-consultas-em-centros-espiritas-ultrapassa-o-de-grandes-hospitais.htm

PS: Se este trabalho incluísse todos os terreiros, tendas, templos das religiões afro-brasileiras, imagino como ele teria mais relevância.

Especialistas estudam efeitos da Espiritualidade na saúde do brasileiro

  • As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes
Fato que não chega a ser raro na rotina médica de cardiologistas é se deparar com pacientes que apresentam melhora no seu quadro clínico após promessas, orações e pedidos ao santo de sua devoção para que os ajudem na sua cura.

Na prática, não há respostas científicas para isso. Mas muitos profissionais já começam a se interessar pelo assunto, não só no Brasil, mas no mundo todo. Um deles é o cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que coordena o Grupo de Estudos em Espiritualidade, e participará como debatedor em duas mesas-redondas sobre o tema no 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que será realizado em setembro, no Rio de Janeiro.

O objetivo é entender se o modo como as pessoas vivem e encaram as doenças pode interferir na saúde e na recuperação de problemas cardiovasculares.

"As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes", afirma Avezum. "Além disso, sentimentos tidos como positivos são relacionados à melhora de doenças em geral", avalia.

Para o especialista, a espiritualidade é uma postura perante a vida e não uma religião. Desta forma, sentimentos de paz, tolerância, tranquilidade, perdão e resignação caracterizam uma personalidade espiritual, influenciando na saúde do coração. "Tanto que o grupo é integrado por agnósticos, judeus, católicos, muçulmanos, espíritas e até mesmo ateus", conta.

Fase inicial

Os estudos ainda estão em fase inicial. Porém, Avezum comenta: "Há de chegar o dia em que poderei dizer ao paciente que, se ele for espiritualizado e souber lidar bem com as suas emoções, evitará as cardiopatias ou pelo menos elas não serão tão graves. Da mesma forma como hoje posso dizer com segurança a um paciente que, se ele fuma, tem maior possibilidade de sofrer um infarto do que um não fumante".

O grupo, atualmente, desenvolve uma pesquisa com 14 mil médicos associados à Sociedade Brasileira de Cardiologia, na qual os profissionais são questionados se têm religião, se frequentam igrejas ou cultos, com que frequência leem trabalhos sobre o tema e se têm o hábito de rezar ou não.

Esse questionário vem de um estudo norte-americano, já que há bastante tempo os Estados Unidos investem nesse tipo de pesquisa. Tanto que 80 faculdades de medicina daquele país incluem formalmente no currículo a cadeira Saúde e Espiritualidade, enquanto por aqui essa matéria só é curricular em três instituições.

No Brasil

Segundo a literatura científica mundial, há uma correlação direta sobre espiritualidade e doenças cardiovasculares, uma conclusão que o grupo de estudos brasileiro se propõe a verificar se é válida também para o Brasil.

Outra médica que pesquisa o assunto é a ginecologista Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, a AME, entidade que acaba de realizar a 9ª edição do Mednesp – Congresso Nacional Médico-Espírita do Brasil, em Maceió, Alagoas.

O tema desenvolvido durante o congresso foi a relação entre a saúde do corpo, da mente e do espírito, com palestras em torno de estudos médicos que usam a fé, a oração e a espiritualidade nos tratamentos e processos de cura.

Para a médica, o que é importante para o espírito são os sentimentos que promovem o encorajamento e a confiança de que a pessoa irá melhorar. "A atitude do ser humano pode promover uma reação favorável ao seu corpo, com sensação de bem-estar e alegria, tornando o cérebro produtor de estímulos positivos".

E, segundo ela, isso já é comprovado por estudos psicossomáticos. "Além disso, procurar ser feliz, desejar o bem dos outros e não guardar rancores já é uma boa forma de se ter uma vida muito mais saudável", afirma.

Visão católica

Para o Padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP, espiritualidade é viver em comunhão com o Espírito de Deus. É um refinamento, um desenvolvimento que se busca em qualquer religião. É algo antropológico, considerado pela Filosofia como uma virtude humana.

"Em momentos difíceis, de fragilidade, o ser humano busca sua força de origem divina para apoiá-lo. E, de forma geral, ele pode ter uma melhora sensível, em especial nas diversas doenças que afetam o coração."

