quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Deus e o Cérebro

Neuroteologia: Deus e o cérebro




Existe alguma parte ou função do nosso cérebro que nos permita, nos facilite, nos garanta o contato com o sobrenatural? É uma pergunta a qual buscam responder, há vários anos, os especialistas do estudo do cérebro humano. Em muitas experiências religiosas, de diversas matrizes culturais e confessionais, vê-se que existe uma capacidade de se conectar com o transcendente, de superar o próprio eu. O êxtase, a experiência dos sufis, o samadhi e a iluminação das disciplinas orientais representam de forma específica esse ir além do próprio eu e representam em alguns casos o aspecto central da espiritualidade.

A reportagem é de Marco Tosatti, publicada no sítio Vatican Insider, 13-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Os estudiosos observaram no passado que essa capacidade está ligada a um fenômeno particular, presente em algumas pessoas, a saber, o de minimizar o funcionamento do lóbulo parietal direito e enfatizar o uso de outras áreas. A oração e a meditação seriam os instrumentos úteis e necessários para desenvolver essa capacidade. E graças a esse treinamento seria possível desenvolver e melhorar a possibilidade de afinar a própria percepção com a dimensão espiritual.
Agora, Maria Beatrice Toro, psicóloga e psicoterapeuta, enfatiza um ulterior desenvolvimento da pesquisa nessa fascinante fronteira entre fé e ciência. "Os novos estudos – publicados no International Journal of the Psychology of Religion – mostram que a situação neurológica correspondente à experiência espiritual é mais complexa do que haviam pensado os primeiros estudos de Newberg e de D'Aquili: mais do uma área distinta, segundo os cientistas da Universidade do Missouri, se trataria de múltiplas áreas que se ativam segundo um esquema peculiar".
As pesquisas mais recentes não desmentem o dado de base aceca da menor atividade do lóbulo parietal direito. Mas apontam que outras áreas estão envolvidas nessa completa operação: o lóbulo frontal e também zonas subcorticais. "A espiritualidade, com base nesses estudos, aparece como algo dinâmico que utiliza diversas partes do cérebro para poder ser experimentada", escreve Toro. O lóbulo parietal direito cuida de áreas cerebrais dedicadas à orientação no espaço e no tempo, dois elementos que, na experiência da meditação profunda e da oração, desaparecem.
As técnicas de meditação, focalizadas na respiração, na oração, na concentração sobre um ponto, abrem a mente para experiências qualitativamente diferentes, de atenção a "algo maior". Brick Johnstone, professor de psicologia da saúde, estudou 20 indivíduos com um trauma cerebral que envolvia o lóbulo parietal direito, descobrindo que se sentiam menos concentrados sobre si mesmos e mais dispostos para a espiritualidade.
Além disso, as pessoas que vivem experiências religiosas profundas ativam o lóbulo frontal, enquanto se assiste à desativação parcial ou total, temporária, de algumas funções do lóbulo parietal direito.
A "neuroteologia" nos mostra que existe uma função ou um uso global do cérebro que gera um sentido de conexão com o transcendente. É interessante notar como a teologia clássica falava (e fala) de "sentidos espirituais", que, graças a essas pesquisas, encontram agora uma confirmação neurológica, nos mostram como é possível que se chegue a dimensões cognoscitivas peculiares da pessoa religiosa. Isso explicaria o "como". Responder o "por que" é outro assunto.
Justin Barrett, cientista que se ocupou várias vezes de temáticas religiosas – Cognitive Science, Religion and Theology (2011) e Born Believers: The Science of Children’s Religious Belief (2012) –, afirma que, embora haja provas científicas em favor de um fundamento biológico da crença religiosa, não é o seu trabalho no campo da ciência cognitiva que o levou a acreditar em Deus. Como muitos cristãos, ele teve a forte impressão de que há "significados mais profundos e uma finalidade nos eventos" que acontecem.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Obá! Como é descrita pelo Ifá!


ÓBA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O REINO NA TERRA

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Obatalá com sua voz de profundidades abordou Shangó: “Já é tempo de se casar Shangó. Não se preocupe que vou buscar uma Obini (mulher), para que te estabeleças e te tranquilizes”. Shangó, respeitoso, foi cabisbaixo, pois tinha que deixar a mulher que tanta ilusão e paixão lhe despertava: OYÁ.
Bússola
A escolhida por Obatalá era Óba, mulher culta, exótica, de grandes tranças negras como o carvão que brilhavam como lanternas na noite… Óba se encarregava de dar a seus irmãos orishás, todos os conhecimentos; era educadora por excelência e apaixonada em sua própria personalidade. Seu pai, Obatalá, sábio entre os sábios, disse: “Esta será a união perfeita, o mundo e nosso reino se beneficiarão até o fim da humanidade”. E todo o universo vibrou com os sons do festejo do dia em que Shangó e Óba uniram seus poderes e potências no matrimônio sagrado dos Orishás. Ela se torna assim a única esposa legítima de Shangó.
Nessa união Shangó trouxe ao reino o fogo, as artes da adivinhação, a dança, a compreensão, a arte de fazer amor e os tambores, sacros ou não, que alegram o espirito. Óba por sua vez, apaixonada por seu amor Shangó, recatada e pura ante essas virtudes aportadas por seu esposo, deu em silêncio seus dons com felicidade: a cultura, as matemáticas, a literatura, a música, as artes plásticas em toda sua riqueza de seus gamas, o teatro, a arquitetura, etc, cobrindo assim todo o universo de ensino e educação.
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Mas a tragédia encerrou suas próprias vidas e Shangó se rendeu aos encantos da tormentosa Oyá, sucumbindo a este Orishá de voluntariosos torvelinhos, de redemoinhos encantados por suas artes de erotismo sensual. Óba, conhecendo suas próprias debilidades, induzida por Oyá e também para agradar seu esposo, cortou uma orelha e a cozinhou em seu prato preferido, o Amalá Ilá e pensou: “Se ele come, penetrarei nele para sempre”. Mas a pobre culta, perfeita e sábia, se equivocou em sua ingenuidade. Shangó ao vê-la imperfeita em sua desgraça, a condenou ao exílio.

