quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Religiões afro: Salvador atrás de Porto Alegre


Nessa cidade nem todo mundo é d’Oxum. 
Embora seja considerada como a metrópole de maior representatividade da cultura africana, Salvador é apenas a quarta em adeptos de religiões afrobrasileiras. 
A capital baiana ficou atrás de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, de acordo com pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), nesta terça-feira (23). Apenas 0,33% dos soteropolitanos entrevistados se disseram praticantes de credos de origem africana. O antropólogo Roberto Albergaria e o historiador e presidente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Ubiratan Castro, divergem na interpretação do resultado. “O IBGE já havia feito uma pesquisa há 10 anos em que Salvador só aparece em 13º lugar em número de candomblés. 
No fundo, a história desses credos passou a representar para a gente um item não religioso, mas cultural. É a questão da baianidade que também foi ancorada neste mito da africanidade. ‘A maior cidade negra fora da África’. Mentira. Salvador é a maior cidade mulata do Brasil”, declarou Albergaria. 
Já Ubiratan destaca que há um número considerável de pessoas que não se assumem quanto à religião. “Lá [Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo] já existe uma quantidade maior de terreiros, e outra coisa: essas cidades possuem uma população que assume mais a religião. Aqui a grande maioria não quer nem saber. Não dá importância, não assume sua religiosidade”, opinou.

http://bahianoticias.com.br/noticias/noticia/2011/08/24/100892,religioes-afro-salvador-atras-de-porto-alegre.html#

domingo, 21 de agosto de 2011

Diálogos da Ciência com as Culturas Populares


Uma ação parceira – UFRN (NAC e Grupo de Estudos sobre Culturas Populares), FAPERN, Fundação José Augusto (Secretaria Extraordinária da Cultura); Compõe a programação do evento “Agosto da Alegria”.
Acesse o Blog do evento.


PROGRAMAÇÃO

23/08
Noite 
18h
Teatro Alberto Maranhão - TAM
Solenidade de abertura
Cerimonial: Composição da mesa (Governo do Estado, Fundação José Augusto, FAPERN, UFRN)
Aula espetáculo: Diálogos da Ciência com a Cultura Popular 
Palestrante: Ariano Suassuna

24/08
Manhã
8h
Auditório do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais Aplicadas – NEPSA
Solenidade de abertura na UFRN - Representantes do grupo de estudos sobre Culturas Populares, Coordenação do PPGAS, chefia do DAN.
8h45’
- Apresentação artística: Coco de Mestre Severino da Vila de Ponta Negra 
9h
Conferência e Debate: "Produção de tradições musicais no vale do Jequitinhonha: dilemas de autoridade"
Prof. Dr. Edmundo Pereira – UFRN

Tarde
14h
Teatro Alberto Maranhão - TAM
Apresentação artística: Congos de Calçola de Ponta Negra
14h30’
Mesa Temática 1: Identidades e identificações no contexto da cultura popular
Prof. Dr. José Clerton de Oliveira Martins –  UFC
15h
Mesa Temática 2: Cultura popular, turismo e sustentabilidade
Profª. Drª. Christine Werba -  UFRN
Profª. Drª. Maria Lúcia Bastos Alves - UFRN
Ms. Regina Kátia Saraiva Carneiro –IBAMA.
16h30’
Mesa Temática 4: Corpo e saberes artísticos da tradição
Prof. Dr. Robson Haderchpek -UFRN
Profª. Dra. Teodora Alves –UFRN

25/08
Manhã
8h
Auditório do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais Aplicadas - NEPSA
Apresentação artística: Raul dos Mamulengos
8h30’
Auditório do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais Aplicadas - NEPSA
Mesa Temática 3: Cultura popular, expressões artísticas e memória coletiva
Prof. Dr. Ricardo Canella - UFRN
MS. Mª das Graças Cavalcanti - UFRN
MS. Virgínia Araújo – UFRN

26/08
Manhã
8h
Auditório do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais Aplicadas – NEPSA
Apresentação artística: Boi Pintadinho de Ponta Negra
8h30’
Mesa Temática 6 – Catolicismo, umbanda, jurema, espiritismo: imaginário e representações
Ms. Marcos Queiroz - UFRN
Ms. Kelson Oliveira - UFRN
Profª. Drª. Antoinette Madureira – UFRN

11h
Cooperativa Cultural da UFRN - Centro de Convivência da UFRN
Lançamento de livro 
Autor: Ms. Kelson Oliveira
Título: "Os trabalhos de amor e outras mandingas: a experiência mágico-religiosa em terreiros de umbanda"
11h45’
Centro de Convivência da UFRN
Encerramento
Apresentação do Bambelô de Ponta Negra 

Inscrições:
1) Via SIGAA: Procurar o código EV389-2011, em "Evento de extensão", ou pelo nome (Diálogos da Ciência com a Cultura Popular - seminário)
ou
2) Via Departamento de Antropologia:
Endereço: Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - "Azulão"
Secretaria do DAN (1º andar)
Fone: 3342.2240
(Trazer documento com foto).

terça-feira, 16 de agosto de 2011

UMBANDA, QUEM ÉS?