Mas o Padre Valeriano ressalta: "Não estamos falando de casos extremos, em que há, por exemplo, total comprometimento do coração, e sim de problemas como hipertensão ou outras situações em que a confiança, a paz e a tranquilidade podem resultar de forma positiva. É quando a pessoa se permite receber uma graça divina por meio da fé, de promessas e orações".

De acordo com Costa, a fé pode levar à calma e à estabilidade emocional, normalizando picos de agitação. Desta forma, o coração repercute a espiritualidade e a religiosidade de cada um.

O padre, que celebra missas na Igreja Nossa Senhora do Brasil (aos domingos, às 12h30, em São Paulo), diz, inclusive, que isso é algo bem comum. "Consigo me recordar de vários casos em que promessas e orações auxiliaram no tratamento de fiéis", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/06/09/especialistas-estudam-os-efeitos-da-espiritualidade-sobre-a-saude.htm

TUO ordena mais um Sacerdote Sétimo Grau!!! Vida longa a Mestre Yamandhara!

A TUO teve a honra receber mais um Sacerdote de Sétimo Grau, por meio das mãos de Pai Rivas, sucessor de W. W. da Mata e Silva. Que as mãos abençoadas do meu Baba possam continuar produzindo bençãos maravilhosas como esta. Axé Baba mi!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mestre Yamatiara! Mais um iniciado da TUO no Sétimo Grau, Segundo Ciclo! Paó!!!!!!



http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/ordenacao-sacerdotal-consagracao-do-7.html

Quem quiser ver mais:
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/religioes-afro-brasileiras-um-dia.html

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Meninos, eu Vi! Primeira Sacerdotisa da TUO de Sétimo Grau, segundo ciclo!

Axé Baba mi. Peço agô para postar este vídeo paradigmático no blog. Um momento como este merece ser divulgado.
Eu estava lá! Vi a ordenação da primeira Sacerdotisa de Sétimo Grau, Segundo Ciclo, da TUO.
Pai Rivas quebra mais um paradigma e torna igual a condição iniciática entre homens e mulheres na TUO. Pai Rivas novamente inova e renova. Vô Matta soube bem a quem confiar a TUO. Sinto-me honrada por pertencer a esta Raiz poderosa e iluminada.
E coube a Mestra Yamaracyê (Obalolá de Xangô) o papel de desbravadora. Sua capacidade, sua força e sua grandeza como espírito tornou possível o alcance da iniciação a todas as mulheres. Bom fruto de uma árvore forte. 
Vida longa a Pai Rivas e à Raiz de Guiné.
Novos tempos, novos ares, novos desafios. 




domingo, 15 de junho de 2014

Curso de Pós-Graduação Latu Senso em Teologia de Tradição Oral - Memória, identidade e cultura das religiões Afro-Brasileiras

Curso de Pós Graduação Lato Sensu
Teologia de Tradição Oral- Memória, identidade e cultura das religiões afro- brasileiras
Justificativa:
Apesar dos avanços teóricos e metodológicos experimentados pelos estudos acadêmicos, é ainda grande a desinformação e os preconceitos com as religiões afro-brasileiras de tradição oral. Somado a isto o numero de profissionais formados com viés na cultura das religiões afro-brasileira, de tradição oral e habilitados para atender a demanda do Ensino Superior ainda é restrito. O curso pretende formar profissionais para suprir essa lacuna.
Objetivos:
Oferecer fundamentos teóricos e práticos para o exercício da reflexão da Teologia das religiões afro-brasileiras numa perspectiva contemporânea. Capacitar o aluno com um referencial técnico metodológico que oportunize a leitura e a interação crítica do fenômeno religioso das religiões de tradição oral. Refletir sobre a relação do processo histórico, social, político e religioso da memória, identidade e cultura das religiões de tradição oral.
A quem se destina:
Profissionais que atuam ou pretendam atuar em funções para as quais é indispensável uma visão profunda das religiões afro-brasileiras.
Profissionais que pretendam aprimorar ou reciclar seus conhecimentos sobre as religiões de tradição oral inseridas no campo religioso brasileiro.
Oferecer a profissionais da área de Teologia que exerçam ou venham a exercer a docência no Ensino Superior uma leitura consistente da diversidade das religiões afro-brasileiras.
Profissionais e técnicos possuidores de diploma de curso de Graduação
Carga Horária: 360 horas
Periodicidade: Período de duração do Curso: 3 semestres, aos sábados das 8:00 às 17:00.