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Contam os Patakis que Óba se foi para bem distante, onde a cultura se distancia da força e chorou tanto sua desgraça que com suas lágrimas se formou o Rio Óba e com sua tristeza reciclada em si mesma, foi ao mundo dos espíritos, ao mundo dos mortos, sinceros e desnudos como seus próprios corpos. Por mandado de Olófin, o Deus supremo, Óba é e será sempre a dona da sabedoria, das artes, sua patrona e protetora, Orishá da educação, grande Orishá do perdão.
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Obatalá, ao ver a tristeza refletida nos olhos de sua filha Óba, disse:
De hoje em diante levarás atributos:
O yunke (bigorna), presente de seu esposo, já que é ferreira como Ogun,
O timão de barco e a bússola, porque como Yemanjá, és navegante e guiarás o ser humano por seus bons caminhos da vida;
Usará uma máscara que representará a outra cara da vida, a morte;
A pena para escrever, porque serás sábia como eu;
A espada, porque como Shangó és guerreira;
A orelha, como lembrança da traição de tua melhor amiga, Oyá;
E a chave com que abrirás as portas do dinheiro em cada casa.
Serás chamada Óba Nani, que significa: a que se sacrifica pelo bem-estar de todos os humanos, a que transmite seus ensinamentos e os recria em seu próprio povo, nosso povo.
Ifá Ni L’Órun Otura Airá
http://ifanilorun.com.br/?p=1618#more-1618


Quem é Óba?
Oba é um Orishá que representa o amor reprimido e o sacrifício pelo ser que ama, o sofrimento, e simboliza a fidelidade conjugal. Está relacionada aos lagos e lagoas. Junto com Oyá e Yewá habita os cemitérios e representam as guerreiras temerárias. Ela se diferencia de Yewá que vive dentro do féretro, guardando as tumbas.
Óba é a Orishá do rio que leva o seu nome, originário da terra Takuá, onde seu culto se estendeu pela terra de Òyó e Tapa. Seu nome provém do Yorubá Òbá (Òbè: sopa – Obá: rei), literalmente “La de la sopa del rey, ou seja, A sopa do rei”. É um orishá de cabeça e como orishá de adimú se recebe com o tempo por seu caráter ermitão e emocionalmente instável. Seus Otás são 9 claras e em forma plana semelhantes ao contorno de uma orelha.
Filha de Obatala e Yembó, irmã de Oyá e Yewá, amante de Shangó e por ele cortou uma de suas orelhas e por isso se viu exilada, logo foi para o monte e posteriormente viveu na solidão do cemitério. Também teve um envolvimento com Ogun, a quem lhe entregou a bigorna e este lhe ensinou a guerrear.
O pai de Óba lhe disse que já era tempo de escolher seu marido e que teria que encaminhar sua vida, pois os ensinamentos haviam sido produtivos e que ele queria vê-la feliz. Shangó e ela se conheceram e no mesmo instante surgiu uma atração, um amor majestoso, profundo. Entretanto ele vivia com Oyá, uma mulher de personalidade muito forte, parecida com a dele, mas Shangó sabia que os atributos, benefícios e qualidades que Óba tinha, favoreceriam seu matrimônio e fariam de seu reino, um reino mais forte e poderoso.
No início sua união foi feliz. Shangó deixou suas andanças com Oyá e se dedicou por inteiro a Óba. Em seu palácio respirava-se bondade e tranquilidade. Óba descia todas as manhãs ao rio para se encontrar com sua irmã Oshún e as duas faziam confidências e contavam pequenos segredos enquanto se banhavam nas águas doces e cristalinas com seus peixes coloridos. Em alguns momentos eram como aparições marcadas no arco-íris das cascatas.
Oyá de longe observava Shangó e Óba e não podia conter sua inveja. Por que essa mulher tão bela, e por acréscimo sua irmã, havia conseguido o que ela nunca havia alcançado com seus encantos e feitiçarias: casar-se com Shangó. Pensou muito em como reconquistar o amor de Shangó, o qual não a deixava tranquila em suas lembranças. Um dia deitada, adormeceu e teve um sonho fatídico sobre sua vingança. Em espírito se transportou para a morada dos Iku e dos Eguns e em um cemitério desértico, onde o vento balançava a copa das árvores e se ouvia o grito estridente das aves de rapina, encontrou Oyá uma solução para reconquistar o amor perdido e descansou pela primeira vez depois de muitos dias.
Na manhã seguinte foi ao encontro de suas irmãs no rio; conversou e se divertiu com elas e ganhou a confiança de Óba, tão ingênua e doce. Mas não enganou a Oshún, quem receosa alertou sua irmã Óba sobre a estranha conduta de Oyá, mas Óba não lhe deu ouvidos. Frequentemente Oyá dava a Óba receitas das comidas favoritas de Shangó, que a jovem zelosa cozinhava para seu marido. Até um dia em que a única coisa que Óba tinha para cozinhar era farinha de milho. Oyá lhe disse: “Não fiquei nervosa que vais conseguir resolver isso como eu resolvi uma vez. Você tem que cortar uma das orelhas e preparar com o milho. Tempera-se com todos os tipos de ervas”. Nesse dia Oyá estava com um pano de 9 cores que lhe tapava as orelhas. Óba achou o pano de Oyá meio estranho, mas estava entusiasmada em agradar seu homem e se apressou em cortar uma de suas orelhas e preparou com ela um delicioso caldo de milho.

