"Somos todos viajantes de uma jornada cósmica, poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias." Deepak Chopra

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Umbanda é Mogibá

Umbanda: pouco conhecida e muito hostilizada


José Antônio Rosa
Notícia publicada na edição de 16/12/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Adilene Cavalheiro, diretora da produção, ficou surpresa que a esmagadora maioria dos entrevistados associa a umbanda ao mal

Um dos primeiros e mais cruéis registros de repressão à liberdade de crença religiosa de que se tem conhecimento em Sorocaba data do século 19. Aconteceu na Fazenda do Passa Três, no então Distrito de Brigadeiro Tobias, quando três escravos realizavam um culto afro e foram impedidos pelo capataz do lugar de dar sequência aos trabalhos. Houve confronto e os negros, depois de julgados, acabaram condenados à forca.
A execução ocorreu no terreno conhecido como Campo do Piques, onde, mais tarde, surgiria o Cemitério da Saudade. Consta que os corpos daqueles que eram punidos ficavam ali expostos para “servir de exemplo”.
Desde então, as manifestações da cultura negra, mais exatamente a umbanda, passaram a ser visadas. Coube ao místico João de Camargo promover, não sem enfrentar toda sorte de dificuldades, o sincretismo religioso, incorporando ao catolicismo elementos daquela expressão.
Passado tanto tempo, a umbanda ainda é encarada com preconceito na cidade. Para entender por que isso acontece, e desfazer alguns dos muitos equívocos que envolvem o assunto, a professora Adilene Cavalheiro produziu “A Umbanda é Mogibá” , documentário em DVD, que será lançado amanhã na sede da ONG “Quilombinho”.
Mogibá é uma saudação comum aos ritos de umbanda que pode ter vários significados. “Bem vindo à roda” é um deles. A expressão serve, também, para dizer “nem tudo é o que aparenta ser, mas tudo o que aparenta é”.
Câmera e microfone à mão, a própria Adilene foi às ruas para saber das pessoas o que pensam da religião discutida no documentário. Ouviu de tudo um pouco, mas constatou, surpresa, que a esmagadora maioria dos entrevistados associa a umbanda ao mal.
A falta de informação somada à intolerância são dois dos motivos apontados pela realizadora do filme como determinantes desse processo. “As pessoas relutam em aceitar, falam a primeira coisa que vem à cabeça e estabelecem distorções. Ainda é muito forte o entendimento, o estigma de que a umbanda tem a ver com negativo, com o errado, com o mal”.
Adilene optou por não usar voz em “off” no trabalho, ou seja, não narra as sequências. Elas se “costuram” umas às outras.
Projeto apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura (Linc) com verba de R$ 40 mil, o vídeo foca um pouco da historicidade, ao resgatar episódios protagonizados por João Mulato, escravo que foi detido no município no ano de 1767 pela Inquisição porque portava um patuá, ou pelo negro Felisberto Cambinda, acusado e preso pela prática de “feitiçaria”.
Já no século 20, em 1927, a polícia expulsou da cidade supostos curandeiros que se passavam por adivinhadores. “Toda essa perseguição, o que se propagou de errado a respeito, ficou como que entranhado no inconsciente coletivo e os umbandistas se transformaram em inimigos. A tal ponto que até quem não faz a menor ideia do que se trata acha isso”.
Adilene entrevistou especialistas como o pesquisador José Carlos de Campos Sobrinho, o “Zeca”, que, junto com Adolfo Friolli, publicou a biografia de João de Camargo. Ouviu, ainda, o ex-presidente do Conselho Municipal do Negro, Ademir de Barros e a estudiosa Regina Proença, do Instituto Iluminatis de Filosofia.
Ela diz, no material de divulgação, que “construir uma cultura de paz e tolerância é imperativo ao século 21”. “A produção do documentário contribui com este processo a partir de uma visão histórica, antropológica e humanística”.
O trabalho também atende à legislação que garante igualdade de tratamento às várias culturas que se formaram no país e estabelece como matéria do currículo das escolas o ensino da história dos negros e seus costumes.
“A Umbanda é Mogibá” é fruto do trabalho de pesquisa que começou em 2001 com o lançamento do CD “Cantos da Terra”, complementado pelo documentário do mesmo nome, (2003), ambos produzidos com o apoio da Linc. Neles, a autora registrou manifestações folclóricas de Sorocaba e da região, como o Fandango de Chilenas, o Samba Caipira, e a Recomenda das Almas.
Serviço
A Umbanda é Mogibá
DVD realizado pela professora Adilene Cavalheiro, com o apoio da Linc
Lançamento amanhã, às 20h, na Centro Cultural Quilombinho (rua Caramuru, 203)
Foram produzidas 500 cópias do trabalho, das quais 50 estarão à venda ao preço de R$ 15 (cada)
O restante será distribuído a bibliotecas e espaços públicos
A entrada é franca e outras informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3018-8090

Um comentário:

Santo Daime.Umbandaime.Ayahuasca disse...

Viva a Umbanda, quando nela é consagrado o Santo Daime, passa a denominar-se Umbandaime!
Viva os Orixás!
www.umbandaime.com.br