Início: 06 de agosto de 2011

Disciplinas e Corpo docente:
1º Semestre:
• CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO - Profº Dr. Rafael Rodriguês da Silva
• VIVÊNCIAS DA TRADIÇÃO ORAL-MUSICA NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS – Profº Dr. Carlos Stasi
• SOCIEDADE, GENERO E RELIGIÃO – Profª. Drª. Maria José Rosado Nunes / Profª Dra. Regina Soares Jurkewicz


• DIÁLOGO INTERRELIGIOSO - Profº. Dr. Volney José Berkenbrock

• SEMIOTICA E ESTÉTICA – Profº Dr. Cassiano Terra
2º Semestre
• ÉTICA DAS RELIGIÕES – Prof. Dr. Wagner Lopes Sanchez
• MEDICINA DAS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS- CONCEITO DE CURA E ERVAS MEDICINAIS E RITUAIS – Profº Esp. Sac. - F.Rivas Neto
• RELIGIÃO, PODER E SOCIEDADE –
• ESCOLA DAS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS
- ESCOLAS UMBANDISTAS - Profº Esp. Sac. - F.Rivas Neto

- TAMBOR DE MINA, XANGÔ DE MINA, XANGÔ DO NORDESTE E SINCRETISMO – Profº Dr. Sérgio Ferretti – Profª Dra. Mundicarmo Ferretti
- CANDOMBLÉ – Profº Dr. Reginaldo Prandi
- TRADIÇÃO DA JUREMA – Profº Dr. Luis Assunção

3º Semestre
• METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR – Profª Ms. Maria Celina de Queiros Cabreira Nasser

• CULTURA, IDENTIDADE E MEMÓRIA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - Profª Drª Maria Helena Villas Boas Concone
• MEIO AMBIENTE E ESPIRITUALIDADE – Profª Ms Viviane Japiassu

• ANÁLISE DO DISCURSO DA TEOLOGIA DE TRADIÇÃO ORAL –

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ile-Oka 7 Estradas - Inauguração dia 31/05

FTU - Faculdade de Teologia Umbandista em Rua Roge Ferreira, 3571, Itanhaém, São Paulo
INAUGURAÇÃO DE MAIS UM TEMPLO DO PAI RIVAS!
Dia 31/05 as 18hs, teremos toque no Ile-Oka 7 Estradas.
O endereço do novo terreiro é Rua Roge Ferreira 3571, Itanhaém - SP.
Rito aberto ao público!










Para maiores informações:

http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/06/religioes-afro-brasileiras-inauguracao.html


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ordenação Sacerdotal na OICD: Iniciado de Sétimo Grau, Primeiro Ciclo! Vida Longa ao Mestre Yatamaran

É com muita alegria, que peço Agô ao meu Mestre, Pai Rivas, para postar este vídeo maravilhoso no Blog. É imensa a nossa festa! Axé Baba mi!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Até quando o ódio contra a Umbanda e o Candomblé estará dentro da Lei?