Quando Oyá viu Shangó se aproximando, ela se converteu em um raio. Era tamanha a felicidade de Oyá que arrasou com fogo parte dos bosques.
Quando Shangó chegou em seu palácio encontrou a mesa lindamente servida, com abundância de flores vermelhas como o sangue. Abraçou sua mulher e lhe perguntou o que havia para comer, pois estava com uma fome atroz. Óba lhe serviu o seu prato favorito o qual ele comeu com gosto, sem deixar de observar sua mulher a qual se encontrava diferente. Ao perceber que Óba levava um pano, coisa que nunca usava, pois Shangó gostava de ver suas tranças largas e seu cabelo sedoso, pediu que ela tirasse o pano. Ao ver-la sem uma orelha tremeu de raiva, pois ele, perfeito em sua beleza, não admitia ao seu lado uma mulher imperfeita. Óba compreendeu então como Oyá a enganou. Shangó soltando fogo pelos olhos a abraçou pela última vez e lhe disse que ela seria sua única e verdadeira mulher, mas não teriam mais relações, mas a respeitaria por conta de seu sacrifício e ela sempre seria a primeira entre todas.
Óba ficou muito envergonhada. A rainha das rainhas foi visitar seu pai Obatalá e enquanto caminhava até o seu palácio, suas lágrimas brotaram naturalmente deixando em seu rastro um rio caudaloso, que arrasava tudo o que encontrava pela frente e toda a natureza se arqueava diante dela e saudava as lágrimas vertidas pelo coração destroçado de Óba.
Obatalá ao ver Óba que lhe agradecia por ele ter lhe dado seus dons divinos, compreendeu a traição de Oyá e isso foi a grande decepção de Óba, que não compreendia as falsidades humanas. Por isso ele concedeu o que sua filha havia lhe pedido: “Quero ir onde ninguém possa me ver. Quero a tranquilidade do que não existe, quero viver com os mortos, com os espíritos, onde ninguém possa me fazer mal. O cemitério será, de agora em diante, meu Ilé (casa)”.
Agradeceu outra vez seu pai e foi despedir-se de sua irmã Oshún, quem a recebeu em seu rio revolto e afluente das lágrimas de Óba. As duas irmãs se uniram mais do que nunca e se formou então um grande redemoinho no qual Óba se transportou do mundo dos vivos para o mundo dos mortos e deixou Oshún, que de agora em diante, seria a única que poderia comunicar-se com ela, encarregada dos assuntos na terra dos Orishás.

