"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica, poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias." Deepak Chopra

domingo, 25 de julho de 2010

Campanha movimenta praticantes de religiões afro no Maranhão

Portal do Governo do Maranhão
Agência de notícias












"Quem é de Axé diz que é, Sou da Mina com Orgulho". Esse é o tema da campanha que ganhou, nesta sexta-feira (23), as ruas do Centro Histórico de São Luís. O objetivo é sensibilizar os praticantes de religiões de matrizes africanas no Maranhão em declarar a sua religiosidade quando da pesquisa do Censo 2010 tendo em vista minimizar o preconceito e corrigir as distorções dos números divulgados pela IBGE. "Temos que desmistificar essa triste realidade, não apenas no Maranhão, mas em todo o Brasil, disse Cristina Miranda, coordenadora do Coletivo de Entidades Negras (CEN).

A ação, que tem por base o Censo 2000, no qual apenas 0,3% da população brasileira declarou ser adepto da religião afro-brasileira, teve início pela manhã, com o ritual Alvorada dos Ojás, na Praça Deodoro. Segundo Cristina Miranda, o evento despertou interesse de quem passava. Durante toda a manhã, mães e pais de santo cantaram e dançaram no local. O roteiro foi movimentado à tarde com a "Caminhada e Ato Público Fala Voduns. A concentração foi na praça Deodoro e seguiu até a Praça Nauro Machado, na Praia Grande. 

"Esse é um passo muito importante pela cidadania", considera a secretária de Estado de Igualdade Racial, Claudett Ribeiro. Segundo ela, o governo do Estado está engajado nesse movimento de conscientização e visibilidade a cultos de matrizes africanas e representativos para o Maranhão. Pai Itabajara, do Ilê Axé Akorô D`Ogum disse que a força negra no Maranhão vem dos terreiros. "Esse movimento é a maneira encontrada por nós para que possamos mostrar cara no Censo Brasileiro como cidadãos e dar uma resposta a toda a intolerâncie religiosa ainda existente com as religiões afrobrasileiras", enfatizou.

Mudança

Para a coordenadora de Divulgação do Censo 2010 do IBGE, Raquel Elisa de Araújo Marrocos, a campanha deve mudar o resultado da última pesquisa. "Esperamos ter um resultado mais próximo do real e a prática religiosa é um dos itens analisados. Aqui, aproveitamos para divulgar o nosso trabalho, pois o censo começa em agosto, a população precisa colaborar", ressaltou.

O coordenador do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão e do Coletivo de Entidades Negras, Neto de Azile, contesta o resultado do último censo do IBGE. 

"Observamos que os números não são verdadeiros, mas a herança colonial, a discriminação, o preconceito, tudo isso faz com que as pessoas não se identifiquem. A idéia é sensibilizar os religiosos de matriz africana para que digam que são de terreiro, que são de axé", destacou.

Neto de Azile disse que o Censo é um instrumento que o governo usa para definir as suas políticas públicas e ações afirmativas. "Então, temos que ter um número maior, um número mais verdadeiro, para que possamos exigir esse serviço do estado", completa.

Ações

A campanha foi organizada por um comitê formado pela Secretaria de Igualdade Racial (Seir), Coletivo de Entidades Negras (CEN), Conselho Estadual da Igualdade Étnico Racial (CEIR), Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão (Ferma) e Conselho Municipal Afrodescendente São Luís (Comafro), Associação Netos de Nanã, Federação de Cultos Afros do Maranhão e Pontos de Cultura Mestre Leonardo. O evento também contou com as parcerias da Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e da Universidade Virtual do Maranhão (UNIVIMA).

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