"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica, poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias." Deepak Chopra

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Monteiro Lobato é Absolvido!

Decidido: “Caçadas de Pedrinho” não vai para o index


Quando o historiador Marco Antonio Villa acusou o “lulismo” de perseguir Monteiro Lobato, eu retruquei: “o insignificante Conselho Nacional de (Des)Educação” apenas elaborara outro de seus “pareceres desnecessários e tolos”, que não respaldava nem de longe tal generalização, pois apenas se constituiu num “exemplo da crassa ignorância de funcionários subalternos, incumbidos de tarefas além de suas qualificações”.
O ministro Da Educação, Fernando Haddad, concordou, dando ao parecer o único destino cabível: a lixeira.
Para salvar as aparências, pediu ao CNE que elabore outro — o qual, claro, não trará nenhuma recomendação obscurantista.
Quanto à conselheira Nilma Lino Gomes, que conseguiu seus cinco minutinhos de fama como uma  dona Solange extemporânea, recomendo que compare o enfoque dado ao personagem Tia Nastácia com a forma como as domésticas negras eram verdadeiramente tratadas na época.
Lobato, longe de fazer dela uma caricatura racista, a coloca como integrante querida da família, com seus conhecimentos adquiridos na escola da vida, sua bondade e sua simpatia cativante.
Os pêlos em ovo que pretextaram tal parecer (frases soltas) apenas dão uma idéia de como o negro era vítima de preconceitos: a boneca Emília, por birra, repetia grosserias em voga.
A sábia Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, o Visconde de Sabugosa, ninguém a apoiava, todos demonstravam respeito e consideração pela Tia Nastácia.
Isto, sim, diferia do usual na sociedade brasileira da primeira metade do século passado. Ótimo seria se os racistas estivessem em posição minoritária. Não estavam, muito pelo contrário.
Ao estabelecer tal contraste, Lobato apontava qual a postura correta e qual a errada. Estava combatendo o racismo, não o endossando.
Isto, diria Nelson Rodrigues, é o óbvio ululante. A ficha cairia para qualquer pessoa que se desse ao trabalho de ler alguns livros da série do Sítio do Picapau Amarelo antes de emitir pareceres ridículos.
O que não foi o caso da tal conselheira. Ela comeu na mão de um desses Torquemadas do politicamente correto e se deu muito mal.
Resumo da opereta: o CNE tem conselheiros que não conseguem sequer se posicionar com um mínimo de competência sobre a literatura infanto-juvenil. Deveriam perguntar a seus filhos.

*Adriana Monteiro
Acompanhei o programa e fico chocada com a capacidade do Brasil de ocupar-se com aquilo que não é vital,enquanto o que é efetivamente importante não é tratado.
Literatura é literatura e ponto final, cabe ao leitor raciocionar sobre aquilo que é lido.
Sou advogada e o meu gosto pela leitura nasceu quando tive contato com as obras de Monteiro Lobato. O MEC deveria estar preocupado com a formação dos professores e com a qualidade do ensino, enquanto isto não ocorrer, as escolas balizadas por um falso moralismo continuarão a formar seres humanos incapacitados de pensar e de construir a sua própria opinião. Será que as escolas do nosso país continuarão a ensinar pela metade, a contar a nossa história pela metade? Imagino que a nossa história continua sendo contada pela metade, como fizeram durante a minha formação. Será que as escolas ousam dizer aos seus alunos que ocorreram barbáries como o ataque dos índios aos brancos, dos brancos aos índios, da matança causada pelos Bandeirantes, que o comportamento da família real não era tão nobre como se pensa e que assim segue até os dias atuais com todos ps escandâlos que todos os dias estão estampados nos jornais.
Que permaneçam as obras de Monteiro Lobato na íntegra, e que os alunos possam tirar as suas próprias conclusões e discutir o momento em que viveu este gênio da literatura e o momento atual, sem que a sombra da censura prive os pequenos leitores da liberdade de viajar nas deliciosas aventuras de Pedrinho. Imagino que se não pensarmos sobre isto agora, em breve o Visconde de Sabugosa será proibido, afinal ele pode ser classificado como um milho trangênico, o saci pererê acusado de incentivar o tabagismo e a mula sem cabeça, esta pobrezinha vítima de maus tratos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Thanks :)
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