Ifá Ni L’Órun

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Oba é um dos “orixás femininos” sobre a qual recaiu uma espécie de esquecimento. Todavia, não obstante este fato, ela goza de enorme significado no universo das religiões de matriz africana. Muito pouco se tem escrito sobre a mesma, talvez por ela nos remeter a um mito original, que se repete em várias culturas que fala “de um tempo em que o mundo era governado pelas mulheres.” Em alguns terreiros de Candomblé, que ainda preservam a figura desse principio ancestral, Obá aparece como uma caçadora. Este fato faz alusão aos primórdios dos grupos humanos que tinham a atividade coletora como principal meio de sustento. Pena que ainda hoje quando retomamos esta imagem, logo nos vem à mente figuras masculinas, contrariando alguns mitos afro-brasileiros que trazem enfaticamente a presença de mulheres a frente de grupos que mais tarde darão origem às grandes civilizações. Em todos os mitos preservados no Brasil, Obá apresenta-se como caçadora ao lado de outras como Oyá e Iewá, daí a sua ligação direta com Odé, o caçador. Outra imagem que reforça a antiguidade do seu culto, é a de que tal orixá também é um rio do mesmo nome que ainda hoje corta uma parte do território iorubá. Conta-se que, após vários dias de batalha, estando os orixás liderados por Ogum e Oxalá, fragilizados pela guerra, Obá não se contentando em reunir apenas as mulheres de seu tempo, convocou todas as fêmeas do mundo animal. Ao ver Obá chegar rodeada de animais, aquela guerra foi vencida porque os inimigos fugiram de seus postos. Afirma-se nos terreiros que Obá mantém relações profundas com os animais, outra imagem antiga preservada do tempo em que os primeiros grupos humanos acreditavam encantá-los, através de seus desenhos. O tempo em que os caçadores e caçadoras confundiam-se com a própria caça. O culto a Obá é ainda hoje cercado de mistério. Mistério velado pelas cores escuras, representadas pelo vermelho encarnado que compõem seus elementos rituais nas poucas vezes em que aparece. Em alguns terreiros de tradição jeje nagô, a cantiga que diz “Obá, líder da sociedade Elekô comanda todas as mulheres guerreiras”, inicia a seqüência de músicas que dentre outras coisas, lembra a sua importância como representante das mulheres como caçadora, chamando para si funções sociais, políticas, culturais e religiosas. Em outras palavras, Obá, além de desempenhar um papel como desbravadora, cabia a ela defender o grupo, o protegendo em todos os sentidos, fomentar seu sustento e garantir a sua integridade política. Os caçadores eram ainda médicos, mágicos, verdadeiros entes divinos que sabiam que da relação de sua comunidade com os ancestrais dependia a sua permanência no mundo. Daí a expressão: “Obá Elekô”. Elekô, a exemplo de muitas outras sociedades secretas, era uma espécie de “maçonaria de mulheres”, que dentre outras funções, zelava pela preservação da relação entre estas e a terra, para alguns grupos humanos, a grande mãe ancestral. Pena que apenas persistiu dentre nós, fragmentos de uma história que diz ter sido Obá, enganada por uma das mulheres de Xangô, que a teria induzido cortar uma de suas orelhas. Acho mesmo que a imagem da orelha cortada por Obá neste mito é menos importante do que aquilo que considero tema principal: o amor. Obá é símbolo do amor, esse principio universal que por mais esforço já se tenha feito para traduzi-lo através das poesias, das filosofias, das religiões e recentemente da ciência, ainda é um mistério, talvez por ser ele um dos mais divinos. Gosto muito da história que diz, que certa ocasião muito triste por ter perdido um de seus filhos, uma mulher adentrou-se na mata e pediu a Obá que o trouxesse de volta. Adormecida na floresta, a jovem sonhou com sementes que lhes eram trazidas por um enorme pássaro. Acordada do sono, a mulher foi procurá-las. Chegando a beira de um rio, mal pode conter a sua alegria ao deparar-se com as sementes que a noite havia sonhado, ao mesmo tempo em que se deu conta de que, era ela mesma o pássaro que a noite havia visto em sonho. Das sementes plantadas pela mulher, arrebentou uma planta que se transformou numa árvore de tronco escuro a partir da qual a humanidade melhor podia se representar, trazendo presente na forma de esculturas seus antepassados: o ébano. Obá, dessa maneira é a “verdadeira deusa do ébano”, não somente da madeira escura, de brilho natural que tanto nos representa através das mãos dos artistas africanos, mas a verdadeira “deusa negra” presente em todas as mulheres, nossas irmãs e mães que hoje mais do que nunca vão ao enfrentamento para defender a sua dignidade através da garantia da integridade de seus filhos. Mulheres que embora tenham conquistado espaços nas sociedades contemporâneas, ainda são aquelas mais estigmatizadas, violentadas e que tem seus direitos menos respeitados. Mulheres que como Obá amam, e por isso vão a luta pelos seus sonhos e são capazes não apenas de liderar quilombos, revoltas armadas, greves, movimentos sociais, mas grupos inteiros, pois assim foi desde o inicio quando Obá saiu á frente, convocando todas as mulheres para reconquistar o mundo! 
Arte: CLAUDIA KRINDGES

Mãe Obá!
A Verdade
Verdade é o princípio real, certo, correto, autêntico, sincero. A verdade absoluta só está contida no Divino Criador, Olorum, mas, Sua qualidade concentradora, associada à verdade, está na Divindade Planetária, que é a nossa amada Mãe Obá, regente feminina da Linha do Conhecimento. Nossa percepção da verdade tornar-se-á mais límpida e nosso desejo de pureza de coração mais sublime e mais santo, se preenchermos nosso espírito com pensamentos elevados e puros e meditarmos sobre o amor e misericórdia divinos. O conhecimento da verdade depende mais da simplicidade, da pureza de propósito de uma fé sincera e confiante, do que da capacidade intelectual. Não há melhor agente de purificação do que a chama da Verdade Espiritual. Quem a conhece e a ela se dedica será purificado das manchas da personalidade. Só o que é verdadeiro tem em si mesmo uma densidade e uma resistência própria que o eterniza no tempo e na mente dos seres. O conhecimento da Verdade é dado àquele que vive na força da fé, que domina o eu pessoal, as ilusões e as impressões dos sentidos. O ignorante e o descrente não acham sequer o começo do caminho que conduz à paz. Mãe Obá pune com rigor os sarcásticos, os sátiros que brincam com as coisas sagradas e é implacável com os que colocam as divindades no mesmo nível chulo onde eles perderam suas consciências, bom senso e evolução. Ela é a divindade que paralisa os seres que se desvirtuaram porque adquiriram conhecimentos viciados, distorcidos ou falsos. A atuação dessa Mãe é discreta, pois ela é tão silenciosa quanto a terra, seu elemento, e quem está sendo paralisado nem percebe que está passando por uma descarga emocional muito intensa. Mas, algum tempo depois, já começa a mudar alguns de seus conceitos errôneos ou abandona a linha de raciocínio desvirtuado e viciado que o estava direcionando. O saber ou conhecimento perfeito em si mesmo é o coroamento de todas as ações. Ele nos livra da confusão, das dúvidas, da má compreensão e dos erros. Tudo o que existe no grande Todo que é Deus, forma uma só vida. Quem atingiu esse conhecimento e sabedoria, entra na Paz Suprema, na quietude de Mãe Obá