Por Isadora Bertolini

Deu meia-noite e o galo já cantou. Seu Tranca Rua que é dono da Gira. E corre a Gira que Ogum mandou. O batuque do atabaques, a cantoria dos pontos de orixás, as saias rodando, as confissões e conversas íntimas com as entidades – tudo é interrompido com um choque: membros de uma igreja neopentecostal invadem o terreiro, agridem fisicamente os participantes e depredam o local. Era a última gira da Mãe Gilda, que sofreu um enfarte e morreu três meses depois. A data de sua morte, 21 de janeiro de 2000, inspirou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
O caso da Mãe Gilda é apenas um em meio a tantos ataques contra as religiões afrobrasileiras, algo que uma data comemorativa está longe de contornar. O mais recente deles foi a declaração da Justiça Federal do Rio de Janeiro, em resposta a uma ação no Ministério Público Federal para a retirada de vídeos no Youtube de cultos evangélicos que incitavam a violência contra “macumbeiros”. A afirmação é de que a Umbanda e o Candomblé não são religiões, não configurando assim um quadro de intolerância religiosa. A justificativa é o fato de não possuírem um texto base (como a Bíblia), uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado.
Diante da forte repercussão negativa que a declaração causou, o juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do RJ, voltou atrás e reconheceu seu erro. Na nova declaração, afirma que a Umbanda e o Candomblé são religiões, mas ainda assim não aceita o pedido de remoção dos vídeos, pois isso fere a “liberdade de expressão”. Vista sob esse ponto de vista, essa “liberdade” entra em conflito com diversos aspectos da Constituição brasileira, que prevê a criminalização da intolerância religiosa, do preconceito e do racismo implícito nos discursos de ódio às religiões afrobrasileiras. O juiz que permite a permanência desses vídeos no ar, portanto, é conivente com esses crimes, desrespeitando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos) e a Lei 12.288, que reafirma os direitos iguais para a população negra (triste, em realidade, é a necessidade de criação dessa lei).
Mesmo sendo revogada, a primeira declaração da Justiça Federal é crucial para entender o preconceito diante das religiões afrobrasileiras. Mas antes de pensar nos três itens que, supostamente, constituem uma religião, é preciso dar um passo atrás: como um juiz, cuja formação é provavelmente na área de Direito, se acha no direito de fazer uma afirmação tão veemente de cunho teológico (ainda por cima em um Estado supostamente laico)? Baseada no achismo e na eleição de modelos religiosos, pautados na hegemonia do Catolicismo, Judaísmo e Islamismo, essa definição deturpada, que exclui não só a Umbanda e o Candomblé mas também religiões asiáticas, como o Budismo, o Taoismo e o Xintoísmo, demonstra como o preconceito se exprime como uma tentativa cega de negar tudo aquilo que foge do que é considerado “normal”. No caso da discriminação contra religiões africanas e afrobrasileiras, inclui-se também o preconceito racial que permeia a descrença e a depreciação de diversos aspectos da cultura negra.
As religiões africanas e afrobrasileiras não seguem o modelo eurocêntrico e ocidental de religião. Os três elementos apontados pelo juiz deflagram não só a essência dessas religiões, como também a maneira como elas propõem uma filosofia que contesta esse padrão hegemônico. Em primeiro lugar, a ausência de um texto base. “Não faria sentido escrever um livro para dar conta de toda a diversidade cosmológica de cada vertente afrobrasileira”, contesta Maria Elise Rivas, vice-diretora da Faculdade de Teologia Umbandista. Candomblé Nagô, de Angola, Jejê, Umbanda branca, kardecista, omolocô, batuque, encantaria, jurema – reduzir tudo isso a um texto seria incongruente. A cultura oral, na qual essas religiões se baseiam, é justamente o que permitiu essa diversidade. “A oralidade estimula a ressignificação das crenças de acordo com cada meio e cada tempo”, explica Maria. “Muitas vezes, um texto arcaico não faz sentido para o homem moderno. Esse caminhar histórico, mas sem perder a tradição, é marca das religiões afrobrasileiras. Por isso, não vamos ‘evoluir’ para a tradição escrita”.
A cultura oral, além disso, exige ainda mais responsabilidade individual dos praticantes, o que reforça o sentido coletivo dessas religiões. Não possuir uma estrutura hierárquica, e sim policêntrica, na qual cada escola tem seu gerenciamento, é outro desafio imposto ao modelo religioso do juiz carioca. “O próprio livro escrito é uma relação de poder”, aponta Maria. “Nas religiões afrobrasileiras, caminhamos todos juntos, há espaço para todas as vozes dentro das comunidades”.
A falta de um Deus a ser venerado, por fim, revela também a total ignorância do juiz frente a essas religiões. No caso de muitas vertentes da Umbanda, como a branca ou cristã, Deus apenas muda de nome – Olorum. Para as demais vertentes, Maria prefere o termo “henoteísmo”: “na falta de um, existem vários deuses, sendo que um se destaca frente aos demais”. A tamanha variedade de crenças e rituais na Umbanda e no Candomblé, enfim, evidenciam o que pastores evangélicos preconceituosos mais precisariam aprender: o respeito.