Oh! Senhora do Karmana... eis-me aqui, pobre “eu” que geme na penumbra da forma e exausto, se arrastando, chega ao pé da TUA PORTA... abafa esse grito ansiado que vibra dentro de minha alma. Ele afere como se instrumentos invisíveis tivessem estacionado seus “NÚMEROS musicais de SONS COLORIDOS”, num lamentoso DÓ... e escuta então.

Contas venho prestar; de YOXANAN, ordens cumpridas dei; em ALERTAS, sua Voz lancei...; de ADVERTÊNCIA, seus conselhos espalhei; de CÓLERA, seu “brado” vibrei, e na lousa fria da razão, suas VERDADES REVELEI... E somente o “eco” de um silêncio tumular foi a resposta que senti de “tuas almas”, chegar.
Agora, genuflexo ao pó do “plano terra”, torno a implorar: Oh! Senhora da Banda, sopra chamas de Luz em teus diletos filhos, pois parece, continuam na silenciosa expectativa do ser ou não ser, do duvidar ou crer; dize porque hei de ver tua Lei na interpretação obscurecida de umas “tantas quantidades”, como se de papiros poluídos fossem os fundamentos teus...
Serás, por acaso, essa cigana corriqueira, enfeitada de colares de louça e vidro, que, em requebros lascivos, danças e cantas, despertando o atavismo, essa herança discutível, e estendes as mãos onde as castanholas se chocam, mostrando no multicor das “gangas”, paisagens convidativas, que envolvem aconchegos e conchavos?
Serás talvez, essa dama coberta de sêda e veludo, que habita nesses Templos brilhantes de mármores furta-cores, onde se espalha a Vaidade de seus “donos”, ou serás essa Vestal, de roupagens brancas, que no balouçar das cortinas, deixa apenas aos míseros mortais, entrever um mundo de sonhos orientais, não se podendo distinguir que espécie de Umbanda és?...
Serás ainda essa umbanda que alguns plantarem e outros querem semear, cujas raízes foram transformadas em galhos de Lendas e folhas de Mitologias, gerando frutos exóticos, cujo sabor está em relação com a gula que “cada um tem” de ser seu único e exclusivo possuidor?
E será. Oh! porque será que teus “Orixás” estão em tão prolongado silêncio?...
Será que por “verem” tantos e tantos aparelhos se construírem em veículos próprios e, em conseqüência, “dispensarem os serviços” desses mesmos guias e protetores, passando a fazer de tuas mais simples verdades, um fascinante baralho de “mirongas”, procurando impingir a Gregos e Troianos, o A, B, C, que eles ainda não sabem nem por onde começar?
E assim, como sempre, na inspiração de algo que está em mim e NÃO é meu, a YOXANAN clamei: Mestre meu e de mais seis, mas que “fixado” em mim és como tu mesmo o disseste: TRADUZ, Senhor, essas vozes cantantes que agora ouço!...
Ele então, na transfiguração impressionante de sua LUZ ofuscante, VEICULOU:
EU SOU a SENHORA DA LUZ-VELADA, essa UMBANDA DE TODOS VÓS, Mãe geradora de todas as ciências, pois que SOU a própria MAGIA, “veículo-básico” do SUPREMO-LUMINADO...
É por mim que SEUS “pensamentos-ordens” fazem as vibrações se conjugarem, da Unidade à Totalidade, do Marco Inicial ao Ponto Final da Única Verdade, RELIGANDO todas as místicas a uma só causa-original...
Eu ONTEM fui Aquela que conheci a tudo e a todos e SOU essa que desperta em toda alma, a concepção da EXISTÊNCIA DÊLE; em RAMA firmei seu VERBO REVELADOR, e DAÍ “meu manto ser sempre visto de várias formas”; no entanto, EU SOU O PRÓPRIO MANTO DO INCRIADO...
... mas, HOJE eu sou ONTEM e minha “IDADE” é revelada por uns “quantos na forma” e por outros “tantos no espaço”, “ORIXÁS” que são em cima ou embaixo...
E ainda vos digo: minhas manifestações são “ordenadas por UM”, dirigidas por VÁRIOS e executadas por MUITOS, pois que tudo “é movimento de SUA VONTADE”, antes mesmo que Ele desse “vida-ativa” aos INCRIADOS espíritos, CRIANDO-LHES “almas em Si”, pelo sopro do Livre Arbítrio, desde quando começaram a GERAR SEUS PRÓPRIOS KARMAS... e assim velando, de YOXANAN, “ISSO” escutei: e por quanto tempo ainda?...
Isso, eu não sei...