Mãe Obá é uma divindade gerada em Deus na sua qualidade concentradora, que dá consistência e firmeza a tudo o que cria. Ela é o elemento terra que dá sustentação e germina em seu ventre terroso todas as sementes do conhecimento. Nossa amada mãe Obá atua como concentradora do raciocínio dos seres e atua na vida de todos os que dão mau uso ao dom do raciocínio e aos conhecimentos que adquiriram. Ela é a qualidade divina que esgota os seres cujo raciocínio se desvirtuou, gerando falsos conceitos religiosos paralisadores da evolução e desequilibradores da fé. Com seu poderoso magnetismo telúrico e vegetal, Mãe Obá absorve as energias irradiadas pelos pensamentos dos seres que estão dando mau uso aos seus conhecimentos, para descarregá-los em si mesmos, assim que desencarnarem, quando receberão terríveis choques mentais que chegam a levar alguns ao estado de demência. Seu pólo magnético é tão atrativo quanto o planeta Terra. Como Orixá Cósmico, ela atua sempre que é preciso acelerar a paralisação de um ser que, com seus conhecimentos, está prejudicando muitas pessoas e atrapalhando suas evoluções, pois as está induzindo, por conceitos errôneos, a seguir uma direção contrária à que a Lei Maior lhes reservou. Mãe Obá é circunspecta, de caráter firme e reto, de poucas palavras e de uma profundidade única nas suas vibrações retificadoras do raciocínio dos seres. Ela é interpretada como a mestra rigorosa, inflexível e irredutível nos seus pontos de vista (conceitos sobre a verdade). Ela é absorvedora, corretiva e não se peja se tiver de esgotar toda a capacidade de raciocínio de um ser que se emocionou e se desequilibrou mentalmente. O campo em que mãe Obá mais atua é o religioso, paralisando os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, aquietando-os, antes que cometam erros irreparáveis. O ser que está sendo atuado por Obá começa a desinteressar-se pelo assunto que tanto o atraía antes e torna-se meio apático, alguns até perdendo sua capacidade de raciocinar. Nada ou ninguém deixa de ser alcançado por suas irradiações estimuladoras. Esse alcance ultrapassa o culto dos Orixás, pois a religiosidade é comum a todos os seres pensantes. Nos pontos riscados, Mãe Obá é representada simbolicamente por uma folha vegetal, onde a fotossíntese acontece. Mas, seus atributos são telúricos, pois é através da essência telúrica que suas irradiações nos chegam, imantando-nos e despertando em nosso íntimo os virtuosos sentimentos. As atribuições de Mãe Obá são as de não deixar um só ser sem o seu amparo, sustentação e fixação, desde que merecedor. Mas, nem sempre o ser absorve suas irradiações, quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado dos espíritos encarnados.
Akirô Obá Yê!!!

Mestra Arakitan! A TUO ordena mais uma sacerdotisa de 7º Grau !!! Paó a Pai Rivas

Paó a Pai Rivas por mais uma iniciada na TUO! 
Só quem conhece Arakitan sabe a dedicação e o respeito com os quais vivenciou estas quase três décadas ao lado no nosso Mestre. Parabéns!!! Vida longa a Mestra Arakitan!


sábado, 26 de julho de 2014

Número de consultas em Centros Espíritas ultrapassa o de grandes hospitais


Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês). "Este número é muito superior ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos", destaca o médico psiquiatra Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A média relatada de atendimentos semanais em cada instituição foi de 261 pessoas.
 
"Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos serviços de saúde", revela, lembrando que, geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros espíritas.
 
Vallada Filho foi o orientador da dissertação de mestrado Descrição da terapia complementar religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo com ênfase na abordagem sobre problemas de saúde mental, de autoria da médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti, apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP em dezembro.
 
A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos. Observou-se também que apenas uma pequena minoria realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes. Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).
 
Centros espíritas

A autora realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições. Neste levantamento, foram considerados apenas centros espíritas "kardecistas", ou seja, aqueles que seguem a doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos (publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
 
A médica enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um dos 504 centros. Destas cartas, 139 voltaram devido a problemas como mudança ou erro no endereço. Das 370 que restaram, apenas 55 foram respondidas. "Se considerarmos que essa média de 60 mil atendimentos mensais representa menos de 15% da totalidade dos centros existentes na cidade, chegaremos a um número total de atendimentos muito superior aos dos 55 que participaram do estudo", destaca Vallada.
 
Um questionário foi respondido apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do centro. O material era bastante extenso e continha perguntas ligadas à identificação e funcionamento do centro, o número de voluntários e de atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais os motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita a diferenciação entre mediunidade, obsessão e transtorno psicótico e quais orientações para estes casos, entre outras questões.
 
Resultados

Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com dois anos. Em praticamente quase todos, os usuários são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.
 
Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química, abuso de substâncias e problemas de relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo todas sem uso de cortes.
 
Quanto à diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios, estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma religião e cultura específicos, entre outros.
 
"Esse levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/06/numero-de-consultas-em-centros-espiritas-ultrapassa-o-de-grandes-hospitais.htm

PS: Se este trabalho incluísse todos os terreiros, tendas, templos das religiões afro-brasileiras, imagino como ele teria mais relevância.

Especialistas estudam efeitos da Espiritualidade na saúde do brasileiro

  • As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes
Fato que não chega a ser raro na rotina médica de cardiologistas é se deparar com pacientes que apresentam melhora no seu quadro clínico após promessas, orações e pedidos ao santo de sua devoção para que os ajudem na sua cura.

Na prática, não há respostas científicas para isso. Mas muitos profissionais já começam a se interessar pelo assunto, não só no Brasil, mas no mundo todo. Um deles é o cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que coordena o Grupo de Estudos em Espiritualidade, e participará como debatedor em duas mesas-redondas sobre o tema no 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que será realizado em setembro, no Rio de Janeiro.

O objetivo é entender se o modo como as pessoas vivem e encaram as doenças pode interferir na saúde e na recuperação de problemas cardiovasculares.