Enquanto o ódio e o preconceito contra religiões afrobrasileiras continuarem nos discursos de pastores, padres e outros líderes religiosos, e ainda por cima, com o aval da Justiça Federal, a intolerância religiosa não morrerá. E enquanto esse discurso for reproduzido não só pelos fiéis evangélicos, mas também pelos setores conservadores, preconceituosos e ignorantes da sociedade, a Umbanda e o Candomblé seguirão como religiões perseguidas e marginalizadas. Que a “liberdade de expressão” não seja usada como desculpa para a propagação desse discurso deturpado, que justifica ações de violência e contribui para o preconceito contra religiões tão importantes na formação cultural de nosso país
revistavaidape.com.br/2014/05/21/ate-quando-o-odio-contra-a-umbanda-e-o-candomble-estara-dentro-da-lei/

terça-feira, 20 de maio de 2014

Juiz volta atrás e agora reconhece Candomblé e Umbanda como religiões!



RIO - O juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, reviu os fundamentos da sentença em que havia declarado que candomblé e umbanda não se tratam de religiões e sim de cultos. A mudança de postura foi anunciada no início da noite desta terça-feira (20) em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Rio de Janeiro. No texto em que admite o erro e modifica parte do conteúdo da sentença, ele afirma que “o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”.


Eugênio Rosa, que havia sido alvo de pesadas críticas pela declaração inicial, reforça que está promovendo uma “adequação argumentativa para registrar a percepção deste Juízo de se tratarem os cultos afro-brasileiros de religiões”. Em outro trecho do novo texto, ao falar sobre religiões, ele justifica que “suas liturgias, deidade e texto base são elementos que podem se cristalizar, de forma nem sempre homogênea”. Na sentença original, o magistrado havia sustentado que, para ser considerada religião, uma doutrina tem que seguir um livro-base, como o Corão ou a Bíblia, por exemplo, o que não acontecia, segundo ele, com as crenças de matrizes africanas.


Ele não muda, no entanto, o teor da sentença em si. O magistrado reitera a negativa dada na ação movida pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que pedia retirada do YouTube de 15 vídeos considerados ofensivos à umbanda e ao candomblé. Na mesma nota, via assessoria, o juiz federal informa que “manteve o indeferimento da liminar pela retirada dos vídeos no Google postados pela Igreja Universal e esclarece que sua decisão teve como fundamento a liberdade de expressão e de reunião”.
O autor da ação movida pelo Ministério Público Federal que pedia a retirada dos vídeos de circulação, o advogado e babalorixá Márcio de Jagun, recebeu bem a notícia. Para ele, a sociedade civil mostrou sua união e as religiões de matriz africana demonstraram que “têm força não apenas social, mas também política”. Ele ponderou, no entanto:
- O reconhecimento do erro é sempre bem-vindo, mas o ideal é que ele não fosse resultante especificamente da pressão popular e que o Poder Público reconhecesse a cultura nacional como parte de seus instrumentos. E, sabemos, a religiosidade é sempre parte da cultura. Mais felizes nós ficaríamos se ele reconhecesse que os vídeos deveriam ser retirados.
Segundo Márcio de Jagun, o ato público marcado para as 17h desta quarta-feira (21), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, para discutir a postura judicial, não será desmobilizado em função da mudança de postura do juiz. A intenção, agora, segundo os organizadores do evento, é avaliar as melhores formas de agir para que os vídeos sejam suspensos do YouTube.



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Candomblé e Umbanda são mais que religiões!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Medicina Indígena e o Candomblé