W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani)
[originalmente publicada no livro Umbanda de Todos Nós, 2ª edição (1960) - Livraria Freitas Bastos].

sábado, 13 de agosto de 2011

Alento aos desolados com a Igreja

11/08/2011
por Leonardo Boff
Atualmente há muita desolação com referência à Igreja Católica institucional. Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual. Continuam a crer apesar da Igreja.
E não é para menos. O atual Papa tomou algumas iniciativas radicais que dividiram o corpo eclesial. Assumiu uma rota de confronto com dois importantes episcopados, o alemão e francês, ao introduzir a missa em latim; elaborou uma esdrúxula reconciliação com a Igreja cismática dos seguidores de Lefebvre; esvaziou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando, ofensivamente, o título de “Igreja” às demais Igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; ainda como Cardeal mostrou-se gravemente leniente com os pedófilos; sua relação para com a AIDs beira os limites da desumanidade. A atual Igreja Católica mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo velhista do atual Papa é constituída por grupos conservadores, mais interessados nas performances mediáticas, na lógica do mercado, do que propor uma mensagem adequada aos graves problemas atuais. Oferecem um “cristianismo-prozac”,apto para anestesiar consciências angustiadas, mas alienado face à humanidade sofredora e às injustiças mundiais e a situação degradada da Terra.
Urge animar estes cristãos em vias de emigração com aquilo que é essencial ao Cristianismo. Seguramente não é a Igreja que não foi objeto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o Reino de Deus, em contraposição com o Reino de César, Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações desde as individuais até as divinas e cósmicas.
O Cristiansimo compareceu primeiramente na história como movimento e como o caminho de Cristo. Ele é anterior a sua sedimentação nos quatro evangelhos e nas doutrinas. O caráter de caminho espiritual é um tipo de cristianismo que possui seu próprio curso. Geralmente vive à margem e, às vezes, em distância crítica da instituição oficial. Mas nasce e se alimenta do permanente fascínio pela figura e pela mensagem libertária e espiritual de Jesus de Nazaré. Inicialmente tido como “heresia dos Nazarenos” (At 24,5) ou simplesmente “heresia” (At 28,22) no sentido de “grupelho”, o Cristianismo foi lentamente ganhando autonomia até seus seguidores, nos Atos dos Apóstolos (11,36), serem chamados de “cristãos.”
O movimento de Jesus certamente é a força mais vigorosa do Cristianismo, mais que as Igrejas, por não estar enquadrado nas instituições ou aprisionado em doutrinas e dogmas. É composto por todo tipo de gente, das mais variadas culturas e tradições, até por agnósticos e ateus que se deixam tocar pela figura corajosa de Jesus, pelo sonho que anunciou, um Reino de amor e de liberdade, por sua ética de amor incondicional, especialmente aos pobres e aos oprimidos e pela forma como assumiu o drama humano, no meio de humilhações, torturas e da execução na cruz. Apresentou uma imagem de Deus tão íntima e amiga da vida, que é difícil furtar-se a ela até por quem não crê em Deus. Muitos chegam a dizer: “se existe um Deus, este deve ser aquele que traz os traços do Deus de Jesus”.
Esse cristianismo como caminho espiritual é o que realmente conta. No entanto, de movimento, ele muito cedo ganhou a forma de instituição religiosa com vários modos de organização. Em seu seio se elaboraram as várias interpretações da figura de Jesus que se transformaram em doutrinas e foram recolhidas pelos atuais evangelhos. As igrejas, ao assumirem caráter institucional, estabeleceram critérios de pertença e de exclusão, doutrinas como referência identitária e ritos próprios de celebrar. Quem explica tal fenômeno é a sociologia e não a teologia. A instituição sempre vive em tensão com o caminho espiritual. Ótimo quando caminham juntas, mas é raro. O decisivo é, no entanto, o caminho espiritual. Este tem a força de alimentar uma visão espiritual da vida e de animar o sentido da caminhada humana.
O problemátio na Igreja romano-católica é sua pretensão de ser a única verdadeira. O correto é todas as igrejas se reconhecerem mutuamente, pois todas revelam dimensões diferentes e complementares do Nazareno. O importante é que o cristianismo mantenha seu caráter de caminho espiritual. É ele que pode sustentar a tantos cristãos e cristãs face à mediocridade lamentável e à irrelevância histórica em que caiu a Igreja atual.

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