"As evidências científicas de que pessoas religiosas e espiritualizadas controlam sua pressão arterial, têm menores riscos cardíacos que levam a infartos e derrames e têm melhor qualidade de vida são abundantes", afirma Avezum. "Além disso, sentimentos tidos como positivos são relacionados à melhora de doenças em geral", avalia.

Para o especialista, a espiritualidade é uma postura perante a vida e não uma religião. Desta forma, sentimentos de paz, tolerância, tranquilidade, perdão e resignação caracterizam uma personalidade espiritual, influenciando na saúde do coração. "Tanto que o grupo é integrado por agnósticos, judeus, católicos, muçulmanos, espíritas e até mesmo ateus", conta.

Fase inicial

Os estudos ainda estão em fase inicial. Porém, Avezum comenta: "Há de chegar o dia em que poderei dizer ao paciente que, se ele for espiritualizado e souber lidar bem com as suas emoções, evitará as cardiopatias ou pelo menos elas não serão tão graves. Da mesma forma como hoje posso dizer com segurança a um paciente que, se ele fuma, tem maior possibilidade de sofrer um infarto do que um não fumante".

O grupo, atualmente, desenvolve uma pesquisa com 14 mil médicos associados à Sociedade Brasileira de Cardiologia, na qual os profissionais são questionados se têm religião, se frequentam igrejas ou cultos, com que frequência leem trabalhos sobre o tema e se têm o hábito de rezar ou não.

Esse questionário vem de um estudo norte-americano, já que há bastante tempo os Estados Unidos investem nesse tipo de pesquisa. Tanto que 80 faculdades de medicina daquele país incluem formalmente no currículo a cadeira Saúde e Espiritualidade, enquanto por aqui essa matéria só é curricular em três instituições.

No Brasil

Segundo a literatura científica mundial, há uma correlação direta sobre espiritualidade e doenças cardiovasculares, uma conclusão que o grupo de estudos brasileiro se propõe a verificar se é válida também para o Brasil.

Outra médica que pesquisa o assunto é a ginecologista Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, a AME, entidade que acaba de realizar a 9ª edição do Mednesp – Congresso Nacional Médico-Espírita do Brasil, em Maceió, Alagoas.

O tema desenvolvido durante o congresso foi a relação entre a saúde do corpo, da mente e do espírito, com palestras em torno de estudos médicos que usam a fé, a oração e a espiritualidade nos tratamentos e processos de cura.

Para a médica, o que é importante para o espírito são os sentimentos que promovem o encorajamento e a confiança de que a pessoa irá melhorar. "A atitude do ser humano pode promover uma reação favorável ao seu corpo, com sensação de bem-estar e alegria, tornando o cérebro produtor de estímulos positivos".

E, segundo ela, isso já é comprovado por estudos psicossomáticos. "Além disso, procurar ser feliz, desejar o bem dos outros e não guardar rancores já é uma boa forma de se ter uma vida muito mais saudável", afirma.

Visão católica

Para o Padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP, espiritualidade é viver em comunhão com o Espírito de Deus. É um refinamento, um desenvolvimento que se busca em qualquer religião. É algo antropológico, considerado pela Filosofia como uma virtude humana.

"Em momentos difíceis, de fragilidade, o ser humano busca sua força de origem divina para apoiá-lo. E, de forma geral, ele pode ter uma melhora sensível, em especial nas diversas doenças que afetam o coração."

Mas o Padre Valeriano ressalta: "Não estamos falando de casos extremos, em que há, por exemplo, total comprometimento do coração, e sim de problemas como hipertensão ou outras situações em que a confiança, a paz e a tranquilidade podem resultar de forma positiva. É quando a pessoa se permite receber uma graça divina por meio da fé, de promessas e orações".

De acordo com Costa, a fé pode levar à calma e à estabilidade emocional, normalizando picos de agitação. Desta forma, o coração repercute a espiritualidade e a religiosidade de cada um.

O padre, que celebra missas na Igreja Nossa Senhora do Brasil (aos domingos, às 12h30, em São Paulo), diz, inclusive, que isso é algo bem comum. "Consigo me recordar de vários casos em que promessas e orações auxiliaram no tratamento de fiéis", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/06/09/especialistas-estudam-os-efeitos-da-espiritualidade-sobre-a-saude.htm

TUO ordena mais um Sacerdote Sétimo Grau!!! Vida longa a Mestre Yamandhara!

A TUO teve a honra receber mais um Sacerdote de Sétimo Grau, por meio das mãos de Pai Rivas, sucessor de W. W. da Mata e Silva. Que as mãos abençoadas do meu Baba possam continuar produzindo bençãos maravilhosas como esta. Axé Baba mi!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mestre Yamatiara! Mais um iniciado da TUO no Sétimo Grau, Segundo Ciclo! Paó!!!!!!



http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/ordenacao-sacerdotal-consagracao-do-7.html

Quem quiser ver mais:
http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/07/religioes-afro-brasileiras-um-dia.html

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Meninos, eu Vi! Primeira Sacerdotisa da TUO de Sétimo Grau, segundo ciclo!