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Patrícia Spier
"Se a medicina não retomar esse notório saber, ficaremos ainda mais doentes", defende Mãe Dango
A integração entre corpo e mente que hoje os profissionais de saúde pesquisam com o objetivo de prevenir e tratar desequilíbrios é inerente às tradições da medicina popular. Convidados a discutir como essas práticas dialogam hoje com ciência, representantes da umbanda, candomblé e da medicina praticada pelos pajés trouxeram seus saberes para o 4º Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo e Associação Palas Athena
“Na cultura indígena, não podemos dissociar as tradições de religião e medicina. Não é só a prática que é integrativa, a concepção desses saberes também são”, afirma a antropóloga Lúcia Helena Rangel. “Saúde é um estado de bem-estar físico, psíquico e mental, segundo a definição da Organização Mundial de Saúde. Nós, dentro da tradição afro-brasileira, dizemos que saúde é a harmonia do espírito", diz o médico Bruno Barbosa, membro da Faculdade de Teologia Umbandista. "Se o espírito está em harmonia, o corpo físico também está.” 
O pajé nasce com o dom da cura, explica Kaká Werá sobre as práticas dos índios guaranis 
Kaká Werá, em sua convivência com índios guaranis, explica que nessa tradição "todo o princípio de cura não é fragmentado da espiritualidade". Até hoje, em qualquer comunidade guarani há um espaço chamado de opã, a casa de reza. "O local onde acontece a cura é o mesmo onde ocorrem os encontros sagrados, os batismos, as preces, os ritos de passagem."
"É o axé que nos dá força, coragem, garra, determinação, nos excita, nos acalma", destaca Bruno Barbosa
Os ricos estão com depressão porque o dinheiro não trata a dor e os pobres têm problema de banzo porque não têm o que comer. Criamos um mundo de disputas e dele a medicina não dá conta sozinha
A ligação entre o corpo e o espírito foi destacado também por Mãe Dango, sacerdotisa de um templo de candomblé angola e ativista da liberdade religiosa no Brasil. “Se nós não tratarmos da alma, compreendendo o que é a chamada fitoterapia espiritual, se a medicina não sair do caminho da racionalidade, do cumprimento do dever, se ela não tomar de volta esses notórios saberes, discutindo um pouco o fato de que o câncer é criado pela dor da alma, no futuro estaremos ainda mais doentes."
Axé para todos
"Nas religiões afro-brasileiras, quando queremos desejar força, saúde, paz e vitalidade, desejamos axé", explica Barreto. O sacerdote explica que os banhos de folha e tudo que é feito das religiões afro-brasileiras são feitos de maneira sacralizada e ritmada. "Até pra se colher uma folha há uma metodologia que pode começar com uma simples defumação, queimando uma erva seca e essa simples queima de uma erva faz mexer na energia de elementos como fogo, ar e terra", completa.
A mãe de santo explicou também sobre a necessidade de haver no mundo, pessoas que querem discutir o que é corpo e alma, livre de preconceitos e abertos à diversidade. 
Somos luz
A dança é fundamental no processo de cura da tradição guarani, explica Kaká Werá. " A dança nos devolve a saúde, a harmonia, no nosso caso, a dança semicircular". Ele esclarece a dificuldade que existe para que as pessoas entendam essa medicina do ponto de vista meterial. "Não se pode entender como essas ferramentas curam com o olhar material porque essa tradição parte da ideia de que somos espíritos, e não matéria. Acreditamos que antes de sermos presença física dentro de uma forma, somos uma essência sutil, intangível e luminosa." 
"Para uma sociedade acostumada a acessar as informações em documentos, é preciso saber que essas práticas não são superiores nem inferiores à medicina como conhecemos hoje". A tradição guarani e suas práticas medicinais possuem cerca de 12 mil anos de existência. "A diferença é que esses conhecimentos não foram escritos." 
Fé  e ciência na mesma sintonia
"Durante muito tempo os costumes e tradições africanos e indígenas foram marginalizados, por isso é fundamental propagar as ideias e discussões", salienta Bruno Barbosa. "Precisamos deixar de encarar a ciência como algo ortodoxo ante a espiritualidade, pois não são coisas opostas, são complementares", finaliza. 
Mais sobre o simpósio
http://namu.com.br/materias/medicina-indigena-e-do-candomble

O Brasil é macumbeiro!



Há uma guerra religiosa acontecendo no Brasil. Não é exagero, é uma guerra mesmo. E aconteceu nestes dias uma das suas batalhas mais bizarras: a primeira instância da Justiça Federal no Rio de Janeiro sentenciou que os “cultos afro-brasileiros não constituem religião” porque suas “manifestações religiosas não contêm traços necessários de uma religião”.


Na visão do juiz, uma religião tem que ter um texto base (ele cita a Bíblia e o Alcorão), uma estrutura hierárquica, e de um deus a ser venerado. Foi o Ministério Público Federal que provocou essa manifestação inesperada, ao apresentar uma ação em que pedia a retirada do Youtube de vídeos de cultos evangélicos que o MPF considerou intolerantes e discriminatórios contra as práticas religiosas de origem africana.

E foi para negar ao pedido de retirada que o tal juiz decidiu que umbanda e o candomblé são não-religiões. O MPF já recorreu, e é impossível que a decisão não seja revertida, por ser inconstitucional. Mas a sentença desse juiz é exemplar. Exemplar não no sentido de correta, mas de expor o centro, o coração da discussão, ao mencionar “deus único”, escritos religiosos e hierarquia constituída como “requisitos”.

