"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica - poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias. " Deepak Chopra

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Catarina: Trabalho Escravo Infantil!

Crianças em condições análogas a de escravo foram resgatadas de fazenda onde colhiam fumo

Ação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícias Federal e Militar no município de Rio Negrinho, Planalto Norte catarinense, resgatou 23 pessoas de uma fazenda produtora de fumo onde trabalhavam em condições análogas a de escravo. Dos 23 trabalhadores resgatados, onze são crianças e adolescentes com idades entre 12 e 16 anos. “Conforme orientação da promotora de Justiça na região, as crianças e adolescentes foram entregues em suas casas. O Ministério Público Estadual vai tomar as providências cabíveis com relação ao trabalho infantil”, contou o procurador do Trabalho Guilherme Kirtschig. A fazenda foi interditada e o procurador deu uma semana de prazo para o proprietário levantar os recursos para pagar os danos morais e as verbas trabalhistas e previdenciárias devidas.
No momento da ação da fiscalização, os trabalhadores e as crianças trabalhavam na colheita do fumo e aplicação de agrotóxicos sem equipamentos de proteção, descalços ou de chinelos de dedo. O trabalho em plantações de fumo está entre as piores formas de exploração da criança e do adolescente, conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pois provoca câncer e outras doenças fatais e degenerativas sendo expressamente proibido, por decreto do MTE, para menores de 18 anos. “Além do contato com o fumo, que já é nocivo à saúde e proibido para menores de 18 anos, eles também lidavam com agrotóxicos sem proteção alguma”, afirma Lilian Carlota Resende, coordenadora de fiscalização do trabalho rural do MTE em Santa Catarina.
Segundo ela, os menores – uma menina de 12 anos, duas meninas e um menino de 13 anos, um menino e uma menina de 14 anos e duas meninas e três meninos de 15 anos – informaram que um trator, com uma caçamba acoplada, passava perto das 6 horas da manhã no centro de Vargem Grande – localidade onde fica a fazenda autuada – e transportava menores e adultos dentro da caçamba até o local de trabalho. “Os menores trabalhavam até perto das 19 horas quando retornavam na caçamba do trator chegando em casa perto das 20 horas”, relata Lilian.
No local, uma grande plantação de fumo, havia apenas o banheiro da casa do produtor que arrendou terras para o empregador. Os menores relataram que muitas vezes faziam suas necessidades no mato e que apesar da água fornecida estar em um galão, todos bebiam a água no mesmo copo, aumentando os riscos de contaminação por doenças infecto-contagiosas.
De acordo com a auditora fiscal, no momento em que a equipe de fiscalização chegou ao local, dois trabalhadoras faziam a aplicação do produto Primeplus – agrotóxico altamente altamente perigoso. “As empregadas esconderam os aplicadores atrás do chiqueiro de porcos para que a fiscalização não visse que as mesmas faziam a aplicação sem qualquer proteção, uma delas inclusive estava de chinelos, e ambas usavam a roupa própria de uso comum, que posteriormente inclusive seria lavada normalmente com as roupas da família, vindo a contaminar outras pessoas”, completa. As empregadas passavam os agrotóxicos nos locais em que os menores colhiam o fumo, conforme relataram os menores, e o produtor não possuía qualquer Estudo de Gerenciamento dos Riscos dos Agrotóxicos em relação aos trabalhadores. Não havia local para guarda, armazenamento e preparação da calda do agrotóxico. Também não havia local para higienização dos empregados que aplicavam o agrotóxico.
Os fiscais constataram ainda que outra caçamba transportava, ao mesmo tempo, os galões de água, junto com o agrotóxico Primeplus e o agrotóxico Agral, junto com os mantimentos que serviam para as refeições dos empregados.
Os empregados adultos não estavam registrados, portanto não estavam amparados pela previdência social em caso de acidentes, doenças ou morte (no caso para apoio da família), não tinham sido submetidos a exame médico, não recebiam outros direitos como repouso semanal remunerado, férias proporcionais, 13º salário proporcional e FGTS.
Reicidente – A fazenda em questão foi autuada há dois anos atrás pelos mesmos motivos quando firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT. “Infelizmente, não conseguimos saber para quem seria vendida a produção desta fazenda, pois certamente o MPT acionaria a fumageira, que é solidariamente responsável por esse tipo de situação”, lamentou o procurador. Kirtschig deu uma semana de prazo para o proprietário levantar os recursos para pagar os danos morais e as verbas rescisórias trabalhistas e previdenciárias. “Alguns estavam trabalhando há cerca de 26 dias enquanto outros estavam há três ou quatro dias”, diz o procurador. Para evitar uma ação judicial e a execução integral do TAC descumprido, que estabelece mais de R$ 100 mil em danos morais, o proprietário deverá pagar R$ 1 mil para cada trabalhador e R$ 1,3 mil para cada um dos menores a título de danos morais individuais. “Mais as verbas rescisórias trabalhistas e previdenciárias, o que deve totalizar cerca de R$ 60 mil”, conclui o procurador.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina
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Procuradora do Trabalho confirma denúncias sobre trabalho infantil nas lavouras de fumo