Axé Baba mi. Peço agô para postar este vídeo paradigmático no blog. Um momento como este merece ser divulgado.
Eu estava lá! Vi a ordenação da primeira Sacerdotisa de Sétimo Grau, Segundo Ciclo, da TUO.
Pai Rivas quebra mais um paradigma e torna igual a condição iniciática entre homens e mulheres na TUO. Pai Rivas novamente inova e renova. Vô Matta soube bem a quem confiar a TUO. Sinto-me honrada por pertencer a esta Raiz poderosa e iluminada.
E coube a Mestra Yamaracyê (Obalolá de Xangô) o papel de desbravadora. Sua capacidade, sua força e sua grandeza como espírito tornou possível o alcance da iniciação a todas as mulheres. Bom fruto de uma árvore forte. 
Vida longa a Pai Rivas e à Raiz de Guiné.
Novos tempos, novos ares, novos desafios. 




domingo, 15 de junho de 2014

Curso de Pós-Graduação Latu Senso em Teologia de Tradição Oral - Memória, identidade e cultura das religiões Afro-Brasileiras

Curso de Pós Graduação Lato Sensu
Teologia de Tradição Oral- Memória, identidade e cultura das religiões afro- brasileiras
Justificativa:
Apesar dos avanços teóricos e metodológicos experimentados pelos estudos acadêmicos, é ainda grande a desinformação e os preconceitos com as religiões afro-brasileiras de tradição oral. Somado a isto o numero de profissionais formados com viés na cultura das religiões afro-brasileira, de tradição oral e habilitados para atender a demanda do Ensino Superior ainda é restrito. O curso pretende formar profissionais para suprir essa lacuna.
Objetivos:
Oferecer fundamentos teóricos e práticos para o exercício da reflexão da Teologia das religiões afro-brasileiras numa perspectiva contemporânea. Capacitar o aluno com um referencial técnico metodológico que oportunize a leitura e a interação crítica do fenômeno religioso das religiões de tradição oral. Refletir sobre a relação do processo histórico, social, político e religioso da memória, identidade e cultura das religiões de tradição oral.
A quem se destina:
Profissionais que atuam ou pretendam atuar em funções para as quais é indispensável uma visão profunda das religiões afro-brasileiras.
Profissionais que pretendam aprimorar ou reciclar seus conhecimentos sobre as religiões de tradição oral inseridas no campo religioso brasileiro.
Oferecer a profissionais da área de Teologia que exerçam ou venham a exercer a docência no Ensino Superior uma leitura consistente da diversidade das religiões afro-brasileiras.
Profissionais e técnicos possuidores de diploma de curso de Graduação
Carga Horária: 360 horas
Periodicidade: Período de duração do Curso: 3 semestres, aos sábados das 8:00 às 17:00.

Início: 06 de agosto de 2011

Disciplinas e Corpo docente:
1º Semestre:
• CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO - Profº Dr. Rafael Rodriguês da Silva
• VIVÊNCIAS DA TRADIÇÃO ORAL-MUSICA NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS – Profº Dr. Carlos Stasi
• SOCIEDADE, GENERO E RELIGIÃO – Profª. Drª. Maria José Rosado Nunes / Profª Dra. Regina Soares Jurkewicz


• DIÁLOGO INTERRELIGIOSO - Profº. Dr. Volney José Berkenbrock

• SEMIOTICA E ESTÉTICA – Profº Dr. Cassiano Terra
2º Semestre
• ÉTICA DAS RELIGIÕES – Prof. Dr. Wagner Lopes Sanchez
• MEDICINA DAS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS- CONCEITO DE CURA E ERVAS MEDICINAIS E RITUAIS – Profº Esp. Sac. - F.Rivas Neto
• RELIGIÃO, PODER E SOCIEDADE –
• ESCOLA DAS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS
- ESCOLAS UMBANDISTAS - Profº Esp. Sac. - F.Rivas Neto

- TAMBOR DE MINA, XANGÔ DE MINA, XANGÔ DO NORDESTE E SINCRETISMO – Profº Dr. Sérgio Ferretti – Profª Dra. Mundicarmo Ferretti
- CANDOMBLÉ – Profº Dr. Reginaldo Prandi
- TRADIÇÃO DA JUREMA – Profº Dr. Luis Assunção

3º Semestre
• METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR – Profª Ms. Maria Celina de Queiros Cabreira Nasser

• CULTURA, IDENTIDADE E MEMÓRIA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - Profª Drª Maria Helena Villas Boas Concone
• MEIO AMBIENTE E ESPIRITUALIDADE – Profª Ms Viviane Japiassu

• ANÁLISE DO DISCURSO DA TEOLOGIA DE TRADIÇÃO ORAL –

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ile-Oka 7 Estradas - Inauguração dia 31/05

FTU - Faculdade de Teologia Umbandista em Rua Roge Ferreira, 3571, Itanhaém, São Paulo
INAUGURAÇÃO DE MAIS UM TEMPLO DO PAI RIVAS!
Dia 31/05 as 18hs, teremos toque no Ile-Oka 7 Estradas.
O endereço do novo terreiro é Rua Roge Ferreira 3571, Itanhaém - SP.
Rito aberto ao público!










Para maiores informações:

http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2014/06/religioes-afro-brasileiras-inauguracao.html


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ordenação Sacerdotal na OICD: Iniciado de Sétimo Grau, Primeiro Ciclo! Vida Longa ao Mestre Yatamaran

É com muita alegria, que peço Agô ao meu Mestre, Pai Rivas, para postar este vídeo maravilhoso no Blog. É imensa a nossa festa! Axé Baba mi!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Até quando o ódio contra a Umbanda e o Candomblé estará dentro da Lei?