Na verdade, se voltarmos à espiritualidade ancestral, veremos exatamente o contrário, ou quase. Mesmo onde há hierarquia (local) empossada em algum tipo de xamã, sacerdote ou pajé, ele é apenas um emissário ou facilitador entre o sagrado e a experiência espiritual individual.

E não o representante de algum monopólio metafísico-negocial, proprietário e gestor da distribuição do produto invisível que é a palavra divina. Os sistemas politeístas, ou que lidam com panteões de entidades intermediárias, como no caso os orixás da tradição africana, são uma descrição mais útil, sutil, variada e interessante da diversidade dos comportamentos humanos.

E em geral menos perigosos politicamente do que os sistemas onde há uma “moral única” que emana de uma fonte divina exterior à experiência dos indivíduos – moral que em geral serve para legitimar os interesses e preconceitos de seus “intérpretes” oficiais, sua hierarquia constituída.

Ao contrário, as religiões que se baseiam na transmissão oral da tradição são temperadas pela experiência viva, justa, dinâmica e amorosa. O griô da tradição africana é um sábio-andarilho, um sábio-da-rua, da vila, um misto de poeta, músico, árbitro e depositário e intérprete da tradição, não um leitor de gabinete, um bedel da palavra, um burocrata do espírito (como se isso não fosse um paradoxo e um impasse).

Essas tradições também costumam ter uma visão mais equilibrada da relação do homem com a natureza, já que o mundo não é um “brinquedo” que deus deu aos seus filhos para usarmos até gastar ou quebrar. Mas um campo de experiências éticas e estéticas no limiar do visível e do invisível, da natureza e do idealizado, do feminino e do masculino. Um mundo horizontal, e não vertical, como essas alucinações brancas monoteístas e repressivas pretendem.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jaime Mitropoulos, autor da ação inicial, comenta nesse mesmo sentido. “A decisão causa perplexidade, pois ao invés de conceder a tutela jurisdicional pretendida, optou-se pela definição do que seria religião, negando os diversos diplomas internacionais que tratam da matéria (Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos, Pacto de São José da Costa Rica, etc.), a Constituição Federal, bem como a Lei 12.288/10. Além disso, o ato nega a história e os fatos sociais acerca da existência das religiões e das perseguições que elas sofreram ao longo da história, desconsiderando por completo a noção de que as religiões de matizes africanas estão ancoradas nos princípios da oralidade, temporalidade, senioridade, na ancestralidade, não necessitando de um texto básico para defini-las”, disse ele.

É por isso que não me espanta um “juiz”, na pior tradição branca, falar em livro, hierarquia e deus únicos. Esse juiz representa o invasor, o capitão do mato, o neto do dono da capitania hereditária. Eu gosto de dizer que os brancos invadiram a terra dos índios e a encheram de pretos, e agora reclamam que o resultado não está suficientemente branco.

Não está, e não é pra estar, e jamais vai estar. A guerra religiosa não se dá “no” Brasil. Ela se dá contra o Brasil, pois o Brasil só existe como esse laboratório onde as tradições se equivalem e se misturam – e não num delírio nazi de pureza e limpeza européias.

O título “O Brasil é macumbeiro” é uma provocação. Mas quer contemplar três fatos: primeiro, o de que o país, mesmo quando era “a maior nação católica do mundo” (assim dizia a igreja até recentemente, até começar a perder a parada para os neopentecostais), também já era a maior nação espírita e a maior nação de religiões das tradições africanas. Segundo, de que o termo “macumbeiro”, pejorativo, tem que ser hackeado e invertido, como o foram outros termos pejorativos – a trinca punk, funk e junk é um bom exemplo.

E terceiro, e o mais irônico, é que a experiência neopentecostal é um macumbão dos bons, com rituais simpáticos (feitiçariazinhas envolvendo líquidos, escritas, objetos energizados etc), sessões de transe e possessão (como o “falar em línguas”), e todo um jargão não-cristão consolidado, como o uso do termo e da idéia de “encostos”.

Ou seja, um macumbão em nome de quem o nega. Se essa pegadinha é deus quem manda, esse deus é meu inimigo, e não meu pai.



https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/o-brasil-%C3%A9-macumbeiro-214921868.html

Para saber mais:

http://www.geledes.org.br/religiosos-criticam-decisao-que-nao-considera-umbanda-e-candomble-religioes/