Publicado em julho 3, 2008 por HC
Durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta quarta-feira (2), a procuradora Margaret Matos de Carvalho confirmou as denúncias veiculadas pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), em reportagem do dia 18 de maio último, sobre o uso de mão-de-obra infantil no cultivo e preparo das folhas de fumo no estado. Margaret é procuradora do Ministério Público do Trabalho no Paraná. Ela disse que milhares de menores são usados nas lavouras tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Por Augusto Castro, da Agência Senado, 02/07/2008 – 18h20.
A procuradora também acusou a indústria do fumo de praticar “endividamento crescente” das famílias plantadoras, mantendo esses fumicultores em “situação de servidão”, pois fornecem aos agricultores os produtos necessários para o cultivo. Segundo ela, as crianças que trabalham com o manuseio das folhas de fumo apresentam problemas de déficit cognitivo e de lesão por esforço repetitivo.
O senador Flávio Arns (PT-PR), autor do requerimento para realização da audiência pública, acrescentou que estudos acadêmicos demonstram que essas crianças apresentam níveis de nicotina no organismo superiores aos dos próprios fumantes.
De acordo com a procuradora Margaret, as indústrias do fumo já foram acionadas na Justiça por meio de ação civil pública. Ela sugeriu que os ministérios convidados para a audiência (do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) promovam diligências para fiscalizar as regiões produtoras de fumo. Arns avisou que as acusações da procuradora serão enviadas pela CDH para os três ministérios, com o objetivo de cobrar desses órgãos a obrigação de implantar a Convenção-Quadro Para o Controle do Tabaco no Brasil.
Margaret disse que 200 mil brasileiros morrem anualmente devido a doenças causadas pelo tabagismo e acrescentou que a indústria do fumo no Brasil é dominada por empresas transnacionais. Para ela, o governo brasileiro deve exigir reparações dessas empresas pelos danos causados pela indústria fumageira, como os prejuízos à saúde dos fumicultores e os prejuízos ambientais devido a agrotóxicos, entre outros.
Representando o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o assessor Flávio Pércio Zacher também participou da audiência pública. Ele informou que, no próximo dia 11, o ministro visitará a região do município de Santa Cruz de Monte Castelo (PR) e percorrerá lavouras e indústria do fumo, além de promover audiência pública sobre a questão do trabalho infantil. Disse também que o Brasil é o maior exportador mundial de fumo.

3 comentários:

soraya disse...

Olá gostaria de saber de quem e de quando se trata a fotografia dessa reportagem.

Obrigada

Soraya Franzoni Conde
(doutoranda em Educação e professora NDI/UFSC)

Oba'ocitala disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Oba'ocitala disse...

Soraya, esta foto foi conseguida no google, quando digitei industria do tabaco, trabalho infantil e santa catarina, lá não consta o dono da foto, mas é vinculada ao blog anjos guerreiros, veja o link: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/_jOSx2tnixxc/TRsfMj0-HvI/AAAAAAAAUYg/DHdYfQOqY1M/s400/trabalho_infantil2.jpg&imgrefurl=http://anjoseguerreiros