Por Isadora Bertolini

Deu meia-noite e o galo já cantou. Seu Tranca Rua que é dono da Gira. E corre a Gira que Ogum mandou. O batuque do atabaques, a cantoria dos pontos de orixás, as saias rodando, as confissões e conversas íntimas com as entidades – tudo é interrompido com um choque: membros de uma igreja neopentecostal invadem o terreiro, agridem fisicamente os participantes e depredam o local. Era a última gira da Mãe Gilda, que sofreu um enfarte e morreu três meses depois. A data de sua morte, 21 de janeiro de 2000, inspirou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
O caso da Mãe Gilda é apenas um em meio a tantos ataques contra as religiões afrobrasileiras, algo que uma data comemorativa está longe de contornar. O mais recente deles foi a declaração da Justiça Federal do Rio de Janeiro, em resposta a uma ação no Ministério Público Federal para a retirada de vídeos no Youtube de cultos evangélicos que incitavam a violência contra “macumbeiros”. A afirmação é de que a Umbanda e o Candomblé não são religiões, não configurando assim um quadro de intolerância religiosa. A justificativa é o fato de não possuírem um texto base (como a Bíblia), uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado.
Diante da forte repercussão negativa que a declaração causou, o juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do RJ, voltou atrás e reconheceu seu erro. Na nova declaração, afirma que a Umbanda e o Candomblé são religiões, mas ainda assim não aceita o pedido de remoção dos vídeos, pois isso fere a “liberdade de expressão”. Vista sob esse ponto de vista, essa “liberdade” entra em conflito com diversos aspectos da Constituição brasileira, que prevê a criminalização da intolerância religiosa, do preconceito e do racismo implícito nos discursos de ódio às religiões afrobrasileiras. O juiz que permite a permanência desses vídeos no ar, portanto, é conivente com esses crimes, desrespeitando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos) e a Lei 12.288, que reafirma os direitos iguais para a população negra (triste, em realidade, é a necessidade de criação dessa lei).
Mesmo sendo revogada, a primeira declaração da Justiça Federal é crucial para entender o preconceito diante das religiões afrobrasileiras. Mas antes de pensar nos três itens que, supostamente, constituem uma religião, é preciso dar um passo atrás: como um juiz, cuja formação é provavelmente na área de Direito, se acha no direito de fazer uma afirmação tão veemente de cunho teológico (ainda por cima em um Estado supostamente laico)? Baseada no achismo e na eleição de modelos religiosos, pautados na hegemonia do Catolicismo, Judaísmo e Islamismo, essa definição deturpada, que exclui não só a Umbanda e o Candomblé mas também religiões asiáticas, como o Budismo, o Taoismo e o Xintoísmo, demonstra como o preconceito se exprime como uma tentativa cega de negar tudo aquilo que foge do que é considerado “normal”. No caso da discriminação contra religiões africanas e afrobrasileiras, inclui-se também o preconceito racial que permeia a descrença e a depreciação de diversos aspectos da cultura negra.
As religiões africanas e afrobrasileiras não seguem o modelo eurocêntrico e ocidental de religião. Os três elementos apontados pelo juiz deflagram não só a essência dessas religiões, como também a maneira como elas propõem uma filosofia que contesta esse padrão hegemônico. Em primeiro lugar, a ausência de um texto base. “Não faria sentido escrever um livro para dar conta de toda a diversidade cosmológica de cada vertente afrobrasileira”, contesta Maria Elise Rivas, vice-diretora da Faculdade de Teologia Umbandista. Candomblé Nagô, de Angola, Jejê, Umbanda branca, kardecista, omolocô, batuque, encantaria, jurema – reduzir tudo isso a um texto seria incongruente. A cultura oral, na qual essas religiões se baseiam, é justamente o que permitiu essa diversidade. “A oralidade estimula a ressignificação das crenças de acordo com cada meio e cada tempo”, explica Maria. “Muitas vezes, um texto arcaico não faz sentido para o homem moderno. Esse caminhar histórico, mas sem perder a tradição, é marca das religiões afrobrasileiras. Por isso, não vamos ‘evoluir’ para a tradição escrita”.
A cultura oral, além disso, exige ainda mais responsabilidade individual dos praticantes, o que reforça o sentido coletivo dessas religiões. Não possuir uma estrutura hierárquica, e sim policêntrica, na qual cada escola tem seu gerenciamento, é outro desafio imposto ao modelo religioso do juiz carioca. “O próprio livro escrito é uma relação de poder”, aponta Maria. “Nas religiões afrobrasileiras, caminhamos todos juntos, há espaço para todas as vozes dentro das comunidades”.
A falta de um Deus a ser venerado, por fim, revela também a total ignorância do juiz frente a essas religiões. No caso de muitas vertentes da Umbanda, como a branca ou cristã, Deus apenas muda de nome – Olorum. Para as demais vertentes, Maria prefere o termo “henoteísmo”: “na falta de um, existem vários deuses, sendo que um se destaca frente aos demais”. A tamanha variedade de crenças e rituais na Umbanda e no Candomblé, enfim, evidenciam o que pastores evangélicos preconceituosos mais precisariam aprender: o respeito.

Enquanto o ódio e o preconceito contra religiões afrobrasileiras continuarem nos discursos de pastores, padres e outros líderes religiosos, e ainda por cima, com o aval da Justiça Federal, a intolerância religiosa não morrerá. E enquanto esse discurso for reproduzido não só pelos fiéis evangélicos, mas também pelos setores conservadores, preconceituosos e ignorantes da sociedade, a Umbanda e o Candomblé seguirão como religiões perseguidas e marginalizadas. Que a “liberdade de expressão” não seja usada como desculpa para a propagação desse discurso deturpado, que justifica ações de violência e contribui para o preconceito contra religiões tão importantes na formação cultural de nosso país
revistavaidape.com.br/2014/05/21/ate-quando-o-odio-contra-a-umbanda-e-o-candomble-estara-dentro-da-lei/